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3.2.1 Pedro Régis

O Município de Pedro Régis está localizado na mesorregião da mata paraibana, na microrregião do litoral norte. Dista 87 Km da capital e limita-se com os seguintes municípios paraibanos: ao norte e a leste, Jacaraú; ao sul, Curral de Cima e a Oeste, Lagoa de Dentro. Originário do município de Jacaraú, foi criado em 29 de abril de 1994 e emancipado politicamente em 01 de janeiro de 1997. Sua área territorial é de 71,6 Km², conta com uma população de 4.883, distribuindo-se entre a área urbana e rural, respectivamente: 1.374 e 3.509. O IDH é 0,532, demonstrando a necessidade de atenção especial a este território em áreas como saúde, educação e outras que determinam a qualidade de vida da população, confirmadas a partir da análise que se segue (FAMUP, 2006; EVANGELISTA, 2002).

Conforme observamos na tabela abaixo o setor que abrange um maior quantitativo de pessoas na área de ocupação e renda é a agropecuária. Esse dado é reafirmado pela concentração populacional na área rural, entretanto o poder público municipal é um dos principais empregadores e maior gerador de renda no município.

Tabela 4: Ocupação e renda no município de Pedro Régis

Setor/Área Ocupações

(Quantidade) Percentual de Ocupação (%)

Agropecuária 2.232 28,1

Setor Público 256 41,5

Atividades Urbanas 110 8,8

Aposentadorias - 21,6

Fonte: (EVANGELISTA, Mª L., 2002)

Fazendo uma análise da dimensão econômica do município a partir de levantamentos e da observação participativa, alguns problemas foram apontados: inviabilidade da cultura de sequeiro; baixo nível tecnológico, de informação e de qualificação dos produtores; baixa produtividade; baixos preços dos produtos;

dificuldade de acesso aos mercados; descapitalização dos mesmos e inadequação do crédito à realidade local; resistência a mudanças; elevada concentração fundiária; redução das ocupações no campo; uso do terreno limitado pela topografia irregular; subutilização das casas de farinha; escassez de mão de obra e de água para consumo humano; desperdício de frutas; assistência técnica insuficiente ao pequeno produtor rural; elevada dependência das receitas de transferências de recursos (federal e estadual) e inexistência de agência bancária (EVANGELISTA, 2002).

Entretanto, muitos aspectos são identificados como potencialidades atinentes à área em questão: solos propícios a fruticultura (classe III e VII), proximidade de grandes centros consumidores, predominância de proprietários de unidades produtivas, produtores rurais com experiência em agricultura, finanças públicas equilibradas, ampliação da oferta dos serviços públicos, capacidade empreendedora em expansão, grande diversidade dos micro-negócios no município, bom estado e conservação das vias de acesso aos principais centros urbanos circunvizinhos e fornecimento de energia na zona urbana e rural.

Na dimensão sócio-cultural ressaltam-se as áreas da educação, habitação, saneamento, saúde, bem estar social, meio ambiente e cidadania, essa merecendo destaque em virtude do foco de nosso estudo (EVANGELISTA, 2002).

Como oportunidades de investimento evidenciadas, foram ressaltadas: elevada taxa de envelhecimento da população e consequente redução da força de trabalho local, início tardio da vida escolar, distorção idade/série, reduzida taxa de progressão escolar, abandono escolar na zona rural, rede escolar insuficiente, distribuição heterogênea da população na área rural, baixa qualificação profissional, alta taxa de analfabetismo (sobretudo na população rural), baixa eficiência do Programa de Educação de Jovens e Adultos, corpo docente insuficiente para atendimento da demanda educacional do município, precárias condições de habitabilidade dos domicílios (34,5% sem banheiros e/ou sanitários; falta da rede geral de esgotos, em alguns casos usam-se fossas rudimentares; baixa cobertura da coleta de lixo; precário abastecimento de água tratada para uso domiciliar; más condições de higiene dos domicílios; maioria dos chefes de família sem, ou com baixo nível, de instrução; alto índice de doenças crônico degenerativas, etilismo, desnutrição e mortalidade infantil; inexistência de serviço de emergência hospitalar no município; estruturas de apoio precárias à realização das ações sócio-

comunitárias e inexistência de pessoal qualificado para trabalhar com a população de idosos (ibid.).

Alguns aspectos são considerados potencialidades pela possibilidade de melhoramento e consequente ampliação do atendimento, tais como: expansão dos investimentos em educação; implantação de programa de habilitação de professores leigos; criação e implantação do Conselho Municipal de Educação; projetos de melhorias habitacionais; ampliação do Programa Saúde da Família a todas as áreas do município; cobertura vacinal acima de 90% para a maioria das vacinas; redução progressiva e acelerada da taxa de mortalidade infantil; existência do Conselho Municipal de Saúde, Plano Municipal de Saúde, Conselho Municipal de Assistência Social e Plano Municipal de Assistência Social (EVANGELISTA, 2002).

De acordo com Evangelista (2002), no aspecto do exercício da cidadania e participação sócio-política no espaço local, identificamos uma série de problemas que ocorrem também em outras localidades do território nacional: criação de associações apenas para atender organismos governamentais no financiamento de projetos comunitários; falta de cultura associativa da população; desconhecimento por parte dos conselheiros sobre a política pública da qual é co-gestor; pouca disponibilidade dos conselheiros; capacitações insuficientes para conselheiros e com carga horária reduzida comprometendo o desempenho da função; limitado nível de organização comunitária da população. Entretanto, o funcionamento de muitos Conselhos Municipais abrangendo quase todas as áreas com gestão social da administração pública, assim como a existência de associações de pequenos produtores rurais em todas as comunidades ou agrupamentos de comunidades, são relevantes para a dinâmica do município, mesmo sem estarem cumprindo plenamente o papel ao qual se destinam.

No que diz respeito à questão ambiental são identificadas áreas de desmatamento em virtude da expansão da pecuária; solos susceptíveis a erosão; contaminação da água e do solo; insuficiente armazenamento de água no subsolo e falta de consciência ecológica dos produtores rurais e da população em geral. Contrapondo-se a esses problemas é importante ressaltar a ausência de agrotóxicos nas culturas agrícolas desenvolvidas no município; predominância de solos de qualidade com classificação III de aptidão agrícola susceptível a erosão moderada e, sobretudo, a existência de líderes locais preocupados com as questões ambientais. Esses aspectos são extremamente positivos para impulsionar um processo de

reflexão com visão de futuro, tomada de consciência e mudança de atitude (EVANGELISTA, 2002).

3.2.2 Nova Olinda

O município de Nova Olinda foi criado por meio da lei nº 2.668 de 22 de Dezembro de 1961 e emancipado politicamente em 25 de outubro de 1962. Localizado na mesorregião do sertão paraibano, microrregião do Piancó, dista 432.70 Km da capital, tem uma área de 84.25 Km² e faz limites com os respectivos municípios: a oeste, Pedra Branca; ao sul, Princesa Isabel e Tavares; a leste, Juru e ao norte e nordeste, Santana dos Garrotes (IBGE, 2005; FAMUP, 2005; CPRM, 2005).

Nova Olinda tem 6.457 habitantes distribuídos entre as zonas urbana e rural respectivamente: 3.169 e 3.288 e o IDH é de 0,605. Desse total, o número de alfabetizados com idade igual ou superior a 10 anos é de 3.256, o que corresponde a uma taxa de alfabetização de 65,9% (ibid.).

A cidade contém cerca de 1.432 domicílios particulares, dos quais 787 possuem sistema de esgotamento sanitário, 880 são atendidos pelo sistema estadual de abastecimento de água e 744 dispõem de serviço de coleta de lixo.

No setor de saúde o serviço é prestado por 1 (um) hospital com 22 leitos e 3 (três) unidades ambulatoriais, e 3 (três) unidades do PSF sendo 2 (duas) na zona rural e 1 (uma) na zona urbana. Os serviços educacionais são prestados por 16 estabelecimentos de ensino fundamental distribuídos entre a zona urbana e rural.

No setor secundário existem apenas 47 empresas atuantes com CNPJ, entretanto o setor primário ocupa lugar de destaque, pois a agricultura é a principal atividade econômica do município.

Um aspecto a ser destacado é que o município está inserido no denominado “Polígono das Secas”, onde em determinados períodos do ano o abastecimento de água para consumo humano e animal passa por uma série de dificuldades, pois as estações climáticas determinantes restringem-se ao verão e ao inverno (CPRM, 2005).

A bacia hidrográfica do município é a do Rio Piranhas, sub-bacia do Rio Piancó, contando ainda como afluentes os riachos Campos, Canoas e Gravatá.

Entretanto o principal corpo de acumulação de água na região é o açude Saco, com capacidade de acumulação de 98.000.000 m³ de água, do qual muitos habitantes da zona rural dependem para a irrigação de suas culturas (ibid.)

O problema que mais compromete a economia é a dificuldade para o escoamento da produção local, em virtude do péssimo estado de conservação da estrada que dá acesso ao município de Piancó e áreas adjacentes.

Benzer Belgeler