Os princípios sobre os quais se baseia o telefone foram descobertos pelo escocês Alexadre Gram Bell, em 1875 [ALENCAR, (1998)]. Em pouco mais de um século, a telefonia evoluiu do primitivo equipamento com que Bell fez suas experiências básicas, até os atuais aparelhos com comunicação por meio de voz sobre IP. Porém a comunicação entre os homens vem de bem antes de Gram Bell conforme anexo IV.
No Brasil a telefonia foi trazida pelo Dom Pedro II, mecenas incentivador das artes e das ciências, em 15 de novembro de 1879 surgia no Rio de Janeiro o primeiro telefone, construído para D. Pedro II nas oficinas da Western and Brazilian Telegraph Company, sendo instalado no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, hoje, Museu Nacional.
Em 1883, o Rio de Janeiro já possuía cinco estações de 1000 assinantes cada uma e, ao terminar o ano, estava pronta a primeira linha interurbana ligando o Rio de Janeiro a Petrópolis. Em 13 de outubro de 1888, foi criada a empresa Telephone Company of Brazil, com capital de US$ 300 mil, integralizado por 3 mil ações de US$ 100. Porem apenas em 1910 foi inaugurado o primeiro cabo submarino para ligações nacionais entre Rio de Janeiro e Niterói. Nessa época, 75% dos telefones instalados no país pertenciam ao Rio de Janeiro e São Paulo Telephone Company e, o restante, distribuía-se por outras 50 empresas menores. Em 11
de janeiro de 1923 a empresa Rio de Janeiro e São Paulo Telephone Company passou a denominar-se Brazilian Telephone Company, facultada a tradução do nome para o português em 28 de novembro de 1923, a Brazilian Telephone Company passou a denominar-se Companhia Telefônica Brasileira - CTB.
Foi instalada, em São Paulo, a primeira central automática do País, que dispensava o auxílio da telefonista. Em 28 de janeiro de 1932 foram inaugurados os circuitos rádio telefônicos Rio de Janeiro para Buenos Aires, Rio de Janeiro para Nova York e Rio de Janeiro para Madri. Em 27 de julho de 1939 chegou-se no País a marca de 200.000 telefones automáticos instalados pela Companhia Telefônica Brasileira - CTB. Em 28 de novembro de 1956 foi nacionalizada a CTB fixando sua sede no Rio de Janeiro, com serviços extensivos a São Paulo. Introduzido o sistema de micro-ondas e de Discagem Direta a Distância - DDD.
Em 27 de agosto 1962 foi criado o Código de Telecomunicações do Brasil através da Lei 4.117. A Empresa Brasileira de Telecomunicações - Embratel foi criada com a tarefa de construir o Sistema Nacional de Telecomunicação, e explorar as telecomunicações de âmbito internacional e interestadual, empregando recursos provenientes do Fundo Nacional de Telecomunicações, constituído de uma taxa de 30% sobre as tarifas telefônicas. Em 28 de fevereiro de 1967 foi criado o Ministério das Comunicações, tendo como patrono o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. A necessidade de se estabelecer padrões de qualidade para as linhas telefônicas no País levou o ministério das comunicações, no final da década de 60, a formar um grupo constituído por engenheiros da Embratel e CTB e com coordenação da secretaria geral do ministério. A dificuldade ou, ate mesmo, a impossibilidade do estabelecimento de comunicações telefônicas com a necessária inteligibilidade, em ligações locais, interurbanas ou internacionais não só pelos baixos níveis dos sinais recebidos, como também por fatores adversos que degradam as ligações, contribuindo para a diminuição da qualidade da transmissão, dentre os quais: ruído, eco, instabilidade e distorções dos sinais, isto exigia a criação de normas e processos de qualidade para regulamentar o setor.
Com a criação da Telebrás, o sistema de discagem direta à distância (DDD) começou a ser introduzido no País. Aumentando com isto as exigências dos clientes em relação à qualidade das ligações. Esse sistema foi o grande responsável pelo desenvolvimento das telecomunicações até a segunda metade da década de 90.
A partir da Lei 9472 de julho de 1997, dispõe sobre a organização dos serviços de telecomunicações, a criação e funcionamento de um órgão regulador e outros aspectos institucionais. A lei geral das telecomunicações foi aprovada em votação na Camara dos Deputados em 18/06/1997 e no Senado Federal em 10/07/97. No dia 16 de julho de 1997 a lei foi sancionada pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso.
Em 1998, o ministério das comunicações decidiu dividir a Telebrás em doze companhias: três empresas concessionárias regionais da telefonia fixa, uma empresa operadora de longa distância e oito empresas concessionárias de telefonia móvel banda A. A agencia nacional de telecomunicações (ANATEL) foi criada como uma autarquia especial, sendo administrativamente independente, financeiramente autônoma, não se subordinando hierarquicamente a nenhum órgão de governo. Sua missão é promover o desenvolvimento das telecomunicações no País de modo a dotá-lo de uma moderna e eficiente infra-estrutura de telecomunicações, capaz de oferecer a sociedade serviços adequados, diversificados e a preços competitivos como os valores mundiais. Nesse contexto é importante ter uma visibilidade do crescimento econômico brasileiro nos últimos quatro anos conforme Tabela 2.4.
Tabelas 2.4 Estatísticas gerais do Brasil como população, PIB e pesquisas do IBGE (PNAS, PAS)
Ranking internacionais e estatísticas de serviços de telecomunicações no Brasil.
Brasil 2003 2004 2005 2006
População IBGE 178.985.306 181.586.030 184.007.699 186.770.562
Área total 8.514.215,3 km2
PIB. 1.699.948 1.941.498 2.147.944 2.322.818
PIB (Crescimento anual). 1,1% 5,7% 2,9% 3,7%
PIB per capita R$ 9.500 R$10.692 R$ 11.660 R$ 12.440 PIB per capita
(Crescimento anual real) -0,3% 4,2% 1,5% 2,3%
PIB (US$ Bilhões) 507 604 796 1101
Telefones Fixos em Operação
(Milhões) 39,2 39,6 39,6 38,5
Celulares (Milhões) 46,4 65,6 86,2 99,9
TV por assinatura (Milhões). 3,5 3,8 4,2 4,6
Usuários de
Internet Residenciais (Milhões) . 20,5 17,9 18,9 22,1 Conexões de Banda Larga (Milhões) 1,2 2,3 3,8 5,6
Após essa breve descrição das mudanças ocorridas no Brasil e no mundo nas últimas décadas, é importante mostrar o mercado brasileiro das operadoras de telecomunicações.