compreender os fundamento das ciências, uma visão ampla dos saberes, uma reflexão ampla sobre a prática docente, e se orientar pelas demandas da escola e dos alunos, em detrimento de programas predeterminados e desconectados da visão escolar.
De acordo com Freitas (2002) e Kuenzer (1998), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96) está associada a um projeto bem definido e global para a sociedade brasileira que nos insere de forma cada vez mais dependente no mercado mundial, aumentando assim o fosso da desigualdade social. A LDB, preconiza, também, uma redução do papel do Estado na economia e nas políticas sociais. A Educação está aí inserida numa perspectiva, sobretudo, para treinamento e adestramento de mão-de-obra minimamente capacitada. Ademais, merece ressalva que quanto à formação profissional docente, o que se constata é a contradição entre a necessidade de dotar a escola de profissionais qualificados, com sólido processo formativo, e as difíceis condições de trabalho (CUNHA, 1998).
1.3.4 Plano Nacional de Educação (PNE) (2001 – 2010)
O Plano Nacional de Educação (PNE) aprovado pelo presidente da república em 9 de janeiro de 2001. Contém nove textos, assim como no caso da LDB, teve a proposta desenvolvida por educadores, profissionais da educação, estudantes, pais de alunos, entre outros representantes sociais, reprovada em detrimento do projeto apresentado pelo Ministério da Educação, o qual segue uma lógica de racionalidade financeira em educação (SAVIANI, 1998).
Nessa perspectiva, o PNE do MEC apresenta propostas para todas as modalidades de ensino para a educação básica: educação infantil, ensino fundamental, ensino médio,
educação de jovens e adultos, educação tecnológica e profissional, educação superior, educação especial, educação indígena, formação de professores, educação a distância, tecnologias educacionais e gestão e financiamento.
Dentre as principais diretrizes previstas no PNE para a formação de professores da educação básica e valorização do magistério, realçamos:
[...] - impedir, imediatamente, a contratação de novos professores que não possuam as qualificações mínimas exigidas pela Lei de Diretrizes e Bases, a não ser em casos excepcionais, em caráter temporário e por prazo não superior a três anos.
- estabelecer, dentro de um ano, parâmetros e diretrizes curriculares para os cursos superiores e formação de professores e de profissionais da educação para os diferentes níveis e modalidades do ensino, que assegurem: 1. sólida formação geral. 2. o estabelecimento da atividade docente como foco formativo e o contato dos alunos com a realidade das escolas durante todo o curso, integrando a teoria com a prática pedagógica. 3. domínio das novas tecnologias de comunicação e capacidade para integrá-las à prática docente. 4. a inclusão da problemática específica dos alunos portadores de necessidades especiais nos programas de formação dos docentes. 5. trabalho coletivo interdisciplinar. 6. incentivo à pesquisa. 7. vivência da gestão democrática do ensino. 8. compromisso social com a docência. 9.estabelecer, onde quer que ainda não existam condições para formação em nível superior de todos os profissionais necessários para o atendimento das necessidades do ensino, cursos de nível médio, em instituições específicas que observem os parâmetros estabelecidos na meta anterior e prepararem pessoal qualificado para a Educação Infantil, para a Educação de Jovens e Adultos e para as séries iniciais do Ensino Fundamental, prevendo a continuidade de Estudos desses profissionais em nível superior.
- incentivar a criação, dentro ou fora das universidades, de Institutos Superiores de Educação e. de Escolas Normais Superiores como parte do processo de renovação e valorização da formação para o magistério. - definir recursos para organizar, dentro de um ano, em regime de colaboração entre União, estados e municípios, programas de formação em serviço que assegurem a todos os docentes a possibilidade de adquirir a qualificação mínima exigida pela Lei de Diretrizes e Bases, observando os novos parâmetros e diretrizes curriculares.
- desenvolver, de acordo com os mesmos parâmetros, programas de Educação à Distância que possam ser utilizados também em cursos semipresenciais modulares, de forma a tomar possível o cumprimento da meta anterior.
- generalizar, nas instituições de ensino superiores públicas, cursos regulares noturnos e cursos modulares que facilitem o acesso dos docentes em exercício à formação nesse nível de ensino.
-incentivar as universidades e demais instituições formadoras a oferecer, no interior os estados, cursos temporários de formação de professores, no mesmo padrão dos cursos oferecidos na sede, de modo a atender a demanda local e regional por docentes graduados em nível superior. - promover, nas instituições públicas de nível superior, a oferta, na sede ou fora dela, de cursos de extensão e aperfeiçoamento destinados à formação permanente do pessoal do magistério (BRASIL, PNE 2001).
Em síntese, as reflexões sistematizadas por Freitas (2002) acerca das metas do PNE, evidenciam que o documento indica formas aligeiradas para capacitação de professores leigos, via formação em serviço ou educação a distância, usando os treinamentos rápidos em todo o conjunto do documento e enfatizando a quantidade em detrimento da qualidade. Reforçam a idéia da LDB para se criar cursos de formação dissociados do ensino, pesquisa e extensão. Aponta para a redução do período de duração dos cursos de formação plena do educador sob a responsabilidade do poder público, em nome da flexibilidade e do viés da contenção de gasto, favorecendo o voluntariado e a iniciativa de órgãos não governamentais para a tarefa de profissionalizar os educadores, no tocante, ainda, à formação e à valorização dos professores, deixa a valorização como responsabilidade dos estados e municípios, não referenciando concretamente a carreira ou um piso salarial nacionalmente unificado.
O PNE do Executivo anuncia 19 metas específicas para a formação de professores da educação básica e valorização do magistério, das quais 10, exigirão a colaboração da União com os estados, municípios e sociedade civil; 08 de responsabilidade exclusiva deste último e apenas 01 depende, basicamente, da iniciativa da União. Conclui-se assim, que a totalidade das metas anunciadas delega à União o mínimo de responsabilidade financeira para com para a formação e o máximo de responsabilidade no que concerne a elaboração de parâmetros e diretrizes curriculares para o curso de formação de professores (FREITAS, 2002).
deixa claro que este Plano se revela um instrumento de introdução da racionalidade financeira na educação pois esta é a via de realização de uma política educacional cujo vetor é o ajuste aos desígnios da globalização através da redução dos gastos públicos e diminuição do tamanho do estado visando tornar o país atraente ao fluxo do capital financeiro internacional.
As diferentes organizações de educadores, entidades e fóruns manifestam suas insatisfações quanto às metas para a formação e valorização do magistério preconizado pelo PNE do Executivo, que nos revelam claramente que tais metas não asseguram uma formação profissional e nem garantem a valorização dos profissionais por priorizar uma frágil formação continuada por meio de programas de formação em serviço ou a distância (cursos semi presenciais e modulares) e por priorizar para a formação inicial, programas emergenciais, especiais, cursos temporários. Destaca-se, ainda, a ausência de metas que abordem carreira, piso salarial e garantia de condições de trabalho (FREITAS, 2002).