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4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

4.2. Kek Hamuru ve Kek Özellikleri

4.2.2. Kek renk değerleri

A ciência é uma forma de compreensão e representação do mundo que interpreta e organiza o mesmo através do conceito. Este por sua vez nasce de uma relação lógica entre o estudioso com o mundo, num ato de racionalização dos dados sensíveis. A expressão desta racionalidade na construção de conhecimento é dada pelo método, que é um caminho que conduz ao saber.(MOREIRA, 2007)

A geografia é uma ciência que define sua especificidade através da leitura das imagens e das falas, por meio da categoria da paisagem (ponto de partida), concebendo o mundo como espaço-tempo onde a distribuição dos fenômenos ocorre de forma territorializada.

Nesta pesquisa as redes de comunicação e todo o contexto social, econômico e político que emerge das geografias do mundo, nos fornecem uma paisagem onde as antenas, as redes propriamente físicas na forma de fios e ondas nos sugerem perguntas sobre o “por quê” deste fenômeno, de onde vem, para onde vai tanta informação e com quais finalidades. A leitura e a interpretação deste mundo parte de uma realidade visível para chegar ao invisível, assim sendo, partimos da observação da paisagem e dos objetos que a compõem, para em seguida, estabelecermos as relações que permeiam esses elementos físicos assentados sobre a superfície da Terra.

A saber: o papel das comunicações em um mundo de conexões globais físicas e abstratas, econômicas, políticas e culturais. O Homem em sua relação com este meio não está separado, já que a relação Homem-Natureza e Homem- Homem é uma relação de troca metabólica e de intercâmbio de matéria e energia convertidas ou mimetizadas através as ações do homem e das comunicações.

teórico de Milton Santos através da conceituação de um meio técnico-científico- informacional, nos fornece uma compreensão de sua geografia ao combinarmos os diferentes níveis de leitura do mundo estruturados por uma paisagem (antenas, fios e ondas), um território (a jurisdição sobre todo processo de apropriação dos lugares ou dos recursos e ao mesmo tempo o lugar das atuações identitárias) e um espaço-tempo, condição sine qua non da existência ou “do existir” neste meio.

A expressão material desta leitura de mundo apresenta-se através de um conjunto de princípios lógicos espaciais, a saber: localização, distribuição, extensão, distância, posição e escala (MOREIRA, 2007, p.116). A análise da relação homem-meio prevê a estruturação destes princípios na superfície da Terra, bem como a possibilidade de sua representação cartográfica, para daí o fenômeno em questão adquirir uma dimensão geográfica.

O fenômeno aparentemente recente, mas como relatamos na parte 2.2 deste capítulo “a historicidade da rede”, é dotado de processos históricos e sociais que já atravessam mais de meio século (justaposto com o que Milton Santos contextualiza como período técnico-científico, 1994) e que nos demonstram uma ampliação dos contextos históricos associados às pesquisas em torno do desenvolvimento de redes de comunicação, desde o final da segunda guerra mundial e a enorme e rápida difusão de uma economia e sociedade da técnica e da informação organizadas pelo princípio das redes na forma hoje de uma rede mundial de computadores e protocolos de acesso97.

Localizado o fenômeno na paisagem, compomos um conjunto de localizações que forma um contexto da distribuição dos mesmos. Deste ponto partimos para a distância entre as localizações, o que nos permite estruturar uma rede de localizações conectadas. Desta rede surge o princípio da extensão

97 Os protocolos definem basicamente os caminhos onde um usuário de acordo com seu perfil e status dentro da rede pode ir ou não. Que caminhos e que aplicativos ele pode aceder. “Protocolo é uma linguagem que regula os fluxos, espaços de rede, relações entre códigos e conectam formas de vida. É a etiqueta para agentes autônomos. O Protocolo é um tipo de lógica de controle que opera amplamente dentro e fora do poder institucional, governamental e corporativo”. Fonte: Galloway, Alexander R. , Protocol: How Control Exists After Decentralization. LONDON, 2006 - UNIVERSITY OF LUTON.

que confere uma unidade ao espaço. A delimitação dos recortes dentro desta unidade traz a categoria território e do "entrecruzamento" destes recortes surge a escala e assim o espaço constituído em sua complexidade e passível de mapeamento, e portanto, nos fornecendo uma visualização do fenômeno geográfico.

A manifestação destes princípios lógicos nas palavras de MOREIRA (2007, p.117) permite a materialização do espaço na empiria da paisagem e do território. Essa manifestação dá origem à região, ao lugar e à rede, que são recortes concretos (empíricos) de espaço e desta forma, subcategorias do território. Na paisagem, os princípios acabam por constituir as subcategorias de arranjo e configuração, como pode ser percebido nas infra-estruturas que cobrem a superfície da Terra com uma densidade técnica que aumenta junto aos espaços urbanizados e metropolitanos.

O espaço é tomado como uma ordenação de coexistências, múltiplas co- determinações e mútuas influências numa trama de relações que se dá em meios não contíguos. A extensão de um fenômeno neste sentido extravaza a idéia de uma linearidade ou homogeneidade territorial. Os lugares comunicam- se independentes de sua proximidade física e muito mais pela sua função e qualificação produtiva. A rede representa o suporte material por onde ocorre uma “difusão geográfica da Informação”, conectando lugares e mudando as referências escalares na geografia do mundo. A Geografia aparece “dotada de um conteúdo informativo, (...) representando uma nova dimensão na territorialização da relação Homem-Geografia” (MARTINS, 2000, p 4, 8)

Desse método de análise e construção de um saber geográfico chegamos ao espaço como resultado final de um conjunto de relações que tem como base o caráter histórico da relação homem-meio e a organização geográfica engendrada deste processo. Onde as práticas espaciais constroem a sociedade espacialmente e criam a dialética de co-determinação entre sociedade e espaço.

Diante dessa exposição, o capítulo 2 e de desenvolvimento desta pesquisa, parte deste modo de leitura do mundo que tem por base o método exposto acima em aplicação ao chamado período técnico científico informacional

desenvolvido por Milton Santos (1994, 2001), onde a rede se expressa como material e abstrata; estrutura e ordem política econômica; um princípio geográfico da extensão que permite unicidade a diferentes ordens de localizações-distribuições, que conectam lugares em uma geografia que tem suas dinâmicas atravessadas pelas inovações e informações introduzidas majoritariamente pelos atores hegemônicos em C&T (Universidades e corporações industriais), mas que no entanto, são passíveis de diferentes formas apropriação social e resistências.

Teoricamente nos apoiamos também no pensamento desenvolvido por Raffestin (1993) e de toda discussão engendrada pela resistência e pela contra informação na rede, marginalidade-centralidade, onde circulação e comunicação modelam o tempo-espaço que qualificam todo o território, sendo inseparáveis do modo de produção em nosso tempo. Circulação e comunicação produzem e reproduzem projetos políticos e econômicos, modos de ser e conceber nos lugares através das redes de informação, e portanto, de relações de poder.

A perspectiva da construção da pesquisa é oferecer uma possibilidade de leitura das extensões e dos contextos provindos dessa organização em redes digitais informacionais que estão presentes em uma parcela da sociedade dita informacional ou pelo menos pretendida assim. Essa parcela hoje é bastante significativa, dado os valores de mais de um bilhão e meio de habitantes e usuários de Internet (ver figura 9) que vivem fundamentalmente em centralidades urbanas ou lugares constituintes de arranjos produtivos urbanos de grande extensão geográfica, correlacionados a partir de uma circulação material e imaterial posta em uma rede feita de cidades e concentrações com ampla estrutura tecnológica.

FIGURA 9 - Usuários de Internet no Mundo (números absolutos) - Fonte: Internet World Stats, 2008. [http://www.internetworldstats.com/stats.htm] acessado em 15/10/2008

O contexto geográfico é construído a partir de uma fundamentação de uma historicidade e uma geograficidade do fenômeno estudado, ou seja, as qualidades que vem moldando os espaços e os tempos em sua correlação direta com o Homem, adjetivando a existência humana no Atual98. Um homem

permeado em diferentes dimensões pelas tecnologias da informação, mas não obliterado pela mesma. Um Ser que a partir de suas ações impõe e determina novos movimentos que são permanentemente comunicados e destes meios são geradas respostas ou feedbacks numa produção de espaço-temporalidades que se retro-alimenta através da dimensão tecnológica e comunicacional e que de fato possui em sua forma de existir uma expressão geográfica, uma situação em permanente movimento.

98 Atual é entendido aqui como um conceito de presente, contemporâneo, uma atualização permanente de nossa experiência com o mundo, a cidade e a resposta contínua do Homem neste cotidiano em sua capacidade de interação.

Por fim, a relação Homem-Meio que emerge da leitura de uma geograficidade dos processos comunicativos implicam em:

“(...) compreender o lugar (a geografia) através de nossas necessidades existenciais quais sejam, localização, posição, mobilidade, interação com os objetos e/ou com as pessoas. Identifica-se esta perspectiva com a nossa corporeidade e, a partir dela, o nosso estar no mundo, no caso, a partir do lugar como espaço de existência e coexistência”99.

Benzer Belgeler