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Ao avaliar os impactos do megaevento no turismo da Alemanha seguindo o modelo de Allen e seus colaboradores percebe-se que a Copa de 2006 foi um evento que trouxe diferentes benefícios turísticos e econômicos para o país. Dentre os impactos positivos mais significativos, destacam- se a promoção do destino, a lucratividade e a geração de negócios. A seguir serão analisados cada um dos impactos seguindo o modelo proposto por Allen et al. (2008)

No que se refere à promoção do destino e incremento do turismo, verifica-se que a Copa 2006 apresentou um significativo incremento do turismo durante os jogos e até mesmo antes e após o evento. Muito desse resultado está relacionado ao êxito do próprio evento e em especial, da campanha de marketing. Pesquisas de imagem realizadas após a Copa confirmaram o êxito da campanha, já que 88% dos turistas que estiveram na Alemanha durante o evento recomendariam o país como destino de férias, e 79% dos turistas consideram que, depois da Copa, passaram ter uma relação melhor com a Alemanha10.

O lema oficial da Copa do Mundo da Alemanha "A Time to make friends" foi uma estratégia bem sucedida para mostrar o país tanto nacional como internacionalmente como um destino aberto, tolerante, moderno e inovador. Na questão da imagem, o evento trouxe muitos benefícios para o país. Essa promoção foi positiva tanto para o turismo interno como para o turismo internacional, além de trabalhar a auto-estima da população em relação ao seu país.

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http://www.eventos.turismo.gov.br/copa/turismo_copas/detalhe/2006_Alemanha.html?abas=5 acesso em 20 de outubro de 2010.

No âmbito da promoção, observou-se que de fato o megaevento Copa do Mundo foi capaz de influenciar positivamente para a ampliação da marca internacional do país e favorecer para a captação de mais e maiores eventos, visto os dados apresentados no capítulo 5 do trabalho. Após o evento verificou-se um aumento de fluxo de turistas estrangeiros para visitar o país e inclusive, um maior turismo dentro mesmo do país. A exposição do país da Copa na mídia nacional e internacional cria oportunidade para divulgação de diferentes cidades, monumentos históricos, além de culinária, opções de turismo e lazer em diferentes municípios do país, sejam estes sede ou não deste megaevento.

Já alguns anos antes do evento, houve um aumento na procura por alugueis de apartamentos e residência temporária para pessoas que buscavam oportunidades de trabalho no país. Aumentou também o número de turistas interessados em visitar e conhecer a Alemanha. Dada a infra- estrutura das estradas observa-se que foram utilizadas formas alternativas de viagem como o uso de trailler ou Motohome, permitindo hospedagem e mobilidade para se comparecer aos diferentes locais de jogos.

Após a Copa do Mundo verificou-se também um maior fluxo de turistas para o país, no entanto, é importante ressaltar que esse impacto de longo prazo é afetado por diversas variáveis ao longo dos anos, seja relacionado a questões sociais, políticas e econômicas dos países emissores, modismo, entre outras, cuja análise transcende o objeto deste estudo. Como já ressaltado na metodologia, alguns dos impactos são de longo prazo e não poderão ser avaliados ainda nesse momento. Um megaevento pode gerar impactos que somente serão identificados entre 10 e 15 anos após o evento, e ainda assim de difícil mensuração.

Um outro aspecto que se torna interessante de se avaliar é que os jogos foram realizados em 12 cidades sedes, considerando a dimensão geográfica do país, o desenvolvido transporte aéreo, (ferroviário) e auto estradas, não estavam tão distantes umas das outras. O mesmo acontece com outros destinos em países europeus próximos, que oferecem transporte direto para as cidades sede dos jogos na Alemanha. Esse cenário é bem diferente ao se pensar em destinos com dimensões geográficas significativas, como o caso da África do Sul que sediou a Copa de 2010 e o Brasil, que sediará o evento em 2014. Além disso, a proximidade da Alemanha de importantes mercados emissores de turistas e também o alto poder aquisitivo do povo alemão em 2006 e na atualidade, se comparado com a situação econômica desses dois outros países citados, favoreceu para o impacto econômico positivo do evento.

No entanto, alguns autores ainda afirmam que o beneficio econômico com receitas de turistas ainda deixou a desejar. Ritzer (apud Florek 2007) ressalta que na Copa do Mundo de 2006, a comissão organizadora da Alemanha ganhou um total de € 140 milhões do torneio, que é mais do que o previsto (DFB, 2007), mas os turistas só gastaram cerca de € 500 milhões na Alemanha, metade do que era esperado. Além disso, seus gastos tiveram foco sobre a cerveja, alimentos, sem efeitos significativos no varejo. Enquanto o emprego aumentou temporariamente durante o evento, o crescimento econômico adicional acabou por ser mínima.

Verificou-se maior lucratividade no turismo, assim como em outros setores, dado os impactos diretos e indiretos gerados na cadeia produtiva. Como já ressaltado, antes do evento o principal segmento econômico beneficiado pelo evento é a construção civil. Nessa etapa se concentram os investimentos relacionados aos legados dos megaeventos, incluindo revitalização de áreas, construções de infra-estrutura geral e reformas. Da mesma forma, gerando empregos em massa nos diferentes setores. No caso da Alemanha, como já sinalizado, esses investimentos se

iniciaram mais de cinco anos antes do evento, favorecendo a população local. Apesar do país já apresentar maior parte da estrutura exigida pela FIFA, a Copa do Mundo favoreceu para modernização de estádios, estruturação do turismo, capacitação, entre outros. Esse quadro também foi positivo ao se avaliar a questão dos impostos, como já apresentado no texto. No entanto, o que se pode observar é que de fato, em megaeventos, os principais beneficiários são empresas de grande porte, principalmente as promotoras e patrocinadoras do evento.

No entanto, Brenke e Wagner (2006) (apud Domingues et al. 2010) ressaltam que ao analisarem os efeitos da Copa do Mundo em 2006 na Alemanha, constataram que as expectativas estavam sobrevalorizadas, de forma que os empregos adicionais eram somente temporários e os custos de infraestrutura e promoção da Copa-2006 foram significativos. Eles concluíram que os principais beneficiários dos eventos foram a FIFA (187 milhões de Euros) e a Associação Alemã de Futebol (DFB) (21 milhões de Euros).

Benzer Belgeler