A promoção da adesão a qualquer que seja o regime terapêutico é um desafio para os profissionais de saúde e foi sem dúvida para mim um objetivo a alcançar.
A avaliação funcional do doente permite o diagnóstico de défices nos requisitos de autocuidado nomeadamente dos de desvio de saúde relacionados com a adesão terapêutica.
A partir desta avaliação o EEER concebe planos de intervenção de modo a capacitar a pessoa para o exercício do seu autocuidado.
Relativamente á promoção da adesão da pessoa com DPOC à VNI são de extrema importância as intervenções educacionais, bem como as implícitas na prevenção de complicações.
No final de mais uma etapa académica considero que o percurso trilhado permitiu a mobilização e consolidação de conhecimentos teórico-práticos contribuindo para o desenvolvimento das competências técnico-científicas, relacionais e reflexivas próprias de EEER.
No entanto, penso não se tratar de um final estanque mas de um caminho cheio de bifurcações e possibilidades de desenvolvimento pessoal e profissional que espero vir a percorrer.
Existiram condicionalismos iniciais que tiveram alguma influência negativa no alcance dos objetivos propostos, mas que felizmente foram ultrapassados.
O estágio realizado na UIR perspectiva-se ser rico em experiências e no desenvolvimento das competências de EEER, nomeadamente, no que se refere à intervenção junto dos doentes submetidos a VNI. Contudo, por motivos, que se prenderam com o número reduzido de doentes com DPOC submetidos a VNI internados no período de estágio e com o facto de ter prestado cuidados, fundamentalmente, em contexto de Unidade de Cuidados Intermédios, em fase de agudização da doença e instabilidade clínica; os subsídios que consegui retirar para responder à problemática em questão ficaram aquém do esperado, felizmente isso
pôde ser colmatado durante o estágio que ocorreu no HDP. A possibilidade de prestar cuidados em contexto domiciliário, mais próximo da realidade específica de cada doente, permitiu o desenvolvimento de estratégias efetivas para a promoção da adesão à VNI.
Considero ter atingido os objetivos propostos e ter realizado um bom percurso de estágio.
Gostaria de referir, ainda, que durante a realização do presente relatório pude participar no congresso internacional de enfermagem de reabilitação, realizado de 27-29 de Março de 2014 na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra subordinado ao tema “A pessoa, função e autonomia: reabilitar nos processos de transição” (anexo IV).
Destaco a sessão plenária com o tema “Enfermagem de reabilitação: impacto nas pessoas, nas famílias e na comunidade/ganhos em saúde” onde se deu ênfase à intervenção do EEER nos diferentes contextos de atuação, desde um serviço de reabilitação propriamente dito até uma situação de catástrofe (onde seria pouco provável falar-se de reabilitação). A comunicação sobre “Adesão e empowerment – que relação: análise e reflexão a partir de um estudo sobre a adesão à ventilação não-invasiva no domicilio” trouxe subsídios para a realização deste relatório no sentido de reforçar a importância que o EEER deve dar à crenças. motivação e força de vontade das pessoas como fatores preditivos da adesão a um regime terapêutico. Na sessão plenária com o tema “Autocuidado: funcionalidade e cognição – que intervenção?” ouvi pela primeira vez falar no conceito de humanitudeXXIII o qual suscitou em mim grande curiosidade pelo que pretendo no futuro aprofundar o seu significado e quem sabe seguir esta filosofia de cuidados.
Pude ainda frequentar 3 Workshops “Bandas, Neuromusculares”, “Drenagem linfática” e “Ventilar/expectorar: Inovações tecnológicas” (Anexos V, VI e VII). Neste último pude ter contacto pela primeira vez com o “Vest” um equipamento (colete) que promove a mobilização de secreções através da oscilação de alta frequência da parede torácica.
Pude também frequentar, dia 30 de Março de 2014, a primeira fase do curso
XXIII
O conceito Humanitude é definido por Yves Gisneste e Rosette Marescotti como sendo o “conjunto de elementos que fazem com que uma pessoa se sinta a pertencer à espécie humana, reconheça outro ser humano como pertencendo à mesma espécie e seja reconhecida como tal”. Os principais sinais de apelos de humanitude são: a verticalidade, o olhar, a palavra, o toque, o sorriso, o vestuário. Acedido em Junho 2014 em http://www.humanitude.pt/?page_id=26
de formação no âmbito da cessação tabágica, promovido pelo Departamento de Saúde da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia e pela Associação Internacional de Temperança. Esta formação é específica para profissionais de saúde que pretendam ser dinamizadores do “Breathe-Free: o plano para deixar de fumar”, um programa gratuito, promotor da desabituação tabágica com apoio psicológico e médico. É composto por três fases, uma teórica e 2 práticas de implementação do programa de forma acompanhada e autónoma. Sendo o tabagismo uma das principais causas de diversas doenças (respiratórias, cardiovasculares, oncológicas, etc), posso enquanto EEER desenvolver atividades no apoio aos indivíduos que queiram deixar de fumar, tendo este curso contribuído para cimentar conhecimentos e estratégias nesta área. Pretendo ainda este ano proceder à 2ª fase do mesmo.
Ao perspectivar o futuro espero continuar o percurso iniciado neste mestrado. Penso que ele passa inevitavelmente pela prestação de cuidados a recém-nascidos, por isso espero ser possível desenvolver as minhas competências de EEER nesta área, realizando um estágio profissional num serviço de neonatologia em que existissem EEER (para já está a ser complicado encontrar um serviço que cumpra este requisito). No entanto, não gostaria de “abandonar” os cuidados a indivíduos adultos, um vez que foi por onde comecei o meu percurso profissional há 12 anos, e que pude reencontrar durante este mestrado.