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Essa seção busca fazer um pequeno compilado de trabalhos sobre avaliação de bens e serviços ambientais, bem como mostrar seus principais resultados. Chama a atenção o fato de que os valores a que chegaram os vários estudos são distintos, dependendo da metodologia, das premissas adotadas e dos contextos nos quais estão inseridos.

Há uma lacuna na produção de avaliações de mata nativa no Brasil, em especial do bioma Mata Atlântica, no qual vive a maior parte da população brasileira e onde se concentra a maior proporção do PIB nacional. Há vários estudos internacionais que não se adaptam muito à realidade brasileira. Tendo em vista a importância das florestas, tanto o valor de uso quanto o valor de não uso, e sua influência na atividade econômica e no bem-estar da população, defende-se a importância de realização de mais estudos nessa área.

Na tabela a seguir é feita uma compilação dos principais estudos de avalição de florestas nativas:

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TABELA 3 – Resumo dos Estudos de Avaliação de Ativos Ambientais

Técnica empregada Local Resultado Autor

Várias México US$ 4.215 milhões Adger et al.(1994)

Várias Madagascar VPL de US$ 566.000 a US$ 673.000 Kramer et al. (1995 apud MOTTA

1997)

Custo de oportunidade e outras Quênia US$ 203 milhões ou 2,8% do PIB queniano Norton-Griffiths (1995)

Custo de viagem Parque do Iguaçu

(Brasil)

US$ 12 milhões a US$ 34 milhões Ortiz et al (2000)

Valoração contingente Morro do Diabo (Brasil)

DAP parque + DAP Mata Atlântica = 0,27 R$/mês por pessoa

Motta (2007)

Opções reais Mangue em Recife R$ 465 milhões ou R$ 964 milhões, dependendo da hipótese adotada

Martins; Melo (2007)

Opções reais Amazônia (Brasil) US$ 59,7/ha a US$ 74,2/ha para o caso base Moreira et al (2000) Produtividade Marginal Amazônia (Peru) VPL de US$ 6.820 para a exploração sustentável

da floresta

Peters; Gentry; Mendelsohn (1989 apud MOTTA 1997)

Produtividade marginal e avaliação contingente

Floresta Temperada no Chile

Verão – US$ 937,9/ano

Resto do ano – US$ 355,3/ano

Figueroa; Pasten (2008)

Produtividade Marginal Mangue na Indonésia

US$ 1.115 milhões a US$ 1.410 milhões Ruitenbeek (1995 apud MOTTA 1997)

Custo de viagem, valoração contingente

Tailândia Aproximadamente 117 milhões de Baht (valores de 1980)

Dixon; Hufshmidt (1986 apud MOTTA 1997)

47 Valoração contingente, custo de

reposição

Inglaterra VPL de US$ 14,04 milhões Bickmore; Williams (1994 apud

MOTTA 1997) Fonte: elaboração própria

48 No que se refere a avaliação de florestas nativas no Brasil e no mundo, tem-se uma série de estudos que utiliza uma grande variedade de técnicas. Dentre eles, há estudos com o objeto restrito a Mata Atlântica, sendo importante suas comparações com os resultados do presente trabalho. É importante destacar as especificidades qualitativas de cada um dos estudos. Nota- se que esses tipos de estudos foram produzidos por volta da década de 1990 e 2000. A seguir são feitos destaques de cada um dos estudos.

Adger et al. (1994) faz uma estimação incorporando todos os componentes do valor econômico de produtos não madeireiros das florestas no México. O conhecimento mais apurado desses valores é importante para esse país, dado a área coberta por florestas e a parcela da população que vive nessas áreas. São utilizadas diversas técnicas e os valores encontrados são agregados para se chegar ao valor econômico total.

A avaliação realizada pelo banco mundial para mensurar os efeitos econômicos para os diversos agentes econômicos da criação do parque Mantadia em Madagascar também é um estudo de relevância pela quantidade de técnicas aplicadas. Kramer et al. (1995 apud MOTTA 1997) faz uma análise de quais os custos e benefícios para cada categoria de agente econômico, utilizando-se de uma grande variedade de métodos disponíveis, como a valoração contingente, o custo de viagem, dentre outros. Esse estudo foi realizado em um contexto de aperfeiçoamento da utilização de métodos de avaliação ambiental dentro do Banco Mundial. Busca-se também captar o valor de existência de uma floresta tropical úmida.

Na avaliação realizada no Quênia, foi utilizado o custo de oportunidade (rentabilidade de atividades agropecuárias) das terras protegidas para que seja feita uma comparação com os benefícios gerados por esses ativos ambientais para a sociedade daquele país. De acordo com o estudo conduzido por Norton-Griffiths (1995), do ponto de vista puramente econômico, as políticas preservacionistas não são viáveis. Uma vez que os benefícios dessa política não está restrito apenas àquele país, outros países devem contribuir para o custeio de tais políticas. A análise é feita apenas para o ano de 1989, devido a disponibilidade de dados.

A criação de parques é uma forma bastante utilizada para a conservação dos ecossistemas nativos. Dentre eles, o Parque Estadual do Morro do Diabo é um importante remanescente de

49 Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema, estado de São Paulo. Segundo Motta (2007), uma avaliação desse ativo ambiental é importante para fortalecer a política de preservação desse local e fornecer parâmetros para o cálculo do dano ambiental. Nesse estudo é calculada a DAP pelo parque e a DAP para toda a Mata Atlântica. Esse último valor se relaciona fortemente com o presente trabalho. O autor regride a DAP da Mata Atlântica sobre a DAP do parque, a idade do entrevistado, sua renda, uma dummy para o valor de uso e uma dummy para o valor de existência. No entanto, realizando um teste estatístico não se descarta a hipótese de que a verdadeira DAP é zero. Um outro parque bastante conhecido e importante é o Parque do Iguaçu. Ortiz et al. (2000), conduz uma avaliação para estimar o valor do uso recreativo desse parque.

É feita uma avaliação do Parque dos Manguezais no Recife com o objetivo de comparar e verificar a viabilidade econômica da construção de uma rodovia, em relação ao desenvolvimento de um projeto imobiliário, que interfeririam nesse ecossistema natural, ou de sua manutenção e preservação conforme se encontra atualmente. Martins; Melo (2007), conduz uma avalição pelo método de opções reais, utilizando-se também o método de valoração contingente.

Existe uma grande quantidade de pesquisas e estudos de caso aplicados à avaliação ambiental da Amazônia. Moreira et al. (2000) faz uma avaliação do valor das concessões para a exploração de madeira nas chamadas Florestas Nacionais (Flonas). Para isso, consideram-se características como o longo prazo dos projetos e as elevadas incertezas envolvidas na atividade, como preço e volume de madeira. O autor argumenta que nesse caso a utilização do VPL é inadequada, a despeito de tal instrumento ser frequentemente utilizado. Para uma estimativa mais precisa, lança mão da teoria das opções reais. Peters; Gentry; Mendelsohn (1989 apud MOTTA 1997) também realiza uma avaliação da floresta Amazônica. Seu estudo é focado na Amazônia peruana. Os valores são apresentados em dólar do ano de 1987. Nesse caso os autores utilizam do VPL para fazerem suas estimativas do retorno da exploração sustentável da floresta. São consideradas as receitas com madeira e produtos não madeireiros como trutas e látex. Esse valor é comparado com as estimativas de VPL para a atividade silvicultural e pecuária. Segundos os autores a atividade econômica sustentável gera mais retorno.

50 Figueroa; Pasten (2008) calcula o beneficio gerado pela floresta temperada chilena na produção de água potável para o consumo humano. É calculado também o valor econômico do serviço ecossistêmico gerado por um hectare de floresta. Os autores partem de um trabalho prévio realizado por Nuñez et al. (2005 apud FIGUEROA; PASTEN 2008) e fazem uma melhoria na forma de aplicação da metodologia, chegando a um valor mais preciso para esse ativo ambiental.

O reconhecimento da importância de alguns componentes dos manguezais na Indonésia e a necessidade de se conhecer a interação ecológica entre esses diversos componentes levaram ao Ministério do Estado para Meio-Ambiente daquele país propor um projeto de desenvolvimento e gestão ambiental que deu origem à presente avaliação. Ruitenbeek (1995 apud MOTTA 1997) conduz uma análise econômica incorporando algumas interações ecológicas normalmente existentes entre a produtividade pesqueira em alto mar e a área preservada dos manguezais. Esse resultado aponta para a necessidade de se criar uma área de conservação para pelo menos parte dos manguezais.

Dixon; Hufshmidt (1986 apud MOTTA 1997) conduz a avalição de um parque urbano na Tailândia, que sofre constante pressões para conversão de sua área. Nesse caso, a avaliação é importante para que se saiba se vale a pena em termos econômicos a conversão do parque para outros projetos de desenvolvimento econômico. Dessa forma, pode-se avaliar qual o projeto que irá aumentar de forma mais significativa o bem-estar da população.

Bickmore; Williams (1994 apud MOTTA 1997) apresenta um estudo encomendado pelo governo britânico para avaliação do ecossistema do estuário de Mersey. Tal estudo foi feito para se medir o impacto ambiental da construção de uma barragem na região, que iria representar uma ameaça principalmente para aves selvagens. Foi feita uma análise de custo- benefício para a realização do projeto. É importante destacar que apesar de ter sido empregada a metodologia de valoração contingente, as estimativas ficaram comprometidas devido a problemas metodológicos no momento da realização da pesquisa. Dessa forma, apenas o valor encontrado pela metodologia de custo de reposição foi considerado válido;

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HIPÓTESES, BASE DE DADOS E METODOLOGIA

Benzer Belgeler