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O princípio da prevenção foi estudado por Paulo Affonso Leme Machado102, Álvaro Luiz Valery Mirra103, Gisele Santos Fernandes Góes104, Édis Milaré105, Jussara Suzi Assis Borges Nasser Ferreira106, Luis Roberto Gomes107 , Cármen Lúcia Antunes Rocha108 , Lise Vieira da Costa Tupiassu109, José Adércio Leite Sampaio; Chris Nardy; Chris Wold110, Celso Antonio Pacheco Fiorillo111112,

101 DERANI, Cristiane. Ibid., p. 170. 102 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Ibid. 103 MIRRA, Álvaro Luiz Valery. Ibid. 104 GOÉS, Gisele Fernandes. Ibid. 105 MILARÉ, Édis. Ibid.

106 FERREIRA, Jussara Suzi Assis Borges Nasser. Ibid. 107 GOMES, Luis Roberto Ibid.

108 ROCHA, Cármem Lúcia Antunes. Ibid.

109 Como espécie do gênero “princípios da relação do mercado com o meio ambiente”. TUPIASSU,

Lise Vieira da Costa. Ibid.

110 SAMPAIO, José Adércio Leite; NARDY, Chris; WOLD, Chris. Ibid. 111 FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Ibid.

112 FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Princípios do Processo Ambiental: A Defesa Judicial do

Patrimônio Genético, do Meio Ambiente Cultural, Artificial, do Trabalho e Natural no Brasil, 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007.

Wagner Antonio Alves113, Carla Syane Moura Miranda Gama114, Maria Alexandra de Souza Aragão115, Silvia Jaquenod de Zsögön116, Nicolas de Sadeleer117, e Philippe Sands118.

O princípio da prevenção tem fundamento no art. 225, caput, § 1º, inciso III, § 6º da Constituição Federal de 1988, no art. 2º, incisos I, IV e IX e no art. 9º, inciso III da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente e foi previsto no ponto nº. 4 do Fórum de Siena sobre Direito Internacional do Meio Ambiente.

Considerado como um dos mais importantes princípios do direito ambiental, o princípio da prevenção parte do fato de o dano ambiental, na maioria das vezes, ser irrecuperável ou de difícil recuperação ao status quo ante o meio ambiente.

Esse destaque eleva o princípio como preceito fundamental, a verdadeira chave-mestra, pilar e sustentáculo da disciplina ambiental do direito ambiental:

“Em sede principiológica de Direito ambiental, não há como escapar do preceito fundamental da prevenção. Esta é e deve ser a palavra de ordem, já que os danos ambientais, tecnicamente falando, são irreversíveis ou irreparáveis. Por exemplo, como recuperar uma espécie extinta? Como erradicar os efeitos de Chernobyl? E as gerações futuras que serão afetadas?; ou uma floresta milenar que é devastada que abriga milhares de ecossistemas diferentes, com cada um possuindo o seu potencial papel na natureza? Assim, diante da impotência do sistema em face da impossibilidade lógico-jurídica de voltar a uma situação igual a que teria sido criada pela própria natureza, adota-se, com inteligência e absoluta necessidade, o

113 ALVES, Wagner Antônio. Ibid.

114 GAMA, Carla Syane Moura Miranda. “Princípios da dignidade da pessoa humana e da prevenção

ao dano ambiental no estado democrático de direito brasileiro”. Dissertação de mestrado sob a orientação Marcelo Dias de Aguiar. São Paulo: PUCSP, 2007.

115 ARAGÃO, Maria Alexandra de Souza. Ibid. 116 ZSÖGÖN, Silvia Jaquenod de. Ibid. 117 SADELEER, Nicolas de. Ibid. 118 SANDS, Philippe. Ibid.

princípio da prevenção do dano ao meio ambiente como verdadeira chave-mestra, pilar e sustentáculo da disciplina ambiental, dado o objetivo fundamentalmente preventivo do direito ambiental”. 119

Michel Prieur120 entende que o princípio da precaução se acha relacionado com danos ambientais irreversíveis ou a incertezas científicas, obrigando à realização de, pelo menos, duas perícias antes da liberação ou autorização de uma atividade ou prática.

O princípio da prevenção traduz a dificuldade da reparação que envolve os danos ambientais, e que, por isso, a sua aplicação121 é dividida em cinco partes:

“Dividido em cinco itens a aplicação do princípio da prevenção: primeiro: identificação e inventário das espécies animais e vegetais de um território, quanto à conservação da natureza e identificação e inventário das fontes contaminantes das águas e do ar, quanto ao controle da poluição; segundo: identificação e inventário dos ecossistemas, com a elaboração de um mapa ecológico; terceiro: planejamento ambiental e econômico integrados; quarto: ordenamento territorial ambiental para a valorização das áreas de acordo com sua aptidão e quinto: estudo de impacto ambiental”.

Para prevenir o dano ambiental e garantir a proteção dos bens atrelados, a legislação garante instrumentos de âmbito administrativo e jurisdicional122.

No âmbito administrativo123, temos o licenciamento ambiental, o estudo de impacto ambiental, o zoneamento industrial, o tombamento administrativo, as

119 FIORILLO, Celso Antônio Pacheco; RODRIGUES, Marcelo Abelha; NERY, Rosa Maria. “O

princípio da prevenção e a utilização de liminares no direito ambiental brasileiro”. Aspectos polêmicos da antecipação de tutela – coord. Teresa Arruda Alvim Wambier. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997, p. 109.

120 PRIEUR, Michel. Droit de l’Environnement, 3ª ed. Pariz: Dalloz, p. 70. 121 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Ibid., p. 398.

122 NERY, Rosa Maria Barreto Borrielo de Andrade. “Indenização do dano ambiental

(responsabilidade civil e ação civil pública)”. Dissertação de mestrado sob a orientação de José Manoel de Arruda Alvim Neto. São Paulo: PUC/SP, 1993, p. 17.

sanções administrativas de interdição das atividades, o manejo ecológico, as auditorias ambientais, a gestão ambiental etc.

No âmbito jurisdicional, destaca-se dentro dos instrumentos jurídicos da ação civil pública e a ação popular, a possibilidade de requerer “tutela de urgência, tais como liminares antecipatórias dos efeitos do mérito e das medidas cautelares, sempre com eficácia mandamental e executiva lato sensu”124.

Por isso, entende-se que o princípio da prevenção125 visa a impedir a ocorrência dos danos ao meio ambiente, através de medidas preventivas adequadas, antes da elaboração de um plano ou da realização de uma obra ou de uma atividade. Dele decorrem três instrumentos: o Estudo de Impacto Ambiental, a autorização prévia para o exercício de atividades poluentes e o combate na fonte (eliminação ou redução da poluição em suas origens).

Portanto, o princípio da prevenção envolve a utilização dos meios colocados à disposição para preservar o meio ambiente, seja em sede administrativa, com a utilização de instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, seja em sede judicial, por meio da ação popular e a ação civil pública.