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Katılımcıların Görüşme Sorularına Verdikleri Cevaplara Ait Bulgular

4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.3. Katılımcıların Görüşme Sorularına Verdikleri Cevaplara Ait Bulgular

Como apresentado no tópico anterior, o rádio é o meio de comunicação eletrônico mais presente no país, de acordo com o site Donos da Mídia (2009). Porém, Franquet (2004) afirma que a proliferação de emissoras de rádio não é

garantia de pluralismo, uma vez que emissoras com poucos recursos tem poucas possibilidades de manter-se em um setor tão competitivo.

Sobre a diversidade no meio rádio, a multiplicação de pontos emissores não garante diversidade de programação, uma vez que as emissoras podem seguir dois caminhos: vender a concessão para uma grande rede ou ceder seus canais para estas grandes redes explorarem. Em ambos os casos há a emissão do conteúdo da rede30 (VALLÉS, 2000 apud FRANQUET, 2004, p. 181).

E quando há a transmissão de conteúdo em rede, como destaca Franquet (2004), há o aumento de cobertura, a reestruturação organizacional para que se aproveitem os recursos existentes e assim conseguir a máxima rentabilidade econômica, começa a existir uma gestão centralizadora e o abandono das emissões da programação local. Ou seja, as emissoras de rádio locais, para manter-se, unem- se a emissoras de rede, mantém-se no mercado, mas não oferecem diversidade de conteúdo, uma vez que retransmitem a programação da rede. Nem mesmo valorizam os recursos humanos locais, já que a operação fica centralizada na sede em que funciona a rede.

Já Huerta Wong e Gómez García (2013) fazem uma análise do meio rádio no México e apresentam a realidade daquele país, em que o meio rádio registra um grande número de redes que atuam em nível nacional, sendo a maioria privada (66%), por esta razão, afirmam os autores, o meio rádio reflete a pluralidade e diversidade da sociedade, já que o rádio é um dos meios de comunicação favoritos da audiência mexicana, em média 3 horas e 22 minutos, de acordo com a Associação de Rádio do Vale do México (ASOCIACIÓN DE RADIO DEL VALLE DE MÉXICO, 2009 apud HUERTA WONG; GÓMEZ GARCÍA, 2013, p. 130). Os autores concluem que no México há uma baixa concentração de mercado quando se refere ao meio rádio. Apesar disso, não há garantia de pluralidade de conteúdo, já que os autores falam de grande número de redes, mas não mencionam como estas redes tratam a programação local.

Nos Estados Unidos a situação é diferente, segundo Franquet (2008), lá a desregulamentação no meio rádio tem criado poderosas companhias que dominam os mercados locais pela afiliação das estações locais a uma rede ou pela compra

30 Emissão em rede consiste na difusão simultânea de um mesmo conteúdo através de diversas estações de coberturas específicas para conseguir maior cobertura efetiva para um mesmo conteúdo (AA.VV, 2000, apud FRANQUET, 2004, p. 192).

direta de uma rede nacional constituída. Estas grandes redes são atraídas para os mercados locais em função do aumento da concorrência no setor de rádio, gerando disputas de espaço e de receitas de publicidade dos mercados locais. Sendo que a desregulamentação que ocorre na indústria da comunicação auxiliou no processo de reestruturação do meio rádio, determinado pela “concentração da propriedade, das audiências e dos investimentos publicitários”, cujas consequências foram a eliminação “de ofertas de programação minoritárias e a pluralidade se tem visto diminuída tanto na Europa quanto nos Estados Unidos” (FRANQUET, 2008, p. 142).

Desta forma, as grandes redes de rádio conseguem ter economia de escala, conforme explicado anteriormente por Doyle e reforçado por Bonet:

As empresas buscam aumentar de tamanho para ampliar a cobertura e potencializar um produto radiofônico unificado e estruturado de maneira homogênea em grandes blocos horários que permitam a concentração das audiências (BONET, 1998 apud FRANQUET, 2004 p. 192).

Ao investigarem o meio rádio no Brasil, os autores Becerra e Mastrini (2006) chegaram às seguintes conclusões:

1) Há uma grande quantidade de emissoras;

2) O meio tem um vínculo local, já que existe carência de emissoras com alcance nacional;

3) A penetração nos domicílios do meio rádio é de 88%;

4) O faturamento das emissoras não é tão elevado quanto o número de emissoras existentes no país e

5) A participação dos grandes anunciantes se concentra nas principais emissoras de cada cidade (BECERRA; MASTRINI, 2006, p. 125).

Na época da pesquisa, no ano de 2006, existiam no Brasil 2.986 emissoras, que juntas faturavam US$ 352,86 milhões.

O rádio e a mídia impressa têm graus de concentração baixos, de acordo com as conclusões da pesquisa de Becerra e Mastrini (2006). O meio rádio aparece como setor menos concentrado, mas as emissoras estão vinculadas a conglomerados mediáticos. Os autores destacam os vínculos políticos do meio rádio em que constataram várias licenças de concessões para parlamentares, na época da pesquisa havia cerca de 30% de emissora de rádio, cujos sócios ou funcionários eram parlamentares (BECERRA; MASTRINI, 2006).

Outra conclusão que tange o meio rádio foi a “aemização”, que segundo Becerra e Mastrini (2006, p.132) é um fenômeno em que as emissoras FM operam suas estações com o estilo de programação das emissoras AM.

O Projeto Donos da Mídia fez um levantamento, já reproduzido neste trabalho, que enumera as emissoras de rádio no Brasil, segundo a pesquisa, existem 2.055 emissoras FM e 1.686 emissoras AM.

O Guia Mídia Dados 2014, publicado pelo Grupo de Mídia de São Paulo, apresenta dados atualizados sobre os meios de comunicação do Brasil, incluindo o meio rádio. As informações apresentadas a seguir foram retiradas deste guia, que tem como fontes renomados institutos de pesquisa como: estudos Marplan, IBGE e Projeto Intermeios (GRUPO DE MÍDIA SÃO PAULO, 2014).

O estudo Marplan fez sua pesquisa em 13 mercados31, sendo o universo composto por 51.629.000 pessoas com mais de 10 anos. Em relação ao rádio os resultados foram que o perfil do ouvinte é composto pela maioria de mulheres (52%), de pessoas pertencentes as classes B2 (23%), C1 (26%) e C2 (20%) com idades de 20 a 29 anos (22%) e de 30 a 39 anos (20%).

De acordo com o levantamento, na região Sudeste existem 1.587 emissoras, sendo 543 OMs e 1044 FMs. No Brasil, de acordo com a Anatel (fevereiro de 2013), são 4.741 emissoras de rádio, sendo 1.777 OMs e 2.964 FMs.

Em relação ao investimento em publicidade no meio Rádio, de acordo com o Projeto Intermeios em 2013, 4,1% de todo o investimento publicitário em meios de comunicação. A Grande São Paulo é responsável por 39,6% deste investimento e o interior de São Paulo por 9,3%. O faturamento do meio rádio acumulado no ano de 2013 foi de R$ 1.308.173.81132 (GRUPO DE MÍDIA SÃO PAULO, 2014).

Ao atualizarmos as conclusões levantadas por Becerra e Mastrini (2006), temos que:

1) Ainda há uma grande quantidade de emissoras de rádio no Brasil, sendo a maioria FM (62%) e concentradas na região Sudeste (33%). De 2006 para 2013

31 Os 13 mercados de pesquisa do Instituto Ipsus Marplan são: Grande São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza, Goiania, Florianópolis, Vitória, Interior de São Paulo e Distrito Federal.

32 Estes números foram levantados pelo Projeto Intermeio com base nos veículos participantes do projeto, no caso do rádio são entre 157 e 171 emissoras. O que dá uma média de R$ 7.650.139,00 de faturamento anual por emissora ou cerca de R$ 6.375.511,00/mês por emissora (GRUPO MÍDIA SÃO PAULO, 2014, p. 101).

houve um crescimento de 58% na quantidade de emissoras no país, o que é bastante significativo;

2) Existe ainda o vínculo local, mas é importante destacar, que as 13 maiores redes de rádio do Brasil, concentram 631 emissoras de rádio ou 13,3% do total das emissoras de rádio (GRUPO DE MÍDIA SÃO PAULO, 2014);

3) A penetração do meio rádio caiu 10% desde a pesquisa realizada por Becerra E Mastrini em 2006. Atualmente 78% dos lares brasileiros tem o equipamento (CENTRO REGIONAL DE ESTUDOS..., 2013);

4) Se analisarmos a arrecadação, apenas em publicidade (4,1%), o faturamento não é elevado em função da quantidade de emissoras;

5) Os grandes anunciantes ficam concentrados na Grande São Paulo, 39% do investimento em publicidade vem de empresas situadas nesta região.

O meio rádio cresceu em quantidade de emissoras, principalmente FM e o faturamento geral do meio tem se mostrado estável ao longo dos anos, com cerca de 4% do investimento publicitário de 2010 a 2013. O rádio está mais ausente dos lares dos brasileiros (GRUPO DE MÍDIA SÃO PAULO, 2014).

O ambiente para o desenvolvimento e crescimento das emissoras de rádio, mostra-se escasso de recursos e competitivo, dificultando a sobrevivência das emissoras de rádio locais e favorecendo as emissoras que se aliam a uma rede.

Diante deste cenário que se configura em torno das emissoras de rádio tradicionais, a digitalização aparece como uma nova variável para o meio, uma vez que as emissoras estão ampliando as suas áreas de atuação para a Internet, como visto no capítulo anterior e a composição de novos modelos de rádio, web rádios, rádios por assinatura e música via streaming aparecem para acirrar ainda mais a competitividade. Por esta razão, ao estudar o Rádio como negócio, além da pesquisa sobre a configuração dos conglomerados é importante entender quais são as estratégias gerenciais direcionadas às mídias.

Benzer Belgeler