A qualidade de um instrumento depende de sua validação, e esta é entendida por sua capacidade de medir precisamente o fenômeno estudado (POLIT; BECK, 2011). Os principais tipos de validação são a de conteúdo, a de constructo e a relacionada a um critério. A
validação de conteúdo refere-se à análise minuciosa do conteúdo do instrumento, com objetivo de verificar se os itens propostos e constituem em uma amostra representativa do assunto que se deseja medir (POLIT; BECK, 2011).
A maioria dos instrumentos construídos foi submetida a processo de validação por peritos, como mecanismo para assegurar a melhoria do processo de cuidar em enfermagem. Como critério de escolha dos juízes, foi unânime, entre os estudos selecionados, a exigência de experiência do perito na área em que se propunha o estudo, na assistência e/ou na docência. Contudo, outros critérios foram estabelecidos, como experiência na aplicação da SAE e/ou diagnósticos e intervenções de enfermagem (GALDEANO; ROSSI, 2002; SUMITA; ABRÃO; MARIN, 2005); experiência com o processo de enfermagem e com Semiologia e Semiotécnica em Enfermagem (BITTAR; PEREIRA; LEMOS, 2006); e experiência com a aplicação do Modelo Teórico adotado (HERMIDA; ARAÚJO, 2006). Há ainda a possibilidade de os próprios pesquisadores participarem do processo de validação (VAZ et al., 2002).
Nem sempre se encontram, na área assistencial, profissionais que, somada a experiência na sua área de atuação, tenham experiência com a operacionalização do processo de enfermagem, principalmente no tocante ao raciocínio diagnóstico, apontado na literatura como um dos fatores que dificultam a implementação da SAE na prática de profissionais de enfermagem.
Neste sentido, para viabilizar o processo de validação, os critérios são modificados de acordo com a realidade em que o estudo está sendo desenvolvido. Estudos selecionaram peritos que nem sempre tinham experiência com as fases do processo de enfermagem, com as teorias de enfermagem ou com sistemas de classificação (CUNHA; PENICHE, 2007; LOPES; SANTOS, 2009; LIMA et al., 2006; SALVADORI; LAMAS; ZANON, 2008).
Em relação ao perfil dos peritos participantes, poucos estudos (CUNHA; PENICHE, 2007; LOPES; SANTOS, 2009; HERMIDA; ARAÚJO, 2006; LIMA et al., 2006) exigiram como critério pós-graduação na área correlata, uma vez que no Brasil o quantitativo de profissionais de Enfermagem com pós-graduação, concluída ou em andamento, principalmente no nível stricto sensu, ainda é incipiente.
Os tipos de validação utilizados foram a validação de conteúdo, de aparência e a validação clínica, os quais foram associados a outras estratégias de validade, como confiabilidade e eficácia do instrumento construído. A validação exclusivamente de conteúdo foi realizada nos estudos (CUNHA; PENICHE, 2007; HERMIDA; ARAÚJO, 2006; SAVALDORI; LAMAS; ZANON, 2008; AQUINO; LUNARDI FILHO, 2004; SUMITA;
ABRÃO; MARIN, 2005), variando entre a discussão com os participantes da pesquisa (SALVADORI; LAMAS; ZANON, 2008; AQUINO; LUNARDI FILHO, 2004) e a avaliação subjetiva do instrumento norteado por um questionário de análise entregue juntamente com o instrumento a ser validado (CUNHA; PENICHE, 2007). Alguns estudos, além de validarem o conteúdo do instrumento, validaram também sua diagramação ou aparência (GALDEANO; ROSSI, 2002; LIMA et al., 2006; LIMA; SILVA; BELTRÃO, 2009; OLIVEIRA et al., 2008; VAZ et al., 2002), a confiabilidade do instrumento (CUNHA; PENICHE, 2007) e a aplicabilidade prática do instrumento (LOPES; SANTOS, 2009; CORRÊA et al., 2008).
No tocante aos itens avaliados pelos peritos, os critérios estiveram relacionados à organização, objetividade, clareza, facilidade de leitura e compreensão do conteúdo (HERMIDA; ARAÚJO, 2006); relacionados à relevância e suficiência dos itens para identificação de Necessidades Humanas Básicas, adequação dos termos, clareza e repetição de questões nas diferentes seções do instrumento (BITTAR; PEREIRA; LEMOS, 2006); relacionados à clareza dos itens componentes do instrumento, à facilidade de leitura, à compreensão e à forma de apresentação dos mesmos (OLIVEIRA et al., 2008); relacionadas à simplicidade, amplitude, clareza e precisão (LIMA; SILVA; BELTRÃO, 2009) e relacionados à capacidade de os dados do instrumento permitirem a identificação de diagnósticos de enfermagem (SUMITA; ABRÃO; MARIN, 2005).
Para viabilizar o processo de validação do instrumento, foi utilizada a escala do tipo Likert, variando de 2 a 5 pontos, na qual os peritos devem assinalar os pontos definidos pelos pesquisadores em relação à adequação dos itens do instrumento (LOPES; SANTOS, 2009; LIMA; SILVA; BELTRÃO, 2009); em relação à relevância dos itens do instrumento (MARQUES; NÓBREGA, 2009), e em relação à concordância ou discordância com o conteúdo (LIMA et al., 2006). Também foi utilizado um questionário com questões abertas para nortear o perito na validação do instrumento (CUNHA; PENICHE, 2007).
A validação exclusivamente clínica foi utilizada em dois estudos (SOARES; PINELLI; ABRÃO, 2005; PINA; MELLO; LUNARDELO, 2006) com objetivo de verificar se o instrumento construído media o fenômeno estudado. Neste tipo de validação, o instrumento é aplicado na clientela pretendida repetidas vezes, testando sua operacionalidade até chegar ao modelo final.
Cumpre assinalar que a validação clínica objetiva verificar a aplicabilidade e adequação do instrumento na prática profissional, uma vez que grande parte dos estudos de construção de instrumentos é realizada a partir da literatura científica e nem sempre corresponde às reais características dos serviços e da clientela assistida.
Complementarmente ao processo de validação, houve pesquisadores que submeteram o instrumento à avaliação de eficácia (NICOLAU et al., 2008), isto é, verificar se os dados coletados por meio do instrumento construído durante as consultas de enfermagem convergiam com os dados interpretados em diagnósticos de enfermagem, além daqueles que verificaram a confiabilidade do instrumento elaborado, solicitando a aplicação simultânea do instrumento e a realização de testes estatísticos para validar a concordância dos juízes participantes do processo de validação (CUNHA; PENICHE, 2007).
Outros pesquisadores utilizaram, como técnica de validação, a técnica de entrevista por grupo focal (SILVA; NÓBREGA, 2006; SALVADORI; LAMAS; ZANON, 2008), a construção coletiva dentro do contexto da pesquisa convergente assistencial (AQUINO; LUNARDI FILHO, 2004), validação coletiva por meio de discussões semanais no contexto do Programa de Educação Continuada (VAZ et al., 2002) e a técnica Delphi (CUNHA; PENICHE, 2007).
Por meio da revisão integrativa, evidenciaram-se resultados acerca da construção e/ou validação de instrumentos para o registro do processo de enfermagem, o que fortaleceu o conhecimento para o desenvolvimento desta pesquisa, de maneira a realizar etapas que já foram aplicadas e conseguiram êxito no âmbito nacional.
2.5 Necessidades humanas básicas no cliente portador de doenças infectocontagiosas