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O gráfico 14 traz o do índice de Krugman de cada região brasileira, permitindo-nos avaliar a evolução das estruturas industriais de cada uma em relação àquela do país, considerando o período de 1994-2010.

Gráfico 14 – Índice de Krugman para as regiões brasileiras e a média nacional (1994-2010)

Fonte: Elaboração própria com base nos dados da RAIS/MTE.

Com base nesse gráfico fica evidente a heterogeneidade existente entre as estruturas industriais regionais. Sendo os menores níveis de especialização encontrados nas regiões Sul e Sudeste, já que apresentaram, em todos os anos, K-index reduzidos, com valores abaixo da média, o que evidencia uma estrutura produtiva diversificada e próxima à nacional. Em contrapartida, as demais regiões, onde a atividade industrial é menos densa e possui uma

Concentrou suas ações em três eixos: linhas de ação horizontal; promoção de setores considerados estratégicos; e atividades portadoras de futuro (ALMEIDA, 2009).

40Lançado em 2008, o PDP tem um caráter mais amplo que a PITEC, aprofundou a capacidade de planejamento

e gestão da política, ao mesmo tempo em que se apoiou em medidas horizontais, sem abrir mão, de políticas setoriais, considerando diferenças entre estes e suas prioridades de investimento (ALMEIDA, 2009).

0,923 0,831 0,762 0,713 0,662 0,640 0,577 0,548 0,524 0,495 0,196 0,225 0,235 0,224 0,210 0,365 0,270 0,251 0,205 0,201 0,726 0,660 0,642 0,639 0,609 0,570 0,513 0,488 0,461 0,435 - 0,200 0,400 0,600 0,800 1,000 1994 2000 2003 2007 2010 NO NE SE SUL CO Média Nacional

menor participação no estoque de emprego da IT nacional, mostraram K-index superior à média, sugerindo que estas possuem um padrão produtivo distinto do da região de referência, caracterizado por elevado nível de especialização, sendo o Norte a mais diferenciada.

Contudo, apesar da não uniformidade nas estruturas industriais regionais, parece estar havendo uma diminuição, ainda que suave, nas diferenças entre estas. Uma sinalização para tal é a redução na média dos K-index regionais, no período estudado – que saiu de 0,570 em 1995 para 0,435 em 2010 (decréscimo de 23,60%) – evidenciando uma convergência branda da composição industrial das regiões brasileiras.

Analisando isoladamente as mudanças na configuração industrial de cada unidade, é possível verificar que todas as regiões, à exceção do Sudeste, registraram quedas no seu K- index ao longo do período, apresentando, assim, estruturas cada vez mais representativas daquela do país, ao serem beneficiadas pelo processo de desconcentração do emprego.

Dentre as regiões, a que apresentou a maior queda relativa no K-index foi o Sul, ao ser contemplado com boa parte dos investimentos que migraram do Sudeste, tanto em ramos tradicionais, quanto nos mais dinâmicos; adicionalmente também se destaca o aumento das transações comerciais com os países do MERCOSUL, que pode ter contribuído para uma maior homogeneização da estrutura regional em relação à nacional.

Em 1994, o K-index dessa região foi de 0,365, sendo este valor reduzido para 0,201 em 2010, uma contração de 44,92%, tornando-se, assim, desde 2006, a região cuja estrutura industrial mais se aproxima da nacional, posto até então ocupado pelo Sudeste. Apesar de continuar sendo classificada como uma região relativamente diversificada, o Sudeste perde representatividade em relação à estrutura industrial do país, sobretudo no período de 1994- 2003, quando seu K-index aumenta em 20,05%. Cabendo destacar que a partir de 2004, como reflexo da recuperação na sua capacidade em gerar emprego industrial de forma mais estável, seu K-index volta a decrescer, chegando a 0,210 em 2010, um pouco acima do Sul. Contudo, apesar da recuperação deste indicador durante o governo Lula, não foi suficiente para retornar ao patamar de 1994 e recuperar o posto de região cuja estrutura produtiva mais se assemelha à nacional. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, também apresentaram redução nos seus K-index – respectivamente de 28,26% (sendo 0,923 em 1994 e 0,662 em 2010), 22,63% (0,640 em 1994 e 0,495 em 2010) e 16,19% (0,726 em 1994 e 0,609 em 2010) sinalizando uma redução no nível de especialização de suas estruturas produtivas e uma maior aproximação em relação à estrutura nacional. Embora, continuem sendo classificadas como regiões especializadas, uma vez que, apesar das reduções nos seus K- index, estes ainda continuam acima da média.

Outro ponto que merece ser destacado quando analisamos os níveis e padrões de especialização da estrutura produtiva das regiões consiste em identificar quais setores (divisões) são responsáveis por essa especialização. Para tanto, fez-se necessário o uso conjunto do K-index, que determina o nível de especialização da estrutura industrial, e o QL que aponta os setores que têm maior representatividade para a estrutura regional.

Desta forma, visando preencher esta lacuna, apresentamos a Tabela 29 que mostra, para as regiões especializadas, os seus QLs seguidos das atividades produtivas responsáveis pela especialização. Cabendo lembrar que consideramos apenas as divisões que apresentaram um QL igual ou maior que 2, o que significa uma especialização expressiva nessas divisões. Tabela 29 – Atividade responsável pela especialização das regiões brasileiras em 2010

Região Especializada K-index QL Setor responsável

pela especialização Indústria mais importante

Norte 0,662 5,07 2,98 8,97 5,30 Div. 20 Div. 30 Div. 32 Div. 30

Fabricação de produtos de madeira Fabricação de máquinas para escritório e

equipamentos de informática Fabricação de material eletrônico e aparelhos e equipamentos de comunicação

Fabricação de outros equipamentos de transporte

Nordeste 0,495 2,39 Div. 19 Couro e calçados

Centro-Oeste 0,609 2,00 2,02 2,64 Div. 15 Div. 24 Div. 37

Fabricação de alimentos e bebidas Fabricação de produtos químicos

Reciclagem

Fonte: Elaboração própria com base nos dados da RAIS/MTE.

Como podemos perceber, apesar de nos últimos três anos da década de 2000 o ramo de fabricação de produtos de madeira no Norte ter apresentado um fraco desempenho, este ainda continua tendo uma maior representatividade na estrutura industrial da região do que na nacional, conforme indica o QL. Além deste, a região apresentou QL elevado em três gêneros que fazem parte do segmento intensivo em capital e estão concentrados na ZFM.

No Nordeste, destacou-se o setor produtor de couros e calçados que, como vimos, alcançou um considerável desenvolvimento ao receber uma soma significativa de investimento que foram direcionados à região em virtude dos baixos salários e incentivos fiscais concedidos por boa parte dos seus estados, com destaque para o Ceará.

No Centro-Oeste destaca-se o setor de fabricação de alimentos e bebidas, refletindo o peso que o segmento intensivo em recursos naturais tem na estrutura industrial dessa região. Também se destacam os ramos de fabricação de produtos químicos e reciclagem, em virtude dos investimentos que a região vem recebendo nestes, principalmente no final dos anos 2000.

Entretanto, apesar de constituírem unidades importantes de estudo, as análises a esse nível de agregação tendem a encobrir determinadas características da estrutura industrial

regional, e consequentemente, restringir considerações mais expressivas sobre os níveis e padrões de especialização e distribuição regional das atividades produtivas. Isso porque, as regiões abrangem grandes extensões geográficas, o que pode dificultar o intercâmbio de informações entre as firmas aí localizadas. Desta forma, objetivando melhor identificar os padrões de especialização da estrutura produtiva do Brasil, aplicaremos o K-index para unidades espaciais um pouco mais desagregadas, os estados. Em seguida, apontaremos em qual atividade tem se especializado cada unidade analisada.

Benzer Belgeler