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Kenyatta Dönemi Kenya Cumhuriyeti’nin İç Politikası

Por meio da abordagem qualitativa, o estudo buscou conhecer a percepção/manifestação das entrevistadas sobre o atendimento recebido nos serviços de saúde desde a atenção no domicilio, até o modo como se efetivou o processo de encaminhamento para unidades de atenção mais especializada durante o pré-natal, o trabalho de parto e o parto. Também teve por fim identificar os sentimentos manifestos das mulheres sobre o que determinou a morte da sua criança e os comentários relativos à sua percepção acerca de procedimentos/atitudes capazes de modificar a situação vivida/experimentada.

3.2.1 O Processo de Seleção dos Sujeitos da Pesquisa

O critério de seleção para escolha das entrevistadas foi ser mãe de crianças que constituíram óbitos perinatais ocorridos há um tempo que respeitasse um período considerado de maior emoção, de sofrimento com a recordação da perda da criança, mas, que também permitisse às mães a lembrança da situação vivenciada, bem como ser mãe de crianças que nasceram vivas e sobreviveram ao período neonatal. Tratou- se, portanto de amostra intencional.

Inicialmente, de novembro de 2008 a maio de 2009, as mulheres foram identificadas por agentes de saúde que atuam em três Secretarias Executivas Regionais (SER) – II, IV e VI, eqüidistantes e, provavelmente, representativas de população de classes sociais de baixa, média e alta renda do Município de Fortaleza. No entanto, durante um período maior de seis meses, por este meio, só foi possível identificar um número muito limitado de mulheres que haviam perdido seus filhos por óbito no período perinatal.

A partir desta constatação, a estratégia foi modificada para busca nos registros das internações cujo desfecho foi óbito perinatal ou criança com alta hospitalar, nos três grandes hospitais maternidades de Fortaleza.

Em junho de 2009, foi elaborada uma lista de 282 pacientes sendo 216 com desfecho óbito perinatal e 66 com alta hospitalar, viva e que se enquadravam nas características necessárias ao estudo. A relação continha informações dos prontuários médicos que possibilitasse a realização de contato (telefone, endereço). A partir do acesso a esta lista foi iniciada a busca por meio de chamada telefônica, de acordo com o número informado e que, muitas vezes, não coincidia com o correto, determinando que apenas uma de cada cinco a seis mulheres contactadas fosse, de fato, encontrada, com as quais foram agendadas e realizadas as entrevistas entre julho e novembro de 2009.

Mães identificadas como residentes em outro município da Região Metropolitana de Fortaleza foram excluídas do estudo.

3.2.2 A Entrevista como Técnica de Coleta de Dados

Na pesquisa qualitativa, a entrevista é uma técnica muito utilizada e é realizada de várias formas - desde uma conversa informal até o preenchimento de questionários ou roteiros orientadores. O questionário é preenchido pelo próprio entrevistado, enquanto o formulário/roteiro é usado pelo entrevistador (BARROS e LEHFELD,1990). A entrevista pode ser individual ou em pequenos grupos (VICTORA, KNAUTH e HASSEN, 2000).

A técnica de entrevista individual, semi-estruturada foi escolhida para identificar a percepção das mães usuárias do sistema público de saúde, de Fortaleza, em relação ao atendimento recebido e a caracterização de um processo que possa refletir a ocorrência da integralidade tanto da organização quanto da atenção ofertada na rede de serviços de saúde.

Na realização das entrevistas foi utilizado um roteiro guia, (ANEXO 1), elaborado pela pesquisadora, contendo os itens sobre os temas a serem abordados,

visto que este permite flexibilidade na organização e na ampliação, com inclusão de questões à medida que as informações vão sendo fornecidas pela pessoa entrevistada (FUJISAWA, 2000). Roteiros são guias sinalizadores dos caminhos que serão seguidos e podem passar por mudanças durante a execução do trabalho. Devem conter uma lista de temas que guiam a entrevista de forma coerente com o foco da avaliação e capazes de facilitar uma relação de confiança no grupo entre os entrevistados e o pesquisador (DESLANDES et al., 2005; MINAYO, ASSIS e SOUZA, 2005).

A quantidade de entrevistas – fechamento da amostra – obedeceu ao critério de saturação pelo qual se segue entrevistando novas pessoas até alcançar os objetivos, chegar à compreensão do problema e que não mais surjam dados que possam indicar perspectivas novas pertinentes à descrição das categorias do estudo. Ou seja, a suspensão de inclusão de novos participantes se deu quando foi percebida a repetição dos dados coletados sobre cada item do roteiro da entrevista ou mesmo de assuntos abordados pelas entrevistadas e que não constavam no roteiro, não havendo, portanto, acréscimos de informações significativas ao estudo, conforme defendido por DENZIN (1994) sobre pesquisa qualitativa.

Para assegurar a qualidade da decisão do momento de suspender as entrevistas, estas foram organizadas de modo a formar núcleos temáticos iniciais e cuja pré-análise foi revelando a repetição das informações na formação de cada categoria empírica – síntese do texto da entrevista em expressões significativas - como sugerem vários autores (BRANDÃO, 2000; MOREIRA 2001; GASKEL, 2005; CHIZZOTTI, 2006; FONTANELLA, RICAS e TURATO, 2008).

A saturação das informações foi verificada em diferentes momentos das entrevistas em relação aos itens abordados. Assim, por exemplo, a dificuldade na comunicação/relação médico paciente surgiu na primeira entrevista, e foi referida em praticamente todas, saturando, portanto nas primeiras dez entrevistas de mães de crianças que tiveram óbito perinatal. Citações sobre a não realização de visita domiciliar por agente de saúde durante a gravidez surgiu e repetiu-se nas últimas oito entrevistas de cada subgrupo de entrevistadas. Em relação ao parto, a necessidade de acompanhante citada surgiu em fase adiantada das entrevistas. Quanto às entrevistas com mães de crianças que permaneceram vivas além do período neonatal, verificou-

se entre as categorias algumas referencias contraditórias, mesmo porque estas mulheres insistiam mais para obtenção de conhecimento, talvez por terem melhor nível de escolaridade.

3.2.3 Tratamento e Análise dos Dados

As entrevistas foram transcritas sucessivamente, na íntegra, conservando-se as expressões de linguagem utilizadas pelas entrevistadas, conforme citação de GIL (2005), quando refere sobre a análise do discurso que “a transcrição deve registrar a fala literalmente, com todas as características possíveis da fala”, visto que este modo permite maior autenticidade da manifestação dos pensamentos explicitados pelas entrevistadas (GIL, 2005; CHIZZOTTI, 2006; OLIVEIRA, 2007).

Os dados obtidos foram consolidados e analisados por meio de uma leitura aprofundada das entrevistas transcritas, da valorização dos silêncios, dos momentos de emoção marcados muitas vezes por lágrimas, revolta, da observação dos contrastes e do recorte das falas das participantes que se seguiu à organização das entrevistas, por meio de codificação e produção de categorias, com análise do seu significado. As categorias são expressões ou palavras significativas a partir das quais o conteúdo de uma fala passa a ser organizado. A categorização é, portanto, segundo MINAYO, um processo de sintetização do texto a palavras e expressões significativas (MINAYO, 2006). As categorias identificadas puderam dar resposta às perguntas, aos objetivos do estudo, como afirmado por BARROS e LEHFELD, 1990.

A técnica da análise do discurso (AD) foi adotada com uma perspectiva de olhar aquilo que, segundo alguns autores, as narrações, as falas objetivam alcançar (VAN DIJK, 1985; GIL, 2005; MACEDO et al., 2008).

Quatro características principais são inerentes à análise do discurso, de acordo com a descrição de GIL (2005): preocupação com o discurso em si mesmo; visão da linguagem como construída e construtiva; convicção na organização retórica do discurso; o discurso como uma forma de ação (GIL, 2005). Nesta pesquisa, foi

considerado “discurso” o material obtido por meio das entrevistas, composto e organizado em texto; Em relação à característica construção, foi destacado o entendimento de que o discurso é construído a partir de recursos lingüísticos preexistentes, o que pode explicar a diversidade de textos formatando um sentido real da situação para a qual se busca expressão; Sobre a organização retórica, esta se prendeu à atenção dirigida ao modo como os discursos das entrevistadas procuraram ser convincentes, à eloqüência de suas falas. Por último, foi realçada a função do discurso, no sentido transmitir as impressões de cada entrevistada, produzindo consolidados para o contexto interpretativo do momento.

Desta forma, após exaustiva leitura de cada entrevista, foi sendo organizado o recorte do texto/fala das mães em unidades de registro, observando a ênfase que foi assumida por elas. Em seguida, foram definidos os núcleos temáticos utilizados para a categorização dos resultados obtidos, captando a função imprimida nas expressões das entrevistadas, sempre relacionadas aos objetivos buscados no estudo, mas, incluindo categorias empíricas, surgidas a partir de falas inseridas nos discursos das entrevistadas.

A gravidez, o cuidado no pré-natal, o trabalho de parto, o parto e o nascimento; percepção da mãe sobre a morte da criança ou sua sobrevivência, reflexões sobre o atendimento, a relação profissional/paciente (identificada nas falas das mães durante as entrevistas iniciais e repetida nas seguintes) e o recado das mães representaram os núcleos temáticos/categorias.

3.3 PARTE III – A ABRANGÊNCIA DOS NÚMEROS E DOS