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Kayıtlı İstihdama Geçişte Etkin Denetim Modellerinin Araştırılması

1. TÜBİTAK PROJELERİ

1.2. Kayıtlı İstihdama Geçişte Etkin Denetim Modellerinin Araştırılması

A sociedade tem o direito de exigir contas a qualquer agente público de sua administração (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO, 1789).

No período 1997-2000, o Fórum Permanente de Saúde de Aracaju do qual o Mops/SE é membro-partícipe, publicava severas críticas a gestão pública da saúde do município, de acordo com o documento-denúncia, o citado Fórum destacou que o mérito da saúde local tem sido o de “desenvolver o clientelismo e o assistencialismo na saúde” e, continua o texto: “a saúde hoje é uma área sem controle social cujo final é a burocratização, a terceirização, coberta sob o manto da corrupção (...) é alvo de denúncias, descalabros administrativos e maracutaias”. O Fórum se posicionava contra a permanência da gestora municipal da saúde exigindo uma gestão que respeite os usuários e que mantenha uma relação de proximidade com os movimentos sociais, pois de acordo com o referido documento a gestão “perseguiu os movimentos populares até desmantelou o controle social (...) não realizou nenhum avanço na área de prevenção – mesmo com a implantação do plano de saúde da família-PSF (...)”. No entanto, ainda que com toda a manifestação contrária a continuidade da gestão, inclusive com denúncias no Jornal do Estado de São Paulo a respeito da situação, a gestora permaneceu no cargo durante todo o tempo oficial.

Percebe-se no teor do documento publicado pelo referido Fórum, uma diversidade de sujeitos sociais que interagem no espaço local com distintos interesses político-ideológicos, essa situação explicita o tensionamento nas relações entre os gestores e os movimentos sociais, época em que Aracaju dava início ao processo de municipalização da saúde com a ampliação do controle social. Por outro lado, demarca os desafios em se ampliar a participação numa luta “por dentro do Estado”.

O Mops/SE com o entendimento sobre o seu papel mobilizador, defensor dos princípios do SUS e co-responsável pela construção de um projeto popular e democrático, apresentou a sociedade sergipana um documento intitulado “Propostas de Saúde para os Candidatos a Governador, a Deputados Estaduais e Federais das Eleições 2002”. O referido documento reafirma o preceito constitucional de que a saúde é direito da população e que deve ser garantido por meio da implementação de diversas políticas com a participação da população. Destaca que o Estado de Sergipe se encontra na posição de 2º colocado no que se refere à mortalidade infantil no Nordeste, com um coeficiente de 53,08%, o que sugere uma ação urgente quanto ao encaminhamento da questão. O documento ainda propõe ações às seguintes questões: População e Governo em defesa da vida; Financiamento da saúde; Combate às endemias, Mobilizações populares, Recursos tecnológicos para a melhoria da saúde; Saneamento, Políticas especiais de atenção integral a saúde (mulher, bucal, mental, doenças crônicas, portadores de deficiência); Idoso; Trabalhador; Violência; Serviços de Saúde; Materiais e Medicamentos; Valorização profissional; Implementação da Fitoterapia na rede pública de saúde; Capacitação dos profissionais em saúde pública e alternativas na área de saúde.

Contudo, apesar do esforço do movimento no sentido de contribuir com a gestão estatal em Sergipe, as suas propostas não tiveram ressonância junto às autoridades, pois em nenhum momento o Mops/SE foi convidado para discutir coletivamente os rumos da saúde pública no Estado. Mas, os militantes não esmorecem se articulam em redes, organizam mobilizações, participam de eventos, segundo eles, “fazem acontecer”.

Uma das frentes de luta do movimento vem sendo a questão da participação e controle social da população negra, nessa direção realizou nos dias 14 e 15/09/2007 um Seminário na cidade de Poço Verde/SE110, oportunidade em que se

110 O município de Poço Verde fica situado a 145 km da capital, os militantes do Mops/SE residentes em Aracaju viajaram de ônibus cedido pela prefeitura de Poço Verde e ficaram alojados em escola pública aos arredores do local onde aconteceu o seminário. O evento contou com a participação da representante da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Seppir Denise Antônia de P. Pacheco a qual informou que no dia 20/11/2003 a Seppir e o Ministério da Saúde assinaram um termo de compromisso para formular e implantar a Política Nacional da Saúde da População Negra com o objetivo de reduzir os diferentes graus de vulnerabilidade a que este segmento está sujeito decorrente principalmente dos fatores sócio- econômicos e da discriminação. O documento foi embasado no Plano Nacional de Saúde e contou com a participação do movimento negro e dos gestores envolvidos com a questão racial em todo o

discutiram os desafios de se contemplar nos princípios do SUS o atendimento as peculiaridades da saúde da população negra no tocante ao grande número de portadores da doença anemia falciforme111. Conforme declarações de Altair Lira,

presidente da Federação Nacional das Associações de Doenças Falciformes – Fenafal, as estimativas do Programa Nacional de Triagem Neonatal do Ministério da Saúde indicam que a cada ano nascem cerca de 3,5 mil crianças portadoras de doença falciforme no Brasil e que 20% destas não atingirão a idade de 5 anos devido às complicações causadas pela doença. Alertou ainda que decorrente do grau de miscigenação do país há muitas pessoas de pele clara com a doença, no entanto, estão sendo tratadas a partir de outro diagnóstico, por conta do total desconhecimento médico, agravando desta maneira o seu quadro clínico.

De certo, um dos grandes desafios do movimento é trazer essa discussão para o centro das atenções, com uma tendência muito forte ao racismo, o Brasil amarga as conseqüências sociais trágicas do período escravocrata, quando relegou um imenso contingente populacional a condições precárias de sobrevivência, essas não só relativas a pobreza, mas fundamentalmente a posturas discriminatórias ainda presentes no repertório de comportamentos da sociedade.

Com o objetivo de preparar os conselheiros e delegados eleitos para a VIII Conferência Municipal de Aracaju, o Mops/SE organizou no dia 17/09/2007 uma Plenária Preparatória. Um dos assuntos112 privilegiados foi relativo à questão da doença falciforme, tendo em vista que o alerta que foi dado durante a realização de Seminário na cidade de Poço Verde. E aqui não passou desapercebido o alto grau país e também nas diretrizes definidas e incorporadas ao Plano Plurianual de Investimento – PPA 2004/2007, considerando-se o destino de R$ 2 milhões anuais exclusivamente à gestão e ao apoio á descentralização dessa política; contou também com a participação de representantes do Ministério da Saúde.

111 A doença falciforme é caracterizada por uma alteração sanguínea que causa anemia crônica, dores generalizadas e icterícia. Atinge principalmente as pessoas de origem africana. Há também um número muito grande de pessoas que carregam o gene da doença. A melhor forma para detecção da doença é o teste do pezinho, embora não tenha cura, entretanto, quanto mais cedo o diagnóstico poderá haver um melhor controle da mesma.

112 Durante a realização da Plenária, houve um grupo de pessoas com formação acadêmica que questionou a inclusão da doença falciforme na pauta, acusando os organizadores de estabelecer foro privilegiado de discussão e encaminhamento de questões de um grupo ferindo assim os princípios do SUS. Para a representante da Seppir, Denise Antônia P. Pacheco, presente no evento esclareceu que esse tipo de comportamento “demonstra um total desconhecimento do processo de miscigenação no Brasil, além da falta de entendimento sobre os fundamentos do SUS” Note-se que desde 2004, o governo federal criou a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme.

de discriminação por parte de alguma pessoas que são conselheiras, ao questionar por exemplo “por que tanto enfoque nessa questão, se o SUS já atende todo mundo?”, esse questionamento sinaliza inclusive o desconhecimento do próprio conselheiro sobre os princípios do SUS.

A referida plenária contou com a participação da vereadora Rosângela Santana e da deputada estadual Conceição Vieira, a convite do movimento, as quais se prontificaram a encaminhar projeto de lei sobre a doença falciforme.

Nessa direção, posteriormente se aprovou na Câmara Municipal de Aracaju por meio de requerimento de projeto de lei 119/07 da citada vereadora, o Programa de Diagnóstico, Prevenção dos Agravos, Assistência Médica Integral e Orientação Educacional às pessoas portadoras de Doença Falciforme.

As ações em defesa do SUS ganharam mais um aliado em Aracaju com o lançamento no dia 29 de outubro de 2007 no mercado Albano Franco do Fórum Popular de Saúde113, espaço que congrega várias organizações da sociedade civil com o objetivo de lutar por uma saúde pública e de qualidade, além de manter uma vigilância constante sobre as ações dos gestores, especificamente se essas condizem ou destoam dos anseios da população quanto aos serviços públicos de saúde. Na verdade se cultiva uma participação da sociedade fora dos moldes da “participação institucionalizada”.

Durante a mobilização, foi feita panfletagem de conscientização enquanto o cortejo passava pelo calçadão da Rua de João Pessoa no centro da cidade, ao som do grupo Axé Quizomba e com os militantes carregando bonecos gigantes que empunhavam placas com palavras de ordem e em defesa do SUS.

Na atividade de elaboração do Planejamento do Mops/SE para o ano de 2008, ocorrido no dia 24 de janeiro, os militantes presentes identificaram no item

113 As organizações que participam do Fórum são: Movimento Popular de Saúde de Sergipe – Mops, Membros dos Conselhos de Saúde (Socorro, São Cristóvão, Aracaju, Barra dos Coqueiros), Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular – Aneps, Movimento dos Trabalhadores Urbanos, Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Sergipe – Sintufs, Sindicato dos Terapeutas do Estado de Sergipe, Associação dos Naturopatas de Sergipe, Sacema, Movimento Negro Unificado – MNU, Conem, Sociedade de Estudos Étnicos, Políticos, Sociais e Culturais (O Molayé), Organização de Mulheres Negras Maria do Egito – Omin, Axé Quizomba, Fórum Permanente de Ong/Aids de Sergipe. O lançamento do Fórum Popular contou com o apoio das seguintes organizações e autoridades: Coordenação Estadual das Políticas da Igualdade Racial – Coppir, Um Lugar ao Sol, Sindicato dos Bancários, Central Única dos Trabalhadores – CUT, Quilombo, Fundação de Cultura de Aracaju – Funcaju, Sindicato dos Previdenciários – Sindiprev, Associação de Diabéticos Juvenis de Sergipe – ADJ, Sindicato dos Médicos, vereadora e deputada do Partido dos Trabalhadores – PT Rosângela Santana e Conceição Vieira, respectivamente.

análise de conjuntura problemas internos relativos a pouca participação dos mopistas nas atividades desencadeadas pelo movimento, o que também foi percebido em nível externo ao se enfatizar a pouca participação da população em geral nas questões referentes à defesa dos seus direitos sociais. Para a coordenadora do Mops/SE, essa problemática tem raiz no processo histórico da formação sócio-política da população brasileira: “A forma de participação das pessoas por dentro dos serviços de saúde é recente. O período pós-revolução é muito novo. Ainda existe na sociedade o resquício da ditadura militar” (SIMONE LEITE).

O exercício político do Mops/SE de elaborar um planejamento das suas atividades sugere a realização de um trabalho político que busca fugir do espontaneísmo, ao refletir sobre a conjuntura e ao identificar os aliados e os opositores vai tentando descortinar o emaranhado das contradições que perpassam o cotidiano das suas lutas buscando compreender qual a “melhor forma de agir”, embora muitas ações aconteçam sem um planejamento prévio tendo em vista a dinamicidade da realidade social.

A respeito do exercício da participação política, o Mops/SE vem se debatendo com os acontecimentos ocorridos durante a realização da VIII Conferência Municipal de Saúde de Aracaju114 nos dias 14, 15 e 16/09/2007 e da Conferência Estadual de Saúde. A fala do militante mopista Marcelo que ocupou assento no conselho é reveladora dos princípios que nortearam a realização da Conferência Municipal: “muitos delegados entraram mudos e saíram calados, não houve espaço para discussão (...) nós praticamente fomos lá somente para referendar”.

Essa situação tem relação com as reflexões de Francisco de Oliveira (2000) sobre os limites da democracia no Brasil, ao exemplificar a destituição da fala, a anulação política, além da privatização do público como elementos basilares para a consolidação das medidas neoliberais no país. Dessa feita, fica difícil compreender como se dá a gestão compartilhada de poder nos diversos níveis dos serviços

114 A VIII Conferência Municipal de Saúde de Aracaju aconteceu nas dependências do Hotel Parque dos Coqueiros no bairro Atalaia que é turístico e praiano. Para os mopistas e vários outros representantes de movimentos, a realização da Conferência em local afastado do centro da cidade dificulta sobremaneira a participação das pessoas nessas instâncias políticas de discussão e decisão sobre as suas vidas no tocante ao redesenho da política de saúde no município.

públicos de saúde, nos conselhos e como de fato se pode modificar o modelo assistencial de saúde em vigor.

Os questionamentos sobre a condução da conferência ocorreram também do lado de fora115, muitos conselheiros foram alijados do processo, dentre os quais um dos mopistas que também é conselheiro de saúde pelo município e integra a Grande Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, vejamos o seu depoimento:

Isso aqui está um absurdo, sou delegado com votação e o meu nome nem consta na lista da conferência, e chego aqui e sou barrado (...) está se ferindo o direito de ir e vir, qualquer cidadão pode participar de um evento que acontece com o dinheiro público, a participação foi cerceada (GIVON NEO).

Foram muitas as reclamações, segundo declaração de uma conselheira local suplente que também não conseguiu entrar no auditório, esse era o momento da comunidade participar acompanhando as discussões e os encaminhamentos e, no entanto, as portas estão fechadas, “mas durante a abertura ontem à noite tudo foi muito diferente, trouxeram entre cinco e seis ônibus para encher esse auditório, encheu aí de figurante. (...) tudo figurante. Agora é que é hora da comunidade participar a gente é barrado”, desabafou a conselheira.

Contudo, os questionamentos sobre a condução da conferência não pararam por aí, pois ao discorrer sobre o tema Pacto pela Saúde: Construindo a Cidadania, o Secretário Estadual de Saúde, representando o Governador do Estado, anunciou que Sergipe está fazendo a sua Reforma Sanitária e dentre vários projetos encaminhará lei sobre a organização gerencial do Estado, conforme declaração a seguir:

E os Estados não fizeram suas Reformas Sanitárias. Qual é o papel do Estado? Então, neste momento nós estamos diante de um desafio que é fazer no Estado o que os municípios já iniciaram e já estão quase na fase de consolidação... E o que é que é a Reforma Sanitária? Tornar o sistema atual capaz de atender os interesses do povo, capaz de dar acesso, capaz de garantir a todos os exames e serviços que uma pessoa que não tem todos os serviços, garantir que ela tenha suas necessidades atendidas e que não fique perambulando. Nesse sentido, nós estamos a público nesse mês de setembro, a gente encaminha para a Assembléia

115 Estive presente na referida conferência e não utilizei os créditos de pesquisadora vinculada à academia, estava lá como uma pessoa da comunidade que queria participar, mas também fui barrada. Aproveitei então para no hall do auditório conversar com os conselheiros barrados e colher alguns depoimentos; somente após uma hora de confusão no lado de fora é que as portas se abriram facultando o acesso ao evento.

cinco Projetos de Lei. O primeiro Projeto de Lei é sobre o Conselho Estadual de Saúde que foi criado por decreto em 94 e não estabelece, não é paritário. Ele não tem metade de usuários, de trabalhadores e de gestores. O segundo, nós não temos uma Lei de fundo nacional de saúde de custos direto do fundo estadual a fundo para que a gente possa financiar as políticas nos municípios, induzindo programas. Tirar o controlismo contábil, ou seja, controle de dinheiro e todas as metas do que está sendo feito pra atender as necessidades de saúde da população, então essa é a segunda lei que nós estamos mandando é lei que vai garantir o repasse de recursos para os municípios. A terceira lei é sobre a organização gerencial do Estado... É óbvio que esse debate vai acontecer e que as pessoas vão falar que é privatização e isso e aquilo... O que é que nós estamos propondo? As Fundações Estatais. O que é uma Fundação Estatal? É o mesmo que a Caixa Econômica.

Portanto, foi nessa direção que o Secretário de Saúde buscou o convencimento do público presente a conferência quanto aos benefícios gerados à sociedade por meio das Fundações. Ao estabelecer um paralelo entre a Caixa (instituição bancária) e as Fundações, quis afirmar que o Estado se apresenta com uma faceta moderna ao aumentar a sua capacidade gerencial, tornando mais ágeis os processos de controle, de compra e manutenção de equipamentos e assegurando a transparência nos investimentos realizados nos diversos setores da saúde. Convém ressaltar que não ocorreu nenhum evento público organizado pela gestão no sentido de discutir essas questões de forma conjunta com os usuários, com os movimentos sociais e com os trabalhadores da saúde, ou seja, com a sociedade em geral, mas a informação é de que o projeto será enviado para o legislativo para aprovação, é a velha fórmula “prussiana” de administrar a coisa pública: as decisões passam bem longe do crivo popular.

A pesquisadora Luciana Tatagiba (2003, p. 174) anota que o modelo gerencial vem sendo uma “importante ferramenta de gestão na área social”, e como se pode notar os gestores do Partido dos Trabalhadores em Sergipe parece que vão experimentar conjugar uma administração “popular” com o citado modelo.

Para os mopistas, as notícias de que em vários pontos do país já estão sendo instaladas as fundações, veio de encontro a todo um acúmulo da luta histórica pela construção e consolidação do SUS no país. O presidente do Conselho Nacional de Saúde Francisco Júnior, um mês antes de ocorrer a Conferência Municipal de Saúde em Aracaju, se manifestou como totalmente

contrário a idéia como se pode verificar em sua fala durante a realização do I Curso sobre Controle Social116:

A Fundação Estatal é uma proposta escandalosa do ponto de vista mercantilista. A idéia de pagar salários de acordo com a lei de mercado, acabar com estabilidade do trabalhador da saúde o que o deixará refém do gestor de plantão, dentro do mesmo serviço os mesmos profissionais terão salários diferenciados, desrespeito a população brasileira, num debate eminentemente ideológico (...) Isso não aconteceu nem no tempo de Bresser Pereira.

De acordo com Francisco Júnior, o SUS foi aprovado no Brasil na contramão da proposta que dominava o mundo que era a idéia do Estado Mínimo onde o mercado a tudo regula. Ressalta que o SUS é um sobrevivente, apanhou muito durante a década de 1990 e que hoje padece de graves problemas, dentre eles a existência de trabalhadores no SUS que foram contratados “de boca”, atropelando assim o regime estatutário público; a terceirização da força de trabalho e da gestão é uma forma absolutamente irresponsável que foi adotada na rede de serviços e que é utilizada para fazer acordos políticos e partidários, a exemplo de diretores indicados por vereadores.

A criação das Fundações Públicas de Direito Privado117 é um dos eixos de

luta dos mopistas. O entendimento de que a sociedade precisa se mobilizar de forma articulada e urgente para barrar esse movimento privatista é destacado por uma das fundadoras do Mops/SE, a pernambucana Tereza Ramos, na seguinte forma:

E agora com as Fundações (...) aquilo dá um medo enorme e isso a gente tá discutindo em Pernambuco, tem uma patota grande e o pior que tem grandão defendendo essa idéia (...) então, se a gente da população em geral, os movimentos sociais, só nós vamos puder barrar (...) eu estive numa reunião em Campo Limpo, em São Paulo, agora recentemente no

116 O I Curso sobre Controle Social aconteceu no dia 20/08/2007 no auditório do Hotel Parque dos Coqueiros e foi organizado pela Federação Nacional de Diabéticos/Sergipe e contou com o apoio do Mops/SE, Conselho Nacional de Saúde, Sindicato dos Médicos, OAB/Sergipe, Prefeitura Municipal de Aracaju e Governo do Estado de Sergipe.