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Kentli Bireyin Düşlediği Ada ve Robinson Crusoe Mit

TESADÜFİ BİR KRONOLOJİNİN 71 PARÇASI 2.1 Sivil Bir Yalnızlık Olarak Bireycilik

3. ALTI KITADAKİ MUTSUZLUKTAN KAÇIŞ: YEDİNCİ KITA

3.2. Kentli Bireyin Düşlediği Ada ve Robinson Crusoe Mit

A elaboração desse estudo permitiu analisar a percepção de cuidadores domiciliares de crianças de zero a cinco anos sobre acidentes domésticos infantis e sua influência na prevenção desses eventos. Para tanto, recorreu-se a leituras relacionadas à temática em questão, no intuito de proporcionar um maior aporte teórico.

Inicialmente realizou-se um resgate sobre a história das políticas públicas de atenção à saúde da criança no Brasil, considerando a estreita relação entre os contextos sociais, políticos e econômicos vigentes em cada época e o desenvolvimento de ações voltadas para o público infantil.

Diante desse contexto de transformações, convém destacar que, a fim de superar as lacunas evidenciadas pelo modelo biomédico, propôs-se um novo paradigma de atenção à saúde, pautado na promoção à saúde e prevenção de agravos.

Em relação às estratégias direcionadas à prevenção de danos à criança, destaca-se a relevância de tais intervenções, principalmente daquelas voltadas para a faixa etária de até cinco anos de idade. Isso se deve à imaturidade psicomotora e intensa curiosidade inerentes a essa fase, tornando o referido grupo etário vulnerável a diversos tipos de acidentes, sobretudo os que ocorrem no domicílio.

Com isso, evidenciou-se a necessidade dos cuidadores domiciliares compreenderem fatores relacionados ao crescimento e desenvolvimento infantil, a fim de terem maiores subsídios para evitar acidentes domésticos na infância. Nesse contexto, tornou-se imprescindível discorrer sobre a importância do enfermeiro atuante na ESF como mediador dessas informações. Isso ocorre, pois, uma de suas principais atribuições desse profissional implica nas ações de educação em saúde voltadas para a população.

Quanto ao uso da técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) para o tratamento dos dados, associado ao Modelo de Crenças em Saúde (MCS), como referencial teórico-metodológico, pode-se afirmar que esta escolha foi favorável à lapidação dos resultados e sua compreensão. No tocante ao MCS, julgou-se pertinente nesse estudo utilizar apenas parte dos conceitos deste, considerando que tais foram suficientes para atender aos objetivos traçados para esse estudo. As

dimensões citadas incluem susceptibilidade percebida, autoeficácia percebida e indícios para a ação percebidos.

No tocante ao primeiro pilar desse referencial, emergiram diversas ideias centrais, dentre as quais incluíram percepções das entrevistadas quanto às causas dos acidentes domésticos infantis, bem como a respeito dos tipos desses acontecimentos. Torna-se pertinente realçar que, de forma unânime, as participantes julgaram esses eventos como evitáveis, sendo sua prevenção condicionada à vigilância constante dirigida à criança.

Além disso, identificaram-se as percepções quanto às mudanças dos riscos para esses acidentes, conforme a idade da criança, e à susceptibilidade da casa habitada para esses episódios. Os discursos acerca desses aspectos mostraram-se destoantes, gerando categorias antagônicas, de modo que tais opiniões variaram desde a existência de riscos diversos até o não reconhecimento de susceptibilidade a esses eventos. Tal dissonância foi considerada preocupante, pois de acordo com o MCS, um dos requisitos à adoção de práticas de prevenção à saúde diz respeito à crença na vulnerabilidade a alguma doença ou dano.

Outro aspecto evidenciado nessa dimensão referiu-se à vivência desses episódios com as crianças cuidadas e o significado desses para a cuidadora. Dentre as situações narradas, as participantes referiram principalmente as quedas, seguidas de queimaduras, choques elétricos e apenas um caso de mordedura canina.

É pertinente acrescentar que quando essas ocorrências não acarretavam consequências graves, as depoentes consideravam-nas como parte do processo de crescimento e desenvolvimento infantil. Todavia, nos casos tidos como graves, elas externaram vivenciar sentimentos negativos, como culpa, medo, impotência e nervosismo, por não saberem como agir diante do acontecimento inusitado.

Quanto à percepção de autoeficácia, emergiu uma categoria relacionada às medidas adotadas para a prevenção dessas injúrias. Dentre as diversas ações citadas, predominaram as falas referentes à prevenção de queimaduras, por serem entendidas como causadoras de maiores sequelas. No entanto, apesar desse entendimento ter se mostrado razoável, uma das fragilidades observadas diz respeito à heterogeneidade desta compreensão revelada por cada entrevistada. Dessa maneira, houve repetições quanto ao uso de determinadas medidas, e, no

entanto, ausência do relato de outras estratégias, como a prevenção da mordedura canina, por exemplo.

Por fim, concernente aos indícios percebidos para a ação, elencaram-se ideias sobre o acesso a informações referentes à prevenção de acidentes domésticos infantis. Nesse sentido, familiares, amigos e a mídia televisiva constituíram as principais fontes de informações acerca dos diversos tipos desses eventos e suas respectivas formas de prevenção. Profissionais da ESF em estudo foram citados em poucas ocasiões como mediadores desse conhecimento, fato este que pode ser atribuído a problemas relacionados à acessibilidade à unidade de saúde pesquisada, infraestrutura inadequada e sobrecarga profissional.

Diante do exposto, vislumbra-se a necessidade de maior atenção dos profissionais de saúde quanto à temática em questão, especialmente daqueles atuantes na ESF, pois, a tomada da decisão do indivíduo é dependente da sua compreensão de susceptibilidade.

Para tanto, urge a elaboração de ações governamentais que objetivem melhorar as condições de trabalho locais, por meio da melhoria dos recursos materiais e infraestrutura, bem como mediante a capacitação dos recursos humanos. Destaca-se também a importância de se investir na qualidade dos registros sobre tais eventos, a fim de subsidiar medidas eficazes para minimizar o problema.

De modo simultâneo, cabe ao enfermeiro, enquanto educador, canalizar esforços para a realização de ações voltadas para os cuidadores, técnicos de enfermagem e ACS, com temas que englobem desde o conhecimento sobre o desenvolvimento neuropsicomotor infantil, sua relação com os tipos de acidentes, as principais noções de segurança, até a necessidade de uma supervisão mais efetiva (FILÓCOMO et al., 2002).

A fim de atingir tal propósito, recomenda-se que esse profissional articule-se com os demais membros da equipe, juntamente com outros setores, como creches, escolas, igrejas e realize parcerias, para promover medidas integrais e intersetorias, no intuito de prevenir acidentes domésticos infantis.

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“A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído”.

Confúcio

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Benzer Belgeler