4.3. Gerginlik Kontrol Sisteminin Performansının Analizi
4.3.1. Kesikli ipliklerden üretilmiş silindirik bobinlerden sağım durumunda kontrol
Em um estudo cujo objetivo foi o de refletir sobre a importância da mídia televisiva no reforço das imagens e conceitos, tendo como referência o herói Ayrton Senna do Brasil, por ocasião dos 10 anos de falecimento, cuja “ocasião trouxe novamente à tona, sob o olhar tanto da mídia massiva quanto da segmentada, inúmeras releituras e exibições, não raro fastidiosas, dos “feitos do piloto na Fórmula 1”, da “morte trágica em Ímola” e do seu “legado de valores éticos e morais” (PRÖGLHÖF Jr.; AZEVEDO; GONÇALVES, p. 2), esse texto é alusivo à discussão sobre a necessidade de se verificar o papel da mídia (leia-se principalmente a Rede Globo) no fortalecimento da imagem criada e mantido pela Rede Globo e pelo próprio IAS. Ainda sobre tais questões os autores são incisivos na afirmação:
No imaginário coletivo, constituído essencialmente de arquétipos, coexistiam dois tipos distintos de Ayrton Senna: o semi-deus das pistas, rei da chuva, feroz, preciso, único, inigualável e inatingível; e o cidadão bom- moço, tímido, gentil e carismático Ayrton Silva. São os arquétipos do corajoso guerreiro e do cidadão exemplar (idem, p. 2).
Esse aspecto do “herói arquetípico” é explicitado por Rubio (2001) nos seguintes termos:
Se por um lado sua condição de atleta diferenciou-o de uma grande parcela da população, permitindo que goze de privilégios reservados a poucos, por outro essa mesma condição o faz amargar o isolamento e distanciamento de situações vividas por seus semelhantes. E essa é uma das condições vividas pelo herói arquetípico. [...], submetido a uma rotina desgastante de
treinos e jogos, o atleta se vê envolvido por questões como a ausência de seu contato com a família, superexposição na mídia e a impossibilidade de admitir, para si e para o público, suas fragilidades, angústias e incertezas, posto que ainda que uma figura mítica, nosso herói contemporâneo não habita o Olimpo nem bebe da ambrósia com os deuses, mas estabelece relações afetivas e sofre com os transtornos que cercam a vida de um atleta que também é cidadão (RUBIO, 2001, p. 113).
Contribuiu para esse processo o fato do mesmo estar no auge da carreira quando de sua morte e isso se constituiu num o ingrediente fundamental para esse heroísmo, se assemelhava ao herói olimpiano45 de que nos fala Morin (1997), ou seja:
O herói simpático, tão diferente do herói trágico ou do herói lastimável, e que desabrocha em detrimento deles, é o herói ligado identificativamente ao espectador. Ele pode ser admirado, lastimado, mas deve ser sempre amado. É amado, porque é amável e amante (MORIN, 1997, p.92).
Os elementos da mitologia nos ajudam a compreender como se acentuou o processo de transformação do esportivo no herói e isso foi/é capitaneada de modo que a personalidade midiática rendesse bons debates, matérias e debates até os dias de hoje. Um exemplo disso foi que, em 2012, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), realizou um programa eletivo autointitulado O Maior Brasileiro de Todos os Tempos e o mesmo figurou entre os doze semifinalistas. Embora não tendo vencedor ainda é considerado um dos maiores ídolos da Fórmula 1, tendo sido recorrente a alcunha de herói brasileiro pela mídia sensacionalista.
A condição de herói nacional foi acentuada quando o atleta passou a erguer a bandeira brasileira nas comemorações de suas vitórias nas corridas de Fórmula 1. Esse gesto teve origem num momento de fragilidade patriótica em face da desclassificação da seleção brasileira de futebol, na Copa do Mundo do México e, portanto, contribuiu significativamente para consolidar a imagem de grande herói, exacerbar o patriotismo do povo brasileiro e homenagear seu País.
A narração inflamada de Galvão Bueno – locutor da Rede Globo de Televisão – quando das vitórias e ultrapassagens de Ayrton Senna construía um momento de euforia coletiva. O locutor e o atleta foram apresentados em um determinado fim de
45 São chamados de olimpianos, em referência ao Monte Olimpo, local onde os gregos acreditavam
habitar os Deuses e estes ficam em evidência por alguma característica pessoal que é exaustivamente explorada pelos meios de comunicação. Um traço comum dos olimpianos é a sua privacidade invadida, uma vez que “a imprensa de massa, ao mesmo tempo que investe os olimpianos de um papel mitológico, mergulha em suas vidas privadas a fim de extrair delas a substância humana que permite a identificação” (MORIN, 1997, p.106).
semana, no ano de 1982, como é descrito na biografia Ayrton, o herói revelado de Ernesto Rodrigues (2004, p. 48):
[...] Ayrton se apresentou a um jornalista que seria um de seus maiores amigos e cuja lembrança daquele primeiro encontro era a de "um moleque magro, feio e orelhudo, mas determinado".
- O senhor que é o Galvão Bueno? - Sou...
- Eu sou Ayrton Senna da Silva... - Pelo jeito, eu vou falar muito de você. - Espero que sim...
A vibração eloquente do narrador, o uso de expressões como “Acelera, Ayrton!” e “Ayrton Senna... do Brasil!” aliado ao carisma do piloto com a bandeira do Brasil nas mãos, ao final das corridas, passava a ideia de que sem a torcida brasileira, isso não seria possível.
Na referida biografia, o publicitário Washington Olivetto faz uma observação relevante de tal gesto, nos impondo a necessidade de pensar nas reais intenções de suas atitudes e, naquele momento, um ingrediente fundamental na sua transformação em mito, pois “não achava nada fácil separar o que era genuíno e o que era estratégia profissional nas atitudes de Ayrton” (p. 146). Acrescenta, também:
Senna tinha o que precisava na Fórmula 1 de sua época: uma disciplina fantástica e a percepção de que estava num negócio que contém esporte. Além disso, conseguiu provocar a adoração do mito, sendo um padrão de doçura absoluta, de bondade, de capacidade de luta. E mais o estilo destemido. Tudo o que se espera de um ídolo e, junto com isso, uma visão comercial muito grande. Ele misturava tudo de uma maneira que era praticamente impossível saber onde terminava uma coisa e onde começava a outra (p. 146-7).
Como parte dessa ação produzida pela mídia e, ao mesmo tempo, valendo-se dessa visibilidade é que, em 1990, o próprio Ayrton Senna aceitou lançar uma linha de produtos que explorava, publicitariamente, a sua imagem. A partir do carisma, da visibilidade da mídia e de bons investidores tinha como meta era que a marca fosse prestigiada em todo o planeta.
A marca Senna, inspirada no “esse” do final da reta dos boxes de Interlagos, foi desenvolvida para produtos de impacto, inovadores e necessariamente identificados com a imagem de Ayrton Senna como jovem, competitivo, sério, obstinado, dedicado, vitorioso, esportista e internacional. [...] A expectativa da nova empresa de Ayrton era colocar a marca, em três anos, no início de 1994, entre as 15 mais prestigiadas do planeta (RODRIGUES, 2004, p. 366).
Além dessas, foi desenvolvida uma linha de produtos infantis denominada de Senninha, que inclui produtos de higiene pessoal, revista em quadrinhos, camisetas e brinquedos, ligando comercialmente os produtos à vivacidade e à inquietação, tão características de crianças e adolescentes.
Outro aspecto importante em se tratando do apelo midiático em volta da figura de Ayrton Senna é expresso pela própria hospedagem do site do IAS, sob o domínio de uma das maiores empresas de telecomunicação do País (senão a maior) que é a Rede Globo. Detentora das maiores audiências televisivas é, também, detentoras de outros veículos de propagação de informação, quais sejam: rádios, afiliadas em todos os Estados, jornais, editoras, gráficas, produtora e distribuidora de filmes, sites etc.
No estudo de França (2006) é evidenciado o modo como a mídia transformou (e continua mantendo) o piloto em herói nacional, considerando-se que é um dos mais citados e homenageados no âmbito da Fórmula 1, quase sempre enaltecendo a sua nacionalidade, embora tenha a própria Rede Globo que mais capitalizou com a imagem do piloto, em uma parceria que se mantém atual com o IAS.
Ainda segundo Rodrigues há um volume de publicações e inserções grandioso no que se refere ao piloto, como expresso no exemplo a seguir:
Em seu livro Ayrton Senna, Herói da Mídia, o jornalista Paulo Scarduelli selecionou da Mídia as edições de 2 e 6 de maio de 2004, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, O Povo, de Fortaleza e o Diário Catarinense, de Santa Catarina, ocuparam 340 páginas sobre o assunto (Ayrton Senna) e publicaram 208 cartas de seus leitores sobre o piloto. Entre crônicas, artigos, colunas comentários assinados, os seis jornais abriram 26 páginas e meia para colaboradores e jornalistas opinarem sobre a tragédia. Senna foi o assunto de 924 textos, 826 fotos e 67 ilustrações. Em menos de uma semana, chegaram às bancas 2,3 milhões de exemplares de revistas extras, que totalizaram mais 432 páginas dedicadas a Senna. A maior parte das edições se esgotou. E o faturamento bruto das editoras totalizou 6,2 milhões de dólares (idem, p. 544).
Isto significa que o volume produzido foi suficiente para referendar a imagem do ídolo e o fato de que a tragédia que o vitimou foi salutar para transformar ainda mais heróica a sua carreira.
A biografia produzida por Ernesto Rodrigues revela o quanto as curiosidades sobre a vida do mito ainda rendem um apelo midiático, mesmo tendo sido lançada dez anos após a morte do mesmo. É uma de grande repercussão, até mesmo pela
riqueza de detalhes (principalmente da vida pessoal) que a mesma apresenta e corrobora para manter acesa as exaustivas pautas sobre o piloto e a extensa cobertura midiática tem reforçado ainda mais este perfil heróico do mesmo.
Outro aspecto decorrente dessa exposição maciça na mídia repercute na manutenção dos negócios com a marca Senna e, consequentemente, mantém a margem de lucros (altos) desses negócios. Por fim, repercute também na divulgação, premeditada e permanente, das ações do IAS, conforme nos deteremos no item a seguir.