De uma maneira geral, a cooperação significa trabalhar em conjunto visando atingir um objetivo em comum. Na prática, ela pode ocorrer por meio de troca de informações, de várias áreas, interação entre os atores, por meio de programações em comum, e integração de competências, por meio de projetos conjuntos (LASTRES; CASSIOLATO, 2005).
Segundo os autores, a cooperação no ambiente empresarial necessita de relações baseadas em confiança mútua e coordenação das atividades de cooperação entre os agentes, podendo vir a resultar na melhoria dos índices de qualidade e produtividade, redução de custos e de tempo fabricação e, principalmente, no que diz respeito ao conhecimento derramado entre as empresas envolvidas (LASTRES; CASSIOLATO, 2005).
Cunha e Cunha (2003) em um estudo sobre o potencial de cooperação das empresas analisaram as condições de existência das aglomerações, identificando os fatores de desenvolvimento da capacidade de cooperar e
cumprir seus papéis. Os fatores que facilitam a existência dos clusters podem
ser classificados em três grandes categorias: culturais, comportamento estratégico da empresa e externos à empresa. Dentre os fatores culturais consideram-se as crenças, valores e conhecimentos dos responsáveis pelas
estratégias das empresas e pela decisão de participação em um cluster.
De acordo com Amato Neto e Moraes (2008), a cooperação pode ser definida em dois momentos. No primeiro, a cooperação trata das relações entre indivíduos, ocorrendo dentro de um espaço geográfico e cultural definido; e no segundo, ocorrem os acordos de cooperação entre empresas. Resumidamente, os acordos cooperativos representam uma experiência
existencial da empresa, na qual ela absorve influências técnicas e cognitivas de sua parceira e parte em direção ao seu rumo.
Cunha e Cunha (2003) consideram dentre os fatores de comportamento estratégico da empresa, os fatores que descrevem decisões ou opções de posicionamento estratégico e a disposição dos recursos da empresa. Na categoria de fatores externos está incluída a existência de organizações
importantes para o funcionamento dos clusters e também as características
dos mercados visados.
Ainda, os autores selecionaram alguns indicadores que apontassem a
propensão de empresas para participar de clusters. Na categoria dos fatores
culturais, por exemplo, foram inclusos indicadores que mediram a resistência à cooperação dos executivos e existia uma visão comum dos negócios entre eles; a valorização dos aspectos positivos e negativos da parceria; a cultura e a confiança interorganizacional e o comportamento inovador e empreendedor, dentre outros.
Segundo Lastres e Cassiolato (2005), a cooperação no ambiente empresarial necessita de relações baseadas em confiança mútua e coordenação das atividades de cooperação entre os agentes, podendo vir a resultar na melhoria dos índices de qualidade e produtividade, redução de custos e de tempo fabricação e, principalmente, no que diz respeito ao conhecimento derramado entre as empresas envolvidas.
Quanto aos fatores de comportamento estratégico da empresa, serviram de indicadores: a existência de atitudes de integração e cooperação, as políticas de relacionamento com os clientes e a qualidade de relacionamentos com fornecedores e concorrentes, o nível das tecnologias administrativas, de produto e de produção utilizadas, e o acesso a informações de mercado, tecnologias, economia (CUNHA; CUNHA, 2003).
Quanto aos fatores externos identificados por estes mesmos autores têm-se: nível de crescimento do mercado e sua lucratividade, o apoio de
instituições públicas à consolidação do cluster e a existência de instituições
cooperação, a heterogeneidade de porte das empresas no mercado, a divergência dos interesses e visões entre as organizações, a existência de liderança e seus objetivos.
A cooperação é produzida por estratégias de alianças que procuram tirar proveito da proximidade e da escala de produção e de comercialização, minimizando, assim, os custos de transação e a concorrência local, e a coordenação é a situação por meio da qual se pode estabelecer padrões estáveis de governança dentro do funcionamento do arranjo (AMARAL FILHO, 2008).
Em suas análises, Cunha e Cunha (2003) perceberam que não existe uma percepção razoável dos empresários sobre as vantagens das parcerias, e sim de seus potenciais riscos. O que traz barreiras à consecução das parcerias, segundo os empresários estudados, são: a falta de interesse do próprio empresário, sua falta de experiência e inexistência de apoios de entidades de intermediação.
Suzigan et al. (2004) dizem que cooperação não pode ser inventada ou
criada, mas as políticas industriais podem criar condições para o fortalecimento das bases da cooperação e de ações coletivas mais efetivas. Os autores afirmam que os incentivos das políticas para os sistemas locais deveriam preocupar-se em possibilitar oportunidades cooperativas, por meio criação de espaços coletivos, com gestão compartilhada, financiados com recursos públicos e privados.
De acordo com Amato Neto (1999), alguns benefícios se tornaram
evidentes na ação conjunta entre as empresas e do crescimento dos clusters,
como:
x A viabilização da solução de problemas específicos, tais como
provisão de serviços, infra-estrutura e treinamento;
x A competitividade, que deixa o mercado mais transparente
incentivando a rivalidade;
x A capacidade elevada dos clusters em sobreviver aos choques e
isoladas, devido a ação conjunta e a alta capacidade de auto reestruturação, capacidades intrínsecas à própria forma organizacional em rede; e
x A criação de conhecimento específico da indústria, o
desenvolvimento das redes de compradores e fornecedores e as pressões competitivas locais, forçando as firmas a inovarem e melhorarem.
A cooperação, a troca de conhecimento e a inovação são itens importantes e devem ser trabalhados ao decorrer de todo o processo de
estruturação de um cluster, desde a formação da liderança, que constituirá na
governança local e principal articulador de ações coletivas, até o nível operacional, que, na maioria das vezes efetivará serão os efetivadores.