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Kat içinde süreksiz kirişlerden kaçınılmalıdır

4.2. Kat Planı Üzerine

4.2.2. Kat içinde süreksiz kirişlerden kaçınılmalıdır

Sob a vigência da arguição de relevância, no período da Constituição de 1967, as questões constitucionais todas eram dotadas de relevância, de forma que apenas as questões infraconstitucionais é que poderiam ser objeto de filtragem no juízo de admissibilidade dos recursos extraordinários. Até então, ao Supremo Tribunal Federal competia conhecer recursos extraordinários tanto sobre questões constitucionais quanto questões infraconstitucionais federais.

No direito argentino, da mesma forma, a Corte Suprema firmou entendimento no sentido de que todas as causas que envolvam a declaração de inconstitucionalidade de uma norma jurídica devem ser entendidas como dotadas de transcendência, para fins de admissibilidade do recurso extraordinário federal.

Durante o trâmite legislativo da PEC nº 96/1992, a Deputada Federal Zulaiê Cobra, no seu parecer apresentado em dezembro de 1999, propôs que a repercussão geral fosse exigida não somente com relação ao recurso extraordinário, mas também quanto aos recursos especial e de revista.

Contudo, a EC nº 45/2004 acabou sendo aprovada, no tocante à repercussão geral, sem as referências ao recurso especial e ao recurso de revista, de modo que, contraditoriamente, apenas as questões constitucionais atualmente passam por um filtragem antes de serem apreciadas por nossa Corte Constitucional, sendo que todas as questões infraconstitucionais continuando sendo reputadas relevantes no que tange ao exame de admissibilidade dos recursos direcionados aos respectivos Tribunais Superiores de Uniformização.

Ou seja, vivemos um período de completa inversão: se, antes, todas as questões constitucionais eram reputadas relevantes, agora são as questões infraconstitucionais que independem de qualquer filtro relacionado à sua transcendência e importância para a sociedade, para fins de acesso aos Tribunais Superiores brasileiros.

Tal solução se mostra bastante incoerente, visto que o recurso especial foi criado a partir do recurso extraordinário ao STF, com hipóteses de cabimento e pressupostos de admissibilidade bastante semelhantes, não havendo justificativa razoável para introduzir-se um filtro qualitativo apenas com relação ao recurso extraordinário.

De fato, com a finalidade de combater o excessivo número de feitos distribuídos ao Supremo Tribunal Federal, o constituinte de 1988 desmembrou o recurso extraordinário e dali criou o recurso especial, bem como um novo Tribunal, o Superior Tribunal de Justiça, com sendo o guardião do direito federal infraconstitucional. Diante disso, o novo recurso foi previsto no artigo 105, inciso III, da Constituição nos mesmos moldes do recurso extraordinário do artigo 102, inciso III. Com exceção da expressa hipótese de cabimento do recurso especial no caso de divergência jurisprudencial, praticamente inexistem diferenças entre os dois recursos, considerando-se que um protege a unidade do direito constitucional e o outro a do direito infraconstitucional federal. Além disso, os números demonstram que a situação de crise do STJ já estava, em 2004, tão ruim ou pior que aquela constatada no Supremo. Assim, um instituto como a repercussão geral deveria realmente ter sido estendido também ao recurso especial.

Portanto, a instituição da repercussão geral como requisito próprio e exclusivo do recurso extraordinário, mostra-se bastante criticável, conforme apontado por Arruda Alvim:

o que pode causar espécie é que – numa comparação – no plano do direito constitucional brasileiro haja questões constitucionais que não provoquem repercussão geral, ao passo que, no patamar relativo às questões legais de direito federal, todas elas provocam ou provocariam essa repercussão gera, dado que não resultou instituído – ou, ainda, não resultou instituído – esse sistema, ou análogo, para o STJ298.

Porém, nem toda a doutrina compartilha desse raciocínio. Eduardo Talamini, exemplificativamente, aponta a inviabilidade de se criar um filtro semelhante em relação ao Superior Tribunal de Justiça:

o Superior Tribunal de Justiça foi concebido e opera como tribunal com grande número de membros. Haveria um enorme dificuldade para o desenvolvimento de diretrizes uniformes e objetivas acerca da repercussão geral. Isso é algo mais consentâneo com um corte suprema, com pequeno número de membros e, portanto, maior aptidão para funcionar em tribunal pleno.

Entende-se, com base nos estudos desta dissertação, que o tamanho do tribunal não seria exatamente um óbice para a instituição de filtros como a repercussão geral. Em primeiro lugar, talvez não seja necessário que efetivamente o Plenário delibere sobre todas as questões, sendo que no STJ há histórica especialização de suas Seções. Ademais, o

julgamento eletrônico permitiria superar os óbices decorrentes da reunião de 33 (ou mais) Ministros em Plenário. Aliás, mesmo com apenas 11 membros, a reunião em Plenário dos Ministros do Supremo também se mostra complicada, razão pela qual foi regulamentada a deliberação virtual da repercussão geral.

Todavia, questão distinta se coloca quanto às funções do STJ. Tendo em vista a enorme concentração de competências legislativas na figura da União (artigo 22 da Constituição), quando comparadas com as competências legislativas dos Estados e dos Municípios, duvidosa a constitucionalidade de um filtro semelhante à repercussão geral, o qual, à revelia da competência legislativa federal, conceberia que normas infraconstitucionais pudessem ficar à mercê de qualquer uniformização por um Tribunal Federal.

Ora, o sistema constitucional previsto em 1988 atribuiu competências legislativas privativas à União e, coerentemente, instituiu um Tribunal Superior Uniformizador, garantindo que tais normas sejam aplicadas com uniformidade a todo território nacional. Neste sentido, reformar a Constituição de modo que a última palavra sobre a interpretação de normas federais possa ser dita por Tribunais Estaduais, muito embora a competência continue sendo exclusiva e/ou privativa da União, realmente parece violar a estrutura Judiciária elementar desenhada pela Constituição de 1988, afetando direitos e garantias fundamentais como a isonomia e o devido processo legal.

De todo modo, em 23 de agosto de 2012, foi apresentada a PEC nº 209/2012 – a qual encontra-se em fase de relatório pela Comissão Especial designada para apreciá-la, na Câmara dos Deputados –, visando a acrescentar o §1º do artigo 105 da Constituição, com a seguinte redação:

§1º. No recurso especial, o recorrente deverá demonstrar a relevância das questões de direito federal infraconstitucional discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços dos membros do órgão competente para o julgamento.

Na exposição de motivos da PEC nº 209/12, percebe-se que o real intuito da proposta é de combater o excesso de processos em trâmite no STJ e assim diminuir a morosidade de seus julgamentos, citando textualmente a anterior experiência da repercussão geral do recurso extraordinário, pois “quanto à distribuição processual, de 159.522 processos em 2007 (...) reduziu-se para 38.109 (trinta e oito mil, cento e nove)

processos em 2011”. E ainda segundo afirmado na exposição de motivos da PEC 209/2012:

atualmente, vige um modelo de livre acesso, desde que atendidos os requisitos já explicitados como constantes do inciso III, do art. 105, da Constituição Federal. De tal sorte, acotovelam-se no STJ diversas questões de índole corriqueira, como multas por infração de trânsito, cortes no fornecimento de energia elétrica, de água, de telefone. Ademais, questões, inclusive já deveras e repetidamente enfrentadas pelo STJ, como correção monetária de contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) que, nos primeiros 16 (dezesseis) anos de funcionamento do STJ, respondeu por cerca de 21,06% do total de processos distribuídos, um quantitativo de vultosos 330.083 (trezentos e trinta mil e oitenta e três) processos. Contudo, antecipando-se parte das conclusões a respeito inclusive da repercussão geral das questões constitucionais, a diminuição de recursos no STF não decorre da seleção dos temas a serem julgados por aquela Corte, mas preponderantemente dos efeitos atribuídos às decisões proferidas em sede de repercussão geral. Isso porque, a partir da vigência da Lei nº 11.418/2006, o STF deixou de jugar as mesmas controvérsias constitucionais repetidas vezes, pois o enunciado decorrente da repercussão geral se estende a todos os recursos extraordinários já interpostos e futuros a respeito da mesma questão constitucional.

Reitera-se, discutível a constitucionalidade da proposta de que o STJ, o Tribunal responsável pela uniformização do direito federal (em sua quase totalidade criado privativamente pela União), possa selecionar os temas que entende merecedores de apreciação por seus Ministros. As “questões de índole corriqueira” mencionadas na exposição de motivos não congestionam o Tribunal por serem corriqueiras, mas sim pela enorme quantidade de recursos especiais versando sobre o mesmo tema.

Diante desta constatação, como bem observado pela mesma exposição de motivos, seria suficiente atribuir efeitos vinculantes e/ou erga omnes às decisões do Superior Tribunal de Justiça, assim como já ocorre com a repercussão geral das questões constitucionais e com as súmulas vinculantes.

Neste passo, em 2008 foi editada a Lei nº 11.672, introduzindo o artigo 543-C do CPC e criando o procedimento dos recursos especiais repetitivos, nos moldes do julgamento de recursos extraordinários em multiplicidade (artigo 543-B, previsto pela Lei nº 11.418/2006, dois anos antes, portanto). O artigo 543-C do CPC foi regulamentado pela Resolução nº 8/2008 do Superior Tribunal de Justiça.

Em síntese, previu-se a possibilidade do Presidente do Tribunal a quo ou do Ministro relator determinar a seleção de um ou mais recursos representativos da mesma controvérsia, para julgamento conjunto, ficando suspensos os demais recursos especiais sobre esse mesmo tema. Após o julgamento, o acórdão do STJ surtirá efeitos diretamente sobre os demais recursos sobrestados, os quais: (i) terão o seguimento negado, na hipótese do precedente coincidir com a orientação da Corte; (ii) serão reexaminados pelo Tribunal de origem, quando houver divergência de teses.

Neste último caso, se o Tribunal a quo mantiver o posicionamento anterior, isto é, contrário ao precedente do STJ, o recurso especial será então processado (artigo 543-C, §§7º e 8º, do CPC), tendo-se previsto no artigo 1º, §2º, da Resolução nº 8/2008 do STJ que o recurso especial será, então, distribuído por dependência, podendo o Ministro relator valer-se do artigo 557 do CPC para decidir monocraticamente. Além disso, caso haja recursos especiais sobre o mesmo tema aguardando distribuição, conferiu-se ao Presidente do STJ poderes para apreciá-los, monocrática e liminarmente. Sendo que idêntico tratamento foi conferido aos agravos de admissão (artigo 7º da Resolução nº 8/2008).

Como se nota, as consequências do julgamento de recursos especiais repetitivos são muito parecidas com aquelas previstas em relação à repercussão geral das questões constitucionais (artigo 543-B do CPC). Tanto que, a respeito desse procedimento,

pode-se concluir que o legislador ordinário acabou, por via transversa, estabelecendo uma espécie de repercussão geral também para certos tipos de questões legais, objeto de recursos especiais299.

Até 30 de novembro de 2013, o STJ já havia selecionado 713 temas para serem julgados pelo procedimento do artigo 543-C do CPC300, mas a maioria deles ainda não resolvido quanto ao mérito. Quantidade de temas que praticamente corresponde ao mesmo número de temas selecionados para serem decididos pelo STF em sede de repercussão geral, no mesmo período.

Nesta linha, entende-se que o mais razoável seria melhorar o procedimento do julgamento por amostragem, e até mesmo introduzir outras técnicas semelhantes, mas não a mera instituição de filtros restritivos ao acesso à jurisdição dos Tribunais Superiores.

299 Guilherme José Braz de Oliveira, Repercussão geral, p. 336.

Benzer Belgeler