Os fluxos econômicos são o resultado da interação entre os resultados dos modelos de uso do solo e das atividades. Esses fluxos são espacializados e representam a interação entre distintos setores transportáveis. Seu elevado grau de desagregação permite sua manipulação de tal forma que é possível separar o que é o impacto das atividades, definido por Lopes (2014)
como “participação em atividades” e qual é o impacto do uso do solo, definido por Lopes (2014) como “distribuição espacial das atividades”.
Para representar a distribuição de atividades os fluxos econômicos precisam ter seu aspecto espacial suprimido, como exemplificado na Tabela 4. Dessa forma, pode-se observar quais são os setores que mais contribuem para a instalação de outro setor. Diferentemente da discussão realizada com a Figura 40, a distribuição de atividades deve incorporar na análise as quantidades absolutas de cada setor, como realizado na Figura 41. Percebe-se que nesta relação o setor de prestação de serviços (Setor E) e o setor da administração pública (Setor C) são indutores de 78.000 domicílios de alta renda, o que representa mais de 75% de todos os
domicílios desta classe. A importância do setor primário (Setor A) evidenciada anteriormente agora já não aparece, pois apesar de cada emprego induzir muitos domicílios de alta renda, a quantidade de empregos deste tipo é pequena; enquanto que a indução por cada emprego de prestação de serviços é baixa, mas a quantidade elevada de empregos deste tipo faz com que a relevância desse setor aumente nesta análise.
Figura 41 - Distribuição de atividades das relações que envolvem o setor populacional de maior renda
Fonte: Elaborado pelo autor.
Realizar a análise focada em outros setores transportáveis permitirá uma melhor compreensão desse fenômeno aos analistas e planejadores. Entretanto foge ao escopo deste trabalho realizar uma análise exaustiva destes setores, uma vez que o objetivo é apenas apresentar como que esses indicadores podem ser úteis a esta função.
5.3 Modelos de uso do solo
5.3.1 Calibração
No que concerne à modelagem do consumo de solo, os setores A) Setor Primário e C) Administração Pública foram excluídos desse processo, ambos por terem localizações e tamanhos estáticos ao longo do tempo. Para os demais, foram considerados sete opções de tipo
de solo para serem consumidos: 1) Industrial - IND; 2) Comercial e de Serviços de Baixo Índice de Aproveitamento - CSBIA; 3) Comercial e de Serviços de Alto Índice de Aproveitamento - CSAIA; 4) Residencial de Baixo Índice de Aproveitamento - RBIA; 5) Residencial de Médio Índice de Aproveitamento - RMIA; 6) Residencial de Alto Índice de Aproveitamento - RAIA; e 7) Assentamento Precário - AP.
A partir do cadastro do IPTU de 2015, fornecido pela SEFIN de Fortaleza, foi identificado o uso de cada lote e seus respectivos índices de aproveitamento (IA), utilizados para subdividir o solo de cada zona. Para solos do tipo residencial, foram utilizados IA capazes de separar as casas, de edifícios pequenos, dos edifícios maiores, por isso foram utilizados como limites os índices 0,8 e 2,0, assim como apresentado pela
Figura 42. Já para comércios e serviços, a subdivisão apenas tentou separar as grandes edificações comerciais e de serviços da cidade, utilizando como índice divisor o valor de 2,0.
Figura 42 - Índices de aproveitamento para classificação dos setores
Fonte: Elaborado pelo autor.
Para os setores transportáveis do tipo B) Setor Industrial, D) Comercial e E) Serviços considerou-se que eles ocupam qualquer tipo de solo. Já os setores populacionais G, H e I não utilizam o solo do tipo industrial, mas podem ocupar os demais. O processo de calibração foi iniciado com a obtenção dos valores mínimos e máximos de consumo de solo por meio da base do IPTU. Em seguida, as elasticidades e penalidades iniciais foram definidas a partir da verificação das curvas de funções elásticas e de substitutos. A Figura 43 e a Figura 44 retratam essas curvas para o consumo de solo do setor industrial.
Com as funções visualmente ajustadas, elas foram inseridas no método de otimização discutido no Capítulo 4, em seguida, colocadas na plataforma para que gerassem os preços sombra. Foram necessários alguns ajustes manuais, principalmente nos preços do solo, já que
esses são modelados pela SEFIN e não coletados. A cada ajuste de preço de solo foi necessária uma nova execução do procedimento de otimização. Ao fim, os parâmetros estimados geraram os preços sombras da Figura 45 e da Figura 46. Os preços sombras dos setores não transportáveis apresentaram ajustes baixos, que chegam no máximo a 18% em média no caso do solo do tipo CSBD, o que foi considerado satisfatório. Todos os preços possuem valores médios de preços sombra positivos, indicando que grande parte das zonas precisou ter um aumento no preço para que o consumo fosse reduzido. Os preços sombra dos diversos tipos de solos apresentam ainda um comportamento similar de dispersão, o que indica um comportamento similar entre as zonas da análise independentemente do tipo de solo.
Figura 43 - Demanda elástica de solo para o Setor B
Figura 44 - Decisão de substitutos para o Setor B
Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor.
Já os preços sombra dos setores transportáveis apresentam um desvio padrão de no máximo 13%, o que também foi considerado satisfatório dentro dos limites estabelecidos pelo método, indicando que o modelo de decisão locacional está bem calibrado, ou seja, os preços sombra pouco interferem nas decisões locacionais ficando essa função apenas para o preço do solo coletado e para a desutilidade de transportes. Todos esses preços tiveram uma média negativa, indicando que foi necessário reduzir consideravelmente o preço das atividades para que ocorresse o consumo. Esse tipo de comportamento sugere uma redução do parâmetro “� ”, responsável por indicar a importância do preço do solo, em comparação à desutilidade de transportes. Entretanto, esse parâmetro foi mantido com o valor padrão de um, pois o método proposto recomenda sua modificação a partir de duas observações do padrão de distribuição espacial dos setores ao longo do tempo, o que não foi possível de ser obtido.
Figura 45 - Médias e desvios padrões dos preços sombras de setores não transportáveis
Fonte: Elaborado pelo autor.
Figura 46 - Médias e desvios padrões dos preços sombras de setores transportáveis
Fonte: Elaborado pelo autor.