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2. KAYNAK TARAMALARI

2.4. Kaynak Taramaları

Neste tópico, descrevo, de forma sucinta, o desenvolvimento da capacitação o qual será analisado no próximo capítulo.

Dadas as características institucionais da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre/RS, a proposta de capacitação foi negociada inicialmente com as chefias.

Foi realizada em 16/04/04 uma reunião com uma Gerência Distrital da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, cujo propósito era apresentar a proposta de capacitação em vigilância da saúde da criança e qualificação dos Programas de Vigilância da Saúde da Criança Prá-Nenê e Prá-Viver, cuja metodologia propunha-se a ser participativa.

Após a aceitação do Gerente Distrital, a proposta de capacitação foi apresentada para todas as gerências locais da referida gerência (16 chefias de UBS e PSF). Nesse encontro, inicialmente foram apresentados dados dos programas acima citados, para sensibilização das chefias e a seguir, os pressupostos teóricos e metodológicos da proposta de capacitação, bem como o encaminhamento das ações preliminares. O trabalho foi organizado por mim, como coordenadora e por outra técnica da Equipe de Vigilância de Eventos Vitais, Doenças e Agravos não Transmissíveis (responsável pelo gerenciamento dos programas de vigilância da saúde da criança) e acompanhada por uma nutricionista, que participou das discussões da equipe local da UBS, e quatro estagiárias, cuja participação centrou-se no registro dos dados concernentes ao processo. Esse registro minucioso foi fundamental para a realização da análise dos dados, durante o desenvolvimento da capacitação, e para as análises posteriores.

Como a educação popular propõe que se construa uma metodologia reflexiva e problematizadora, essa deve partir da realidade, com a finalidade de compreendê-la e da construção de um conhecimento capaz de transformá-la; deve utilizar o conhecimento que já existe sobre a realidade como subsídio para encontrar novas relações e novas soluções. Além disso, deve estimular a descoberta, a participação, a autonomia e a iniciativa e desenvolver a capacidade de perguntar, consultar, experimentar e avaliar. Concordo com Berbel et al. (1998) que argumentam que a metodologia da problematização pode ser uma estratégia fecunda para a educação popular e a pesquisa-ação, uma vez que se propõe a atuar a partir de três processos sociais: o processo da pesquisa, o do planejamento e o da solução de problemas.

Conforme Berbel et al. (1998), a metodologia da problematização surgiu dentro de uma proposta de educação libertadora, voltada para a idéia de que os sujeitos precisam instruir-se e conscientizar-se de seu papel. Para isso, tem como princípios a pergunta, a incerteza e a problematização.

Na presente investigação, após o contato com os serviços escolhidos com a finalidade de apresentar a proposta para as equipes de saúde locais, foi realizada entrevista individual com cada uma das pessoas que as integravam, para escutá-las sobre o próprio trabalho na equipe, o que mais gostavam nesse trabalho nas unidades, as dificuldades enfrentadas no cotidiano e o entendimento sobre vigilância da saúde. Nesse momento, esclarecemos a cada uma das pessoas o objetivo de nosso trabalho. Ao final da entrevista, retomávamos e perguntávamos se ainda havia alguma dúvida sobre a proposta de trabalho. Todos os entrevistados se consideraram bem esclarecidos.

As entrevistas com todos os trabalhadores de cada uma das equipes foram realizadas com a presença de entrevistadoras, enquanto eu e a enfermeira da CGVS conduzíamos o depoimento dos membros da equipe local, as estagiárias anotavam detalhadamente as respostas. A partir das respostas individuais, montamos todo o processo inicial da capacitação, pois a cada encontro, as reuniões seguintes eram novamente planejadas.

As entrevistas no PSF ocorreram na primeira quinzena de agosto de 2004 e na UBS na segunda quinzena do mesmo mês e tiveram como foco, além da identificação do funcionário quanto ao tempo de serviço na Secretaria Municipal da Saúde e na unidade, profissão, experiências anteriores de trabalho em saúde; as seguintes questões norteadoras: a) o que tu fazes na unidade; quais as três coisas que tu mais gostas neste trabalho; quais as principais dificuldades que tu enfrentas aqui; o que entendes por vigilância da saúde. Para responder a essa última questão, foi solicitado que os entrevistados se referissem à experiência com os programas de vigilância da saúde existentes no serviço.

A capacitação proposta por esta investigação, portanto, foi realizada dentro do serviço de saúde e centrada em discussões em grupo, a partir das reflexões individuais realizadas inicialmente. Foram levantados pontos-chaves relacionados aos problemas apontados e o conteúdo teórico foi sendo construído a partir das discussões geradas em cada encontro, com a participação da equipe de saúde local e da equipe da vigilância em saúde (EEV/CGVS). A partir dessas entrevistas, foi construída a temática geradora do início da capacitação. Esse trabalho foi desenvolvido no segundo semestre de 2004.

Foram realizados seis encontros em cada um dos serviços, que ocorreram entre os dias 29/09 e 24/11/04. Na UBS, foi realizado um encontro extra para a construção de um relatório que o grupo optou em realizar para entregar para o novo governo.

A capacitação utilizou a discussão em grupo como forma de socializar o conhecimento das experiências de cada um dos participantes e de discutir as perspectivas do grupo sobre o tema investigado. Esse processo privilegiou o espaço de escuta das dificuldades vivenciadas por cada um, a reflexão sobre seu papel, a articulação da saúde com a educação e as discussões teóricas sobre vigilância da saúde.

Ao final da capacitação foi realizada uma avaliação do trabalho com as equipes de saúde locais. Após um ano do término da capacitação, foi realizada uma entrevista com a coordenação local do PSF para saber como a equipe tinha se organizado após esse trabalho. Na UBS, tentamos em vários momentos marcar uma reunião com a coordenadora local. No entanto, ela não conseguiu se disponibilizar para conversar com a equipe da EVV/CGVS. Ficamos sabendo que a coordenação do serviço havia mudado, mas não conseguimos obter outras informações.

Enquanto pesquisadora/trabalhadora fui uma observadora crítica desse processo e uma participante ativa, pois responsável pelo andamento do trabalho, cujo propósito era entender a dinâmica do cotidiano e das percepções dos sujeitos pesquisados sobre o seu trabalho e sobre vigilância da saúde e, com isso, refletir com a equipe local sobre o significado do trabalho de vigilância da saúde durante o processo de capacitação.

Benzer Belgeler