2. GENEL BİLGİLER
2.7. Katarakt Operasyonu Planlanan Hastalarda Kaygı ve Hemşirelik
2.7.3. Katarakt Operasyonu Planlanan Hastalarda Kaygıyı Kontrol Etmek için
Em 2015, como já mencionei em outras seções deste trabalho, ingressei no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Foi já no meu primeiro semestre de estudos na pós-graduação que, através de uma disciplina do programa28, conheci os estudos sobre o Letramento Crítico
(LC), que vieram em hora propícia para possibilitar reflexões sobre nossa empreitada no ensino de PLA para Candidatos ao PEC-G. Como destacam Mattos e Valério (2010), tais estudos se debruçam sobre o caráter ideológico da comunicação e tem como objetivo principal o desenvolvimento da consciência crítica. O LC “pretende mudar a sociedade, promovendo a inclusão social de grupos marginalizados”
28 A disciplina “Novos letramentos e ensino de língua estrangeira”, ministrada pela Profa.
Dra. Andréa Machado de Almeida Mattos. Para contextualizar melhor os objetivos, apresentamos qual era sua ementa: “O curso tem por objetivo apresentar uma visão geral das teorias sobre Novos Letramentos, incluindo Letramento Crítico, e suas mais recentes aplicações ao ensino de línguas estrangeiras e à formação de professores. Serão discutidos suas origens e principais fundamentos, a fim de proporcionar reflexões críticas sobre suas aplicações e desenvolvimentos. Também serão abordadas a dimensão educacional dessas teorias e suas inter-relações práticas com o ensino de línguas para a justiça social”. Disponível em < http://www.poslin.letras.ufmg.br>. Acesso em: 20 set. 2016.
(ALFORD, 2001 apud MATTOS e VALÉRIO, 2010) a partir da “expansão do escopo de identidades sociais em que as pessoas possam se transformar” (JORDÃO, 2002, p. 3 apud MATTOS e VALÉRIO, 2010).
Instigadas pelas discussões propostas por aquela e outras disciplinas que estávamos cursando na pós-graduação, outra professora do Curso de PLA para Candidatos ao PEC-G, que havia ingressado na pós-graduação juntamente comigo, e eu começamos a nos atentar para o nosso fazer docente. Em nossas reuniões pedagógicas, buscávamos compartilhar o que estávamos aprendendo com as demais professoras da equipe e, juntamente com o nosso coordenador, propúnhamos discussões e elaborávamos materiais didáticos que visassem ao letramento crítico de nossas estudantes na língua adicional.
Como discute Jordão (2014), o LC apresenta um diferente olhar sobre as práticas do letramento, em relação a abordagens anteriores, como a abordagem comunicativa e a pedagogia crítica. Segundo ela, “nessa nova visão, realidade e observador são inseparáveis: só se tem conhecimento do real mediante nosso olhar, nossa leitura dele” (ibidem, p. 198). A autora atenta para o fato de que “ao ver, já estamos imprimindo interpretações para aquilo que vemos – só podemos ver justamente porque interpretamos, ao ver já estamos conferindo sentido ao que vemos” (ibidem, loc. cit.).
Trabalhar em sala de aula sob a perspectiva do LC, como salienta Jordão (2014), significa
construir com os alunos (e para nós mesmos) o entendimento de que ler é uma atividade, uma prática; é uma prática social, coletiva; é política, o que quer dizer que acontece de forma ideologicamente marcada por nossas vivências, nossas crenças, nossas comunidades interpretativas; é livre, mas depende do uso de procedimentos válidos ou compreensíveis dentro do contexto de leitura se quiser ser legitimada por ele (Ibidem, p. 200-201, grifos da autora).
Nesse sentido, a autora conclui que, sob a perspectiva da LC, o papel do professor consiste em ampliar as possibilidades de
“procedimentos interpretativos e visões de mundo para poder ajudar os alunos a ampliarem também os seus” (JORDÃO, 2014, p. 201). Assim, alunos e professores têm papel agentivo na criação de sentidos diante das práticas de letramentos às quais se expõem, e, enquanto se perguntam sobre seu próprio fazer interpretativo, veem-se, criticamente, tanto como narradores quanto narrados (JORDÃO, 2014), e, ao perceberem-se assim, podem se “posicionar como participantes ativos da sociedade, capazes de recontar e refazer sua história” (ibidem, p. 202). Como sublinha Jordão (ibidem), no LC, não é somente o professor que traz para a sala de aula conhecimentos legítimos, mas, no ato educativo, também os estudantes são personagens principais na construção de saberes legítimos. A partir de Freire (1998) e Ferraz (2014), a autora insiste no reconhecimento de que os alunos “sabem coisas e essas coisas são importantes, precisam ser valorizadas e valem à pena ser compartilhadas” (ibidem, p. 202, grifos da autora).
Em um quadro comparativo em que Jordão (2014) apresenta uma diferenciação entre a abordagem comunicativa, a pedagogia crítica e o letramento crítico, é possível visualizar algumas concepções do LC, como demonstrado na tabela 4, a seguir.
Tabela 4 – Letramento Crítico Letramento Crítico
Língua Discurso – lócus de construção de sentidos.
Sentidos Atribuídos/construídos pelo leitor (comunidades interpretativas).
Criticidade Reflexividade perante (processos de) construção de sentidos.
Sujeito aprendiz Problematiza em reflexividade: agência pode ser estimulada pelo professor.
Sujeito ensinante Problematiza em reflexividade: agência pode ser estimulada pelos alunos.
Cultura Diferenças (classe, gênero, etc.) como produtivas: compreender processos de construção; exercer agência nas representações.
Função da educação Problematizar práticas de construção de sentidos/representação de sujeitos; (re)posicionar- se, “ler-se lendo”.
Podemos afirmar, assim, que o LC está em consonância com os pressupostos da Linguística Aplicada Indisciplinar, pois percebe a heterogeneidade dos sujeitos (MOITA LOPES, 2006) e atenta para a necessidade de uma contínua reflexão sobre as práticas em que pesquisadores, professores e estudantes se envolvem nas práticas de ensino-aprendizagem de uma língua adicional e nas pesquisas que buscam contribuir para essas práticas.
Finalmente, acreditamos que o LC, segundo o que discutimos até o presente momento, é importante nesta pesquisa não somente para que se entendam as práticas realizadas pelas professoras no Curso de PLA para Candidatos ao PEC-G, mas, ademais, em consonância com a Linguística Aplicada Indisciplinar, baliza nosso fazer como pesquisadores.
Na próxima seção discutiremos outros conceitos importantes para as análises de registros, que empreenderemos no capítulo 3 desta dissertação.