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2. TANIMLAR VE KAVRAMLAR

2.4. Coğrafi Bilgi Sistemleri (CBS) Kavramı

2.4.3. Kent Bilgi Sistemi (KBS)

O município de Recife também foi influenciado pelos ciclos de conferências induzidos pelo governo federal, porém seu arranjo foi bastante influenciado pelos movimentos endóge- nos de participação e sua estrutura moldada a partir da influência do Orçamento Participativo, que foi institucionalizado na cidade desde 2001. Os aspectos mais importantes que diferenci- am o arranjo participativo de Recife são a composição do Conselho Municipal de Cultura com a inédita representação de base territorial dos usuários da cultura das seis regiões administra- tivas da cidade e, a existência de diversos fóruns e pré-conferências tanto dos setores artístico- culturais como das microrregiões da cidade. A experiência é bastante interessante e inovado- ra, porque expõe as contradições do Município e procura conciliar o desenvolvimento de polí- ticas setoriais e a distribuição da produção e fruição cultural no espaço urbano. Entretanto, o arranjo formado gera disputas e tensões entre representantes dos setores artístico-culturais, interessados predominantemente no aprimoramento das políticas setoriais e a parte dos repre- sentantes dos usuários da cultura ligados às bases territoriais.

As experiências dos orçamentos participativos que dividem Recife em seis Regiões político-administrativas (RPAs), cada uma com três microrregiões, influenciaram bastante a configuração dos arranjos participativos municipais em diversas áreas, inclusive na área de cultura. Há reuniões para a elaboração de orçamentos participativos temáticos nas regiões e há o fórum temático de Cultura, que reúnem representantes das linguagens artístico-culturais e das RPAs da Cidade. Recife realizou ao todo cinco conferências municipais de cultura, que

foram precedidas de pré-conferências preparatórias para a elaboração de propostas e eleição de delegados tanto dos setores artísticos e demais segmentos, como das regiões administrati- vas da cidade, que propiciam um grande debate e aprimoramento das propostas antes mesmo da Conferência.

Através de reformulação, em 2005, o antigo Conselho de Cultura, que passou a deno- minado de Conselho Municipal de Política Cultural CMPC89, passando a ter composição paritária entre sociedade civil e poder público, com a inclusão de diversas linguagens artísti- co-culturais e também dos usuários da cultura. O conselho passou a ter 40 membros, sendo 20 representantes do poder público e 20 representantes da sociedade civil. Entre os representan- tes da sociedade civil, observa-se a presença tanto dos segmentos artístico-culturais (Artesa- nato, Patrimônio e Arquitetura, Audiovisual, Literatura, Música, Artes Cênicas um repre- sentante de cada), como Produtores culturais, Trabalhadores da cultura, Instituições culturais não-governamentais, representantes das seis regiões administrativas da cidade, dois dos ciclos festivos (carnaval, São João e ciclo Natalino) e um do Fórum Temático de Cultura do Orça- mento Participativo. Tal reformulação também foi bastante influenciada pelo orçamento parti- cipativo. Há seis assentos no conselho destinados exclusivamente às regiões administrativas, que seriam a representação do usuário da cultura por região, principalmente visando à elabo- ração de propostas para ampliar o acesso aos direitos culturais.

No início da implantação do Conselho a fim de legitimar a representação da sociedade civil, foi concebido um cadastro cultural para assegurar que os conselheiros das linguagens artístico-culturais fossem artistas e produtores efetivamente ligados ao segmento representado e que as regiões estivessem representadas por seus moradores:

O João Paulo, na gestão dele, não criou o Conselho, ele democratizou. Então quando veio essa nova formação de conselho paritário, com a sociedade civil e poder público participando, como que a sociedade civil ia entrar? Foi então feito todo um levantamento pelo cadastro cultural [...] Até o momento da criação do Conselho esse cadastro cultural não existia na cidade do Recife. Esse cadastro foi a base de se ver o segmento. Esse cadastro foi divulgado dentro do Recife pelas RPAs, nas RPAs e também numa chamada em todos os polos culturais. De certa forma já havia uma visibilidade dos músicos do Recife. Os artesões já tem a visibilidade da feira de Boa Viagem desde 1975. Então eles chegaram na feira e divulgaram que estava aberto o cadastro cul-

89Lei Municipal nº 17.105/2005 (ANEXO VIII).Disponível em <http://www.legiscidade.com.br/lei/17105/>. Lei

tural. Aí tinha todo um regime. Para você fazer o cadastro você tem que ter três anos exercendo a profissão, mostrar releases de jornais, de eventos que você participou, crachás, mostrar certo histórico; e ter residência no Recife ou trabalhar no Recife, pode ser da região metropolitana, mas desenvolver o seu trabalho cultural na cidade do Recife, você tem que comprovar isso. E aí cada segmento fazia o cadastro dentro do seu segmento [...] Nas RPAs ca- dastrava por RPAs, porque as RPAs são regiões politicamente organizada, então aquelas associações chamavam o povo daquela comunidade [...] Não precisa ter ligação direta com a cultura, mas geralmente sempre quem está fazendo trabalho nas RPAs, o representante da RPA ele vai conhecer o ma- racatu que tem ali, por exemplo [...] Essa construção foi o primeiro momen- to. [...] Mas todos os segmentos têm que fazer o Fórum, chama Fórum Per- manente que é feito pelo conselheiro. Esse Fórum Permanente tem que acon- tecer de três em três meses no mínimo. [...] (delegado/a conselheiro/a da so- ciedade civil do segmento de artesanato).

Na cidade de Recife a concentração de equipamentos culturais ocorre nas áreas mais centrais e valorizadas, como em diversas cidades do país e os moradores da periferia tem difi- culdades de acesso aos bens culturais e não dispõem de equipamentos públicos de modo geral. Por essa razão, parece bastante pertinente no nível municipal a existência de usuários presen- tes nos espaços participativos que procuram incluir propostas visando à descentralização e implantação de equipamentos culturais em suas regiões e também que as festividades e de- mais atividades culturais sejam descentralizadas e realizadas na periferia. O governo fortale- ceu o modelo do orçamento participativo, inclusive na temática de cultura e realizou a descen- tralização e a implantação de polos e polinhos nas comunidades em todas as regiões admi- nistrativas da cidade para a realização descentralizadas dos festejos natalinos, juninos, do car- naval e do réveillon.

Na prática esses polos e polinhos que existem nas comunidades são eventos descen- tralizados e sua programação passou a ser influenciada e organizada pela comunidade presen- te nos fóruns e orçamentos participativos, com os recursos repassados pela Prefeitura. Nor- malmente nos fóruns e orçamentos participativos temáticos de cultura realizados nas comuni- dades são eleitos delegados que cuidam da organização desses espaços e determinam em reu- niões mais abertas para o público em geral ou com base na sua delegação qual será a grade de programação, privilegiando a apresentação de artistas locais ou articulando com a Prefeitura que sejam feitas também apresentações nas comunidades de artistas mais consagrados. Um líder comunitário que hoje trabalha na prefeitura, conta que há grande discussão da grade nos fóruns, para que todas as manifestações tenham espaço, principalmente as ligadas à tradição

do ciclo festivo e não apenas grupos de linguagens mais comerciais. Até a grade de progra- mação é escolhida através de processos participativos eleitorais, o que mostra a forte influên- cia dos fóruns e reuniões do orçamento participativo de cultura nas comunidades:

A grade é discutida com a própria comunidade. A Prefeitura diz, Eu tenho setenta mil reais para você fazer o Natal e Réveillon . Porque o que a gente reivindicou numa conferência, porque só tinha Réveillon aqui no Recife na beira da praia e aí era muito difícil das comunidades saírem com a sua famí- lia para assistirem a queima de fogos lá. Então com aquele dinheiro que foi colocado pela Prefeitura a comunidade se reúne e decide as atrações da co- munidade que quer ver e a Prefeitura ainda dá um plus, porque ele manda duas atrações de peso para um dia. [...] Quando a gente vai construir uma grade, as bandas, os grupos chegam nas plenárias organizados, então há uma votação para escolher quem toca. A gente não tem condição de colocar todo mundo numa grade, então faz uma eleição. Recebemos todo o material do pessoal, tiramos uma comissão entre artistas e sociedade civil, com aquele comunitário que só é usuário da cultura, delegados do OP regional, delega- dos do Fórum. [...] O Festival de teatro a gente conseguiu quebrar, descentra- lizar, só era nos teatros. Hoje a gente tem apresentação em todos os bairros da periferia, de todas as companhias [...] Antes a gente não tinha oportunida- de de tocar o carnaval de Recife, só eram os grandes nomes: o tal do Los Hermanos , não sei o que e não sei quem. Com a discussão que a gente fez, com a quebra que a gente fez o Ibura recebeu Maria Rita. Maria Rita estava lá como atração final. Mas antes de Maria Rita, o público estava lá assistindo três bandas da comunidade. [...] Polinhos são as áreas menores, e aí a Prefei- tura dá o dinheiro para você administrar e você administra. Nos ciclos antes quando chegava na comunidade a gente não via um boi de Natal, a gente não via um pastoril, a gente não via um reisado [...] E aí a gente garantiu que ca- da cultura popular de cada ciclo tinha um tanto de percentual na grade de programação. Então o pessoal já vai pronto para fazer a grade, mas sabendo que ali pelo menos no São João tem que ter quadrilha junina. [...] É, porque quando a gente chegava lá, por exemplo, era pleno São João e o pessoal es- tava com um monte de grupo de pagode lá em cima. Por causa disso, a gente fechou um grande consenso no Fórum Temático de que pode ter o pagode, mas que ter uma percentagem para os grupos culturais. Tem que ter quadri- lha, forro pé de serra, coco, xaxado, etc. (gestor/a da Secretaria Municipal de Cultura/ Conselho Municipal de Política Cultural do Recife e liderança co- munitária).

Apesar desse tipo de política reduzir, em certa medida, as políticas culturais à realiza- ção de eventos, representam algum tipo de acesso da população à produção e fruição cultural, ativam manifestações de cultura popular e ao mesmo tempo movimentam a economia local e abrem espaço para artistas e produtores culturais dessas regiões da cidade. Os vereadores en- trevistados apoiam a descentralização e em suas falas argumentam que isso é uma forma de política cultural. É um discurso que mistura o lado positivo da distribuição de acesso ao lazer

e oportunidades profissionais, que pode ser questionado como política cultural, à boa reper- cussão na comunidade:

É, eu vejo com muito bons olhos a questão da política municipal desta ges- tão, por conta de valorizar os artistas locais e principalmente os artistas de bairros [...] são aqueles artistas que não tem expressão, espaço, na mídia e a Prefeitura vem dando essa oportunidade. A partir do momento que ela des- centraliza e começa a abrir os pontos de cultura, escolinhas que chamam, em todas as RPA s, você está universalizando a cultura, você está dando a opor- tunidade daquele artista fazer, no mínimo, se apresentar onde mora. Porque a gente tem observado, minha área de atuação é na RPA 6 a gente tem visto muito que os próprios artista de bairro eles não têm a oportunidade de se apresentarem para a própria comunidade, [...] Eu acho que pra muitos ele é um ponto de partida. [...] na RPA 6 tem um espaço que foi urbanizado e lá tem um local que é a praça de eventos, e a gente buscado colocar o máximo possível de artistas lá, principalmente os artistas de bairro para poder fazer essa apresentação. Isto tem tido uma repercussão muito boa entre da classe artística (vereador de Recife).

Embora haja a descentralização, os valores destinados às comunidades para gerencia- mento através dos espaços participativos como o orçamento participativo de cultura, ainda é bastante pequeno em relação aos recursos para investimento na cidade. Ademais, nem todas as prioridades tiradas da participação social são cumpridas pelo governo. Um parlamentar do nível federal entrevistado critica o governo citando exemplos da concentração de equipamen- tos culturais nas regiões mais nobres da cidade:

Nem tudo que faz parte dos gastos do poder público é efetivamente levado à discussão e análise. Há gastos de investimentos do poder público, que tam- bém não passam pelo OP. Por exemplo, o Parque Dona Lindú, que foi feito em recife, não passou em nenhuma plenária do orçamento participativo, muito menos da cultura. Se você observar friamente aquela é uma interven- ção concentradora de renda urbana. É uma intervenção que teve um custo superior a trinta milhões de reais. Foi escolhida como uma decisão pessoal do prefeito, para implementar ali um projeto arquitetônico do Oscar Niema- yer. Foi construído um tipo de equipamento concentrador numa área de clas- se média alta, na beira da praia, na zona sul da cidade, onde o metro quadra- do do imóvel é um dos mais caros do nordeste, e você transferiu mais um bem cultural para aquela população que já dispõe por ter uma renda eleva- díssima [...] Essas plenárias do OP, as conferências, elas estão se relativizan- do muito, elas estão se transformando numa coisa muito simbólica. É uma grande confraternização, há reclamações de que ações que foram deliberadas no OP elas não são executadas no prazo regulamentar (deputado federal). Parte dos grupos ligados diretamente aos setores culturais como artes cênicas (dança e teatro), audiovisual, patrimônio, artes visuais, também criticam bastante o modelo de partici-

pação do usuário implementado com base na dinâmica do orçamento participativo e a redução das políticas públicas de cultura à realização de eventos e festividades descentralizados.

Os representantes da sociedade civil ligados diretamente aos setores artístico-culturais, que sentem que ficam enfraquecidas as discussões setoriais. Existe a tendência dos represen- tantes dos usuários fazerem propostas de caráter geral, mais voltadas à infraestrutura das co- munidades ou simplesmente restringir a discussão sobre políticas culturais à elaboração de

grades de programação de festividades e eventos nas comunidades:

O Conselho tem uma proposta, um formato super interessante, mas que na prática não é [...] Eu particularmente acredito que esse é o caminho para po- der a política cultural florescer e dar realmente resultados mais democráti- cos. Se o conselho começar a funcionar como a gente acredita, o gestor terá ter que movimentar o que for a partir do que a gente pensa. Não é fazer gra- de de programação, isso não é interesse do Conselho. O interesse é discutir uma política pública que possa tratar de uma série de questões e garantir coi- sas para a classe artística, para a comunidade também, o usuário. Mas a ges- tão atual dá muito mais força às vezes para o OP. O OP de cultura discute muito, é um movimento forte, que mexe muito, às vezes até mais do que o próprio Conselho de Cultura que deveria ser o principal (Delegado(a) e con- selheiro (a), representante da sociedade civil, do segmento artes cênicas, lin- guagem da dança).

Existe o interesse do governo de legitimar o orçamento participativo, embora tenha havido nos últimos anos seu esvaziamento e a extrema pulverização da discussão nas diversas instâncias do OP confundindo os objetivos das deliberações, mostrando-se difícil de gerenciar do ponto de vista da eficiência:

O problema é que começou a ficar cansativo. As pessoas não estão indo mais participar como antes. Aí ficam o tempo todo tentando legitimar os Fóruns do OP. Que seja, mas tirar a importância dos outros segmentos não pode. Até porque para o Conselho existir tem lei garante igualdade entre todos os assentos do Conselho. [...] Isso é um desgaste. Porque para quem não enten- de essas divisões administrativas, fica tudo muito confuso mesmo. Por exemplo, a prefeitura tem uma secretaria, que é conhecida como OP, Orça- mento Participativo. E esse OP fica o tempo todo chamando a população pa- ra discutir vários assuntos, com temas diferentes: cultura, habitação e por aí vai E ninguém consegue discutir tanto assunto sem ter resultado prático, imediato A gente sabe que a máquina é lenta, que para um resultado da- quilo sair demora às vezes de um ano pro outro a dois anos Só que as pes- soas precisam de coisas mais urgentes. E esse desgaste de estar em tantas reuniões afeta tanto que quando a gente chama para outra reunião de fórum específico do conselho, as pessoas pensam que é a mesma coisa Ah, não vou não, porque não dá em nada [...] O fórum de cultura do OP elege uma pessoa pro conselho. Mas, nas reuniões do conselho, quando nós convoca-

mos os cidadãos, eles pensam que é a mesma reunião do OP e isso cria uma confusão imensa. Hoje, a gente já consegue, pelo menos no meu caso que é das culturas populares, eles entendem já essa diferença. Mas tem outros segmentos que não.[...] (delegado/a conselheiro/a da sociedade civil, do segmento de cultura popular).

Pela quantidade de assentos no conselho as RPAs tem forte representação, enquanto que as artes cênicas (que englobam dança, teatro, circo e ópera) e os ciclos culturais (no qual entram todas as culturas populares dos ciclos festivos Carnaval, São João e Natal) só tem um representante cada. No entanto, sempre que se propõe prever mais assentos para as linguagens artístico-culturais, os representantes do orçamento participativo cogitam ter mais assentos:

A cidade já está dividida em seis RPAs e cada RPA está representada. Fora o OP, que também tem assento [...] A gente precisa visualizar a quantativida- de , as pessoas que trabalham em cada assento. Por exemplo, nas artes cêni- cas, quantos grupos não existem de dança? De teatro? É uma imensidão! En- tão nessa imensidão nem sempre um representante consegue dominar a área do outro. Tanto é que nacionalmente, no Ministério, já existe essa separação. Dança tem o seu assento, teatro tem o seu assento, circo tem o seu e a ópera, que fazia parte das cênicas, foi colocada para a música. [...] Então, já existe essa divisão nacionalmente e é isso que está se tentando implantar aqui. Uma coisa que, se fosse para fazer mais assentos seria do que eu faço nos Centros Culturais, porque aí os grupos do Carnaval, do São João e os grupos do Na- tal são bem específicos? Tem coco, ciranda e larará... Pastoril, religioso, pro- fano, reisado, fandango, e Carnaval não precisa nem dizer, se não vou demo- rar aqui em tempão Nesse nosso caso, se a gente pleiteasse, teria base, porque são assuntos bem específicos, e têm que ser trabalhados o ano inteiro. Aí precisa dos conselheiros para isso, mas a gente não cogitou. Agora, o OP querer mais assentos? Por favor (delegado/a conselheiro/a da sociedade civil, do segmento de cultura popular).

No conselho municipal a representação dos usuários tem bastante poder e, além disso, tende a se alinhar ao governo. Na reunião do pleno do Conselho foi observada essa situação. Tratava-se de definir a metodologia da V Conferência municipal, que teria o objetivo basear a elaboração dos planos setoriais de cultura do Município, pois o plano geral de cultura de Reci- fe já havia sido transformado em lei. Iriam reorganizar as propostas que vieram das Pré- Conferências dos setores das RPAs e colocar nos eixos gerais (diversidade, formação, gestão, economia da cultura e patrimônio) ou discutir e votar cada grupo de propostas separadamen- te?

Houve grande embate: de um lado os representantes dos segmentos artístico-culturais (como, por exemplo, artes cênicas, cinema, patrimônio, até mesmo culturas populares) e, do

outro, os representes de governo, aliados aos representantes do orçamento participativo e das RPAs. A situação colocava os artistas em uma aparente contradição, pois os artistas, princi- palmente de setores não comerciais, que entendem o fazer artístico como uma forma de atingir a emancipação humana, eram acusados ao pretenderem discutir e votar separadamente suas propostas, de falta de integração e preconceito em relação aos usuários da cultura.

Diferentemente da correção de rumos que houve no arranjo federal em relação à II Conferência Nacional de Cultura, em que as propostas e ações setoriais não concorreram na votação geral as demais propostas de cunho geral, no Município venceu a proposta capitanea- da pelos representantes do governo. Aparentemente tratava-se tanto do interesse em legitimar e fortalecer os representantes do orçamento participativo, misturada também à desorganização e equívoco:

Tá errado, não tem nada a ver [...] Porque quando é do interesse da gestão eles levam uma montanha de gente que é suficiente para votar e eleger o que eles querem. Fica difícil, a gente não aceita, mas a gente questiona A divi-

Benzer Belgeler