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A ocupação do coordenador se apresenta como algo diferente em cada tipo de instituição. Há sempre uma discrepância entre o que eles entendem que seja a função do coordenador e o que ele efetivamente faz. Essa discrepância, no entanto, parece ser bem maior em instituições de baixo investimento, e bem menor em instituições públicas.

Os coordenadores das instituições de alto investimento entendem que a função do coordenador deveria ser a de mantenedor do projeto pedagógico e amortecedor de interesses

O coordenador de curso, em última instância ele é uma mola que amortece interesses. Uma mola de quatro lados: alunos, professores, gestão superior a ele e dos técnicos administrativos, e ainda tem do lado de fora a sociedade cobrando. (E2).

Outro coordenador desse tipo de instituição relatou que hoje, de modo geral, o

coordenador “apaga fogo”, porque as instituições não estão adequadamente estruturadas para

permitir que o coordenador atue nas frentes que deveria, sendo assim, ele precisa criar processos, educar pessoas etc. Os coordenadores desse grupo afirmaram que conseguem reservar um tempo considerável para as atividades de coordenação ou porque procuram atender alunos somente com hora marcada ou porque tem alguém para ajudá-los. Ainda

assim, uma coordenadora falou que há um desgaste grande com aborrecimentos por questões supérfluas, que acabam comprometendo a dedicação que ela deveria ter ao projeto pedagógico do curso.

Por exemplo, quando teve aquela gripe (suína) houve uma discussão se deveria ou não ter gel no banheiro (...). Então às vezes o tempo parece que é maior por causa do desgaste com essas coisas, em vez de pensar o projeto. (E39).

Os coordenadores das instituições de baixo investimento argumentam que o coordenador deveria ter mais tempo para poder atuar de modo mais estratégico, pensando o curso e acompanhando o mercado. Entretanto, o que ocorre na realidade é que ele perde muito tempo com tarefas operacionais. O aluno de instituição privada demanda muito mais atenção do coordenador do que o aluno de instituição pública

Eu acho que o trabalho de coordenação em qualquer lugar ainda tem muito de operacional, (...) essa coisa pessoal, o aluno é muito carente disso, em universidades públicas não é assim, na universidade particular é. (E38).

Outra coordenadora desse grupo afirmou que as questões burocráticas e o atendimento aos alunos a deixa sobrecarregada. Entretanto, ela afirma que negociou com a instituição e em breve terá um adjunto.

Isso (ter um adjunto) foi reconhecido pela reitoria como uma necessidade porque realmente eu fico presa com bobagem. (E1).

Nas instituições públicas, em geral, o relacionamento da coordenação com os alunos não é tão próximo. Entretanto, em uma das instituições publicas estudadas, a relação da coordenação com os alunos se assemelhava mais ao que é comum em instituições privadas, pois o coordenador se definiu como secretário geral de alunos. De acordo com esse coordenador, o próprio MEC criou a figura do núcleo docente estruturante (NDE) porque

entendeu que as coordenações estão demasiadamente ocupadas para fazer o que se espera delas.

O próprio MEC já viu que as coordenações estão tão assoberbadas que criou agora o NDE - núcleo docente estruturante. Pra que? Pra ser o guardião do currículo, discutir diretrizes... Fazer o que a coordenação não pode mais fazer. (E41).

Os demais coordenadores de instituições públicas admitem que o atendimento ao aluno é uma das tarefas que menos consomem o seu tempo. Um deles chegou a dizer que graças a isso e ao bom atendimento da secretaria, ele ocupa adequadamente suas horas de coordenação, combinando atuação operacional e política. Outro coordenador de instituição pública afirmou que consegue trabalhar de forma acadêmica e pedagógica, mas reconhece que essa não é a realidade de muitos outros cursos, nem de algumas universidades. Ele acredita que as tarefas que ele realiza estejam próximas do que seria o ideal de atuação de um coordenador.

As minhas tarefas estão mais próximas do ideal que deveria ser as de um coordenador. (...) Não é o ideal porque com a reforma do estatuto criaram reuniões demais. (E40).

Os alunos de instituições de alto investimento enxergam no coordenador um importante elemento de motivação dos alunos. Uma aluna desse tipo de instituição relatou que a coordenação na sua instituição era péssima porque ela não encontrava ninguém para atendê- la, o que ela entendia como uma desorganização da faculdade, mas agora a realidade é outra.

A coordenação deveria ser organizada, deveria dar o exemplo de como administrar bem e não me deram. Mas agora mudou totalmente porque a coordenação mudou. (E23).

Os alunos das instituições de baixo investimento se queixam da alta rotatividade dos coordenadores. Eles relatam que estão sempre trocando de coordenador.

Já é o terceiro coordenador que nós vamos ter em menos de um ano. Isso está dando problema, (...) Um chegou, implantou umas mudanças (...) pegou a grade toda e deu uma bagunçada, e eu acho que isso não foi muito legal. (E62).

Os alunos das instituições públicas revelam que, realmente, não têm contato próximo com os coordenadores.

Na verdade a coordenação, eu nunca vi a coordenadora, dizem que ela anda ai pelo corredor, mas eu não sei quem é. (E29).

Eles relatam que para falar com o coordenador é preciso ver os dias em que eles estão disponíveis e marcar, mas alguns alunos reconhecem os esforços dos coordenadores para proporcionar melhorias no curso.

A primeira grande coisa que eu vi acontecer e achei ótimo foi a mudança curricular dele (...). Eu estou vendo sim mudanças acontecerem para o bem do curso e dos alunos. (E67).

Benzer Belgeler