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Katılanların Yaşlarına Göre Turizm Çeşitleri

1.4. Turizm Çeşitleri

1.4.3. Katılanların Yaşlarına Göre Turizm Çeşitleri

A Neurolinguística Discursiva (ND) é uma área híbrida, constituída por articulações teóricas advindas da Neuropsicologia (que prioriza o estudo das funções cognitivas - como a memória) e da Linguística em sua vertente discursiva, a partir de autores como Bakhtin, Maingueneu e Benveniste. Esta perspectiva no Brasil foi empreendida por Maria Irma Hadler Coudry, no IEL- UNICAMP, a partir do estudo com afásicos. A novidade foi introduzida pela pesquisadora, inicialmente, com a crítica aos procedimentos avaliativos da

49 Neuropsicologia Experimental e, em seguida, com a proposição de um método avaliativo dialógico. Nesta proposição, a avaliação passa a ser centrada nas atividades epilinguísticas do sujeito (ação do falante sobre a fala). Deve-se notar “os fatores que se conjugam na atribuição do sentido, as imagens que se formam entre interlocutores, a dialogia que atua nos processos de significação” (COUDRY, 1997, p. 10). Como assinala Tesser (2007), esse caminho, aproximado ao pensamento bakhtiniano, “garante a sustentação de linguagem como ‘interação verbal’ ou como ‘discurso social – essa concepção dá ênfase ao significado/sentido e, na interação, à troca/trânsito de conteúdos entre interlocutores” (idem, ibidem, p. 47).

Cruz, pesquisadora da ND, se dedica às demências, diz que precisamente devido à confluência entre áreas: “a Neurolinguística é um lugar privilegiado para pensar as relações linguagem-memória” (2004: 48) devido à confluência dessas áreas.

A relação entre memória e linguagem assentada na significação. Postula-se a existência de sistemas semióticos distintos: um linguístico e outro não-linguístico (memória espacial, visual). Assume-se, diferentemente dos aportes neuropsicológico e médico, acima apresentados, que a percepção é sempre interpretada pela linguagem– ou seja, a recuperação de imagens vividas é dependente da situação discursiva/social e sua significação (na linha do que disse Bosi). Disso decorre que, como dizem Cruz (2004) e Beilke e Novaes-Pinto (2007), a perda de memória está intrinsecamente relacionada à perda de significação e das dificuldades nas interações sociais.

A metodologia da avaliação da linguagem dos pacientes afásicos e, mais recentemente, dos doentes de Alzheimer, tem sido problematizada pela Neurolinguística Discursiva. Autores têm criticado severamente a utilização de testes metalinguísticos24 para avaliação da linguagem (COUDRY 1988, NOGUCHI, 1997; NOVAES-PINTO, 1999, entre outros). Argumenta-se que, neste tipo de avaliação estatística, a relação com o interlocutor e atividades epilinguísticas (pausas, prolongamento, etc.) que organizam o discurso são perdidas e que elas importam porque são estratégias utilizadas pelos pacientes – são “caminhos enunciativos vicinais”. Segundo as autoras mencionadas, uma

24 Na primeira parte deste capítulo, introduzi as principais críticas enumeradas por autores que compartilham as reflexões na Neurolinguística Discursiva.

50 situação dialógica presente na avaliação de linguagem poderá favorecer a apreensão “dos processos subjacentes à produção dos enunciados” (NOVAES- PINTO e BEILKE, 2008).

Novaes-Pinto (1999) criticou, com pertinência inequívoca, resultados de provas de nomeação do Teste de Boston, em que os sujeitos avaliados “erravam” devido aos testes utilizarem palavras de baixa frequência na língua (por exemplo, aspargo, tripé) e, também, acrescenta ela, devido à qualidade duvidosa dos desenhos. Novaes-pinto e Beilke (2008) analisaram, ainda, as respostas de um sujeito (NB), com 82 anos de idade, com provável demência de Alzheimer, num teste de categorização por demanda. A partir de pares de palavras, como cachorro e gato, o paciente deveria responder com o hiperônimo “animal”. Como o examinador não havia seguido fielmente as recomendações do teste (ele deveria exemplificar a tarefa), os pares de palavras apresentados deram margem às respostas mais complexas, amplas e não esperadas. No par democracia x monarquia, aguardava-se “sistemas de governo”. Entretanto, ele (NB) disse que “são regidas por déspotas” e que “são meios de controlar as pessoas” (idem, ibidem, p. 113). A resposta do senhor considerada “errada” mostra, na verdade, um sujeito politizado, como ressaltam os autores.

A avaliação de linguagem nos moldes propostos por Novaes-Pinto, que prestigia a interação, permite, sustenta a autora, a apreensão de oscilações pragmático-discursivas, mesmo que discretas. Elas são frequentes no início da DTA e que seriam dificilmente notadas nos testes. Beilke, Novaes-Pinto (2007) afirmam que o processo dialógico favorece a lembrança. A resposta “inadequada” de uma paciente com DTA é tomada como forte indicador dessa afirmação. Segundo elas, a paciente (AC) diz ao investigador que, quando seu marido morreu, após um acidente de carro, “ele estava sozinho”. A filha mostra uma cicatriz no braço da mãe e pergunta “o que aconteceu?”. AC retoma a história e “lembra-se” de que ela estava com o marido no momento do acidente. Segundo os autores, o diálogo com a filha “de certa forma, estabelece a relação entre um signo (não-verbal: a própria cicatriz e verbal: ao enunciar cicatriz) e aquilo a que ele remete (NOVAES-PINTO, BEILKE, 2008, p. 116). Quando analisam o diálogo entre investigador e (HL), uma senhora em estágio mais avançado da doença, os autores concluíram:

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No caso de HL, alterações podem ter já comprometido as funções executivas mais complexas, que envolvam o

planejamento da ação e da própria linguagem, como, por

exemplo, o controle daquilo que pode ou não ser dito. O enunciado em excesso, na situação inadequada, no momento inadequado, seria um sinal de presença da doença (idem, ibidem, p. 118).

De fato, a Neurolinguística Discursiva introduz uma novidade: a avaliação qualitativa da fala de afásicos e, mais recentemente, de pessoas demenciadas. Deve-se dizer que, no caso das demências, a avaliação que não visa definir graus de déficits de memória – ela é discursiva e pragmática, como se pode retirar da citação acima em que se fala em “situação inadequada”25 - e “situação inadequada” pode nos conduzir para a questão das “falas vazias” e da “referência externa” (LANDI, 2007), que a demência levanta.

Na citação acima, podemos entrever o que foi mencionado a respeito do sujeito na Neurolinguística Discursiva: sem dúvida, ênfase é dada a processos cognitivos e, portanto, em causa está o sujeito epistêmico (que planeja, organiza o próprio discurso e o torna adaptado ao contexto) – na doença, essas capacidades ficariam prejudicadas. Nesse enquadre, como assinala Tesser26, a concepção de diálogo equivalente à de interação social: à troca/trânsito de conteúdos entre interlocutores” (TESSER, 2007, p. 48) e, nesse sentido, esta vertente discursiva, que, sem dúvida, valoriza a linguagem, “não abala a sequência lesão cognição linguagem” (idem, ibidem, p. 52).

Cruz (2004) corrobora com as reflexões de Ecléa Bosi, apresentadas acima, e reflete a partir daí sobre o acompanhamento terapêutico de pacientes com afasias e demências, realizado no Centro de Convivências de Afásicos (CCA) no IEL-UNICAMP. Cruz partilha a ideia de tomar a narrativa (espaço atuação/observação de pacientes demenciados) como “ato de linguagem e ato

25 Novaes-Pinto e Beilke (2008) sublinham a ausência de prejuízos fonológicos, sintáticos e semânticos na fala dos demenciados. Essas alterações são notadas com o avanço significativo da doença.

26 Tesser (2007), a partir de seu posicionamento teórico na Clínica de Linguagem, discute a noção de diálogo em sua dissertação de mestrado.

52 de memória” (CRUZ, 2004, p. 105). A narrativa: “parece ser uma interessante forma de observação da relação entre linguagem e memória, pois coloca em jogo também uma relação entre processos cognitivos e sociais” (idem, ibidem,

p. 106). Em síntese:

Podemos dizer que as narrativas e memórias não são apenas descrições de eventos, mas são em si eventos, ações, atos de significação e interpretação. A linguagem é nesse contexto um lugar e uma prática de memória (CRUZ, 2004, p. 107).

Adianto que significação é palavra-chave determinante da concepção sobre a relação memória e linguagem neste enquadre teórico. A ideia de representação é central a aportes cognitivos – nesse sentido, poderíamos dizer que o signo é a unidade mínima do discurso, como sustentou, por exemplo Vygotsky27.

Este capítulo, que se procurou circunscrever as principais questões que contornam o discurso atual e a clínica da demência, destacou uma tendência hegemônica em que a memória e linguagem são duas instâncias

hierarquicamente relacionadas e ambas dependentes do acontecimento

cerebral:

LESÃO

COGNIÇÃO/MEMÓRIA

LINGUAGEM

Na Neuropsicologia Cognitiva, a dificuldade de estabelecer uma conexão estável e previsível entre sede orgânica e declínio cognitivo revela os grandes impasses diagnósticos, que abarcam desde a inclusão/exclusão da queixa do idoso até a distinção entre o normal e o patológico. As avaliações são

27 Sobre isso, sugiro a leitura do primeiro capítulo de Lier-DeVitto (1998) e de De Lemos (2002).

53 testagens padronizadas cujos resultados controlados recebem tratamento estatístico – inferem-se daí as alterações de memória. Como vimos, os estudos neuropsicológicos estão centrados em duas direções: (1) investigações que comparam o desempenho cognitivo entre adultos jovens e idosos, cujos resultados investigações afirmam que há declínio cognitivo no idoso, mas não sustentam a explicação sobre qual processo ou módulo está prejudicado. E (2) pesquisas que comparam atividades cognitivas entre idosos e sujeitos com início de DTA na tentativa de estabelecer critérios que possam distinguir o normal e o patológico. Espera-se encontrar um tipo de memória que se deteriore de modo diferente na demência do que no envelhecimento dito normal. A anomia comparece como exemplo maior de sinal inicial na DTA e também está presente no envelhecimento. Como reconhecem os autores, esses resultados são insuficientes porque inconclusivos e não sustentam, portanto, a explicação sobre o funcionamento cognitivo subjacente. Também, deixar-se guiar pelas afasias para compreender as demências não parece ser um caminho seguro, uma vez que os acontecimentos na linguagem são bastante diferentes, além do que, raramente se pode invocar perda de memória para descrever as afasias. Lacan, por exemplo diz que “nas afasias, o sujeito fica ao lado do que quer dizer” (LACAN, 1981, p. 250) – parece ser, precisamente, este lugar de “estar ao lado do que quer dizer” que vai sendo esvaziado nas demências.

A Neurolinguística Discursiva faz diferença nesse cenário, como procurei mostrar, porque ela não só abandona e critica as avaliações médica e neuropsicológicas de pessoas com afasias e demências, como também e principalmente porque envolve fortemente uma teorização sobre a linguagem, embora memória e linguagem fiquem subordinadas a processos cognitivos. Reconhece-se, aí, a presença de autores soviéticos como fontes da discussão (Vygotsky, Luria, Bahktin). Deles vem a noção de diálogo (interação social) como espaço da significação, da negociação/troca de sentidos.

Esta direção, que envolve a concepção de linguagem como discurso, marca, sem dúvida, toda a diferença entre abordagens clínicas médicas como disse. Ela será diferente, também, da posição delineada pela Clínica de Linguagem - filiação assumida nesta tese, que sublinha a importância da “escuta para densidade significante” (LIER-DeVITTO, 1997, 2000 e outros). A

54 posição teórica e clínica que decorre da relevância dada ao significante em

falas sintomáticas nos levará a Saussure e à Psicanálise para trabalhar a

ideia de que linguagem não é função cognitiva e, portanto, nem a

memória. Em Freud, memória tem a ver com o aparelho psíquico, com o

Inconsciente, como procuro apresentar no capítulo 3. Sem ir a Bergson, eu diria que este trabalho tem algo em comum com suas reflexões sobre memória e sobre o tempo (do significante) - afinal pode-se escutar que algo de Freud e de Saussure ressoa em suas considerações. Depois desse passo teórico que problematiza a relação memória-linguagem, volto-me às questões clínicas deste trabalho. No capítulo 3, uma aproximação à clínica sob o olhar da Psicanálise será discutida e, no capítulo 4, apresento a Clínica de Linguagem no acompanhamento de sujeitos demenciados.

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Capítulo 2

Freud:

Benzer Belgeler