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Kayıtdışı Ekonominin Büyüklüğü

1.4. Dünya’da İşsizlik ve Kayıtdışı İstihdam

2.1.5. Kayıtdışı Ekonominin Büyüklüğü

Desde que ingressei em um instituto de ensino superior, no interior do estado do Rio Grande do Sul, interrogo a ausência da prática de pesquisa enquanto elemento constitutivo da

3 Matéria postada no dia 2 jul 2011. Disponível em: <http://nodebatepublicado.wordpress.com/2011/07/page/2/>.

Acesso em: 03/08/2011.

4 Notícia divulgada em fev 2011. Disponível em:

<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=noticias&Itemid=86&params%5Bsearch_relev ance%5D=o+%C3%A0+titula%C3%A7%C3%A3o+dos+professores+universit%C3%A1rios&params>. Acesso em: 05/08/2011.

formação profissional. A resposta dada pela instituição sempre foi de que quem faz pesquisa é a universidade, sendo que os centros universitários não dispõem de tempo nem dinheiro para investir nisso. Essas considerações levaram-mea pensar nas diferentes realidades de formação universitária existentes em um mesmo país.

A universidade brasileira passa por um processo de transformações. Uma mudança considerável diz respeito à distribuição de vagas entre a instituição pública e a instituição de ensino privada. Segundo dados do MEC, até a metade da década de 60, as instituições públicas respondiam por 65 % das vagas, enquanto as instituições privadas ficavam com 35 %. Atualmente, a realidade aponta a inversão desses números, a pública é responsável por 25% das vagas enquanto a privada por 75% das vagas do ensino superior5.

Alguns autores, como Marrach (1996), Fávero (2006), consideram que as mudanças ocorridas na universidade brasileira se devem às influências do pensamento neoliberal. Na lógica neoliberal, a educação é tratada como mercadoria e a universidade como o lugar de produção de profissionais para dar conta do mercado. Os números apresentados anteriormente corroboram essa tendência na universidade.

Enquanto a instituição privada dedica-se ao ensino, a instituição pública brasileira fica responsável quase absoluta pela qualificação docente em nível de mestrado e doutorado, como também por mais de 90% das pesquisas desenvolvidas no país. A seguir, apresento alguns dados referentes à realidade da pós-graduação e da pesquisa no Brasil levantados pela Comissão de Defesa da Universidade Pública, que foi instituída junto ao Instituto de Estudos Avançados (IEA), por solicitação do reitor da Universidade de São Paulo no ano de 19986.

 Com apenas 33,5% das 1.868.529 matrículas em ensino superior, as universidades públicas contam com 77,2% dos docentes com doutorado e com 83% dos docentes em tempo integral.

 87,1% dos cursos de mestrado e 89,2% dos cursos de doutorado são oferecidos pelas universidades públicas.

 De 3.918 grupos de excelência I e II identificados pelo CNPq, 78,3% são de universidades públicas e 5,2% de entidades públicas isoladas. Em 162 auxílios aprovados no Programa de Apoio aos Núcleos de Excelência (Pronex), 82,1% foram para grupos de universidades públicas e 135 para institutos públicos de pesquisa.  Das 45.781 publicações por docentes de pós-graduação, 91,5% provêm de

instituições públicas. Em publicações no exterior, 94,75% correspondem a instituições públicas.

 Dos 144 projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo Fapesp) em que se identificaram impactos de natureza científica, social e

5 Disponível em: <http://www.fisica.uel.br/SBPC_LD/unipub.html>. Acesso em 03 fev 2011. 6 Disponível em: <http://www.fisica.uel.br/SBPC_LD/unipub.html> Acesso em 03 fev 2011.

econômica, 97,2% foram desenvolvidos em universidades e institutos de pesquisa públicos. (IEA, 1998)

Enquanto o aluno na universidade pública tem, ainda que de modo reduzido, acesso à pesquisa, à iniciação científica desde o nível da graduação, o mesmo não acontece com o aluno de um centro universitário ou de uma faculdade independente, cujo acesso é quase nulo.

Esse aspecto é relevante para a presente tese, visto ser esse o caso da aluna cuja produção será tomada como corpus. Apesar de ter cursado uma licenciatura em matemática na graduação, ela não realizou iniciação científica, nem escreveu um trabalho de conclusão de curso. Assim, sua primeira experiência com a pesquisa é a produção da monografia de conclusão de curso da pós-graduação.

É possível pensar que a formação de Joana está referenciada na ideia de que a universidade prepara o profissional prioritariamente para o mercado de trabalho. Essa proposta de formação é marcada pelos ideais neoliberais, ideologia dominante na contemporaneidade, como já discutido neste trabalho.

Assim, a constituição da pós-graduação lato senso, atualmente no Brasil, está associada às necessidades do mercado, o qual requer cada vez mais um profissional qualificado, portador de diplomas acadêmicos. A própria Joana busca um curso de pós- graduação em função da demanda de sua escola para aperfeiçoar seu quadro docente, cujo objetivo é uma maior titulação dos docentes. Por esse motivo, a escola básica, como uma unidade da rede da própria faculdade, acabou sendo uma consumidora em potencial dos cursos oferecidos pela própria instituição de ensino.

Tratou-se, portanto, da implementação de uma capacitação que tem por objetivo dar conta das exigências do MEC, sem se ocupar com as implicações da formação do educador e seus efeitos na direção das aprendizagens de seus alunos. O que nos leva a considerar um título de pós-graduação mais como um acessório do que um espaço de construção de conhecimento. Segundo Dufour (2005, p. 148), “As instituições escolares (compreendida aí a universidade) se encontram numa missão de acolhimento de populações incertas na qual a relação com o saber se tornou uma preocupação acessória ou esporádica”.

A partir desse contexto, um dos aspectos a ser considerado neste trabalho refere-se à natureza da demanda de orientação no processo de escrita do trabalho de conclusão de curso, exigência para a obtenção de título no curso em questão. Lembremos que, conforme já afirmado, essa demanda ocorreu em um cenário em que a instituição de ensino se pautava em

uma lógica neoliberal de formação, na qual o aluno é um consumidor em busca de um título, considerado como um produto com valor no mercado.

Ressaltemos que essa posição pode ter influências na relação professor-aluno. Neste trabalho, portanto, analiso a direção dada pelo professor-orientador no sentido de não responder à lógica dominante e implicar a aluna-orientanda em um processo de responsabilização pela sua produção. Para tanto, recorri à psicanálise.

Benzer Belgeler