1. ELEKTRONİK TABLOLAMA YAZILIMI
1.7. Hücreleri Biçimlendirme
1.7.3. Kenarlıkları Biçimlendirme
Nietzsche (EH, “Por que sou tão inteligente”, §9) proporá que a psicologia seja reconhecida como rainha das ciências em oposição ao idealismo que afirma haver uma “necessidade metafísica” no homem que o impele para “fora do mundo”, para “o outro mundo”. A psicologia entendida como o caminho que conduz aos problemas fundamentais é a proposta de Nietzsche como “prelúdio a uma filosofia do futuro“, pois, segundo sua avaliação, “interessa-me uma questão da qual depende mais a „salvação‟ da humanidade do que de qualquer curiosidade de teólogos: a questão da alimentação”.
Por colocarem-se de acordo quanto ao valor da moral, afirmará que aquilo que os filósofos denominavam “fundamentação da moral”, não era mais que “uma forma erudita da ingênua fé na moral dominante, um novo modo de expressá-la”. E, tendo em vista que
“habituar-se a princípios intelectuais sem razões é algo que chamamos de fé” (HH, §26), e que a “origem da fé” pode ser explicada pelo fato de “o espírito cativo não assumir uma posição por esta ou aquela razão, mas por hábito”, onde “ele é cristão, por exemplo, não por ter conhecido as diversas religiões e ter escolhido entre elas” (HH, §26), mas porque sentia o cristianismo como “moralidade do seu ambiente, de sua classe, de sua Igreja, do espírito de sua época, de seu clima e seu lugar” (HH, §26), explica porque considera o projeto de
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fundamentação como uma “espécie de negação de que fosse lícito ver essa moral como um problema” (BM, §186).
Tal conhecimento dos diferentes povos é proposto por Nietzsche em oposição ao projeto de fundamentação da moral moderna e é entendido como “reunião de material, formulação e ordenamento conceitual de um imenso domínio de delicadas diferenças e sentimentos de valor que vivem, crescem, procriam e morrem” (BM, §186), o que aponta para o caráter humano, demasiado humano e, portanto, provisório dos juízos e sentimentos morais. Não se trata simplesmente “de identificar o ponto de emergência dos sentimentos morais e da constatação de que eles são variados, mas da sua catalogação e determinação de sua hierarquia, ou seja, se eles são nobres ou escravos, a fim de realizar a tipologia da moral” (ITAPARICA, 2002, p. 100). O estabelecimento da hierarquia será fundamental para que Nietzsche possa estabelecer “O que é nobre?” bem como suas indicações e “sinais de cultura superior”.
Pippin (2010, p.3) comenta que o ponto principal de sua psicologia nietzschiana é aquele em que “a visão que se tem da alma e de suas capacidades variam de acordo com as crenças sobre os compromissos e normas” que assumimos por estarmos inseridos numa determinada coletividade e que tais “compromissos normativos estão sujeitos a mudanças históricas e, assim, o que se entende por alma ou psique ou mente, bem como por psicologia, também muda”. Daí Nietzsche interessar-se em como a “morte de Deus” afetou os filósofos e, uma vez que a filosofia é a “mais espiritual forma de vontade de poder” e os filósofos são vistos como lente de aumento, então se pode a partir da vivissecação de uma determinada filosofia alcançar um estado de miséria geral, tal como no caso da decadência da Grécia antiga, tornada visível nas palavras de Sócrates, ou da decadência da modernidade, visível na filosofia de Schopenhauer.
Nesse sentido, a alma não pode ser entendida “como uma aeterna veritas, uma constante em todo o redemoinho, uma medida segura das coisas” tal como se fazia na psicologia racional, pois a alma é apenas “o nome para uma conquista histórica coletiva, um modo de auto-compreensão que escolhemos a serviço de algum ideal” (PIPPIN, 2010, p.3). Por exemplo, que “os problemas filosóficos sejam novamente formulados tal como dois mil anos atrás: como pode algo originar-se do seu oposto” (HH, §1), é fruto do comum acordo entre os filósofos quanto à “superstição popular de um tempo imemorial (como a superstição da alma, que, como superstição do sujeito e do Eu)” permitiu “constituir o alicerce das sublimes e absolutas construções filosofais que os dogmáticos ergueram” (BM, prólogo). Sua polêmica à filosofia dogmática se dá porque, segundo sua observação a respeito da “origem
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do conhecimento”, notou que “o intelecto nada produziu senão erros”, embora reconheça que “alguns deles se revelaram úteis e ajudaram a conservar a espécie” (GC, §110).
Referindo-se aos dogmáticos que postulam “que existem coisas duráveis, que existem coisas iguais, que existem coisas, matérias, corpos, que uma coisa é aquilo que parece; que nosso querer é livre, que o que é bom para mim também é bom em si”, diz que “esses artigos de fé, que foram continuamente herdados, até se tornarem quase patrimônio fundamental da espécie humana”, tornaram-se, “mesmo no interior do conhecimento, as normas segundo as quais se media o que era “verdadeiro” e “falso” (GC, §110). Portanto, conclui que “a força do conhecimento não está no seu grau de verdade, mas na sua antiguidade, no seu grau de incorporação, em seu caráter de condição para a vida” (GC, §110). Daí Foucault (2005, p.17) afirmar que “o genealogista tem o cuidado de escutar a história em vez de acreditar na metafísica, o que é que ele aprende? Que atrás das coisas há “algo inteiramente diferente”: não seu segredo essencial e sem data, mas o segredo que elas são sem essência”” ou mesmo que tal essência foi construída,
Nietzsche (GC, §110) nota que já os eleatas “inventaram o sábio como o homem da intuição imutável, impessoal e universal, como sendo Um e Tudo ao mesmo tempo, com uma faculdade sua para aquele conhecimento invertido” precisamente por que “criam que o seu conhecimento era igualmente o princípio da vida”. Mas, para tanto, tiveram de “se
enganar a respeito de sua própria condição [...] de negar a força dos impulsos no conhecimento e, em geral, apreender a razão como atividade inteiramente livre, de si mesmo originada” e não como algo que veio-a-ser. Ora, tal genealogia do conhecimento faz ver que, já os eleatas, dada sua condição para a vida, “também eles haviam chegado a suas proposições contradizendo o que era tido por válido, ou ansiando por tranqüilidade, posse exclusiva ou dominação”.
Cada vez mais o conhecimento foi sentido como condição de vida, e “gradualmente o cérebro humano foi preenchido por juízos e convicções, e nesse novelo produziu-se fermentação, luta e ânsia de poder”. Dando seguimento à genealogia e valor do conhecimento, a filosofia de Nietzsche revela que, quanto à busca do conhecimento, “não somente utilidade e prazer, mas todo gênero de impulsos tomou partido na luta pelas “verdades”; a luta intelectual tornou-se ocupação, atrativo, profissão, dignidade”, de forma que, após longo período de tempo, “o conhecimento e a busca do verdadeiro finalmente se incluíram, como necessidade, entre as necessidades” (GC, §110). Daí sua admiração pela filosofia de Schopenhauer, que por sua educação para a verdade, proibiu se crer na mentira de crer em Deus. Daí também identificar sua própria filosofia com esse mesmo impulso pelo
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“verdadeiro”, colocando na boca de Zaratustra o golpe derradeiro contra a moral: “a auto- superação da moral pela veracidade, a auto-superação do moralista em seu contrário – em mim” (EH, “Por que sou um destino”, §3), desbancando a razão ou o intelecto como o caminho para a verdade.
É por essas considerações acerca da “alma” ou “razão” ou “psique” que Pippin (2010, p. 3) irá afirmar haver uma “inseparabilidade entre psicologia e genealogia” no pensamento de Nietzsche. Assim, uma vez que os conceitos, ideias e ideais são signos e como signos são resultante de valorações, pode considerá-los como valores a serem avaliados. Zaratustra (ZA, “Dos mil e um fitos”) afirma que “valores às coisas conferiu o homem, primeiro, para conservar-se – criou, primeiro, o sentido das coisas, um sentido humano! Por isso ele se chama “homem”, isto é: aquele que avalia”. Isso quer dizer que o homem está, desde sempre, condicionado a avaliar perspectivamente a existência.
O homem é entendido como avaliador por que confere valor às coisas, uma vez que “avaliar é criar” e por isso o próprio avaliador constitui o grande valor e a preciosidade das coisas avaliadas. Mais, tendo em vista que “somente há valor graças à avaliação”, decorre que sem a avaliação, seria vazia a noz da existência. Destarte a constatação de que os juízos de valores morais, bem como os sentimentos morais, correspondem às avaliações dos diferentes povos, tempos e eras, e estas, por sua vez, às “exigências fisiológicas”, Nietzsche (BM, §186) considera que o objetivo inicial a ser realizado pela filosofia é a “preparação para uma tipologia da moral”, de forma que seja possível “tornar evidentes as configurações mais
assíduas e sempre recorrentes desta cristalização viva” que tais sentimentos representam. Ora, considerando que o procedimento de fundamentação é, “em todo caso o oposto de um exame, questionamento e análise”, o filósofo então tomará como tarefa proceder a uma “vivissecação dessa mesma fé”, o que caracteriza sua “ciência da moral” como um “imoralismo”, pois “ser científico é um crime contra tudo o que é sagrado” (CW, §3). A ciência moderna, considerada anti-sagrada, compartilha com a visão de mundo cristã seu moralismo. Este é o resultado de sua vivissecação.