As políticas de reconhecimento profissional e social, valorização e as reivindicações dos professores mineiros, ocorridas no contexto histórico entre as décadas de 1980 e 1990, são vitais para se analisar a situação vivenciada por esses profissionais. As ações e lutas empreendidas demonstram a indignação com as condições impostas pelos governadores do estado de Minas Gerais e põem em confrontos interesses, projetos e concepções.
O processo de descentralização, acelerado na década de 1988, tinha a finalidade de proporcionar maior participação da sociedade no processo educacional. No estado de Minas Gerais agravou a situação por meio do baixo investimento na educação, ausência de recursos para manutenção dos prédios escolares, não cumprimento da lei do pagamento por habilitação, falta de recursos pedagógicos e salários insignificantes pagos aos professores (OLIVEIRA, 2000); (PARO, 2002).
Por isso, nessa época, a luta dos professores mineiros pela valorização do trabalho educacional, segundo palavras de Bonacini (1992, p. 7) tinham como questões centrais “salários baixos, ausência de reconhecimento social da função dos professores primários e a necessidade de um plano de carreira para a categoria”. Vale ressaltar, que nesse momento histórico registram-se diversas lutas por parte dos sindicatos dos professores por melhores salários e condições adequadas de trabalho (CUNHA, 1995); (OLIVEIRA, 2000).
A década de 1980 foi marcada por seis greves na rede de ensino de Minas Gerais, nos anos de 1980, 1984, 1985, 1986, 1987 e 1989, sendo que a principal reivindicação era por
13 Informação encontrada no: Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG). História do Sind-UTE/MG. Disponível no site:< www.sind-utemg.blogspot.com.br/p/Historia-sin> Acesso em 21 de out. de 2015.
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melhores salários. Sobressaltam-se os anos de 1984 que teve 71 dias de greve, e o de 1986, quando se buscava o estabelecimento de um piso salarial para a categoria (BONACINI, 1992). Com o objetivo de valorizar a profissão professor inseriu-se na Constituição Federal de 1988 a redução de tempo de contribuição para aposentadoria para os profissionais do magistério, em seu § 5º do artigo 40:
Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto no § 1º, III, "a", para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio. (BRASIL, 1988).
Deste modo, o artigo 25, da Lei 9.394/96, estabeleceu como objetivo para valorizar os professores “alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor, a carga horária e as condições materiais adequadas entre o número de alunos e o professor, a carga horária e as condições materiais” (BRASIL,1996, Art. 25).
No aspecto das lutas e das reivindicações, a década de 1990 não foi diferente. Segundo o Sind-UTE/MG, foram sete greves no período, respectivamente nos anos de 1990, 1991, 1992, 1993, 1996, 1998 e 1999. As principais reivindicações que perpassaram o movimento foram às melhorias salariais, pagamento de gratificações, pagamento dos dias de greve e elaboração do plano de carreira. Destacam-se os anos de 1991, com 86 dias de greve, e 1993 com 76 dias de paralisação14.
Com muita luta em 1994, foi assinado o Pacto pela Valorização do Magistério e Qualidade da Educação15, que teve como objetivo estabelecer e implementar uma política de profissionalização do magistério como a institucionalização do regime de trabalho de 40 horas semanais, fixação de pelo menos 25% de tempo destinado a atividades de planejamento ou preparação de material, formação continuada, piso salarial profissional nacional de, no mínimo,
14Histórico das mobilizações e greves dos professores relatados no site: da Sind-UTE/MG. Nossa História. Em: <www.sindutemg.org.br/novosite> Acesso em 20 de out. de 2015.
15 Foi um Pacto criado para atender à reivindicação histórica dos professores da Rede Pública da Educação Básica, assinado em 1994, pelo Ministério da Educação e dirigentes de entidades educacionais. Esse pacto previa um salário mensal de R$ 300, em valores de julho daquele ano. Foi subscrito pelo então Ministro da Educação, Murílio Hingel e pelos presidentes do: Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, Conselho Nacional dos Secretários de Educação, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.
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R$ 300,00 e a oferta de uma remuneração, no início da carreira excluídas as vantagens pessoais para o professor. Contudo, nas duas gestões do governo Fernando Henrique Cardoso, o Ministro da Educação, Paulo Renato Souza, não cumpriu esse Pacto. Segundo Souza (2005):
A proposta que obrigava os três níveis de governo por dez anos a gastar metade dos recursos vinculados à educação apenas no ensino fundamental. Esse dispositivo não vinha sendo cumprido, apesar de terem se passado já sete anos. Anualmente o Tribunal de Contas da União fazia registro da irregularidade. Não era cumprido porque era praticamente inviável, além de contrariar enormes interesses (SOUZA, 2005, p. 79).
Apesar de o Ministério da Educação ter submetido seus programas e projetos para análise do Conselho Nacional dos Secretários de Educação - CONSED - o possível diálogo entre as partes, não significou “uma construção conjunta dos rumos para educação” e para o reconhecimento social e profissional do professor (CONSED, 1996, p. 116).
Segundo Vieira (2014) o descumprimento do ministro da Educação, Paulo Renato Souza, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do Acordo Nacional de Educação para Todos que previa a implantação de um piso salarial profissional para os profissionais do magistério, no valor mínimo de R$ 300,00, provocou um hiato para retomada da confiança dos educadores na interlocução com o governo e para construção de condições objetivas para negociação com os governos estaduais e municipais. Entre essas condições, envolvia a questão do financiamento, “razão pela qual a CNTE empenhou-se na aprovação Lei nº 11.494, de 2007, que instituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação” (VIEIRA, 2014, p. 414).