• Sonuç bulunamadı

KENDİNİ DÜŞÜNMEK MEVKİ ARAYIŞI

O Lixão do Roger durante 45 anos foi o único depósito de lixo a céu aberto da cidade de João Pessoa instalado no ano de 1958 e desativado em 2003, administrado pela Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) recebia mais de 700 toneladas diárias de lixo despejadas num cenário composto por uma paisagem de Mata Atlântica, Mangues e o Rio Sanhaúa. Esteve localizado no Bairro do Roger e ainda se faz presente no imaginário de quem lá transita, principalmente pela na Av. Gouveia Nóbrega sentido centro – avenida que traça os limites entre Alto e Baixo Roger – devido a visualização mais nítida de um espaço devastado e contrastante com a Mata Atlântica ao redor.

2.3.7 Lixão do Roger

O Lixão do Roger, durante 45 anos, foi o único depósito de lixo a céu aberto da cidade de João Pessoa, instalado no ano de 1958 e desativado em 2003. Administrado pela

41 Disponível em < http://g1.globo.com/pb/paraiba/bom-dia-pb/videos/t/edicoes/v/trabalhadores-de-pedreiras-

Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), recebia mais de 700 toneladas diárias de lixo despejadas num cenário composto por uma paisagem de Mata Atlântica, Mangues e o Rio Sanhaúa. Esteve localizado no Bairro do Roger e ainda se faz presente no imaginário de quem lá transita, principalmente pela Av. Gouveia Nóbrega sentido centro – avenida, que traça os limites entre Alto e Baixo Roger – devido à visualização mais nítida de um espaço devastado e contrastante com a Mata Atlântica ao redor.

Para os moradores que não sobreviviam do lixo - a exemplo dos catadores, que não aprovaram sua retirada, pois era de lá que retiravam o seu sustento - o lixão era uma ferida a céu aberto, que manchava a paisagem do bairro. Eles lutaram para a sua retirada, embora uma parte resistisse. Segundo os representantes políticos do bairro, além de uma mobilização por parte dos moradores, eles próprios tiveram participação nessa conquista, conforme relatos abaixo:

O lixão era uma ferida secular que o Roger tinha. Recordo-me de muitas passagens de pessoas que viviam, sobreviviam, nasceram, que viveram e que morreram no lixo, famílias inteiras. Eu tenho uma recordação, agora eu posso dizer, muito triste do lixão, mas se tem algo que eu pude fazer pelo Roger através do meu mandato foi ter conseguido acabar com aquele lixão. Um problema secular que atingia inúmeras famílias ali do Roger. Como eu disse, conheci famílias que nasceram, que viveram, que morreram dentro do lixo. Tenho historias interessantes que talvez se eu fosse contar aqui essa entrevista teria que durar muito mais tempo (Pedro Coutinho. ENTREVISTA, 2014)

Será que esta expressão “agora posso dizer” tem a ver com a situação atual, ou seja, do lixo não se encontrar mais ali e, desta forma, ele se sentir mais à vontade para falar da ferida? Não se sentindo responsável por isto? Ou será que o “agora posso dizer” é devido a, no presente, ser apenas uma recordação? Do mesmo modo, Tavinho Santos também relata que

Com certeza, eu tenho a satisfação de ser um dos responsáveis pela desativação do Lixão do Roger. Fui eleito em 1992, na época eu fui presidente da câmara em 1995, na gestão de Chico Franca, mas em 1996 quando Cícero Lucena foi eleito prefeito da cidade de João Pessoa, nós já vínhamos há alguns anos lutando para a desativação do Lixão do Roger, e na gestão de Cícero Lucena nós conseguimos acabar com aquela chaga social e ambiental da cidade de João Pessoa que serviu por muitos anos de tese de mestrado, de dissertações, artigos, de relatos em diversos órgãos de imprensa a nível estadual e a nível nacional, mas por uma iniciativa não só minha como vereador da cidade e representante do bairro, através de requerimento, de projetos junto a prefeitura, mas teve a sensibilidade na época do prefeito Cícero Lucena que acabou por vez o lixão e criou o aterro sanitário que fica na cidade já partindo para Recife com limites com a cidade do Conde, então isto representa muito porque além de atender a toda a questão ambiental, da política de acabar com os lixões de todo o Brasil, João Pessoa deu esse exemplo e também porque o Lixão do Roger, ele estava impregnado dentro

do Centro Histórico onde você em alguns monumentos como a Casa da Pólvora que fica na parte Alta, você olhava para o lado esquerdo e via o Estuário do Sanhauá, quando olhava para o lado direito aí via aquele Lixão e realmente deixava todos os turistas e principalmente o pessoense envergonhado de ter uma chaga social e ambiental daquela magnitude. Então, o Lixão do Roger foi muito importante não só para João Pessoa, mas especialmente para o Bairro do Roger. (Tavinho Soares. ENTREVISTA, 2014)

Durante toda a fala, estão presentes as ações efetuadas politicamente, a participação política de feitos específicos que servem para fortalecer a sua memória dentro da sociedade, afinal, são as obras que materializam a existência do político no tempo.

Podemos afirmar que o Lixão do Roger é um lugar de memórias muito mais externas ao bairro do que a ele mesmo, digo isto porque, embora o lixão estivesse situado no bairro, são poucos os moradores que tiveram experiência direta neste espaço, por isto, poucos falavam sobre ele, embora citassem a sua existência.

Fato curioso sobre o Lixão do Roger foi que no ano de 2003, a PMJP, na gestão de Cícero Lucena, através da Secretaria de Comunicação Social, a cuja frente na época estava o então secretário Carlos Cesar, com o patrocínio do Banco do Brasil, criação, edição e produção da MIX Agência de Propaganda e Publicidade e impresso na Gráfica Santa Marta, publicou no mês de agosto um livro com o título de “Lixão do Roger: o começo e o fim”. Este livro se propôs a relatar como nasceu o lixão, suas interferências negativas ao meio ambiente, através de palavras e muitas imagens que retratam a precariedade da vida dos catadores no lixo e da situação ambiental. O processo de desativação do lixão também é relatado, tanto é que no livro já constam registros das transformações que vinham ocorrendo para a implantação do referido parque ecológico.

Fonte: Guilherme Bergarmini42

O que chama atenção nesta publicação, é o contraste entre a pobreza retratada em fotos43 e o simplismo dos textos44 que as acompanham, com a qualidade material da publicação. Nesta última é visível o esmero e requinte apresentado nas imagens tratadas e no papel kraft45 – em gramatura variada entre 200g (capa) e 125g (miolo), além de papeis couchê fosco e vegetal. O livro é concluído com um capítulo intitulado “João Pessoa. O verde que predomina”, com fotos da orla, do centro histórico, do parque Solon de Lucena46, da Igreja de São Francisco e do Parque Estadual de Areia Vermelha47.

Não podemos negar que é um material bem interessante, porém não sabemos o número da tiragem da sua edição, nem a que(m) se destinou, fica bem evidente uma característica promocional da gestão municipal. Tivemos acesso a ele não em nossa pesquisa, já que não o encontramos em nenhum acervo material e/ou virtual, uma pessoa próxima a nós, sabendo que estávamos estudando o bairro, nos informou sobre um volume do mesmo que se encontrava em determinada biblioteca de uma escola pública estadual de João Pessoa.

42 Disponível em: <http://guilhermebergamini.com/lixao-do-roger/>. Acesso em 21 Jan.2015.

43 Fotos de: Gustavo Moura; Olenildo Nascimento; Cácio Murilo; João Lobo; Dirceu Tortorelo. Cabendo a José

Edney Azevedo a restauração de foto aérea do Lixão.

44 Textos de: Marcos Tavares; Juca Pontes; Maria Ferraz; Walquíria Maria; Silvana Sorrentino; Andréa Batista e

Jose Valdez.

45 Este tipo de papel é fabricado a partir de uma mistura de fibras de celulose de vários tamanhos e espessuras,

provenientes de polpas de madeiras macias. É um produto nobre na papelaria já que, apesar de ter aparência próxima de papel reciclado, é considerado puro e sem contaminação, variando de uma gramatura de 80 a 200g.

46 Esta imagem ocupa um post central do capítulo em quatro páginas.