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Swarbrooke (2000) apresenta características comparativas entre o turismo de massa e o turismo alternativo. O autor descreve, conforme apresentado no Quadro 5.1, as principais diferenças entre o turismo de massas e o turismo alternativo. Ele aponta diversas características do turismo de massas, ainda explorado pela maioria dos países, tais como: uma actividade que procura maximizar a utilização dos atractivos existentes, sendo desenvolvido de forma rápida e descontrolada nas localidades, procurando retornos a curto prazo; os turistas que praticam essa actividade formam grandes grupos com programação fixa de lazer, querem conforto, são barulhentos, não estão preocupados com a comunidade local e os impactes culturais que podem gerar; esse tipo de turismo é divulgado através de clichês publicitários, focando as férias como temporada ideal para a sua prática; além disso, gera empregos de baixo rendimento, pois trabalha, em diversos sectores, com profissionais sem formação; por fim, o autor descreve que não há planeamento integrado entre os agentes envolvidos (indústria, comunidade, agências), mas as acções estão baseadas em projectos particulares que acabam concentrando os benefícios económicos da actividade

84 turística. As características do turismo alternativo são opostas às características do turismo de massas e contemplam uma proposta de turismo para a localidade orientada para redução de impactes negativos económicos, sociais e ambientais, e para a sustentabilidade da actividade turística a longo prazo.

Quadro 5.1 - Atributos do turismo de massas e do turismo alternativo (Swarbrooke, 2000). TURISMO DE MASSAS TURISMO ALTERNATIVO

Características gerais Desenvolvimento rápido Maximiza Descontrolado Curto Prazo Sectorial Desenvolvimento lento Optimizado Controlado Longo Prazo Holístico Comportamento do turista Grupos grandes Programa fixo

Os turistas são dirigidos Tem conforto e é passivo Não fala outra língua Barulhento

Fala alto

Indivíduos sozinhos ou famílias Decisões espontâneas

Os turistas decidem Exigente e activo Aprende outra língua Diplomático

Fala baixo

Exigências básicas

Férias de época alta Profissionais sem formação Clichês publicitários Vendas difíceis Férias escalonadas Profissionais formados Preocupações em educar o turista Vendas animadas Estratégias de desenvolvimento Sem planeamento Baseado em projectos Construções novas Responsáveis estão no exterior Planeado Baseado em conceitos Construções existentes, reutilizadas

Responsáveis são do local

O clima e a paisagem natural são factores ambientais que podem ser considerados, em muitas regiões, atractivos turísticos, e podem suscitar um desenvolvimento do turismo de massas, sazonal, como por exemplo, o turismo de veraneio nas localidades litorais. A sazonalidade representa um fluxo regular associado unicamente à época do ano e a alta concentração de pessoas no mesmo tempo e espaço. Esse desequilíbrio entre a procura (excessiva) e a oferta força o destino turístico a manter ou a extrapolar o seu limite máximo de capacidade receptora, permanecendo quase ociosa no resto do ano (Beni, 2003). A sazonalidade turística procura recursos naturais e espaciais, intensamente, causando impactes negativos sobre o meio ambiente natural que podem ser de lenta recuperação ou

85 ainda, irreversíveis (Cooper et al., 2001). A criação de empregos é temporária e atrai pessoas de outras regiões fazendo com o que a actividade nem sempre beneficie a comunidade local. Entretanto, estes autores salientam que a exploração desse tipo de turismo é, normalmente, justificada pelos benefícios económicos gerados, principalmente nos países em desenvolvimento. O foco no crescimento económico desvia a atenção dos impactes negativos sociais, ambientais e mesmo económicos que o turismo sazonal promove a médio e longo prazo.

No Quadro 5.2, Swarbrooke (2000) caracteriza o turismo de massas, em especial o turismo sazonal do litoral, e o ecoturismo, um tipo de turismo alternativo. As características apresentadas de cada tipo de turismo são similares àquelas descritas no Quadro 5.1, verificando-se, de maneira mais objectiva, a descrição dos impactes sociais, económicos e ambientais gerados por cada proposta turística.

O turismo de massas do litoral é descrito como um turismo de larga escala, inadequado ao local onde está a ser desenvolvido, pois não exige uma localização específica – apenas que tenha bom tempo para banhos de sol e mar. Os turistas não desejam ligação com a comunidade e não estão preocupados com os impactes deixados sobre a cultura local. Nesse contexto, a falta de preocupação com as características locais promove impactes negativos no meio ambiente físico, havendo construções novas e anti-estéticas e a construção de infra-estruturas mal planeadas. Existe a entrada de diversos imigrantes para ocupar os postos de trabalho na indústria turística, o que ocasiona desemprego para os locais, bem como a entrada de novas culturas, promovendo impactes sócio-culturais negativos. Impactes económicos negativos também podem verificar-se, quando o rendimento do turismo é gerado de forma centralizada, ou o turismo torna-se a actividade económica dominante, o que pode ocasionar o declínio de outras actividades. O ecoturismo é apresentado como uma prática responsável preocupada com os impactes ecológicos, sociais e económicos. Uma das premissas básicas é a valorização local e uma melhor distribuição de rendimentos entre os envolvidos na actividade turística.

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Quadro 5.2 – Características do turismo litoral de massa e o do ecoturismo (Swarbrooke, 2000).

VARIÁVEL TURISMO LITORAL DE

MASSAS ECOTURISMO

Escala

Larga Escala. Inadequado para o local

Turismo em pequena escala de acordo com a capacidade do destino turístico de absorver turistas sem prejuízos

Impacte no meio ambiente

Físico

Construções novas, anti- estéticas e nada atraentes.

Poucas construções novas Infra-estrutura com excesso

de construções levando à poluição e a congestionamentos

Pequena procura extra de infra-estruturas

Relações com a comunidade local

Relações formais; Pouco contacto com pessoas que não estejam envolvidos na indústria do turismo

Contacto informal; Interação com todos os tipos de autóctones

Impacte sócio-cultural

Transforma a cultura local; Migrações para trabalho vindas de fora da região

Impacte mínimo na cultura local As necessidade de trabalho são completamente satisfeitas na comunidade local Impacte económico Muitos rendimentos do turismo perdem-se devido à localização das sedes das empresas fora do destino turístico

Muitos rendimentos oriundos do turismo são retidos pela economia local O turismo torna-se a actividade económica dominante Os rendimentos adicionais oriundos do turismo complementam as actividades económicas tradicionais A importância da Localização

Pode acontecer em qualquer lugar com mar e tempo bom; A localização específica não é importante

A localização específica oferece uma experiência única, que não poderá ser encontrada noutro lugar Relaxamento por pouco A aprendizagem sobre os

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Qualidade da experiência para o turista

tempo e banhos de sol lugares traz uma compreensão a longo prazo sobre onde e como as outras pessoas vivem

Comportamento do turista

Insensível à cultura e ás tradições locais; Indiferença pela vida local

Sensível à cultura e ás tradições locais

Hedonismo Interessado na vida local; Responsável

O próprio Swarbrooke (2000) ressalta que, em ambos os casos, as distinções são baseadas em pontos de vista subjectivos e não, necessariamente, em evidências empíricas. O autor afirma que o turismo alternativo pode transformar-se, rapidamente e sem “avisar”, num turismo de massas caso o seu crescimento não seja controlado, como por exemplo, o desenvolvimento descontrolado do turismo de pequena escala na Malásia. Verifica-se que as premissas que norteiam o turismo de massas, na concepção do autor, o caracterizam como uma modalidade turística com elevada capacidade de alteração das características sociais, económicas e ambientais do destino turístico. No entanto, vale a pena lembrar que algumas medidas estão a ser tomadas para que o turismo seja cada vez mais sustentável, de acordo com Kotler et al. (1994), o movimento ambientalista impeliu a indústria turística a adoptar medidas de proteção do ambiente e os locais estão a tentar criar uma imagem “verde”.

Os empreendedores e arquitectos adaptaram as mudanças de gosto ao planeamento de hotéis – poucos andares, mais espaço verde, arquitectura nativa e eficiência em termos de energia. Os locais turísticos ficaram mais sensíveis ao zoneamento, à densidade, à utilização do terreno e aos problemas de excesso de construção. As agências de turismo, as companhias aéreas e as organizações do sector estão a discutir sobre problemas ecológicos e qual a melhor maneira de acomodar o crescimento e respeitar os valores ambientais ao mesmo tempo.

Benzer Belgeler