• Sonuç bulunamadı

O texto que se segue foi escrito com o objetivo de definir uma noção de psicologia a partir da análise de correspondências trocadas entre Carolina M Bori e Fred S Keller (disponibilizadas pela Milne Special Collection – University of New Hampshire Library, Durham NH). A partir da leitura das cartas poderá se conhecer mais sobre o trabalho que Bori realizou em prol da psicologia no Brasil, em três instituições: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, Universidade de São Paulo e Universidade de Brasília. Além disso, o envolvimento e participação de Keller nas atividades em que Bori realizou poderá ser melhor explorado.

As correspondências, como vestígios do passado, são fontes que apresentam informações sobre um determinado período. Nelas, o escritor apresenta suas emoções, motivações, expectativas entre outras singularidades. Geralmente são escritas com um objetivo imediato e seu conteúdo se torna compreensível no presente apenas quando são consideradas em contexto já que é contemporânea dos fatos que narram. Como afirma Rousso (1996),

O documento escrito (carta, circular, auto etc.) proveniente de um fundo de arquivo foi por sua vez produzido por instituições ou indivíduos singulares, tendo em vista não uma utilização ulterior, e sim, na maioria das vezes, um objetivo imediato, espontâneo ou não, sem a consciência da historicidade, do caráter de "fonte" que poderia vir a assumir mais tarde (p. 87).

Deste modo, para que se possa entender a noção de psicologia que os autores tinham a partir dos vestígios deixados nas cartas, é necessário compreender as questões que o período colocava aos sujeitos que escreviam e a quem a correspondência era escrita. Os documentos, então, foram analisados em conjunto, levando em consideração o tempo e o espaço de seus autores.

Inicialmente, pretendia-se buscar uma noção de ciência a partir das cartas, porém, não foi identificada nenhuma discussão sobre o assunto. As primeiras cartas analisadas foram enviadas no ano de 1962. Neste ano, Carolina Bori era responsável pela psicologia ensinada no departamento de pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro ao mesmo tempo em que lecionava da USP. Fred S. Keller havia terminado suas aulas na USP (da qual Bori havia participado como aluna) e retornara para a Universidade de Columbia, instituição da qual estava vinculado. Para seu lugar na USP, Keller indicou Gil Sherman.

Um tema muito recorrente nas cartas escritas até 1969 (ano da última carta escrita por Bori que se teve acesso) é a formação de psicólogos, preparação de material didático, organização de biblioteca e compara de equipamentos para laboratório. Estes temas foram discutidos em relação ao curso da FFCL de Rio Claro, da Universidade de São Paulo, da Universidade de Brasília e do curso que Bori deu na Universidade do Texas como professora visitante. A discussão sobre o que ela considerava necessário para a formação de psicólogos, então, apresenta alguns pontos que ajudaram a definir a noção de psicologia de Bori.

Em todas as cartas escritas por ela no ano 1962 há alguma informação sobre o seu trabalho na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro. Como este ano foi subsequente ao ano em que Keller esteve na Universidade de São Paulo, pode-se notar o impacto do contato entre eles no ano de 1961. Um exemplo das implicações que isto gerou está na utilização do laboratório como recurso didático. Neste período, Bori começava a se interessar pela vertente behaviorista da psicologia, o que gerou implicações na maneira de Bori preparar as aulas. No dia 06 de fevereiro de 1962, Bori contou sobre como o curso de Keller, alterou a preparação de suas aulas:

Minha vontade de introduzir um pouco (em Rio Claro) da sua maneira de pensar e trabalhar me envolveu numa série de decisões desde a compara de gaiolas até naturalmente o preparo de todo um curso de introdução sobre análise do comportamento. Em relação a tudo estou no começo. Na expectativa do Andrés23 terminar mais duas unidades vamos usar uma improvisação semelhante àquela do seu curso: uma pequena barra de arame e o reforço dado à mão24. Se conseguimos aprender alguma coisa assim, os alunos de Rio Claro também poderão fazê-lo. Contamos com as fotocópias de quase todos os artigos e separatas que aqui deixou e já começamos a fotografar aqueles que continuam chegando em grande quantidade. (Bori, 27 de março de 1962)

       

23 Matos (1998) descreve o Andres Aguirre como um inventor muito criativo que se dedicava a construir

aparelhos especiais para médicos ortopedistas.

24

Maria Amélia Matos (1998), também aluno no curso de Keller, em 1961, descreve uma unidade de caixa de condicionamento operante improvisada para que os objetivos do curso deste professor norte americano fosse atingido. Afirma:

“Rodolpho havia improvisado um pequeno laboratório didático com quatro ou cinco unidades de "caixas de Skinner", e que na verdade funcionava muito bem. Adaptara, a uma das paredes de gaiolas comuns de passarinho, placas de metal com uma perfuração redonda no meio. Por essa perfuração passava uma vareta de metal de cerca de 30 cm de comprimento, dobrada numa das extremidades como se fora um cabo de guarda- chuva. Cerca de 10 cm da extremidade reta da vareta entravam pela perfuração da placa de metal, enquanto a extremidade curva ficava do lado de fora da gaiola. Quando a parte reta da vareta ("a barra") era deslocada para baixo, a parte curva deslocava-se para cima e batia na placa metálica produzindo o "barulho do bebedouro". Trabalhávamos sempre em dupla: o experimentador controlava as contingências, registrava o tempo e as respostas e dava ordens ao "bebedouro". O "bebedouro" era o outro membro do par: com uma pequena cuba com água e uma pipeta de vidro "reforçava" os deslocamentos da barra introduzindo a pipeta (devidamente molhada) na caixa, ao alcance do rato”.

Sobre construção de laboratório, Bori disse ter tido maior verba em Rio Claro e, com isso, mais duas unidades de caixa de condicionamento operante poderiam ser construídas para o laboratório e ainda poderiam comparar um painel de controle e registro eletrônico. Chama a atenção, entretanto, que as caixas deveriam ser construídas no Brasil. Como estavam introduzindo uma nova maneira de trabalhar em psicologia, não havia empresas que fabricassem os equipamentos necessários. Buscar por alguém que fizesse este trabalho supriria a necessidade de importação, pelo menos, momentaneamente.

Sobre a formação de profissionais, Bori comenta a necessidade de aumentar o número de pessoas treinadas em pesquisa e que tinha planos para isto, mas que não são comentados na carta. Há apenas uma frase que parece ser uma alusão a isto: “Vou começar com o curso de introdução seguindo aqueles conselhos que me deu na cabine da Biblioteca Municipal” (Bori, 06 de fevereiro de 1962).

De uma maneira geral, o que se observa em algumas cartas escritas em 1962 é uma preocupação de Bori em formar pessoas estudantes que pudessem trabalhar com a teoria do reforço. Por isso, o treino de laboratório na graduação e a preparação de material didático para o ensino da teoria apresentada por Keller.

Enfatizando o crescimento do grupo interessado na área, Bori comentou sobre quatro projetos de pesquisa sobre teoria do reforço enviadas para a consideração da FAPESP. Duas pesquisas eram de Rodolpho Azzi, uma de Bori para desenvolvê-la em Rio Claro e o quarto projeto, para desenvolvimento em Ribeirão Preto dentro do curso de psicologia para médicos. Em todos os projetos havia a solicitação de compara de aparelhos de laboratório. Bori destaca a participação de vários pesquisadores e diz ser importante esse envolvimento, pois um “reforça” o comportamento do outro.

Bori também escreve para comunicar a aprovação de um projeto de pesquisa que seria realizada em Rio Claro – O papel dos estímulos aversivos na aprendizagem: condições que mantém o comportamento de esquiva. Uma vantagem desta aprovação é que poderiam comparar um equipamento importado e pede sugestão ao Keller:

No momento já iniciei a compara solicitando a licença de importação. Quando esta parte estiver mais adiantada penso escrever o pedido formal para a Grason e Gerbrands e enviar o dinheiro através do banco. O senhor, com sua experiência de compara de equipamento, acha que esta é a melhor maneira de proceder? Se conhecer um meio mais adequado e eficiente poderia me orientar? (Bori, 8 de julho de 1962)

Ainda sobre esta pesquisa, Bori discute a importância do envolvimento de pessoas com mais experiência no assunto para a realização adequada da pesquisa. A chegada de Sherman no Brasil representava a possibilidade de desenvolver a ciência, como pretendia, de modo mais adequado: “Somente a certeza da vinda do Prof. Sherman faz com que nos sintamos alegre com o financiamento recebido. Sem ele apesar de sermos três em Rio Claro – Nilce, Isaias e eu – seria muito difícil desenvolver a investigação sem muito erro” (Bori, 8 de julho de 1962)

Outro contexto em que a formação de psicólogo foi muito discutida foi a criação do curso de psicologia da UnB. A criação deste curso é assunto entre Bori e Keller desde 1962, quando Darcy Ribeiro, então reitor da universidade, convidou Carolina Bori para assumir a função de criar e coordenar o departamento de psicologia. Todo o planejamento foi feito entre Carolina Bori, Rodolpho Azzi, Gil Sherman e, à distância, Fred S. Keller. As cartas contêm tanto comentários sobre o convite que Bori havia recebido de Darcy Ribeiro para criar o departamento, quanto discussões acerca dos rumos que o departamento e a psicologia no Brasil deveria tomar. Sobre a importância da inclusão da experimentação no programa que estavam desenvolvendo, afirmou:

Quando estive em Brasília pela primeira vez e o Darcy Ribeiro (reitor da Universidade) me perguntou como eu organizaria um departamento de psicologia eu lhe respondi que o assunto era muito amplo e exigia estudos e informações que eu não possuía. No momento – eu lhe disse – a única coisa que posso dizer é que se deveria começar organizando um laboratório. Lembro-me que ele perguntou muito surpreendido: laboratório para o curso de introdução? Então, seguiu-se uma longa discussão sobre a formação de psicólogo com base na experimentação. Creio que nesse momento Darcy não ficou muito convencido com o meu ponto de vista... Nessa segunda viagem a Brasília recebi a incumbência – convite formal – de organizar o Departamento que deverá começar com cursos em 1964. (Bori, talvez 1962)

Neste trecho citado, Bori torna explicita a sua preocupação em oferecer uma “formação de psicólogo com base na experimentação”. Diante da ideia inicial, Darcy Ribeiro aparentou um pouco relutante com a possibilidade de oferecer a prática em laboratório como curso introdutório de psicologia, porém, não impediu que a ideia fosse elaborada e posto em prática. Nesta carta, Keller foi convidado a participar da criação do departamento, podendo sugerir material bibliográfico, organização do programa de aulas, contratação de professores.

Bori também discute o lugar da psicologia na universidade brasileira. Já em 1962, quando Bori iniciava a organização do departamento de psicologia da UnB, apresenta seu ponto de vista sobre a psicologia:

Li na sua última carta sua opinião sobre a colocação de psicologia num departamento de ciências humanas. Pensando em termos de Brasil, acho que esta colocação não é tão errada. Para se desenvolver, a psicologia terá mais chance num instituto que engloba campos novos no nosso meio, do que ser apenas “um primo pobre” num departamento de fisiologia. O que vai ser importante para este desenvolvimento sem duvida será o próprio plano de organização do departamento. É essa organização, ao nosso ver, que deve colocar não só o nível mas a própria orientação dos estudos que serão realizados no departamento.

A ideia de começar o funcionamento dos cursos em 1964 por um curso de laboratório de experimento com animais já foi preliminarmente aceita. Com este começo assegurado no plano o resto se seguirá quase que naturalmente. (Bori, 27 de junho de 1962)

Neste trecho retirado de uma correspondência escrita por Bori, pode-se observar uma preocupação com questões de política universitária. O departamento onde a psicologia estaria influenciaria diretamente na verba que receberia, por exemplo. Além disso, a aceitação da psicologia (uma área que acabara de ser legalmente reconhecida no Brasil) poderia acontecer mais facilmente se ela mantiver relação com outros novos campos do conhecimento. Porém, apenas a relação com outras disciplinas não garantiria o desenvolvimento da psicologia como ela pretendia. Para isso, a maneira como o curso está organizado é o que deve garantir tal desenvolvimento (e este previa um curso de laboratório de experimentos com animais como introdução à psicologia).

Bori escrevia dando notícias sobre como o curso estava estruturado e como a equipe profissional estava trabalhando. Em carta de 17/10/1964, Bori descreve a atuação de todos que estavam trabalhando pelo recente curso de psicologia em Brasília, as pesquisas em andamento, as disciplinas, os trabalhos administrativos, a construção do laboratório e planos para o próximo semestre. Um deles, Rodolpho Azzi, havia preparado um curso programado que era, na opinião dos alunos e professores, o melhor. Assim Bori descreveu o trabalho de Azzi: “Nunca vi uma pessoa trabalhar tão amplamente (entusiasmo, dedicação, constância, quantidade e qualidade) como ele o fez neste semestre”. Este trabalho havia sido no planejamento do primeiro semestre de Introdução à Análise Experimental do Comportamento I (IAEC-I), no formato do PSI. Como era um método de ensino criado por Keller e modificado para ser implantado em Brasília, havia muitas críticas quanto ao modelo adotado para ensino e avaliação. Buscando discutir estas críticas, estavam planejando uma avaliação no modelo tradicional:

Vários alunos já terminaram o curso e a maioria restante está bem adiantada nos passos. Rodolpho está planejando uma verificação da

aprendizagem em termos tradicionais para apresentar como prova do aproveitamento do aluno. Isto é, para convencer os incrédulos. (Bori, 17 de outubro de 1964)

Além do IAEC, outras disciplinas que entravam no primeiro ano do curso de psicologia eram “Estatística” e “Psicologia Fisiológica”, lecionada pelos “Nazzaro” (um casal norte americano também indicado por Keller) que começaram a ser assistidas por oito alunos vindos de várias faculdade brasileiras. Além disso, o curso de psicologia fisiológica “está sendo muito difícil (fisiologia e anatomia do sistema nervoso em 4 semanas! Em três ‘lectures’ semanais!).

Uma das características do curso de Brasília foi ter iniciado, ao mesmo tempo, graduação e pós-graduação em psicologia, o que mostra a ênfase na pesquisa na formação. Além disso, as disciplinas oferecidas no departamento de psicologia poderiam ser feitas por estudantes de outros cursos. Especificamente no curso de IAEC, em 1965, mais da metade dos alunos seriam de cursos diferentes da psicologia. Sobre a pós-graduação e o intercâmbio de estudantes entre departamentos, Bori afirmou:

No grupo de alunos de pós-graduação temos muito bons elementos que espero continuem conosco apesar das dificuldades iniciais. Já recebemos cerca de 10 pedidos de novas inscrições para pós- graduação – 1965. No curso de introdução se inscreveram mais de 50 alunos, 20 por cento desses vão fazer o curso de psicologia. No próximo ano a procura de matricula para esse curso vai ser muito maior. Temos assim certeza que não nos faltarão alunos e muito bons. Isto nos entusiasma para continuar com os planos de desenvolvimento do Dep. (Bori, 17 de outubro de 1964)

Como o curso estava sendo iniciado, toda a estrutura física para seu funcionamento precisou ser montada. Nesta mesma carta, Bori comenta que a biblioteca da UnB precisava de alguns livros e números de revistas. Para isto, Keller também colaborou com o envio de uma série de materiais como separatas e revistas científicas, além de uma carta escrita por E.S.Wolf, editor da revista Psychological Record, oferecendo números e artigos para a universidade.

Também neste período, o grupo que estava em Brasília trabalhava na elaboração de material didático para serem usados nos cursos brasileiros. Um dos problemas que tinham era material em língua portuguesa e, com este objetivo, começaram a tradução do livro Principles of Psychology, de Keller e Schoenfeld. A carta termina com Bori dizendo que a tradução estava sendo feita.

Para o começo do primeiro semestre de 1965, apesar da “absoluta falta de dinheiro”, como Bori descreveu em 03 de março de 1965, algumas ampliações no laboratório foram feitas. Conseguiram finalizar duas salas contíguas, com revestimento acústico e ar condicionado.

Um último comentário sobre formação de alunos em que pode se notar uma noção de psicologia foi feito no ano de 1966, quando Bori foi à Universidade do Texas como professora convidada. Na ocasião, Bori estava preparando um curso para o departamento de psicologia educacional sobre curso programado individualizado. Ao dividir o curso em três partes, percebe-se que ela se preocupava, então, com os princípios fundamentais para a compreensão do comportamento humano, com os resultados obtidos em utilizações prévias dos princípios de comportamento aplicados ao ensino (estes resultados podem ser analisados a partir de relato de experiência), e, por fim, com o exercício prático dos alunos no planejamento de um curso programado individualizado:

como o senhor sugeriu dividi o curso em três partes: I fundamental principles of human behavior (basicamente o curso que o senhor preparou para Washington); II experiences and results with the new method of teaching (onde se leria e discutiria seus “papers” sobre o assunto e se examinariam os programas elaborados em Arizona e eu descreveria o de Brasília); e III planing a programmed-individualized course. Esta parte III será interessante por que pedirei para programarem um curso como os que estão dando, este semestre, no dep de ed psych: 332s Psychological foundations of secundary education. (Bori, 28 de setembro de 1966)

Nesta mesma carta, Bori descreve uma reunião que teve com 6 assistentes deste curso. Neste trecho, novamente, pode-se notar a maneira como Bori fala sobre a relação teoria- experimentação:

Segunda-feira encontrei o grupo de 6 assistentes pela primeira vez. Mostraram-se interessados pelo curso programado até que ouviram qual era a base teórica. No meio de uma longa discussão com coloridos emocionais verifiquei que os mais críticos nunca haviam estudado sistematicamente nada. Somente dois assistentes haviam feito curso com os exercícios básicos de laboratório (Bori, 28 de setembro de 1966)

Além da crítica que fizeram à base teórica, Bori relata uma diferença na maneira como estes assistentes viam a relação entre a teoria e a prática de ensino. A prática de ensino, segundo a descrição, havia gerado interesse nos ouvinte que tinham problemas/críticas em relação à base teórica. Assim, após descobrirem a fundamentação teórica, o curso programado

perdeu um pouco do interesse que havia recebido. De todo modo, fica clara a importância que Bori dava à uma aplicação fundamentada na teoria desenvolvida com base na experimentação. Na última carta de Bori a que se teve acesso, ela conta do período em que viviam, na USP em 1969. Bori menciona a decisão tomada pelo “departamento de psicologia” (“ex- cadeira de psicologia”), constituída até a aprovação da reforma universitária. Este departamento, então, seria responsável pelas áreas de psicologia experimental, comparada, social e do trabalho. Após a reforma, seria instalado o Instituto de Psicologia e as áreas de psicologia social e do trabalho se separariam da psicologia experimental e comparada, ou nas palavras de Bori “e então, passaremos a funcionar separados das áreas de social e do trabalho que formarão outro departamento”. A identificação que ela faz de seu trabalho com as áreas de psicologia experimental e comparada é importante para compreender uma definição de psicologia que faz. Para ela, a psicologia deveria se desenvolver como uma ciência natural:

A situação geral é instável, fluida e, por isso, angustiosa para os que se interessam realmente pela universidade e pelo ensino nesse nível. As aposentadorias de professores eminentes e apolíticos que se sucederam continuam a manter um clima de terror entre os professores – o que é inevitável. É no meio disso tudo que continuamos com a ideia de sempre: de desenvolver psicologia como ciência natural. Aparentemente, nunca tivemos tanta possibilidade de trabalhar por essa ideia como agora, considerando o pessoal que dispomos no departamento, e, o entusiasmo do grande número de alunos de pós- graduação, que o departamento tem (Bori, 21 de maio de 1969).

Assim, pode-se dizer que, com a preocupação de desenvolver a psicologia como ciência natural, a experimentação ganha destaque. Tanto na FFCL de Rio Claro, quanto na

Benzer Belgeler