A entrevista com os atores envolvidos no processo de incubagem, por se tratar de esclarecimentos livres, permitiu ao entrevistador conscientizar-se como diferentes percepções são significativas a cada sujeito. Nesse sentido, Ludke e André (1986, p. 34) afirmam que “a grande vantagem da entrevista sobre outras técnicas é que ela permite a captação imediata da informação desejada”. Por isso, as entrevistas com os cooperados foram as mais definitivas para a análise proposta.
Na continuidade, desenvolveu-se, também, a análise qualitativa das respostas dos cooperados e dos professores envolvidos, fundamentada no roteiro de entrevista (Anexo A e B), nos documentos e nos depoimentos pertinentes à
cooperativa selecionada. Os registros orais obtidos mediante gravação eletrônica com a permissão do (a) entrevistado (a), seguiram o roteiro elaborado para a entrevista, marcado por perguntas pré-estruturadas, mas flexíveis à dinâmica desenvolvida em cada caso para alcançar sua finalidade.
Quanto à elaboração desse roteiro, seguindo os referenciais metodológicos descritos anteriormente, procurou-se englobar todas as questões contidas na presente proposta de estudo. Dessa forma, foram formuladas diversas questões que versaram sobre as seguintes variáveis: formação do cooperado (a) e experiência profissional anterior à cooperativa; inserção familiar, social e profissional anterior e atual; percepção sobre valor e ética nas relações (de trabalho, de mercado, de parcerias com outros cooperados, cooperativas e poder local); comportamentos na luta pela sobrevivência; conhecimento dos valores e princípios do cooperativismo; participação nas atividades e assembleias da cooperativa. As perguntas norteadoras ou questões de pesquisa aqui delineadas marcam diferenças com a pesquisa quantitativa, como salienta Trivinos (1987), pois perseguem respostas sintonizadas com sua natureza teórica. O aspecto qualitativo da caracterização é complementado pela abordagem quantitativa ao associar a análise documental dos objetivos e metas e dos projetos propostos para as cooperativas. Por meio das variáveis acima relacionadas pode-se imputar/perceber a observância dos valores e princípios cooperativistas.
Cumpre assinalar que, a falta de dados organizados e informações sistematizadas a respeito do objeto em questão, como apontado anteriormente, reforçou a necessidade e importância da entrevista. Assim, ela constituiu a fonte de informação mais segura, capaz de completar os dados extraídos de outras fontes e, principalmente, de revelar a aparência e o comportamento dos sujeitos, conforme se desejava. Tudo isso, outras técnicas de coleta de dados não permitiriam.
Quanto ao convite aos cooperados para participarem da entrevista, pode-se dizer que foi muito bem recebido por todos. As quatro primeiras entrevistas realizaram-se na sede da cooperativa, com os cooperados em atividade. Depois, foram marcadas, por telefone, as demais, na residência das cooperadas, hoje afastadas por problemas de saúde, mas muito atuantes no trabalho desde o início da cooperativa e comprometidas com o projeto da cooperativa. Nas entrevistas realizadas nas residências é que foram encontrados, casualmente, outros cooperados egressos da Cooperativa e que dispuseram-se a colaborar na pesquisa.
Nesse caso a entrevista realizou-se na empresa dos ex-cooperados. Nenhum dos entrevistados fez qualquer objeção em gravar a entrevista e todas transcorreram na maior cordialidade, com a ressalva de desligar quando solicitado, o que ocorreu, como já dito, apenas uma vez.
Todavia, a maior dificuldade para a realização das entrevistas se deu na própria Incubadora da UFPR: embora fosse marcado e confirmado várias vezes o horário, não havia a contrapartida esperada. Foram várias tentativas de horários e dias combinados sem o retorno esperado e, muitas horas de espera, tanto de informações solicitadas, quanto de telefonemas ou em e-mails enviados.
Em relação ao tipo de entrevista adotada, optou-se pela semiestruturada, com questões abertas e gerais, para permitir ao entrevistado discorrer e verbalizar seus pensamentos, posicionamento e opiniões sobre o assunto. Para Rosa e Arnoldi (2006, p.41), existe uma simultaneidade de interlocuções entre entrevistador e entrevistado quando penetram cada um na existência do outro. O entrevistador tenta alcançar, nesse quase monólogo, um conhecimento que o outro não possui, mas vivencia. Para as autoras, é imprescindível que o entrevistador tenha, como ponto de partida, a visualização do contexto externo, cultural e histórico no qual o sujeito a ser pesquisado está inserido, além dos elementos que considera internos à situação da entrevista: entrevistador, entrevistado e o tema em questão. Os elementos externos são fatores extrassituacionais que relacionam a entrevista com a sociedade, a comunidade e a cultura14. (ROSA; ARNOLDI, 2006, p.20) A entrevista envolve uma gama de procedimentos complexos que ultrapassam a simples coleta de dados: é uma construção comunicativa de um simples registro de discursos dos entrevistados que surgem como resposta a uma situação investigativa com a presença de interlocutores em um marco social (ROSA; ARNOLDI, 2006, p.38).
Pode-se afirmar que a confiabilidade se estabeleceu desde o primeiro contato, com o aceite ao convite de participação na pesquisa. Estabeleceu-se, naturalmente, um vinculo afetivo proporcionado por vários contatos, desde o reencontro com os cooperados já conhecidos, ou com os novos, quando da visita de reconhecimento para confirmar o acesso e disponibilidade da cooperativa e
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As autoras discutem a microssituação, cuja definição do entrevistador e entrevistado depende de uma série de fatores psicossociais que afetam, favoravelmente ou negativamente, o processo comunicativo e a macrossituação que se refere à contextualização da cooperativa, local, social e cultural. (ROSA; ARNOLDI, 2006, p. 19 a 21)
cooperados. O acolhimento foi imediato. Na seleção dos entrevistados, não foi possível não incluir os que estavam no entorno: o sentimento de rejeição parecia muito evidente e forte, pois aguardavam, com certa ansiedade, o momento de sua entrevista.
Pretendendo avaliar sentimentos, crenças, valores, atitudes, razões e motivos acompanhados de fatos e comportamentos, procurou-se formular questões bastante flexíveis, deixando os detalhes e a sequência das minúcias por conta da dinâmica da entrevista o que naturalmente ocorreu no discurso dos sujeitos. A preocupação era apreender o modo de pensar e agir dos cooperados. Em regra, as entrevistas foram mais longas do que se estimava e duraram, aproximadamente, uma hora. Cada cooperado abordou, com mais ou menos detalhes, determinados fatos. Procurou-se facilitar a lembrança dos informantes segundo a conveniência de cada momento, como, por exemplo, assunto sobre compra de material escolar para os filhos e/ou netos, com apoio da Incubadora.