4. MATERYAL ve METOD
4.2. Kelime-Resim Eşleme Modülü
Assim como os demais estados do sul do Brasil, o estado do Paraná possui uma grande diversidade geológica. De acordo com o "Atlas Geológico do Estado do Paraná" (MINEROPAR, 2001), na região litorânea estão as rochas mais antigas, da idade pré- cambriana, ou seja, com mais 500 milhões de anos. Tanto no litoral quanto em todo o Primeiro Planalto Paranaense (ver item seguinte), bem como na região da Serra do Mar, afloram rochas ígneas e metamórficas de idades entre o Arqueano e início do Paleozóico, correspondendo a um largo período geológico, entre 250 a 500 milhões de anos. Em comum,
estas rochas possuem grande resistência e são responsáveis pelas altas declividades da paisagem.
Na região oeste do estado, as rochas ígneas e metamórficas, do embasamento cristalino recobrem uma espessa sequência de rochas sedimentares e vulcânicas, denominada Bacia do Paraná (Figura 11). Esta sequência abrange o Segundo e o Terceiro Planalto Paranaense. Sua formação teve início no Siluriano, terminando no Período Cretáceo. As rochas magmáticas do Mesozóico cobrem atualmente uma superfície de aproximadamente 1.200.000 km², que se estendem pelo Estado do Paraná. A evolução da Bacia do Paraná durou mais de 350 milhões de anos e foi construída em grandes ciclos geológicos, acompanhados de avanços e recuos da linha de costa de um antigo oceano que circundava o Super Continente Gondwana (MINEROPAR, 2006).
Figura 11: Principais Unidades Geológicas do Estado do Paraná (mapa sem escala). Fonte: (MINEROPAR, 2006).
Durante o período Jurássico, a extensa bacia transformou-se num imenso deserto, correspondendo ao arenito Botucatu, destacando-se como formação individualizada, o arenito Caiuá. O arenito Botucatu é considerado o maior depósito eólico contínuo do mundo, com
mais de 2,5 milhões de km², cobrindo parte do que hoje correspondem as regiões do sul, centro oeste e parte do sudeste do Brasil, além do Paraguai e Uruguai. A Formação Botucatu engloba a área de estudo fornecida por arenitos médios a finos, geralmente bem arredondados e aspecto fosco, róseos, que exibe estratificação cruzada, de médio a grande porte, identificadora de dunas caminhantes, que caracteriza um pronto reconhecimento do antigo “deserto Botucatu” em todos os pontos em que aflora. Esta formação representa diversos sub- ambientes de um grande deserto climático, de aridez crescente, que vigorou até o início do vulcanismo basáltico. Junto à base, localmente ocorrem seixos derivados de um constante trabalho eólico sobre depósitos fluviais subjacentes ao campo de dunas (MILANE et al., 1994).
Sobre os arenitos ocorreram um conjunto de eventos vulcânicos de natureza fissural, que se estendem por aproximadamente 75% de toda a Bacia do Paraná. Os sucessivos derrames de lavas basálticas depositadas de forma superpostas abruptamente sobre os arenitos da Formação Botucatu, ocasionaram muitas fendas nas rochas basálticas, como pode ser observado na Figura 12, cuja origem está relacionada a uma pausa no evento vulcânico, ou até mesmo na penetração do magma nos sedimentos pré-vulcânicos (MACHADO, 1996).
A Figura 12 apresenta um escalonamento dos depósitos basálticos devido à movimentação tectônica, que ocasionou um conjunto de falhas com deslocamento vertical.
Segundo Machado (1996), os derrames basálticos são relativamente uniformes, variando de cinza escuro e granulometria fina, na porção central, para vesicular, amidaloidal e breciáceo nas zonas de transição. No período compreendido entre dois derrames, a superfície do terreno ficou sujeita ao intemperismo, sofrendo erosão e deposição de sedimentos pelo vento e água. O derrame subsequente remoldou esse material, formando as camadas de brecha de cada derrame. Outra característica dos derrames basálticos da região é a presença de uma descontinuidade abaixo da camada vesicular - Amigdaloidal de cada derrame. Este aspecto gera problemas de resistência da Rocha e potencializa o processo de intemperismo nos Basaltos, que tendem a formar solos argilosos.
Todos esses compartimentos estão cortados por uma densa quantidade de diques diabásios na direção geral SE-NW. De acordo com a Figura 13, esses diques estão relacionados com o Arco de Ponta Grossa e com o vulcanismo continental, toleiítico e alcalino da Bacia do Paraná. Essas estruturas de grande porte, consequências sucessivas do vulcanismo, foram criadas desde o Arqueano até o Cretáceo, período da extinção dos dinossauros (LICHT, 2001).
De acordo com Thá (2007), a barragem de Itaipu e seu reservatório estão localizados sobre os sucessíveis derrames basálticos da Bacia do Paraná, da Formação Serra Geral, cuja origem remonta ao Período Jurássico.
Ainda segundo Thá (2007), as principais características geológicas da área de implantação da barragem são as seguintes: derrames basálticos, com espessura variando de 20 a 60 m; camadas de brecha entre os derrames, com espessura de 1 a 30 m; descontinuidades em planos paralelos aos derrames de basalto.
A Figura 14 ilustra o corte transversal da calha do rio Paraná na área onde está localizada a barragem principal da usina de Itaipu. Na área ocupada pela usina de Itaipu foram detectados cinco derrames principais os quais podem ser observados na Figura 14
Figura 14: Perfil Geológico na área da barragem de Itaipu - Fonte: THÁ (2007)
Com estes derrames basálticos mostram várias feições cisalhadas, provocando mais atenção no ponto de vista geotécnico, pois é nesta área que esta localizada a barragem principal.