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3. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA

3.3. ARAŞTIRMA ALANINA İLİŞKİN KÜLTÜREL PEYZAJ ELEMANLAR

3.4.3. Katılımcıların Fikirlerinin Değerlendirilmesi

“[...] do ovo beatnick nasceram hippies e punks, e todos os alternativos que se opõem a uma sociedade que de tão superdesenvolvida ameaça fossilizar, mergulhada na estagnação.”

Ignácio de Loyola Brandão

As mortes de Ginsberg e Burroughs foram bastante próximas, 05/04/1997 e 02/08/1997 respectivamente. Por sua vez, Kerouac já havia se despedido bem mais cedo, em 1969. Porém, o conjunto da obra deixada por qualquer um dos três conquistou e

continua arrecadando admiração e repercussão. Prova disso são as influências assumidas e confessadas de muitas personalidades que produzem arte e cultura na contemporaneidade.

Logo nos fins dos anos 60, momento já posterior ao polêmico auge da Beat Generation, mas o começo de acaloradas reivindicações pelos mais diversificados direitos civis, muitos jovens que aderiam ao imaginário contestador e subversivo da época,

vislumbravam e admitiam o pioneirismo e audácia dos escritores Beats, que inclusive foram, reconhecidamente, declarados “patronos da Contraculutra”.

Esse processo de causa-conseqüência não ficou restrito à esfera comportamental e social, muito pelo contrário, pois alguns daqueles jovens que cresceram lendo as obras produzidas pelos Beats também se tornariam celebridades artísticas. Entretanto, a mais considerável diferença, de geração para geração, é que a maioria dos influenciados, ao menos aqueles que conseguiram expressão, optou por trabalhar em outras mídias que não a literatura.

Nesse sentido, pode-se dizer que logo num primeiro momento, a música foi o gênero em que mais houve admiradores e adeptos da Geração. E isso significou muito, haja vista que esses novos artistas elegeram uma variante musical que estava em plena ascensão na época, de ritmo e estilo já consolidados, mas aberta para muitas variações: o Rock ‘n’Roll.

Assim, a declaração romântica e/ou o duplo sentido com conotação sexual, que permeavam as letras dos rockers dos anos 50 e 60, começaram a dividir lugar com uma nova modalidade de texto, que apresentava temáticas mais intimistas, expressionistas e niilistas. E, é claro que tal proposta não faria muito sentido se acompanhada da guitarra de ritmo alegre e desenvolto de Chuck Berry, do piano tresloucado de Jerry Lee Lewis, ou da bucólica voz de Elvis Presley.

Por isso, americanos do gabarito de Bob Dylan, David Bowie, Lou Reed, Laurie Anderson, Tom Waitts, Patti Smith, Brian Eno e, no Canadá, Leonard Cohen, diminuíram o frenesi da guitarra de maneira que ficasse com ritmo mais lento e levemente distorcido, além de incorporarem outras variedades de gêneros musicais ao Rock, tais como Jazz, Folk, Valsa, Clássicos e outros. E na parte vocal, o recurso mais recorrente era o da spoken words (palavras faladas), algo que, em muitos casos, resulta numa recitação acompanhada da melodia.

Alguns conjuntos musicais famosos trilharam caminho semelhante nessa admiração, como a lendária banda punk londrina The Clash, e, também da Europa, The Police e U2; assim como as bandas americanas, mais recentes, como Nirvana, Ministry, Sonic Youth etc. Todos, sempre que possível, posavam para fotos ao lado de seus ídolos literários, ou empunhavam obras desses em fotos promocionais.

Os escritores Beats, mesmo em idade já avançada, eram bastante afeitos ao cortejo. Aceitavam freqüentemente os convites para dividir vocais e letras, e para participarem de shows e vídeos-clipe. Burroughs foi quem teve a imagem mais exposta, figurando em dois clipes em especial, que se baseiam no universo de suas obras e seu ideário: The Last Day On The Earth do U2, e One Fix do Ministry.

Da mesma forma que uma influência naturalmente leva a outra, muitos conjuntos musicais ainda hoje, e creio que sempre, auxiliam a preservar a memória dos escritores Beats enquanto modernos precursores da atitude de converter a postura anárquica em arte.

Na área do cinema, embora não abundem tantos apreciadores como na música e literatura, são passíveis de citação os diretores Jim Jarmusch, John Cassavetes, David Lynch, Gus Van Sant e David Cronenberg.

homônimo à obra -, que contou inclusive com a participação de Burroughs, ou melhor dizendo, com a sua voz. O escritor interpreta falas de insetos metamorfoseados a partir de máquinas de escrever, que se comunicam através de um esfíncter que domina metade do corpo.

Outra emblemática participação cinematográfica de Burroughs corresponde ao filme Drugstore Cowboy, de Gus Van Sant, realizado em 1988; em que ele está num papel cabal e simbólico, tratando-se de uma homenagem icônica, que sintetiza o escritor enquanto “personagem de si mesmo”: o filósofo e viciado padre Murphy.

Acerca dos Beats, em especial de Burroughs, Carpeaux aponta o seguinte:

[...] sua literatura conquistou círculos simpatizantes e mesmo o grande público na Europa, graças aos romances verdadeiramente excessivos de Burroughs, que é um irmão espiritual de Genet e filho literário de Gertrude Stein; suas descrições e perversões sexuais produziram conflitos com a censura que, por sua vez, publicizaram as obras.

Entre as considerações de Carpeaux, constantes nesse trecho, irei me deter somente na verificação das obras de Burroughs em sua difusão pela Europa.

Assim, aproveito para mencionar autores europeus da envergadura de Allan Moore, conceituado roteirista de romances gráficos, e escritores mais conhecidos, como J.G. Ballard, Clive Barker, Tim Powers, entre outros, que apresentam elementos das fantasias burroughsianas tanto em suas obras, como na maneira de encarar o ofício da escrita, ou seja, sem nenhum tipo de amarra ou compromissos outros senão consigo mesmo e o texto.

Nesse sentido, devem ser citados também os escritores norte-americanos Kathy Acker, William Gibson, Bruce Sterling e outros; pois, da mesma forma que os europeus, assumem a importância de terem lido Burroughs, cujo conjunto da obra os auxiliou a pensarem na literatura enquanto terreno apto à exploração temática e formal.

com talentosos entusiastas no Brasil. Uma rede que inclui desde os mais renomados poetas Roberto Piva e Cláudio Willer; até os dias atuais, quando é possível encontrar

reminiscências beats nas peças teatrais de Mário Bortolloto, e nas poesias de Rodrigo Garcia Lopes, Ademir Assunção e Maurício Arruda Mendonça, para citar alguns.

Ainda em relação ao Brasil, muitos livros dos Beats foram publicados, mas quase exclusivamente na década de oitenta. As principais editoras responsáveis foram a

Brasiliense e a L&PM, que inclusive publicaram poetas menores e menos conhecidos da beat. Infelizmente, poucos livros foram reeditados, o que dificulta, hoje em dia, um conhecimento mais aprofundado, ou mesmo um primeiro contato, dos escritos de

determinados escritores, pois a extinção das obras é evidente inclusive em sebos. Assim, de maneira inexplicável, Naked Lunch continua fora de catálogo.

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On Burroughs’ Work

The method must be purest meat and no symbolic dressing, actual visions & actual prisons

as seen then and now. Prisons and visions presented

with rare descriptions corresponding exactly to those

of Alcatraz and Rose. A naked lunch is natural to us,

we eat reality sandwiches. But allegories are so much lettuce.

Don´t hide the madness.

San Jose 1954.

Allen Ginsberg

1

1 Sobre a obra de Burroughs

O método deve ser a mais pura carne/ nada de molho simbólico,/ verdadeiras visões & verdadeiras prisões/ assim como vistas vez por outra.

Prisões e visões mostradas/ com raros relatos crus/ correspondendo exatamente àqueles/ De Alcatraz e Rose. Um lanche nu nos é natural,/ comemos sanduíches de realidade./ Porém alegorias não passam de alface./ Não escondam a loucura.

Tradução de Cláudio Willer. O poema e a tradução foram retirados da revista Medusa. Curitiba: Iluminuras, n. 4, 1999. p. 42.

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“Of course, it’s my version of Naked Lunch”

David Cronenberg2

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Benzer Belgeler