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Accountability Avaliação ex-ante

Prestação de Contas (answerability)

Fornecer informações Dar justificações;

Elaborar e Publicitar relatórios de avaliação Avaliação ex-post

Responsabilização  Imputação de responsabilidades e/ou imposição de sanções negativas (enforcement)

 Assunção autónoma de

responsabilidade

 Persuasão

 Atribuição de recompensas materiais ou simbólicas

 Avocação de normas de códigos deontológicos

 Outras formas legítimas de

responsabilização Fonte: AFONSO (2009b, p.60)

No caso da pesquisa, em face do objeto delineado, interessa a avaliação de desempenho docente. Na realidade observada, no caso de Minas Gerais, mais especificamente em relação à UEMG.

A forma parcelar aqui identificada parece convergir para a dimensão da prestação de contas. Os docentes têm sido chamados, através da avaliação de desempenho individual, a prestarem contas (accountability) de suas competências e de sua produção. No sistema de avaliação em tela, o docente que obtiver, no mínimo 70% como nota na ADI, fará jus ao prêmio de produtividade – a gratificação de desempenho individual.

Não se trata, pois de um sistema de accountability, mas sim de algumas dimensões que se fazem presentes nos processos de avaliação de desempenho e institucional. O que se observa é que a dimensão da responsabilização se faz presente tanto do ponto de vista

produzirem mais e com qualidade.

No contexto do CG uma das ferramentas de prestação de contas têm sido a avaliação institucional que se traduz na avaliação e identificação das metas alcançadas. Outra ferramenta de prestação de contas, aí de cunho individual, é a avaliação de desempenho de professores e de servidores.

A visão da docente ligada à atual gestão do sindicato, embora não seja a institucional pelo fato do movimento sindical ainda não ter um posicionamento formal acerca do programa do CG, parece refletir a relação que os docentes de um modo geral demonstram frente à avaliação de desempenho e ao PGDI marcado por questionamentos.

Em relação ao choque de gestão e ao acordo de resultados é um posicionamento quase geral aqui na faculdade é uma dificuldade lidar com esta política do PSDB. Há dificuldade de aceitar isso e de ver uma coisa plausível para a educação. É uma coisa complicada entender. Entender não, aceitar este modelo em termos de organização das políticas de governo. Eu particularmente sou muito crítica com relação isto. Acho que é um falatório danado e que de ação concreta tem muito pouco. Teve uma propaganda muito grande, um investimento imenso na divulgação disto e dentro disto, a avaliação volta com peso grande. Não sou a favor disso. Eu acho que se a gente for entender detalhes como isto está funcionando eu acho que um grande imbróglio. (P2)

Como se pode observar, a percepção das docentes do sindicato em relação ao choque de gestão é a de que esse se configura como um programa, no caso do entendimento da docente ligada ao SINDUEMG, como uma política de governo, de um governo específico, que, traz consequências para a organização do trabalho na universidade que limitam sua possibilidade de crescimento e de consolidação enquanto instituição pública.

O conceito de institucionalização é relevante para a compreensão da forma como o CG se insere na organização do trabalho na universidade.

De acordo Dicionário de Ciências Sociais (1987), o termo institucionalização é usado em linguagem sociológica para indicar: o processo pelo qual se formam padrões estáveis de interação e organização social baseados em comportamentos, normas e valores formalizados e legitimados. A institucionalização social é processo constante

de instituições existentes que se transformam em outras, ou ampliam sua área de vigência e validade. Esse processo só é limitado pelos próprios limites de variabilidade dos diversos sistemas e subsistemas sociais, e pelas peculiaridades da cultura. É o que torna o comportamento social previsível, definindo tudo o que pode ser objeto de expectativa e é considerado legítimo no desempenho de papéis sociais específicos. Seus principais aspectos são: a) definição dos objetos básicos da instituição, que podem ter expressão simbólica no comportamento dos atores; b) definição dos termos e posições de intercâmbio para os diferentes indivíduos ou grupos participantes, que pode ser informal, regulada pelo costume, por um estatuto ou contrato; c) definição de esquemas de organização de normas que servem como canais de troca e que visam a garantir as formas de intercâmbio e manutenção das normas; d) finalmente, a legitimação de tudo isto, o que é feito através da intervenção ou chancela do sistema de poder e do Estado. (RIOS, 1987, p. 687)

O CG se apresenta “apenas” como um mecanismo de gestão pautado na construção de uma gestão eficiente. Entretanto, à medida que esse vai se institucionalizando, vai construindo novas formas de regulação que contribuem para o fortalecimento do Estado enquanto avaliador. Nesse contexto, ele vai produzindo novas formas de regulação que, juntamente com os mecanismos de avaliação, tem possibilitado o Estado a “monitorar a distância” a educação superior.

Os depoimentos das entrevistadas trazem algumas questões significativas sobre esse movimento: que a propalada gestão eficiente baseada no corte de gastos pelo governo, implica no corte do orçamento para a instituição; na não reposição de pessoal, em especial os técnico-administrativos; se não na perda, pelo menos, na diminuição da autonomia da universidade. Um exemplo dessa diminuição da autonomia é citado pela gestora que afirma que a contratação de pessoal de cargo comissionado depende da aprovação da Secretaria de Gestão, e, como foi explicitado anteriormente pela própria entrevistada, não têm sido autorizadas novas contratações (DAI).

Como argumenta a representante do movimento docente, o momento é de centralidade nos resultados que na verdade, pode contribuir para o aumento da competição entre os pares.

desenvolvimento do trabalho na instituição. Os padrões de produtividade impostos se distanciam das condições que são oferecidas para a produção dos resultados.

Como vem sendo discutido, as avaliações institucionais e de desempenho individual vêm se constituindo como mecanismos de regulação das relações de trabalho. No Estado de Minas Gerais, os resultados da avaliação de desempenho individual têm sido utilizados na composição salarial à medida que servem, como foi apresentado anteriormente, de base de cálculo para as gratificações aos que servidores fazem jus. Além do CG, outro mecanismo de regulação que vem sendo institucionalizado na UEMG é a avaliação de desempenho. Nesse sentido, a próxima seção tem por objetivo, apresentar a visão dos docentes e da gestão em torno da avaliação de desempenho.

Benzer Belgeler