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A região da Serra do Cipó é extremamente importante no que diz respeito à conservação dos recursos naturais e à proteção da biodiversidade. Divide os biomas do cerrado (oeste) e da mata atlântica (leste), com destaque para os campos rupestres, ecossistema peculiar, presente em toda a crista da Serra do Espinhaço, e que é um importante divisor de águas de Minas Gerais, drenando diversos cursos d’água para as bacias dos rios São Francisco, Jequitinhonha e Doce.

Muitas foram, e ainda são, as pesquisas realizadas na região, desde estudos relativos à rica biodiversidade local até aqueles relativos às diversas relações socioculturais entre as comunidades que dão vida à serra. Entre as pesquisas realizadas, vale ressaltar que GONTIJO (2003), desde a sua tese de doutoramento no povoado de Lapinha de Santana, tem dado atenção especial às transformações na região em decorrência da expansão do fenômeno turístico, que desencadeou outras publicações referentes ao assunto7. O pesquisador trata a região como “uma jóia que vem sendo cobiçada em nome de um ecoturismo apropriado inadvertidamente por praticantes e promotores da ação turística” (Gontijo, 2007).

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GONTIJO, B. M. As Portas Abertas da Serra do Cipó. Cadernos Manuelzão (BeloHorizonte), v.2,p.11-17, 2007. GONTIJO, B. M.; BRAGA, S. S. O turismo como vetor de mudanças socioespaciais: estudo comparativo entre os distritos de Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras, município do Serro, Minas Gerais. In Anais do 12° Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada. Natal: UFRN, 2007.v.1.p. 498518. GONTIJO, B. M.; FERREIRA, R. A. Trekking – Da aventura à possibilidade de desenvolvimento do Ecoturismo: Um olhar sobr e duas travessias na Serra do Cipó/MG. In: Anais do 2° Encontro Interdisciplinar de Ecoturismo em Unidades de Conservação/Congresso Nacional de Ecoturismo, 2007, Itatiaia-RJ. GONTIJO, B.M.; CASTRO, J. F. Turismo na Serra do Cipó/MG: Uma análise das relações condicionantes entre turismo e meio ambiente. In: Anais do 12º Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada. Natal: UFRN, 2007.v.1.p. 51-58. GONTIJO, B. M.; LOPES, C. G. F. A dinâmica socioespacial do povoado de Lapinha: Uma análise espaçotemporal. In: Anais do 12º Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada. Natal: UFRN, 2007.v.1.p. 323-342. GONTIJO, B. M.; BAHIA, M. L. Valorização turística e transformação do espaço: Estudo de caso do distrito de Ipoema-Itabira/MG. In: Anais do 10º Encontro Nacional de Turismo com Base Local. João Pessoa: UFPB, 2007.v.1.p.738-749. GONTIJO, B. M.; BARBOSA, M. F. P.; COELHO, M. F. A transformação ambiental na vertente oriental da Serra do Cipó/MG: Análise comparativa da pressão do turismo em Serra dos Alves e Cabeça de Boi. In: Anais do 10º Encontr o Nacional de Turismo com Base Local. João Pessoa: UFPB, 2007.v.1.p. 11251135. GONTIJO, B. M.; LEONARDOS, O. H. The illusion of ecotourism in Cipo Range, Brazil: The case of Lapinha. In: The 30th

Congress of the International Geographical Union, 2004, Glasgow. 30th International Geographical Congress-

Sabe-se que o turismo na porção oeste do PARNA da Serra do Cipó começou a se desenvolver de maneira espontânea em meados da década de 1980 e se consolidou após o asfaltamento da Rodovia MG-010, entre Lagoa Santa e o distrito da Serra do Cipó (antigo distrito de Cardeal Mota), concentrando os visitantes na parte baixa da região. O asfaltamento da rodovia foi concluído recentemente até a sede do município de Conceição do Mato Dentro, distribuindo e intensificando o fluxo de visitantes entre o distrito da Serra do Cipó e o município de Conceição do Mato Dentro.

Na porção leste do PARNA da Serra do Cipó, o turismo começou a se desenvolver de forma efetiva no final da década de 1990, entre os municípios de Bom Jesus do Amparo e Conceição do Mato Dentro, englobando os distritos de Ipoema e o povoado de Serra dos Alves (Itabira), a sede municipal de Itambé do Mato Dentro e o povoado de Cabeça de Boi, bem como a sede municipal de Morro do Pilar e o povoado de Lapinha do Morro do Pilar (estes, de maneira ainda tímida).

Diferentemente do cenário observado ao longo da Rodovia MG-010 no início da expansão do fenômeno turístico, na porção leste é possível identificar, mesmo que timidamente, algumas ações de planejamento e gestão do turismo que visam a minimizar diversos impactos negativos decorrentes do desenvolvimento turístico.

A busca pela região da Serra do Cipó está muito ligada às características bucólicas que pairam no imaginário dos visitantes. Com uma rica história, a região sempre exerceu certo fascínio pelas belas cachoeiras, pelos rios e riachos, pelas montanhas, pelas pessoas, pelos “causos” e por outras peculiaridades. MOURA (2000) discorre, de maneira simples e apaixonada, sobre muitas das características da região da Serra do Cipó:

Por melhor que seja a apresentação da natureza da Serra do Cipó, de sua gente e de suas histórias, nada se compara a um verdadeiro mergulho em suas águas cor de café, a uma caminhada entre suas rochas, pedras e flores miúdas, em meio ao cheiro do fogão de lenha, ao cafezinho adoçado com rapadura e servido em canequinhas descascadas pelo uso de gerações, ao cheiro de fumo de rolo e de manga adocicando o veranico dos janeiros, o perfume (perfume? É comparado aos cheiros urbanos...) de estrume fresco inundando os pastos, a chuva de estrelas de suas noites claras, ao sopro do vento nas folhas de macaúbas e dos licuris e, é claro, à sagrada cachacinha servida no “coité”.

Sentar ao redor das fogueiras nas noites geladas de julho, fatiando o fumo de rolo e a palha de milho escutando os “causos” dos matutos, dos vaqueiros e dos negros de sorriso tímido e dentes de marfim. (MOURA, 2000, p. 40)

Visando a proteger o patrimônio natural da região, foram criadas duas importantes unidades de conservação: o PARNA da Serra do Cipó – na década de 1980 – e a APA Morro da Pedreira – na década de 1990. Após a criação dessas unidades, outras foram fundadas com o mesmo intuito, o de conservação e preservação dos recursos naturais, sendo, aos poucos, associadas à valorização das culturas locais.

De acordo com o Sistema Nacional de Unidade de Conservação – SNUC – , os parques nacionais são Unidades de Conservação de Proteção Integral e têm como objetivo básico:

(...) a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. (SNUC, art.11, 2000, p.14)

Diferentemente dos parques nacionais, as áreas de proteção ambiental são Unidades de Conservação de Uso Sustentável e têm características de manejo diferentes. O principal objetivo de uma APA é “proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais” (SNUC, art. 15, 2000, p. 20).

No que tange ao desenvolvimento do turismo, observa-se que a região da Serra do Cipó vive, neste início de século XXI, a consolidação de um processo recente, iniciado lentamente nas quatro últimas décadas do século XX, gerando, assim, transformações nas relações ambientais, sociais e econômicas. Essas transformações estão diretamente ligadas à dinâmica de expansão urbana da região metropolitana de Belo Horizonte em direção àquela região.

Benzer Belgeler