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5. SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER

5.3. Kaynaştırma Öğrencileri İle Yapılan Mülakat Sonuçları

Fish e Sydow (2007), há uma pluraridade de definições e classificações das redes interorganizacionais. Este trabalho não visa fazer um exaustivo levantamento e apresentará algumas sínteses encontradas na literatura.

O trabalho de Hoffmann, Molina-Morales e Martínes-Fernández (2007) apresenta uma consolidação realizada a partir de um estudo bibliográfico para a classificação tipológica das redes interorganizacionais. O resumo dessa proposta está apresentado no Quadro 4.

INDICADORES TIPOLOGIA a) Direcionalidade Vertical Horizontal

b) Localização Dispersa Aglomerada

c) Formalização Base contratual formal Base não contratual

d) Poder Orbital Não orbital

Quadro 4 Resumo da classificação tipológica

Fonte: Hoffmann, Molina-Morales e Martínes-Fernández (2007, p.110)

Segundo os autores (2007), a primeira distinção que pode ser feita é com relação à direcionalidade, que diferencia as redes em: verticais, quando são formadas por empresas não concorrentes especializadas em cada etapa do processo e; horizontais, nas quais as empresas são concorrentes em determinado mercado. Vale ressaltar que as organizações podem fazer parte de redes verticais e horizontais ao mesmo tempo.

A segunda diferenciação é feita com relação à localização, distinguindo as redes dispersas, tipicamente verticais que realizam trocas de bens e serviços por meio de uma intensa logística, das redes aglomeradas, que contam com uma proximidade geográfica e com relações além do que é estritamente comercial. Nas redes aglomeradas também é possível encontrar instituições de suporte empresarial, como universidades e centros de pesquisa (HOFFMANN, MOLINA-MORALES e MARTÍNES-FERNÁNDEZ, 2007).

Ainda de acordo com Hoffmann, Molina-Morales e Martínes-Fernández (2007), a terceira distinção pode ser feita a partir da formalização das redes, encontrando aquelas com base contratual formal, estabelecidas para evitar comportamentos oportunísticos que podem lesar uma das partes, e aquelas com base contratual informal, estabelecidas com base na confiança. É importante destacar que não há um modelo adequado para a redes e que diferentes situações podem demandar diferentes tipos de acordo entre as organizações.

Por fim, Hoffmann, Molina-Morales e Martínes-Fernández (2007) fazem uma distinção com relação ao poder, que pode ser: orbital, quando há uma relação de hierarquia e um centro de poder ao redor do qual outras empresas circulam; e a rede não orbital, quando todas as organizações têm o mesmo poder de tomada de decisão.

Após essa compreensão sobre a classificação tipológica das redes, também é necessário explorar possíveis modelos de redes interorganizacionais. Entretanto, como já mencionado, há uma grande pluralidade de classificações.

Para exemplificar alguns desses modelos, abaixo será detalhada a visão de Kwasnicka (2006) e Barringer e Harrison (2000). A opção por essas duas visões se dá por terem sido apresentadas em trabalhos que, à sua maneira, consolidavam parte da literatura sobre o tema. Ainda, com esses dois exemplos é possível perceber sinergias e contradições entre os diversos modelos apresentados.

Kwasnicka (2006) sintetiza os modelos e configurações de redes interorganizacionais em cadeia de suprimentos, consórcio de empresas, Arranjos Produtivos Locais (APL) e clusters. Já Barringer e Harrison (2000) fazem uma classificação a partir de ligações mais próximas ou menos próximas entre as organizações que compõe esse relacionamento interorganizacional. Para eles, os relacionamentos podem ser joint ventures, redes, consórcios, alianças, trade

associations e diretorias interligadas. A definição de cada uma das configurações de Kwasnicka

AUTORES

KWASNICKA, 2006 BARRINGER e HARRISON, 2000

T IP O S D E RE DE S Consórcio

Alianças estratégicas para ampliação do poder competitivo frente aos grandes competidores de determinado segmento com a união de recursos das diversas empresas presentes no consórcio.

Relação de íntima ligação com joint ventures especializadas, que reúnem empresas com um objetivo em comum, principalmente na área de desenvolvimento tecnológico.

Cadeia de suprimentos

Redes com trocas de produtos ou serviços entre as empresas desde o fornecimento de matéria-prima até a venda do produto final aos consumidores. - Arranjos Produtivos Locais (APL)

Organização de pequenas e médias empresas que cooperam para o desenvolvimento da atividade principal dessas empresas. São especificamente produtivos.

-

Clusters

Concentrações geográficas de empresas interconectadas que competem entre si em um mesmo negócio ao mesmo tempo em que cooperam. Diferem do APL por não serem especificamente de produção.

-

Franquias Venda dos direitos limitados de uma marca de uma franqueadora, o foco da rede, para

as franqueadas. -

Joint

Ventures -

Relação de íntima ligação na qual há a criação de uma nova entidade a partir dos recursos de duas ou mais empresas.

Redes -

Relação de íntima ligação na qual uma empresa central coordena diversas interligações com outras empresas, permitindo a especialização entre elas. Alianças - Relação de fraca ligação na qual há troca entre duas ou mais empresas sem se

estabelecer nenhuma propriedade conjunta. Trade

Association -

Relação de fraca ligação com a formação de uma nova organização por empresas de um mesmo setor para a prestação serviços variados aos associados.

Diretorias

Interligadas -

Relação de fraca ligação na qual executivos ocupam posição no conselho de outras empresas.

Quadro 5 Síntese das classificações de redes Fonte: Elaborado pelo autor (2015)

O que fica claro pela síntese do Quadro 5 é que os dois autores são bastante complementares, cada um apresentando configurações diferentes de redes interorganizacionais. É possível perceber também que ambos se referem aos consórcios, porém com descrições distintas. Além disso, Kwasnicka (2006) define os consórcios como um tipo de aliança estratégica, que é uma outra configuração segundo Barringer e Harrison (2000).

Dessa forma, este trabalho não visa apontar uma visão correta ou errada sobre o tema ou tampouco exaurir todas as classificações abordadas na literatura, mas sim demonstrar que há na produção científica diversas visões sobre as redes interorganizacionais, como apontado por Kwasnicka (2006) e por Provan, Fish e Sydow (2007).

Portanto, como o presente estudo visa analisar os ganhos competitivos dos artesãos partindo da proposição de que por estarem inseridos em uma iniciativa de comércio justo, eles fazem parte de uma configuração com características similares à de uma rede de cooperação, a definição mais importante independentemente da configuração da rede em si é a de redes de cooperação.

Para aplicar o modelo de ganhos competitivos apresentado por Verschoore (2006) e Verschoore e Balestrin (2008), a definição que será adotada por este trabalho para redes de cooperação será a mesma apresentada por Verschoore (2006) e que pautou os referidos trabalhos sobre ganhos competitivos. Segundo Verschoore (2006, p. 60), as redes de cooperação podem ser caracterizadas como

A organização composta por um grupo de empresas com objetivos comuns, formalmente relacionadas, com prazo ilimitado de existência, de escopo múltiplo de atuação, na qual cada membro mantém a sua individualidade legal, participa diretamente das decisões e divide sistematicamente com os demais os benefícios e ganhos alcançados pelos esforços coletivos. Portanto, as redes são compreendidas como um desenho organizacional único, com uma estrutura formal própria, um arcabouço de governança específico, relações de propriedade singulares e práticas de cooperação características.

Essa conceituação apresentada possui algumas semelhanças com a definição de redes interorganizacionais de Kwasnicka (2006), mas, mais do que isso, ela revela alguns indícios de que o comércio justo se aproxima do modelo de uma rede de cooperação, ainda que com algumas particularidades.

As principais semelhanças entre o comércio justo e as redes de cooperação serão analisadas a seguir a partir de extratos da definição apresentada por Verschoore (2006) confrontados com a conceituação, os princípios e as características do comércio justo, previamente esclarecidos neste trabalho:

a) Organização composta por grupo de empresas com objetivos comuns: o objetivo do comércio justo é beneficiar o produtor e a comunicação da causa (no caso brasileiro há também a preocupação com a valorização cultural e étnica), e deve ser compartilhado por todos os atores presentes em sua cadeia. A definição e

disseminação de princípios fundamentais e características do comércio justo, bem como a sistematização de critérios para certificação dos produtos, fazem com que o alinhamento entre o objetivo em comum e as ações desenvolvidas pelos atores da cadeia seja constante.

b) Prazo ilimitado de existência: um dos princípios do comércio justo é a construção de relacionamentos transparentes e de longo prazo com os produtores, sem uma limitação de tempo.

c) Escopo múltiplo de atuação: o escopo múltiplo de atuação no comércio justo pode ser entendido tanto como os diversos atores envolvidos na cadeia (produtores, exportadores, importadores, revendedores, consumidores e organizações de apoio) que partilham do objetivo em comum, quanto como os diversos produtos que são comercializados (café, artesanato, mel, algodão, cacau, entre outros).

d) Cada membro participa diretamente das decisões e divide sistematicamente com os demais os benefícios e ganhos alcançados pelos esforços coletivos: o comércio justo tem como princípio o empoderamento dos produtores, o que pode ser um indicio de seu envolvimento com a participação nas decisões ainda que não haja uma nova organização formalmente estabelecida. Já com relação à divisão dos ganhos, há uma íntima relação com o comércio justo uma vez que uma das primeiras associações feitas com a causa é a do preço justo, pelo qual o valor final pago por um produto é distribuído de maneira justa entre os membros da cadeia. A relação transparente, outra característica presente na definição do comércio justo, pode impactar tanto na participação direta de todos os membros com as decisões quanto se relaciona diretamente com a divisão dos ganhos alcançados, já que geralmente é exposto de forma clara e transparente para todos os membros da cadeia como cada ator do comércio justo está sendo remunerado. Por fim, outros benefícios são proporcionados aos produtores, como capacitações, empoderamento, garantia de direitos, entre outros mencionados nas definições, princípios e características do comércio justo. Após analisar as principais semelhanças, serão também apresentadas potenciais diferenças entre o comércio justo e as redes de cooperação. As diferenças são relevantes para identificar possíveis limitações ao se propor um alinhamento teórico entre o comércio justo e as redes de cooperação, e são descritas a seguir:

a) Organização composta por um grupo de empresas: no comércio justo é possível encontrar diversas naturezas jurídicas entre os membros da cadeia. Os produtores

podem se organizar em grupos, associações, cooperativas, empresas ou até mesmo trabalhar de forma autônoma. Além disso, os outros atores do comércio justo podem ser empresas, organizações não governamentais e até mesmo o próprio governo se, por exemplo, considerarmos a Secretaria Nacional de Economia Solidária um membro da cadeia no Brasil.

b) Formalmente relacionadas: não há necessariamente a formalização de uma nova organização no comércio justo, e um dos seus princípios é o de ter o comércio justo como um contrato social, que pode intuir algumas relações informais implícitas. Além disso, pela definição e pelos critérios e características do comércio justo, não há como avaliar se a relação entre os membros da cadeia é formal ou não, embora o princípio de defesa de direitos trabalhistas dos produtores possa ser um indício de que a formalização é necessária em determinados casos.

c) Cada membro mantém a sua individualidade legal: como mencionado, no comércio justo os membros podem ter diferentes naturezas jurídicas, incluindo produtores autônomos e que trabalham em empresas.

Com essa análise à luz do referencial teórico de comércio justo e da definição de redes de cooperação, foi possível perceber que existem semelhanças e diferenças entre os conceitos, embora as semelhanças se demonstrem mais proeminentes. É possível dizer que a principal diferença entre o modelo de rede de cooperação e os princípios do comércio justo é que neste último não necessariamente há a presença dos elementos formais e a existência de uma nova organização, apontados por Verschoore (2006) como fundamentais para a gestão de redes de cooperação. Por outro lado, a relação guiada pelos princípios do comércio justo pode contribuir para que haja comprometimento entre os diversos atores e não somente um benefício voltado para a empresa central, como menciona Verschoore (2006) no caso de redes formadas por empresas com assimetria de relacionamentos. É válido destacar também que Verschoore (2006) aponta a participação do poder público no fomento às redes de cooperação, ainda que não em sua definição, o que não se pode verificar nos princípios do comércio justo de forma direta.

Por acreditar nesse alinhamento teórico e a partir da constatação de que a abordagem de redes já foi utilizada, ainda que pouco, para se analisar casos de comércio justo (DAVIES, 2009), foi desenhada uma relação na qual uma rede de cooperação pode ser uma variável dependente do comércio justo. Em outras palavras, supõe-se que ao cumprir os princípios do comércio justo, um modelo com características similares à uma rede de cooperação pode ser

constituído e os produtores, no caso desse trabalho os artesãos, assim como outros membros da cadeia do comércio justo, passam a integra-lo.

Com isso, define-se a primeira proposição deste estudo:

Proposição 1: ao participarem de iniciativas de comércio justo, artesãos podem integrar uma configuração com características similares às de redes de cooperação.

A seguir serão apresentados motivadores para se estabelecerem relacionamentos interorganizacionais, visando identificar quais ganhos possíveis são proporcionados pelas redes.