Conhecer as vivências dos cuidadores familiares na mobilização do idoso dependente constituiu o objetivo central deste estudo, que conduziu todo o seu percurso. Da evidência encontrada emergiram achados importantes que vale a pena realçar neste capítulo.
O significado atribuído pelos participantes à assunção do papel de CF está estreitamente relacionado com sentimentos positivos associados ao desempenho do papel nomeadamente: dedicação ao outro, satisfação e bem-estar, recompensa e fortalecimento do vínculo e com o dever moral, por forma a servirem de exemplo a outros familiares.
Das vivências dos CF no cuidar emergiram diversos fatores facilitadores do processo de transição dos quais se destacam: atitude perante a vida, relação de afeto, crenças religiosas, empatia, vocação, humor, disponibilidade e proteção da privacidade.
A ausência de preparação para assumir o papel de CF, nomeadamente no que se refere às técnicas para realizar os cuidados de higiene, os posicionamentos, a marcha e as transferências dos idosos dependentes, surgem como fatores inibidores do processo de transição, trazendo como repercussões a sobrecarga física e emocional, as alterações dos hábitos de vida, o medo e a insegurança.
Estes fatores negativos são desvalorizados pelos CF e compensados pelo sentimento de auto valorização do papel de CF, fundamental na promoção da qualidade de vida do idoso e atribuição de sentido à sua própria vida.
Quanto às estratégias desenvolvidas pelos CF para mobilizar o idoso dependente evidenciaram-se: a observação, a experiência de vida, a procura de informação, a educação pelos profissionais, a tentativa erro e o treino de habilidades.
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O sentido atribuído às vivências dos CF na mobilização do idoso dependente, revela um grande compromisso de responsabilidade e dedicação, estando patente em todo o processo a implementação de intervenções promotoras de mobilidade, de conforto e de segurança, com especial destaque para a prevenção de quedas e de úlceras de pressão. A tónica é colocada em todas as experiências vividas, na autonomia e independência do idoso, sempre que a condição clínica o permitisse e na promoção de conforto e qualidade de vida do mesmo.
Apesar de todas as estratégias instituídas para mobilizar o idoso dependente, os CF revelaram na sua globalidade necessidade de terem uma preparação prévia para que o processo de transição ocorresse de forma saudável. Nesta preparação é importante o saber, mas é imprescindível o saber fazer, com foco na mobilização (posicionamentos, transferências, estratégias para mobilizar o idoso em segurança) satisfação das necessidades básicas como a higiene e alimentação, sendo também importante, mas menos valorizada a administração de terapêutica subcutânea, os cuidados paliativos e a abordagem em geral sobre o idoso.
Depreende-se assim que a capacitação dos cuidadores, através da educação adequada às suas reais necessidades, realizada por uma equipa interdisciplinar, constituída por profissionais competentes, da qual os enfermeiros ocupam um lugar de destaque, surge como uma estratégia indispensável para minimizar as repercussões que esse novo papel possa causar no seio familiar.
A presença do enfermeiro de reabilitação faz sentido nos diferentes contextos de cuidados, tal como no hospital, nas unidades e equipas de cuidados continuados e paliativos e nos cuidados de saúde primários, locais onde se torna possível a promoção de capacidades adaptativas, com vista ao autocontrolo e ao autocuidado nos processos de transição.
Para os profissionais de enfermagem, a reabilitação é mais do que uma disciplina, assume-se como uma filosofia de vida, que os faz assumir um interesse e sentido pelo futuro da pessoa, mesmo quando a cura ou a reparação do seu corpo deixam de ser possíveis (Hesbeen, 2002).
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Pelos testemunhos podemos depreender que a continuidade de cuidados ainda não é uma realidade extensível a todos os idosos e CF e que os ensinos, orientações, instruções e treinos nem sempre vão de encontro às necessidades expressas pelos cuidadores, no entanto os CF têm direito a receber a preparação adequada à fase de transição, para evitar o prejuízo da sua saúde e facilitar a inclusão social. (Breretom e Nolan, 2002)
Segundo Andrade, F. (2009), nas respostas do sistema de saúde português persistem carências ao nível das soluções oferecidas pelas instituições de saúde e de apoio social aos prestadores de cuidados informais. As políticas de apoio que têm sido adotadas, são maioritariamente dirigidas às pessoas dependentes e não aos cuidadores.
A nossa experiência como enfermeira especialista em enfermagem de reabilitação, foi fundamental na utilização da entrevista e análise fenomenológica, para nos permitir chegar à compreensão do fenómeno em estudo, perante os dados recolhidos, direcionando a pesquisa para os objetivos estabelecidos.
A elaboração de um trabalho deste cariz é um processo exigente, na medida em que procura cumprir todos os passos inerentes à realização de estudos científicos e que contribuam de forma positiva para a aquisição e desenvolvimento das evidências científicas que servem de base à ciência de enfermagem.
No decorrer deste processo confrontamo-nos com algumas limitações, que esperamos não terem interferido no percurso metodológico, nomeadamente a inexperiência do investigador em estudos com abordagem fenomenológica e o tempo disponível para a dedicação necessária à elaboração de um estudo com esta exigência.
Os resultados deste estudo, reforçam uma vez mais o papel dos enfermeiros generalistas e especialistas em reabilitação no processo de transição do familiar para prestador de cuidados do idoso dependente.
Neste contexto, com os contributos deste estudo, pretendemos elaborar e colocar em prática um programa educativo adequado às reais necessidades dos CF, no que
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se refere à mobilidade dos idosos dependentes, baseado em formação teórico- prática, reforçando o treino de habilidades e complementando com demonstração por DVD, por forma a facilitar o processo de transição e contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos CF e idosos.
Pretendemos divulgar os resultados aos organismos centrais e locais para sensibilizar os gestores e profissionais da prática de cuidados, sobre a importância da integração dos CF na equipa interdisciplinar de cuidados, de forma a facilitar a preparação para a assunção do papel de CF.
Relativamente às sugestões pensa-se que será útil que as instituições governamentais reforcem as políticas de apoio ao CF, envolvendo as parcerias de proximidade (Centros de Saúde, Segurança Social, Instituições Privadas de Solidariedade Social, Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia), com objetivo de implementarem medidas que sustentem o trabalho desempenhado pelos CF.
Sugere-se também, a criação de uma linha telefónica de apoio ao cuidador e a promoção generalizada do voluntariado com pessoas com formação adequada, que permitam auxiliar o cuidador, especialmente, quando este precisa de se ausentar de casa.
Embora tenhamos atingido os objetivos definidos, os resultados não podem ser extrapolados, pelo que sugerimos a realização de outros estudos qualitativos ou quantitativos, com os mesmos ou idênticos objetivos, com amostra mais alargada, para que os resultados possam ser replicados e sejam implementadas políticas/ programas a nível nacional, de acordo com as necessidades identificadas.
Seria ainda de todo o interesse, analisar o mesmo fenómeno numa população com condições socioeconómicas mais baixas, pois acreditamos que as vivências desses CF seriam diferentes das encontradas neste estudo.
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