4. KAVRAM VE KAVRAM HARĠTALARI
4.2. Kavram Haritaları
A legitimação de uma política pensada especificamente para permitir um formato de educação permanente aponta uma nova etapa de valorização dos trabalhadores como peças importantes para concretização do sistema. No entanto, falar no desenvolvimento dos trabalhadores implica o reconhecimento de um desenho assistencial onde seja revitalizada a importância da compreensão dos fenômenos de encontro com os usuários, de modo que isso volte a ter maior valor do que o encaixe em antigas teorias determinantes das práticas.
Nessa perspectiva, para que seja possível garantir o trabalho em consonância com as novas diretrizes organizativas do SUS, a preocupação com a formação dos profissionais de saúde volta a ganhar espaço privilegiado, apontando a necessidade de integração intersetorial entre saúde e educação. As atuais discussões levaram o tema da formação de recursos humanos para atuação no SUS a ser um dos temas centrais na 3ª Conferência Nacional de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, realizada em março de 2006. Nessa conferência, colocou-se que as instituições formadoras devem responsabilizar-se no âmbito da produção científica e
qualificação de quadros profissionais para tornarem-se parceiras do SUS, efetivando a interação entre ensino e trabalho e salientando a relevância social da formação em saúde pela existência de referência constitucional sobre essa interação.
Podemos, então, perceber que, desde sua emergência, esse é um sistema em constante movimento, tanto na busca da implementação, de acordo com as leis e diretrizes propostas, quanto na procura pelo aperfeiçoamento nas unidades e serviços já em funcionamento. Com as mudanças no sistema público e criação do SUS vem à tona a necessidade de se considerar o indivíduo em sua integralidade de relações e condições de vida, incluindo moradia, trabalho, condições sanitárias, acesso à escolarização e aos próprios serviços de saúde.
Em diferentes momentos na história da constituição do campo de saberes da saúde pública e saúde coletiva, bem como dos saberes que constituem a produção de conhecimento e outras práticas de saúde, existe um importante movimento relativo à formação do conhecimento e à necessidade de emergirem práticas para a mudança de cenários sociais. Em muitos momentos, percebe-se a dificuldade de romper as fronteiras das áreas do conhecimento que provocam um atrelamento único nas práticas decorrentes das teorias tradicionalmente estudadas na área da saúde. Desse modo, existe uma demanda de aprofundamento e estudo sobre as formas de inserção e produção de conhecimento que vêm se produzindo nas áreas da saúde.
É importante situar que não estamos aqui falando na formação acadêmica que cada profissão considerada da área da saúde se propõe a oferecer, nem a estamos questionando. Se estivéssemos pensando nessa proposta, teríamos um amplo leque de discussões que apontariam para diferenças a serem pensadas desde a concepção de algumas ciências, entendendo que a forma como os regimes de verdade vão sendo estabelecidos acaba por legitimar diferentes teorias e práticas para composição científica e acadêmica das profissões. Estamos aqui falando das propostas de formação de trabalhadores que buscam a inserção e/ou compreensão das políticas públicas de saúde pelo desenvolvimento dentro dos princípios e diretrizes do SUS.
A política de educação permanente em saúde ganha força a partir de sua implementação no ano de 2004. Desde então, a formação dos trabalhadores passa a ser compreendida de forma processual e constante, pois todos os processos
cotidianos ganham espaço, compreendidos como formas de produção de si e do mundo. Nesse sentido, é necessário mudar o foco da formação em saúde, entender que o desenvolvimento dos trabalhadores não deve vir apenas subordinado à técnica científica ou à capacitação operacional. Trabalhadores devem ter a possibilidade de se colocarem no sistema como sujeitos ativos e criativos, atores implicados na construção processual e permanente do sistema.
Quando compreendida a necessidade de reconhecimento de novos espaços para formação dos trabalhadores, legitimam-se, então, a criação das Residências Integrada em Saúde. Legitimadas em diferentes portarias e leis (Portaria SES/RS n° 16, de 1° de outubro de 1999, Lei Estadual n° 11.789 de maio de 2002, e Portaria N. 037/07 GHC-DS-247/07) com propostas, pela Escola de Saúde Pública de integração entre os programas de Residência Médica e Programas de Aperfeiçoamento Especializado (especialização em área profissional), e pelo Grupo Hospitalar Conceição de ser uma RMS. Esses programas ganham força entendendo que a construção de novas bases para assistência e formação de conhecimento em saúde coletiva passam pela integração de saberes, pela inclusão de novas profissões como parte da área e pela compreensão de um conceito de saúde mais amplo que permita a quebra dos conceitos hegemônicos.
É importante situarmos aqui a existência de programas de residência com nomenclaturas diferentes, embasadas nos modelos de organização institucional exigidos para o desenvolvimento de cada modalidade. Existem programas que buscam apenas a formação por área de especialização, onde a titulação oferecida diz respeito à especialização em área profissional. Outros têm seu foco específico na formação de algumas categorias profissionais da área da saúde, em caráter multiprofissional de trocas e construções coletivas. Existem, ainda, os que buscam o desafio de ampliar seus modelos de experimentação na formação pela integração das residências médicas e residências de formação multiprofissional em saúde.
A diferença estabelecida na escolha do enfoque deste trabalho é a proposta de estudo e discussão das estruturas organizativas de duas Residências Multiprofissionais em Saúde que propõem-se a ser espaços diferenciados de formação pela articulação e produção de conhecimentos integrados entre as diferentes categorias profissionais que compõem as equipes de trabalho. Entendemos que o desafio das RMS envolve a ressignificação das práticas
hegemônicas colocadas pelo paradigma cientificista adotado pela medicina. Além disso, há o enfrentamento de ideias que embasam essas duas propostas de residência, indo desde as concepções de cada residência, prolongando-se às práticas cotidianas e passando, então, pelo desafio de bancar novos desenhos institucionais que permitam a transversalidade entre dois programas que passam a desenvolver-se no compartilhamento e construção de um campo coletivo.