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hospitalar.

Os enfermeiros, enquanto educadores em saúde, deverão estar conscientes que a família constitui uma instituição de caracter permanente, enquanto o internamento “representa uma situação temporária na vida do paciente” (Andrade, et al 2009, p.42). A orientação torna-se portanto essencial, “tendo em vista a capacitação das famílias para cuidá-lo”, (Ibidem) principalmente nas patologias que requerem um longo período de reabilitação, como é o caso das pessoas com AVC

O acompanhamento de pessoas com AVC e familiares cuidadores no contexto domiciliário permitiu-lhe detectar quais as principais dificuldades que estes apresentavam aquando do seu regresso a casa, prendendo-se a maioria com as AVD´s relacionadas com a alteração da mobilidade. Este facto permitiu-lhe tomar consciência da pertinência de uma intervenção atempada de enfermagem de reabilitação ainda em contexto hospitalar, visando a promoção da mobilidade da pessoa com AVC e a capacitação dos familiares, parecendo- lhe ir ao encontro do já referido estudo de Perlini & Faro. Neste, as actividades destacadas como as mais realizadas no domicílio pelos 35 familiares cuidadores da amostra, foram: “vestir o paciente ou auxilia-lo a trocar de roupa” mencionada por “33 (97,1%) dos cuidadores”, associada a alteração da função motora e/ou sensorial, manifestada por hemiplegia, hemiparesia ou parestesia; “auxiliar na deambulação” sendo “referido por 23 (67,6%) dos cuidadores” como uma das actividades frequentes no seu dia-a-dia, bem como a realização pelos cuidadores, de exercícios físicos activos e passivos ou a estimulação para que a pessoa os realize, mencionada por “20 (58,8%) cuidadores”. Outra actividade realizada é a prestação de cuidados de higiene e conforto, em que os cuidadores referem que os familiares dependentes “apresentam dificuldades principalmente para lavar os cabelos, algumas partes do corpo e realizar a higiene oral” (2005, pp.159-160). Alguns cuidadores relatam ainda a grande dificuldade da realização da higiene no chuveiro “o que torna o banho uma actividade mais difícil de ser executada sem ajuda” principalmente em pessoas muito dependentes ou pouco colaborantes (ibidem, p.160).

Destaca o processo educativo como uma das principais intervenções realizadas em EC, junto da pessoa com AVC e seus familiares cuidadores, a par de todo um treino motor, de AVD´s, com vista à promoção da maior autonomia possível dos dois protagonistas. Na UAVC, e numa fase inicial (concomitantemente à admissão da pessoa com AVC) é facultado ao familiar cuidador o “Manual do cuidador do doente com AVC”, que aborda os

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pontos-chave do processo de preparação para a alta, pois de acordo com Petronilho (2007, p. 159) a informação escrita “contribui para melhorar os seus conhecimentos e capacidades e responder, assim de forma adequada aos desafios de saúde em contexto familiar. A informação escrita constitui, também, um recurso valioso para clarificar algumas dúvidas que possam surgir enquanto estão sozinhos”. É dado enfoque aos pontos 5, 13 e 16 do Manual, que correspondem respectivamente a; Como prevenir o AVC?, Como ajudar na reabilitação da pessoa que sofreu um AVC? E, como prevenir quedas em casa? É também cedida informação relativa a mudança de hábitos de vida, a adesão ao regime terapêutico e consciencialização da magnitude da doença.

Ao contrário do que se verifica em muitos contextos de cuidados, tendo em conta a sua experiência profissional, foi com agrado que constatou o contributo do EEER da UAVC, na gestão e optimização da relação de prestação de cuidados, tanto para a pessoa dependente como para o seu familiar cuidador, com o intuito de promover um adequado proveito do cuidar no domicílio, ao qual deu continuidade durante o período de EC. No Código Deontológico do Enfermeiro, o artigo 89º - Da humanização dos cuidados, na alínea b), clarifica o dever do enfermeiro de “contribuir para criar o ambiente propício ao desenvolvimento das potencialidades da pessoa” (Nunes, Amaral & Gonçalves, 2005, p. 141). Com isto em mente, foi sua “preocupação” promover a autonomia da pessoa e familiar cuidador. Cada pequeno progresso foi valorizado! E os mais pequenos resultados foram acolhidos como grandes êxitos. Tomou consciência de que as verdades escritas nos livros, não têm a mesma intensidade ao serem ouvidas num discurso efectuado na primeira pessoa. Em conversas informais, ouviu histórias de vida, difíceis de aceitar pelas pessoas receptoras de cuidados e até mesmo por si, de luta e de persistência, de muitas perdas e alguns ganhos… histórias que precisavam de ser partilhadas, ouvidas e sentidas.

Aquando da entrega do referido Manual, era negociado com a pessoa com AVC e família o plano de intervenção individual a implementar durante o internamento hospitalar, ficando agendada uma reunião com o objectivo de dotar os familiares cuidadores de competências e conhecimentos que lhes permitissem ajudar o seu familiar dependente. Durante o programa educativo, composto por uma componente teórica e outra prática, eram facultadas sessões de educação para a saúde, de cerca de 30 a 40 m, a cada familiar individualmente, cujo cenário de ensino decorria na unidade da pessoa doente. Os ensinos foram programados, sistematizados e realizados envolvendo os familiares cuidadores numa participação activa, sendo que o processo ensino-aprendizagem incidia em três momentos distintos: ensinar, instruir e treinar. De acordo com a International Council of Nurses ICN/CIPE, versão 1.0, aqueles tipos de acção definem-se da seguinte forma: “ensinar –

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acção de informar com as características específicas: transmitir conhecimentos sobre alguma coisa a alguém” (…), “instruir – acção de ensinar com as características específicas: fornecer informação sistematizada a alguém sobre como fazer alguma coisa” (…), e “treinar – acção de instruir com as características específicas: desenvolver as capacidades de alguém ou o funcionamento de alguma coisa (2006, p. 137).

Assim, o primeiro momento educacional compreendia a cedência de informações, apenas com base, numa componente teórica; um segundo momento, em que o enfermeiro comportando-se como um modelo e o cuidador como observador, centrava-se na explicação e demonstração de técnicas; e o terceiro momento em que o cuidador executava as intervenções a realizar e o enfermeiro supervisionava e esclarecia dúvidas.

De forma a validar a eficácia dos ensinos realizados em contexto hospitalar, esclarecer dúvidas sobre aspectos que não tivessem sido trabalhados no decorrer do internamento e registar sugestões, foi realizado o follow – up através de uma consulta telefónica, como intervenção de enfermagem de reabilitação á pessoa com AVC e família, sete dias após a alta hospitalar. Importa referir que os familiares cuidadores tinham conhecimento prévio da realização do follow-up. A consulta telefónica consistia na realização de uma entrevista semi estruturada, tendo por base um instrumento de recolha de dados43 (Anexo II). Teve a oportunidade de realizar o follow-up a 10 (71%) dos 14

familiares cuidadores, que estiveram em função dos seus cuidados/processo educativo durante o internamento da pessoa com AVC. Os quatro restantes familiares (29%) não atenderam o telefone, mesmo após nova tentativa de contacto em dias consequentes.

Ao analisar as opiniões dos inquiridos face ao papel dos ensinos como meio de apoio à melhoria da prestação dos cuidados à pessoa com AVC no domicílio, verificou que todos eles referiram ser “bastante importantes” e “muito úteis”.

Considera que estes testemunhos são motivadores, para os EEER, em especial para o da UAVC, no sentido de continuar a dedicar-se a uma área de intervenção voltada para o suporte da alta hospitalar, aliviando o processo de sofrimento, medo, dúvidas e angústias dos familiares cuidadores ao serem confrontados com um papel para o qual não se encontram de todo preparados.

Em ambos os contextos de cuidados, constatou que a educação, o treino, a informação, a providência e orientação de ajudas técnicas e a rede social de apoio quando bem articulados, promovem a autoconfiança da pessoa e do seu cuidador, ajudando a tornarem-se mais confiantes e a maximizar o seu próprio desempenho nas AVD´s. De

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Documento implementado no serviço, em Outubro de 2012, resultado do trabalho académico de uma aluna do Curso de Especialização em Enfermagem de Reabilitação de uma das Escolas de Enfermagem a nível Nacional.

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acordo com (UMRNCCI, 2007, p. 27), “à medida que a confiança aumenta os doentes/familiares tornam-se mais activos e mais interessados em se auto cuidarem”. Procurou estimular a pessoa em situação de dependência a fazer tudo o que lhe fosse possível, fornecendo a ajuda e o apoio necessário, educando o familiar cuidador nesta filosofia de actuação. Ainda de acordo com a UMRNCCI, “os cuidadores devem respeitar sempre o princípio de que a ajuda a prestar deve ser a necessária no respeito pelo direito que o outro tem de tomar decisões acerca de si próprio.” (ibidem, p. 30). Constatou que o familiar cuidador só quando integrado em todo o processo de reabilitação, não tende a substituir a pessoa cuidada. Este é um factor crucial no percurso da reabilitação em contexto domiciliário no sentido da maximização da capacidade funcional da pessoa doente.

A observação sugere que o treino e a repetição de exercícios músculo articulares, bem como todas as actividades domésticas do contexto de vida das pessoas, passíveis de funcionarem como processo de reabilitação, constituíram formas muito positivas de recuperação no domicílio, tal como ilustrado nas figuras n.º 5 e n.º 6 (Apêndice XV) (destaca a título de exemplo, actividades de participação na vida familiar/doméstica, tais como, estender a roupa, engraxar sapatos, mudar atacadores dos ténis dos netos, lavar o chão), promovendo motivação na pessoa dependente e no seu familiar cuidador.

De acordo com Meleis (1997), transição significa uma mudança na condição de saúde, nas relações, expectativas ou habilidades, impondo que a pessoa com AVC e o seu familiar cuidador integrem novos conhecimentos, alterem comportamentos e se adaptem a um contexto social de acordo com as limitações decorrentes da actual condição de saúde, na perspectiva do seu projecto de vida. O sentido que a pessoa procura, é que será orientador da acção do EEER. A OE (2001, p. 7) a este respeito refere inclusivamente que “a pessoa pode sentir-se saudável quando transforma e integra as alterações da sua vida quotidiana no seu projecto de vida, podendo não ser feita a mesma apreciação desse estado (...) pelos outros”. Em suma, o EEER deverá agir como parceiro em prole do “fazer com” a pessoa e a família e não como detentor de poder dirigido “para”, ” reconhecendo em absoluto a singularidade do seu ser.” (Hesbeen, 2003, p.55).

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3. PROCESSO DE REABILITAÇÃO NA PESSOA COM

PATOLOGIA RESPIRATÓRIA: UMA COMPLEMENTARIDADE

Benzer Belgeler