• Sonuç bulunamadı

2. KURAMSAL TEMELLER

2.9. Kaynak Araştırması

Entendemos o espaço como uma instância social, onde a história se desenrola, como um conjunto de fatores e funções que condicionam e transformam a reprodução social. Sendo assim, concordamos com Santos (2008a, p. 203), quando afirma que o espaço é resultado da produção, que “produzir e produzir o espaço são dois atos indissociáveis” e que esse espaço deve ser estudado “[...] em sua obra permanente de reconstrução do espaço herdado de

gerações precedentes, através das diversas instâncias da produção” (SANTOS, 2008a, p.

240), sejam elas, a produção propriamente dita, a circulação, a distribuição e o consumo. Para o autor, o espaço humano é resultado da produção, não importando qual seja o período histórico (SANTOS, 2008a, p. 202), e o uso do tempo e do espaço acontece de forma diferenciada de acordo com os momentos históricos e os lugares em que se dão e os tipos de produção. (SANTOS, 2008a, p. 203).

As instâncias da produção (produção propriamente dita, circulação, distribuição e o consumo), apesar de poderem ser analisadas de forma autônoma, necessitam ser examinadas no universo de suas relações e interações entre os subespaços onde se realizam, pois somente assim, alcançaremos a unidade do espaço.

A produção propriamente dita se realiza localmente, de acordo com os aspectos normativos e técnicos que a enredam e do lugar onde se realiza. A ideia de produção propriamente dita se relaciona ao uso direto do espaço enquanto suporte para o processo produtivo e como meio de trabalho tecnicamente elaborado (SANTOS, 1997). Entendendo dessa forma, compreendemos que no circuito produtivo do biodiesel, o espaço da produção propriamente dita tem início na fase de produção do óleo que será a matéria-prima principal que servirá de base à composição do produto final a ser distribuído para consumo. Nesse sentido, constitui-se espaço da produção propriamente dita o local onde está instalada a miniusina destinada a prensagem de sementes para a produção do óleo bruto no município de Ceará-Mirim, no Assentamento Rosário (Agrovila Canudos) e o município de Guamaré, onde estão instaladas as usinas experimentais da Petrobrás, UEB01 (Tecnologia a partir de óleos vegetais) e UEB02 (Tecnologia a partir de grãos de oleaginosas).

A produção de girassol e de mamona no RN também está relacionada com o uso direto do espaço como suporte do processo produtivo, constituindo-se assim, um espaço da produção propriamente dita. No entanto, aí se dá um outro circuito que termina na produção

do óleo, matéria-prima inicial para a produção de biodiesel – e onde começa o circuito

produtivo do biodiesel. Afinal, os circuitos “se estruturam a partir de uma atividade produtiva

definida como primária ou inicial” (BARRIOS, 1978, apud SANTOS, 1986, p. 121). Ainda

no mesmo texto e citando Sonia Barrios, este autor, explica que “uma atividade pertencerá a

um dado circuito quando seu insumo principal provier da fase anterior do mencionado circuito; caso contrário considera-se que a partir desse ponto se desenvolve outro circuito, que

deve ser analisado separadamente”. (BARRIOS, 1978, apud SANTOS, 1986, p. 121).

O produto biodiesel é produzido a partir de óleos vegetais e gorduras animais e óleos e gorduras residuais oriundas de fontes diversas (Quadro 02), portanto, muitas são as atividades produtivas “definidas como primárias” que servem à sua produção, mas que não pertencem ao seu circuito, somente o complementam.

Quadro 02: Principais matérias-primas para produção de biodiesel

Matérias-primas Exemplos (fontes)

Óleos Vegetais Soja, mamona, dendê (palma), pinhão-manso,

babaçu, algodão, girassol, canola, amendoim, etc.

Gorduras animais Óleos de peixe, sebo bovino, gordura de porco e

de frango etc.

Óleos e gorduras residuais Óleos oriundos de frituras, esgotos municipais,

resíduos industriais, etc.

Reconhecendo o exposto, concluímos que se trata nesse caso, de uma interação entre circuitos que pode ser visualizada com maior clareza na Figura 02.

Figura 02: Interação do circuito espacial de produção do biodiesel com outros circuitos produtivos

Fonte: Elaboração da autora

As instâncias da circulação e da distribuição tratadas por Santos (1997), ressaltam o uso hierárquico do território pelas empresas que selecionam os lugares mais bem estruturados às necessidades de circulação da produção e, portanto, mais aptas à transformação da mercadoria em “capital-dinheiro”. E, como nos dias atuais, os mercados de atuação das empresas tendem a ampliar-se, significa dizer que, maior capacidade de circulação e distribuição equivale a maiores ganhos, e consequentemente, maior poder para as empresas. Vale aqui registrar que, no âmbito do Rio Grande do Norte, os investimentos em vias de circulação, embora ainda insuficientes se comparados às áreas mais privilegiadas do território nacional, sofreu alguns progressos devido a investimentos voltados, principalmente, para o setor do turismo, à fruticultura irrigada e ao setor petrolífero. Entretanto, no que concerne às

Outros Circuito produtivo do girassol Circuito produtivo do algodão Circuito produtivo do babaçu Circuito produtivo do dendê (palma) Circuitos produtivos de carnes (bovina, suína etc.) Circuito produtivo da canola Circuito produtivo da soja Circuito espacial de produção do BIODIESEL

vias de circulação que levam aos assentamentos e comunidades rurais, lugar da produção das sementes oleaginosas, o que se vê são um conjunto de estradas sem pavimentação, que dificultam o acesso, principalmente em períodos chuvosos, demonstrando nesse estado a coexistência de formas espaciais de tempos distintos e a posição desse lugar da produção no que se refere ao nível hierárquico (SANTOS, 1997).

Ressalta-se aqui uma contradição, ao mesmo tempo em que para a produção de oleaginosas (a partir da agricultura familiar) o território se mostra carente de conteúdo técnico, ele se mostra viável do ponto de vista da produção de biodiesel, já que conta com o parque industrial petrolífero de Guamaré (com duas unidades de produção de biodiesel) e com bases de distribuição, ou seja, já possui um conteúdo infraestrutural organizado para a circulação e distribuição. O problema aqui parece ser mesmo o da oferta de matéria-prima, senão, como explicar que a Petrobras adie tanto o projeto de começar a produzir o biodiesel comercialmente no RN.

4 A CONFIGURAÇÃO DO CIRCUITO ESPACIAL DE PRODUÇÃO DO BIODIESEL

Benzer Belgeler