Fonte: Pesquisa de Campo, 2008.
Auxiliar Trabalhadora com Trabalhadora com Trabalhadora com Trabalhadora com Trabalhadora com Trabalhadora com Trabalhadora com Trabalhadora com
135 A implantação do processo de produção por meio de células funciona com cerca de 8 pessoas e é a responsável pela produção de uma peça completa, cujo objetivo é a eliminação do tempo ocioso, otimizando a produção. As trabalhadoras não perdem tempo com nada que não seja a produção, pois o tempo que se perdia com os trajetos em busca do que produzir e na entrega do que foi produzido, além de outras paradas, foi suplantado com a criação da auxiliar de produção. Essa pessoa fica em pé, no esquema de células, e é a responsável por diminuir esse tempo ocioso das trabalhadoras.
Segunda a gerente da fação industrial da indústria Aconchego do Bebê, “as trabalhadoras nem precisam pensar, não precisam parar para ver qual peça vai ser confeccionada”. Isso demonstra, de fato, qual a verdadeira intenção com a implantação desse processo de produção, que havia sido adotado há quatro meses pela empresa. A própria gerente foi contratada para que o esquema fosse implantado, pois já trabalhara noutras empresas da cidade em que o esquema de células funcionava.
Essa auxiliar também serve, conforme pudemos observar, para dar agilidade à produção, e é uma espécie de fiscal de produção, para ajudar na confecção das peças, mas também para garantir que o tempo necessário a cada peça seja cumprido conforme a meta estipulada. A gerente aponta que cada modelo de roupa a ser confeccionado passa antes por um teste de cronometragem de tempo e, a partir disso, se estabelece a meta para as células de produção. Essas metas são estabelecidas para o dia de produção e também há uma meta mensal. Conforme se atinge a meta, a célula toda recebe um prêmio de incentivo, que varia o valor de acordo com a produtividade atingida. Há também o destaque pessoal para o funcionário do mês, sendo que todos esses incentivos são recebidos como adicionais informais aos salários, não sendo contabilizados para outros efeitos trabalhistas, como FGTS, décimo terceiro salário, férias e multa rescisória.
Leite (2004), em sua pesquisa, revela que, das fábricas de confecção visitadas, poucas haviam aderido a essa forma de organização de células de produção, pois havia ainda alguns problemas de sincronização nessa forma e a maioria ainda funcionava no estilo clássico-taylorista de produção, em que cada trabalhador fazia uma pequena parte do processo.
Na fação industrial visitada, a Bebê 10, o gerente ressalta que, apesar de o sistema de células ser implantado com a intenção de gerar eficiência, que também pode ser entendido como produção, ele não concorda com algumas atitudes em busca dessa produtividade. Apesar de não se explicar muito, o gerente deixa transparecer que são normas muitos rígidas
136 de produção, e que ele tende a acatar, tentando não exigir tanto dos trabalhadores. No entanto, nas células de produção dessa fação, além das sete máquinas exigidas, há ainda outra máquina de reserva, caso alguma das outras máquinas possa apresentar algum problema no momento da produção, sendo essa opção adotada pelo gerente. O processo de células é composto por seis máquinas overloque, 1 galoneira reta, 1 galoneira de viés e outra galoneira reta de reserva.
O que fica claro, nesse novo processo de produção adotado por essas empresas é a agilidade e rapidez, além da competência que é premiada pela empresas. A figura da auxiliar
serve também como uma espiã da empresa, um “olho” a mais do patrão, pois, além da
qualidade exigida há a exigência de eficiência do trabalhador.
Ao entrevistarmos uma trabalhadora, (Angélica) que havia saído da indústria para trabalhar em casa, ela revela que há certo descontentamento com a implantação desse novo esquema, que requer muito mais capacidade de produção, mas também aponta para o fato de que a auxiliar não está mais recebendo um valor maior do que o das costureiras, e para ela essa função exige maior responsabilidade, e por isso merecia receber mais. A trabalhadora afirma que há um descontentamento geral e que algumas trabalhadoras estão pensando em fazer como ela, ir trabalhar em casa.
Segundo o secretário da Associação APL, a Paraíso Bordados (Figura 5) organiza sua produção através de cinco fações industriais89, participando no controle societário. É o caso mais extremo que encontramos de terceirização, já que essa indústria encaminha-se, segundo o secretário, para ser uma gestora da marca e desenvolvimento dos produtos, eximindo-se da produção direta.
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Figura 5- Organograma da Paraíso Bordados
Fonte: Pesquisa de Campo, 2008.
As fações da indústria Paraíso Bordados trabalham na confecção de produtos para a referida indústria, até porque a própria indústria realiza pouco trabalho de costura/bordado, ficando apenas com pequenos serviços, sendo que a maior parte da produção é realizada por essas empresas.
Isso é confirmado pelo IPARDES (2006b), para o qual, no APL Terra Roxa, as atividades de coordenação e gerenciamento ficam a cargo da estrutura familiar proprietária.
Em visita a uma dessas fações industriais, a Bebê 10, descobrimos que ela funciona em sociedade entre o proprietário da Paraíso Bordados e o gerente (Pedro), e que acompanha diariamente a fação. Soubemos, por meio dele, que todas as outras fações estão ligadas à família Rossato, e que, na verdade, a abertura dessas novas empresas prestadoras de serviço serve para diminuição de custos, como impostos, por exemplo.
A indústria Paraíso Bordados90 é uma das precursoras de confecção de Moda Bebê do município, e é uma das maiores, com cerca de 500 funcionários, contabilizando os
90 É a única indústria que possui o certificado de qualidade ISO 9001/2000, desde agosto de 2004, segundo o IPARDES
(2006b). PARAÍSO BORDADOS Trabalhadoras Domiciliares: Fação industrial: Maricéu, BB 10, Boné Mony Confecções, Terceirização de empresa de bordado (MG Bordados, que presta
serviço Bordadeiras de máquinas computadorizadas, Laços de cetim, bolinhas de lã Quarteirização limpeza de bordados
138 trabalhadores das fações industriais, que são extensões da própria indústria. O proprietário faz parte da diretoria do SINDIWEST e é representante da microrregião de Terra Roxa, na função de vice-presidente.
Conforme já mencionado, também tivemos a oportunidade de visitar a indústria Aconchego do Bebê (Figura 6), que também está com esse mesmo esquema de funcionamento, ou seja, ela possui quatro fações que funcionam realizando as tarefas de produção, sendo que a parte de desenvolvimento e criação de modelos, o corte, etiqueta e embalagem fica na sede da indústria. Duas dessas fações da empresa estão localizadas no município de Guaíra, sendo uma de costura e uma de bordado, com intenção de ampliação da produção, que esbarra na falta de mão-de-obra, a qual, segundo o proprietário, está relacionada à falta de qualificação e até de interesse, por parte dos trabalhadores, em procurar emprego nas fações. O proprietário conta ainda com a utilização de serviços de costura de uma pequena firma de prestação de serviços, localizada no município de Palotina, sendo que essa empresa, aberta no distrito de São Camilo, também tem prestado serviços de costura para outras empresas da cidade de Terra Roxa.