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No programa de intervenção (B) foram ensinadas estruturas de relatos pessoais e da história infantil, relativos aos seguintes elementos do discurso narrativo: personagens; local da ação; ação propriamente dita; e sequência temporal.

O programa foi composto de cinco sessões fechadas, com duração de 60 a 70 minutos. Em cada sessão, foram desenvolvidas três atividades, em ordem fixas:

4. 8.2.1 Primeira atividade

Nesta primeira atividade, foi oferecido para os participantes o modelo de relato pessoal, por intermédio de recurso de comunicação, ou seja, era realizada uma descrição de um relato referente à rotina da pesquisadora e, posteriormente, os participantes teriam que fazer um relato de sua experiência pessoal, utilizando recursos de comunicação suplementar e alternativa.

Os temas dos relatos pessoais foram selecionados após a análise dos protocolos de identificação de habilidades comunicativas de alunos não-falantes, nos contextos familiares e escolares (DELAGRACIA, 2007; DE PAULA, 2007). Feita a seleção dos temas, foi efetuado um sorteio aleatório para estabelecer o tema de cada sessão. Os temas, que foram fixos para todos os participantes, focalizavam: (a) rotina escolar; (b) rotina do dia; (c) rotina do final de semana; (d) festa junina; (e) alimentação do dia anterior.

No momento em que os participantes fizeram a descrição do relato pessoal, a pesquisadora, quando necessário, disponibilizava auxílios parciais e totais, propostos pela literatura, que ajudam no desenvolvimento do discurso narrativo (HAYWARD; SCHENEIDER, 2000; MCGREGOR, 2000; WALLER; et al., 2000; MARANHE, 2004).

Os auxílios parciais e totais foram fixos para todos os participantes, a fim de garantir a fidedignidade do seu desempenho. Os auxílios totais tiveram questões abordando todos os temas que poderiam aparecer no relato do participante.

Na sequência, são explicitados os auxílios parciais e totais usados nessa atividade.

Auxílios parciais

a) Se a criança para de relatar, a pesquisadora poderá incentivar o participante com as seguintes indagações: “O que você poderia me contar mais?” ou “O que vem depois?” ou “O que aconteceu?”.

b) Se a criança não conseguir realizar o reconto da história, mesmo com a ajuda fornecida, a pesquisadora inicia a utilização dos auxílios totais.

Auxílios totais Tema: casa

a) O que você comeu hoje? b) Quem comeu com você? c) Você brincou hoje na sua casa?

d) Brincou do quê? e) Brincou com quê?

f) Quem mora com você na sua casa?

Tema: escola

a) Você foi à escola hoje? b) O que você fez na escola? c) Quem são os seus amigos?

d) Com qual amigo você conversou hoje, na escola?

Tema: Final de semana

a) Você passeou esse final de semana? b) Com quem você passeou?

c) Onde você foi?

4.8.2.2 Segunda atividade:

Nesta segunda atividade, foram usadas as seguintes histórias: (a) O coelho Tatau; (b) O corvo e a raposa; (c) O leãozinho Léo; (d) O menino e o papagaio; (e) A assembleia dos ratos. A ordem das histórias, fixas para todos os participantes, foi estabelecida por sorteio aleatório, com base na análise dos protocolos de identificação de habilidades comunicativas de alunos não-falantes, nos contextos familiares e escolares (DELAGRACIA, 2007; DE PAULA, 2007).

Em um primeiro momento, procedeu-se ao conto da história, por meio de recurso de comunicação suplementar e alternativa, sendo fornecido o modelo enfatizando os elementos do discurso narrativo: personagem; local da ação; ação propriamente dita; sequência da história. Em um segundo momento, a pesquisadora desenvolveu com os participantes uma atividade de completar as lacunas dos enunciados – técnica de Cloze, descrita por Soto, Yu e Kelso (2008). Ela forneceu duas opções de figuras (uma era correta e a outra, errada), para que os participantes completassem a história. Assim, quando os participantes não realizassem a atividade de maneira adequada, a pesquisadora intervinha para auxiliá-los a se lembrar da história. Depois que os participantes terminavam essa atividade, a pesquisadora lia novamente a história.

4.8.2.3 Terceira atividade

Nesta atividade, foi pedido que os participantes efetuassem o reconto da história infantil apresentada na atividade anterior. Caso fosse necessário, a pesquisadora fornecia auxílios parciais e totais, que colaboram no desenvolvimento do discurso narrativo da criança. Os auxílios parciais e totais, dispostos no Quadro 4, são constituídos de perguntas fixas cujo objetivo era encorajar os participantes a recontarem mais elementos da história. Tais orientações se basearam na literatura (HAYWARD; SCHENEIDER, 2000; MCGREGOR, 2000; WALLER et al., 2000; MARANHE, 2004).

1 Auxílios parciais

Caso o aluno apresente dificuldade de iniciar a história, a pesquisadora poderá ajudar com: “Era uma vez...” ou “Uma vez”.

a) Se o aluno para de recontar, a pesquisadora poderá encorajá-lo, dizendo: “O que você poderia me contar mais?” ou “O que vem depois?” ou “O que aconteceu?”.

b) Se a criança não conseguir realizar o reconto da história, mesmo com o auxílio fornecido, a pesquisadora inicia o auxílio total referente ao ponto em que a criança parou de recontar a história.

2 Auxílios totais

2. 1 O auxílio total será empregado quando o aluno não realizar a recontagem da história ou o fizer na sequência incorreta, quando a pesquisadora poderá auxiliar no reconto, fornecendo as seguistes frases:

a) Sobre o que era a história?

b) Quem estava participando dessa história?

c) Como ele estava? (triste, feliz, entre outros adjetivos) d) Quando aconteceu a história? (dia, noite etc.)

e) Onde aconteceu a história?

f) Qual era o problema de (nome do personagem) na história? g) Como ele tentou resolver? O que ele fez primeiro e em seguida? h) Como foi resolvido o problema do personagem?

i) Como terminou a história?

Quadro 4: Auxílios parciais e totais fornecidos na atividade de reconto de histórias

O Quadro 5 permite a visualização de todas as atividade realizadas em cada uma das cinco sessões, o tema dos relatos de experiência pessoal e as histórias trabalhadas na intervenção.

Sessões Atividade

4ª sessão 1) Modelo de relato e conto do relato, com o tema: Rotina escolar

2) Conto da História e realização da “técnica de Cloze”. A história foi: O coelho Tatau

3) Reconto da história

5ª sessão 1) Modelo de relato e conto do relato, com o tema: Rotina do dia 2) Conto da história e técnica de Cloze: O corvo e a Raposa 3) Reconto da história

6ª sessão 1) Modelo de relato e conto do relato, com o tema: Rotina do final de semana 2) Conto da história e técnica de Cloze: Leãozinho Léo

3) Reconto da história

7ª sessão 1) Modelo de relato e conto do relato, com o tema: Festa Junina 2) Conto da história e técnica de Cloze: O menino e o papagaio 3) Reconto da história

8ª sessão 1) Modelo de relato e conto do relato, com o tema: Rotina da alimentação 2) Conto da história e técnica de Cloze: A assembleia dos ratos

3) Reconto da história

Quadro 5: Descrição das sessões e atividades da intervenção

Benzer Belgeler