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Kendine Saygı İle İlgili Türkiye’de ve Yurtdışında Yapılan Araştırmalar

BÖLÜM 2 İLGİLİ ALANYAZIN

5. BOYUT: Meslek Tercihlerinde Akılcılık a) Yetenek ve tercihler arasında uyuşma

2.2. İlgili Araştırmalar

2.2.1. Kendine Saygı İle İlgili Türkiye’de ve Yurtdışında Yapılan Araştırmalar

A partir do último quartel do século XIX, o café ganhou grande importância

nacional, projetando o Estado de São Paulo como o principal centro econômico do país. A

riqueza proporcionada pela exportação desse produto fez com que o chamado “oeste paulista”

se firmasse como a região mais dinâmica da economia brasileira.

Diferentemente de muitas cidades dessa região, que foram fundadas em razão

da expansão da cafeicultura, Franca é uma cidade mais antiga. O povoamento da região

remonta ao século XVIII, estando ligado à expansão da pecuária mineira para o nordeste

paulista22 e ao estabelecimento da “Estrada dos Goiases”, importante rota de comércio que

ligava a capital da província de São Paulo aos sertões de Goiás e Mato Grosso23. Ao longo do

século XIX, Franca se tornou grande produtora de gado e importante entreposto comercial.

Em 1805 foi fundada a freguesia que deu origem à cidade. A autonomia política foi

conseguida em 1824, com a elevação à categoria de vila, a “Vila Franca do Imperador”. Em

l856 alcançou o status de cidade. Trata-se, portanto, conforme observou Di Gianni (1996,

p.66), “de um município de São Paulo velho, isto é, de povoamento antigo que sofreu o

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Após a reforma urbanística de Pereira Passos e a Revolta da Vacina (1904), até mesmo a circulação da população negra e mestiça pobre pelo centro da cidade começou a ser reprimida com grande violência pelas autoridades públicas. A esse respeito ver Sevcenko (1984) e Chalhoub (1996).

22

Conforme observou Prado Júnior (1953, p.194), “desde fins do século XVIII [...], os criadores mineiros começam a descer a Mantiqueira, indo estabelecer-se em São Paulo, na região que flanqueia a serra a oeste, de Franca a Mojimirim”.

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“Por essa estrada levava-se gado, couros salgados e cereais para o sul a fim de serem trocados, sobretudo, por sal e artigos manufaturados; a importância do entreposto francano nesse caminho pode ser medida pela própria identificação do sal comercializado nas transações ao longo da ‘Estrada dos Goiases’ como ‘sal da Franca’.” (BARBOSA, 2004, p.17)

impacto da marcha do café, integrando-se à economia cafeeira e ao complexo ferroviário que

se expandia simultaneamente.”

Até a última década do século XIX, entretanto, Franca fora uma inexpressiva

cidadezinha de feição colonial: a grande maioria da população residia na zona rural de onde

tirava quase tudo de que necessitava e almejava para viver. A ida à cidade se dava apenas em

ocasiões especiais como casamentos, enterros ou festas religiosas. Não obstante a existência

de algumas áreas constituídas por chácaras e pequenos agrupamentos de casas rústicas e

esparsas mais ou menos distantes do núcleo urbano central, como Boa Vista, Cubatão, Campo

das Galinhas, Catocos (atual Vila Formosa), Coqueiros, Santa Cruz e Covas (atual

Miramontes)24, a área urbana de Franca ficou praticamente limitada à região correspondente

ao atual Centro, no topo da Colina Central, área onde foi fundada a freguesia25.

Nesse período, o Poder Público Municipal, sem grandes recursos e interesses,

pouco se preocupou em investir no espaço urbano, que permaneceu desprovido de jardins,

calçamento, água encanada, rede de esgoto, iluminação pública, luz elétrica e outros

melhoramentos. Além disso, os animais domésticos andavam a solta pelas ruas de terra batida

que recebiam as chamadas “águas servidas” dos prédios. Em 1882, um periódico local

publicou duas notas que ilustram bem a paisagem urbana da época:

A Municipalidade de Franca tem fiscal? E se o tem, porque nomeou para esse cargo um indivíduo cujo olfato é tão pouco desenvolvido? Nas ruas principais desta cidade, que nunca soube o que é higiene e que pouco se importa que os seus infelizes habitantes sejam ceifados pelas febres causadas pela podridão, vêem-se lamaçais cobertos de águas esverdeantes e podres, percebe-se cheiros fétidos que saem do interior dos quintaes... Obrigue esse 24

Essas áreas não possuíam delimitação precisa. A identificação era determinada por marcos naturais, como morros, córregos, desníveis acentuados, ou pela presença de alguma instituição pública ou privada, como igrejas e pousadas. A título de informação, o povoado de Covas é mais antigo que o próprio sítio urbano central que deu origem à cidade em 1805, tendo se constituído enquanto pouso de passagem na “Estrada dos Goiases” ainda no século XVIII. No início do século XIX, surgiram o Centro e a Boa Vista. Entre 1840 e 1870, surgiram Cubatão, Coqueiros, Campo da Forca, Campo das Galinhas, Candeias e Catocos. Sobre a origem desses bairros ver Bentivoglio (1997) e Bentivoglio e Martins (1999). Ao longo do século XX essas áreas foram sendo loteadas, dando origem a vários bairros.

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O relevo da zona urbana de Franca é constituído por três colinas: a Central, local onde surgiu a cidade; a Santa Rita ou Santa Cruz, situada ao leste e separada da Colina Central pelo Córrego do Cubatão; e a Colina da Estação, situada ao oeste e separada da Central pelo Córrego dos Bagres. A partir da década de 1970, a área urbana começou a se expandir para além dessas três colinas.

empregado a percorrer as ruas, a visitar açougues, tudo quanto revela incúria e desleixo e que pode ser prejudicialíssimo à salubridade pública. (O NONO DISTRICTO, 26.02.1882, p.1)

[...] a cidade de Franca está material como intelectualmente atrazadíssima. Não tem mercado, não tem matadouro, não tem chafarizes, não tem largos arborizados, não tem ruas, calçadas, não tem nada. (O NONO DISTRICTO, 22.4.1882, p.1)

A partir da última década do século XIX, entretanto, a riqueza proveniente do

desenvolvimento da cultura cafeeira no município – cujo período de maior vitalidade pode ser

situado entre 1890 e 1920 –, a vinda de grande número de imigrantes e as facilidades e

demandas proporcionadas pela chegada da ferrovia em 1887, provocaram o crescimento das

atividades econômicas ligadas ao beneficiamento de café e cereais, ao comércio, à indústria,

ao crédito e à prestação de serviços públicos e privados. Assim, conforme salienta Barbosa

(2004, p. 27) “o número de armazéns de secos e molhados, por exemplo, cresceu

surpreendentemente entre 1877 e 1912, passando de 25 a 138 – chegando a ser 190 em 1901”.

Fábricas de calçados, cerveja, licores, cigarros, sorvetes, além de tipografias, olarias, serrarias

e muitos outros negócios especializados, foram criados para atender a demanda de uma

população cada vez mais numerosa. Surgiram também casas bancárias como a de Chrysógono

de Castro, fundada em 1893, e casas de comércio e de crédito, como a Casa Hygino Caleiro e

a Casa Guerner. Em 1912 a cidade passou a ser servida pelo Banco de Custeio Rural. Em

1921 foi instalado o Banco Comercial do Estado de São Paulo e, um ano e pouco depois, o

Banco do Brasil (BARBOSA, 2004, p. 11-27; RIBEIRO 1941, p. 152).

Na virada do século XIX para o XX, a indústria coureiro-calçadista, que viria a

se tornar a principal atividade econômica do município a partir da década de 1950, já

começava a se destacar entre as demais. Em 1901 existiam em Franca dois curtumes, uma

fábrica de calçados e quatorze oficinas de sapateiro. De 1901 até 1920 foram registrados oito

curtumes e quatro fábricas de calçados, além de onze oficinas de sapateiro que também

registradas, dez curtumes e cerca de uma dezena de oficinas. E

ntre 1900 e 1940, foram

fundadas 33 fábricas de calçados em Franca

(BARBOSA, 2004

).

Vários fazendeiros cafeicultores da região, interessados em investir seu capital

também em atividades urbanas e se manter mais próximos das instâncias de poder, para

exercerem o seu poder de mando, paulatinamente foram deixando suas residências rurais e se

instalando na urbe. Esses moradores mais abastados passaram a exigir da municipalidade

equipamentos e serviços urbanos como calçamento de ruas, água encanada, rede esgoto,

coleta de lixo, iluminação pública, energia elétrica, linha telefônica, jardins, teatros e hotéis.

Ao mesmo tempo, procuraram também investir parte do seu capital no meio urbano, muitas

vezes se aproveitando dos generosos incentivos oferecidos pelo Poder Público local à

iniciativa privada para que esta provesse a cidade de alguns melhoramentos considerados

vitais para a construção de uma paisagem citadina moderna. As notas do periódico francano,

transcritas anteriormente, assinalam as reclamações de uma aristocracia ansiosa por melhorias

no meio urbano, inclusive no que se refere à higienização do espaço urbano. Assim, conforme

bem observou Martins (1993, p. 185): “O espaço urbano aparece então como solução dupla:

instrumento de aplicação do capital de uma oligarquia enriquecida com o café e local de

exercício da civilidade que tal grupo pretendia”.

Além dos fazendeiros, a cidade passou a receber também um número cada vez

maior de negros libertos e seus descendentes, migrantes oriundos de diversas regiões do país

e, em quantidade mais expressiva, imigrantes europeus. Provenientes do campo ou de outros

centros urbanos, essas pessoas passaram a vislumbrar novas oportunidades na cidade de

Franca, onde passaram a trabalhar como empregados em diversas atividades urbanas, como

pelas camadas dominantes locais, como o comércio e a indústria26. Segundo Barbosa (2004, p.

23), dos 44.308 habitantes que o município de Franca contava em 1920, 6.193 eram

imigrantes, especialmente italianos (2.889) e espanhóis (2.281), perfazendo 21,35% da

população total.

Esse desenvolvimento foi acompanhado por um rápido crescimento da

população urbana que, de aproximadamente sete mil habitantes em 1903, saltou para cerca de

onze mil em 1921, alcançando 18.072 moradores em 1937 e 20.568 em 1940 (FOLLIS, 2004,

p. 33; GARCIA, 1997, p. 40).27Assim, já na década de 1890, a cidade presenciou um grande

crescimento da sua malha urbana, evidenciado pela expansão do antigo núcleo central e pelo

desenvolvimento de dois novos bairros: o Bairro da Estação, inaugurado com a chegada dos

trilhos da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro em 1887 e a instalação da estação

ferroviária numa área totalmente desabitada da Colina do Oeste, e a Cidade Nova, planejada

pela municipalidade em 1892 na região norte da Colina Central (ver figura 1).

Na década de 1920, surgiram os primeiros loteamentos particulares na cidade.

Com isso, a área urbana ultrapassou os limites do rocio, território sob o domínio da

municipalidade que abrangia um raio de cerca de 555 braças (1.221m) a partir do pelourinho,

marco do poder imperial localizado na Praça Barão da Franca, área central da cidade. Entre

1925 e 1945, foram efetuados os seguintes loteamentos: Vila Chico Júlio (1925), Vila

Aparecida (1925), Vila Nicácio (1929), Vila Santos Dumont (1929); Vila Santo Antônio

(1929); Vila Monteiro (1933) e Prolongamento da Vila Santos Dumont (1938) (ver figura 2).

Em Franca, pelo menos até a década de 1970, ao contrário do que ocorrera nas

grandes cidades, a classe dominante não abandonará a região central da cidade localizada no

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A esse respeito Di Gianni (1996, p. 67) salienta que, na cidade de Franca: “Rapidamente os colonos ocuparam nichos de mercado – constituindo por vezes monopólios étnicos e étnico-familiares...” Segundo Barbosa (2004), a participação dos imigrantes, particularmente dos italianos, foi decisiva para a evolução da indústria do calçado em Franca, visto que vários imigrantes se tornaram empresários da indústria calçadista local.

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A população total do município cresceu 341,32% entre 1886 e 1920, passando de 10.040 para 44.308 habitantes, e 26% entre 1920 e 1930, chegando a 55.715 habitantes nesse último ano (BARBOSA, 2004, p. 22).

topo da Colina Central. Os mais ricos continuarão habitando os sobrados e casarões

localizados nas suas principais ruas e praças, locais onde também se instalaram as casas

comerciais mais requintadas, os estabelecimentos de crédito e as primeiras indústrias de

calçados da cidade, que irão aproveitar os antigos prédios comerciais e a presença de

melhoramentos como água encanada, rede de esgotos, energia elétrica e calçamento. O

comércio varejista se concentrará sobretudo ao longo da Rua da Estação, principal via de

ligação entre o Centro e a estação ferroviária. Os grandes atacadistas se instalaram nos

extremos desta rua, tendo sua maior aglomeração no Bairro da Estação. (RIBEIRO, 1941).

Favorecido pela presença da estação ferroviária, o Bairro da Estação se tornou

uma importante área de atração populacional, uma alternativa bastante interessante para os

recém chegados à cidade. Grande número de imigrantes, especialmente italianos, se dirigiu

para esse bairro. Assim, o desenvolvimento econômico e o povoamento dessa nova área

foram quase que instantâneos ao seu surgimento, marcado sobretudo pelo dinamismo da sua

atividade comercial. Além dos grandes armazéns atacadistas de café, arroz e milho e outros

produtos agrícolas, proliferaram pelo bairro diversos empórios de secos e molhados, hotéis,

pensões, restaurantes, bares e cinemas. Pequenas oficinas e manufaturas foram surgindo,

muitas fundadas por estrangeiros. Posteriormente apareceram também as primeiras indústrias.

Isso fez com que o bairro se transformasse num importante pólo econômico, capaz de

concorrer com o secular Centro da cidade (FOLLIS, 1998). Com o súbito desenvolvimento da

área, três dos quatro novos loteamentos efetuados na cidade na década de 1920 ocorrerão nas

suas imediações: Vila Chico Júlio, Vila Nicácio e Vila Santos Dumont. A Cidade Nova terá

um crescimento mais lento que a Estação e, diferentemente desse bairro, se manterá, pelo