Journal of Social, Humanities and Administrative Sciences
KAVRAMSAL ÇERÇEVE
A pesquisa de campo foi realizada no município de Campina Grande, onde tem 25 Instituições que atendem, especificamente, às duas etapas da educação infantil, conforme estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB/96: na creche atendem-se as crianças de 2 a 3 anos de idade e, na pré-escola, as de 4 a 5 anos de idade. É importante destacar que o atendimento integral (manhã e tarde) só atinge a etapa creche. Na pré-escola, as crianças ficam na instituição meio período, manhã ou tarde. Na instituição, há 6 turmas: duas maternais (maternal I e II permanecem os dois períodos na instituição) e 4 da pré-escola ( pré-escolar I e II), cujas crianças estudam pela manhã ou a tarde.
Investigamos duas turmas do pré-escolar40 (I e II) no horário da manhã, por cerca de um ano. A escolha das turmas justifica-se porque, na especialização e no mestrado, já havíamos estudado a etapa creche (turmas maternais, na especialização e berçário no mestrado). Além disto, tradicionalmente, as turmas pré-escolares são “preparadas” para a entrada no ensino fundamental, há uma grande expectativa no que diz respeito a socializar/formar/educar as crianças, consequentemente, o controle sobre elas aumenta, implicando em um desafio maior para se constituírem como sujeitos nesta etapa da educação infantil, incitando, portanto, nossa curiosidade para investigar esta questão.
Iniciamos o processo de entrada no campo de pesquisa no dia 25 de maio de 2011. Primeiramente, fomos à secretária de educação do município de Campina Grande para solicitar a anuência a fim de realizar a pesquisa em uma das creches daquele município. Duas semanas após, recebemos o documento com a permissão para a pesquisa. A partir do mesmo, entramos com o processo no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade. Recebida a autorização,41 prosseguimos com as negociações institucionais para a realização da pesquisa de campo.
As negociações institucionais foram, de certa forma, tranquilas, isto porque fomos funcionária deste município, entramos por concurso público para o cargo de professora de educação infantil, no qual permanecemos por um tempo, até sermos convidadas para trabalhar na gerência de educação infantil, realizando, junto às professoras, formação continuada e orientação educacional. À época, estava cursando o mestrado e realizamos a pesquisa em 6 creches, sendo assim, decidimos não realizar a pesquisa nestas instituições onde já havia realizado a pesquisa de mestrado e, também, como era orientadora e ficava responsável, diretamente, por algumas creches, excluímos estas, além de duas outras que tinha trabalhado como professora. Enfim, buscamos estabelecer critérios mais objetivos na escolha da instituição.
Dirigimo-nos à gerência de educação infantil daquela secretaria a fim de sermos encaminhadas para uma creche. Explicamos a gerente quais eram os objetivos da pesquisa e que um dos critérios principais na escolha da instituição seria não conhecê-la. Neste caso, elegemos, dentre as 25 creches municipais, uma localizada no bairro de Santa Rosa. Contatamos a gestão, combinamos a visita e, após nos apresentarmos às professoras, obtivemos permissão para realizar a pesquisa naquela instituição. Procuramos, inicialmente, esclarecer com detalhes o projeto para as professoras42. Deixamos uma cópia do mesmo na
40Estaremos nos utilizando de um código para identificar as duas turmas. Utilizaremos a letra “A” e“B”. 41 Protocolo nº 180/11
42
No primeiro contato que tivemos com as professoras apresentamos o projeto e pedimos permissão para realizar a pesquisa, nas respectivas salas. Elas aceitaram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
secretaria da instituição e entregamos a declaração do Comitê de Ética em Pesquisa43.
Durante uma semana ou duas, não utilizamos o diário de campo para fazer anotações, pois estávamos nos familiarizando com o ambiente e com as pessoas e vice-versa. Quanto às fotografias, só iniciamos com elas após uns 30 dias de observação. Foi preciso muito cuidado com as professoras, para que não se sentissem invadidas em seus espaços, bem como com as crianças44, afinal, elas poderiam se sentir constrangidas por mais um adulto para vigiá-las.
Este momento inicial é crucial, porque exige do pesquisador ética. Vale ressaltar que não se pode, em nome da ciência, invadir o espaço do outro e sair julgando as práticas educativas de forma apressada e superficial. A nossa proposta é, de certa forma, invasiva, portanto, exigiu um trato especial com as professoras e com as crianças, enfim, com a comunidade escolar.
No termo de consentimento livre e esclarecido, deixamos claro que iríamos realizar uma observação sistemática das crianças e que iríamos fotografar, filmar, anotar, enfim, nossa proposta era de uma inserção prolongada naquele espaço, que pode ser entendida pelas professoras e crianças como uma invasão, pois já fomos professora de crianças e a sala de aula para nós é um espaço meio que sagrado, no sentido da organização do ambiente, da rotina, das normas estabelecidas; isto porque, na educação infantil, passamos o ano inteiro no mesmo ambiente e sempre o transformamos em um ambiente que nos identifica.
Foi notório que aquelas professoras tinham este mesmo sentimento. A professora do pré II, por exemplo, passava o dia na creche. Ali, em certo sentido, era a extensão da sua casa, embora saibamos que não devemos agir como se o fosse de fato, justamente porque aquele espaço é público, no sentido mais literal possível. As professoras se identificam tanto com o espaço e com o trabalho, que fazem cotas (consórcio de dinheiro) e todos os meses acontece um sorteio e a professora sorteada recebe 50,00 do consórcio para comprar material para sua sala de aula. Estas práticas demonstram o descaso do poder público para com a educação e a desvalorização do professor, mas demonstra, por outro lado, um forte compromisso do grupo com sua atividade profissional, com o espaço de trabalho, enfim, com as crianças e a educação infantil.
Todas as professoras, supervisora e gestora foram muito gentis, colocaram a creche a disposição para a pesquisa, assinando, inclusive, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Quanto à observação das crianças, também obtivemos, assim que iniciou as aulas, a permissão dos familiares responsáveis. Tivemos a oportunidade de reunir a maioria dos
43 Protocolo nº 0180/11. 44
Assim que iniciamos a pesquisa entramos em contato com os pais/responsáveis para apresentar o projeto e solicitar a permissão para a participação das crianças. A gestora da creche agendou uma reunião rápida no inicio do expediente e, conseguimos o contato com a maioria deles.
pais/responsáveis e falar da pesquisa: apresentamo-nos e informamos os objetivos, os métodos e técnicas, e todos, sem exceção, permitiram a participação das crianças, assinando o termo de consentimento.
O período de observação sistemática ocorreu de julho de 2011 a maio de 2012, sendo que houve muitas paralisações e até um curto período de greve, tendo em vista a luta da categoria do magistério municipal pela implantação do piso salarial nacional, além do período de recesso natalino e férias. Foram 57 visitas que caracterizamos como observações sistemáticas, totalizando cerca de 160 horas de observações, nas quais nos utilizamos, para registro dos dados, de diário de campo, câmera fotográfica e de vídeo45.
As observações foram feitas em duas turmas do pré-escolar, denominadas de turmas A e B. Realizamos 25 observações na turma A, com uma média de 62 horas e, na B, foram 28 observações, com uma média de 70 horas. É importante esclarecer que no horário da recreação, com uma duração de 30 minutos diários (de 9:00h às 9:30h), as duas turmas se encontram e ficam juntas, neste caso, foram cerca de 28 horas de observações sistemáticas das duas turmas neste momento da rotina. Além destas observações com as crianças, participamos de 4 formações/planejamento realizadas na própria instituição.