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Katılımcıların Çocukluk Çağı Ruhsal Travma Ölçeğine Yönelik Tutumlarının Demografik Değişkenlere Göre İncelenmes

H 0 : Aile içi şiddet ölçeği alt boyutları ile saldırganlık genel algılarının birbiriler

I. Katılımcıların Çocukluk Çağı Ruhsal Travma Ölçeğine Yönelik Tutumlarının Demografik Değişkenlere Göre İncelenmes

Avêssa completamente ás exterioridades e exhibições tão em voga hoje para chamar a attenção para os estabelecimentos de instrucção, preocupo-me quase exclusivamente com o desenvolvimento do ensino, adoptando os methodos que melhores resultados tem dado praticamente. Que a attenção dos Snrs paes de familia se volte para o nosso Grupo Escolar, so por estarem convencidos de que nelle o ensino é uma realidade, é o que desejo.306

A construção da legitimidade para uma instituição de saber parecia estar intimamente relacionada à correta execução do programa de ensino. Esse aspecto não seria importante apenas para as avaliações feitas pelos inspetores escolares, mas também para demonstrar aos pais dos(as) alunos(as) que em determinada escola as prescrições relativas às aprendizagens estavam sendo cumpridas e que as crianças de fato estavam aprendendo. Essa preocupação foi expressa por uma das diretoras do Grupo Escolar D. Pedro II em um de seus relatórios para a Secretaria do Interior. Ao escrever, logo nas primeiras linhas, que não concordava com práticas exibicionistas, cujo objetivo, na sua opinião, era fazer com que as atenções, provavelmente, dos representantes do governo e da comunidade, se voltassem para as escolas, a diretora apresentou indícios daquilo que o Grupo Escolar de Ouro Preto poderia e pretendia oferecer em termos de ensino.

Talvez, por uma impossibilidade por parte da instituição de adotar recursos, como confecção de jornais, por exemplo, utilizados por dirigentes de outros grupos escolares para expor suas concepções de ensino e o modo como organizavam os trabalhos em suas escolas307, a diretora do Grupo D. Pedro II preferiu construir um discurso afirmando que dava ênfase à aplicação

306 APM – SI – 3667. Relatório anual produzido e enviado pela diretora do Grupo, Anna Ferreira Guimarães, à

Secretaria do Interior. 5 de março de 1917.

307 O Grupo Escolar de Lavras foi um dos que alcançou visibilidade com a produção do impresso Boletim Vida

dos métodos recomendados e que apresentavam resultados mais satisfatórios. A escolha por essa postura pela dirigente da escola poderia estar relacionada a um desejo de convencer os técnicos da Secretaria do Interior que a instituição de Ouro Preto cuidava do cumprimento do programa, ao contrário de outras cujos(as) diretores(as) e professores(as) pareciam dar mais importância às aparências. A divulgação desse suposto cuidado não era necessária somente para mostrar às autoridades políticas e funcionários do governo ligados diretamente à reforma do ensino que o Grupo Escolar de Ouro Preto primava pela excelência do ensino, mas também para convencer os pais a respeito da qualidade da educação oferecida pela referida escola.

O discurso da diretora, por conseguinte, sugere pistas relativas a um dos caminhos seguidos para a construção de reconhecimento para o Grupo: a conquista da preferência dos pais por aquela escola. Ouro Preto possuía cadeiras isoladas primárias que não eram mal avaliadas pela inspeção técnica. Algumas já existiam antes da criação do Grupo e, portanto, já deviam ser mais conhecidas pelas famílias. Por isso, a execução plena dos novos métodos e programas de ensino podia ser um diferencial substancial para o Grupo Escolar. A observação rigorosa das orientações sobre como os conteúdos deveriam ser abordados era um dos principais aspectos avaliados pelas autoridades de ensino. “Ao determinar o método a ser utilizado, o Estado tentou impor uma forma de conceber e praticar o ensino primário” (SOUZA, 1998, p. 163). A prioridade era promover uma educação que fosse, ao mesmo tempo, física, intelectual e moral. Para tanto, a estruturação dos conteúdos a serem ensinados e os métodos pelos quais os trabalhos escolares seriam desenvolvidos tinham uma função relevante. Irlen Gonçalves (2006) explica que, em Minas Gerais, após a reforma de 1906, as matérias escolares passaram a ser organizadas de um modo mais complexo, levando em consideração, em especial, a adoção do método de ensino intuitivo.

Rosa Fátima de Souza (1998) enfatiza que a relevância e a implementação do método intuitivo já estavam em voga desde o século XIX, fato assinalado em outra parte desta dissertação. Durante o processo de renovação do ensino e da escola iniciado em fins do século XIX, o método intuitivo parece ter ganhado ainda mais destaque. Aquela metodologia de ensino era baseada em uma abordagem indutiva, por meio da qual os conhecimentos deveriam ser ensinados a partir dos aspectos mais particulares para os aspectos mais gerais, daquilo que os(as) alunos(as) conheciam para o desconhecido, de elementos mais concretos para aspectos mais abstratos (SOUZA, 1998). Vera Valdemarin (2000) esclarece que o uso dos sentidos era

essencial para a prática do ensino intuitivo, pois através dos sentidos seria possível observar “[...] fatos e objetos que produzirão idéias, reflexão e sua expressão em palavras” (VALDEMARIN, 2000, p. 77). O método intuitivo deveria ser adotado nas escolas através das lições de coisas, manuais por meio dos quais a abordagem foi difundida. A autora aponta que, de acordo com os manuais, a principal vantagem que o método intuitivo possuía sobre os demais se referia à apresentação dos acontecimentos e objetos a serem observados e manipulados pelos(as) alunos(as). Esse processo de investigação forneceria às crianças as condições necessárias para a aquisição do conhecimento.

Em Minas Gerais, a Lei n. 439, de 1906, determinava a adoção do método intuitivo, definido como simples e prático. O “Regulamento da Instrucção Primária e Normal do Estado”, contido no Decreto n. 1.960, de 1906, acrescenta ainda que o ensino deveria ser praticado tendo como base o sistema simultâneo, determinação reforçada pelo “Regulamento Geral da Instrucção do Estado”, de 1911. A utilização do método intuitivo, para Faria Filho, representava, além da adoção de novos tipos de trabalhos e atividades escolares, a possibilidade de consolidar “[...] uma nova „teoria da aprendizagem‟, baseada no pressuposto de que a atividade do(a) aluno(a) é a condição primeira de seu sucesso” (1996, p. 273). Alguns(mas) diretores(as) de grupos escolares faziam questão de registrar em seus relatórios e ofícios para a Secretaria do Interior elogios aos preceitos intuitivos (GONÇALVES, 2006). O primeiro diretor do Grupo Escolar D. Pedro II, em seu primeiro relatório para o governo mineiro, enfatizou seu empenho em defender a eficiência do novo método. A seguir, uma parte do conteúdo de seu relato: “Tenho sido muito interrogado e interrogado mui particularmente sobre a efficacia do actual methodo de ensino. A todos tenho explicado a sua racionalidade [...].”308 O trecho citado sugere que o trabalho tendo o método intuitivo como base gerava dúvidas e questionamentos, provavelmente, por parte das professoras da instituição. Nesses casos, o diretor, que tinha como uma de suas funções orientar o corpo docente quanto aos procedimentos de ensino a serem usados309, enfatizava sua racionalidade. Será que, por meio de seu discurso, o diretor desejava mostrar aos representantes da Secretaria do Interior seu esforço para persuadir todos aqueles que duvidassem das vantagens do método intuitivo em relação a outras metodologias de ensino?

308 APM – SI – 2973. Relatório elaborado pelo diretor do Grupo, Carlos José dos Santos, para a Secretaria do

Interior. 1 de fevereiro de 1909.

309 O tema relativo às funções dos dirigentes do Grupo Escolar será retomado na seção que trata da relação entre

Entretanto, a inspeção técnica, em uma de suas primeiras visitas à instituição, constatou irregularidades em relação ao desenvolvimento do ensino. Isso, além de gerar críticas ao Grupo, rendeu uma recomendação ao diretor:

Recommendo-vos que advirtais a professora desse estabelecimento, d. Antonia Neves, que não pode continuar a ensinar pelos methodos de memorisação, adaptando livros de grammatica e geographia para os alumnos estudarem as licções e dictando-lhes trechos em aula para aprenderem de cór.310

A docente Antonia Neves, mesmo sendo considerada uma boa professora, como será discutido no item sobre os sujeitos que formavam o Grupo Escolar, não trabalhava os conteúdos segundo os preceitos mais modernos. Suas práticas baseavam-se na memorização e adaptação de livros para as crianças estudarem os conteúdos. A respeito desse último aspecto, vale lembrar que, como forma de racionalizar o ensino, foram elaborados e recomendados livros especificamente para aquele fim. No ofício citado anteriormente não foi esclarecido quais livros estavam sendo utilizados pela professora Antonia, mas talvez não se tratasse das obras recomendadas pelo governo mineiro.

A docente do Grupo não era a única que não adotava de maneira satisfatória o método intuitivo. Em grupos escolares de Belo Horizonte (FARIA FILHO, 1996), no Grupo Escolar de Sabará (ROCHA, 2008) e em grupos do estado de São Paulo (SOUZA, 1998), por exemplo, também foram observadas dificuldades no que tange à adoção do método intuitivo. Em relação à Ouro Preto, foram encontrados registros relativos a cinco escolas isoladas públicas anteriores à criação do Grupo Escolar311 que sofriam críticas da inspeção de ensino por não praticarem os princípios intuitivos. No que diz respeito àquelas que foram mantidas após a criação do Grupo, foi possível verificar que em quatro delas312 os(as) professores(as) não conseguiam seguir as orientações legais para a realização dos trabalhos escolares. Uma dessas cadeiras criticadas pela inspeção técnica sobre a aplicação da abordagem intuitiva, a escola isolada da docente Maria Delminda Ferreira, recebeu a seguinte avaliação, similar às que as outras cadeiras receberam: “Nesta escola vae mais bem orientado o ensino [...],

310

APM – SI – 3291. Ofício enviado ao diretor Carlos José dos Santos pelo Diretor da Instrução Pública. 16 de março de 1909.

311 Essas escolas eram regidas pelas professoras: Ubaldina Ferreira de Carvalho, Generosa Augusta Ferreira,

Maria Delminda Ferreira, Raymunda Nonato Franco e Amelia Felicissimo.

312 Trata-se das cadeiras singulares da professora Raymunda Nonato Franco, do Asylo de Santo Antonio, do

notando eu apenas que não está bem compenetrada do ensino intuitivo, havendo ainda em sua escola bastante decoração”.313 (Grifos nossos).

É interessante perceber como o inspetor elaborou sua avaliação. Para ele, embora a professora apresentasse dificuldades para trabalhar de modo prático, intuitivo, o ensino desenvolvido na escola estava “bem orientado”. Possivelmente, ao fazer essa afirmação, o fiscal aludiu ao cumprimento do programa. Em outras palavras, acredita-se que sua intenção foi explicar que, embora a professora ensinasse os conteúdos determinados por lei, ela não conduzia o ensino de acordo com os princípios intuitivos, recorrendo à memorização e impedindo que os(as) alunos(as) desempenhassem um papel ativo no processo de aprendizagem.

Outras escolas isoladas como a particular da Santa Casa de Misericórdia, a escola da Penitenciária e a cadeira regida pela professora Seraphina Felicissimo, ao contrário das que foram citadas, parecem ter satisfeito às exigências da Secretaria do Interior quanto à adoção do método intuitivo. Uma das apreciações feita pela inspeção técnica em relação à escola da Penitenciária de Ouro Preto representa as que foram conferidas às outras duas cadeiras mencionadas, no mesmo período: “[...] com excelletes methodos de ensino que muito bem vai difundindo na formação do carater dos detentos pelo ensino bem orientado que tem ministrado. Ensina as materias do programma [...].”314

Diante das considerações elaboradas, nota-se que a apropriação da nova abordagem de ensino pelos(as) professores(as) era uma das principais preocupações das autoridades educacionais. Por isso, o emprego do método intuitivo era um aspecto recorrentemente examinado. A análise das avaliações periódicas realizadas pelos fiscais da inspeção permitiu concluir que, ao longo de seus primeiros dez anos de existência, o Grupo Escolar D. Pedro II obteve êxito no desenvolvimento de determinadas matérias do programa de ensino mineiro e enfrentou problemas para realizar o trabalho relativo a outras. Em primeiro lugar, os relatórios dos inspetores educacionais apresentam apreciações acerca do ensino da leitura e da escrita na instituição. Constatou-se que o Grupo Escolar de Ouro Preto, em um primeiro momento, seguia as prescrições legais. Uma das avaliações exemplifica o que foi mencionado: “[...] O

313 APM – SI – 3296. Relatório do inspetor técnico da 13ª circunscrição, José Madureira d‟Oliveira, sobre as

escolas públicas primárias de Ouro Preto. 16 de outubro de 1909.

314APM – SI – 3296. Relatório do inspetor técnico da 13ª circunscrição, José Madureira d‟Oliveira, sobre as

methodo de lettra vertical é seguido em todas as aulas, como se vê dos cadernos mensaes. A

palavração é adoptada.”315

O Decreto n. 1.947, de 1906, determinava que o ensino da leitura deveria ser iniciado pelo trabalho com os vocábulos. Os(as) professores(as), ao ensinarem as primeiras palavras, tinham que fazer com que as crianças percebessem que a ideia contida em cada vocábulo estava relacionada a um conjunto de letras. Depois que as primeiras lições fossem trabalhadas e os(as) alunos(as) já estivessem acostumados(as) a um certo número de vocábulos, poderiam decompô-los e formar novas palavras. As determinações quanto ao ensino da leitura enfatizavam ainda que os vocábulos apresentados inicialmente deviam representar coisas concretas. A ideia era que o ensino partisse das sílabas mais fáceis para as mais complexas e que as crianças fossem treinadas a pronunciar corretamente todas elas.

Outro aspecto importante referia-se ao fato de que as lições ensinadas deveriam ser mais curtas, de modo que os(as) alunos(as) tivessem mais condições de realizar boas leituras. Todas essas determinações compunham o chamado método analítico da palavra ou método da palavração, já mencionado na seção a respeito da materialidade do Grupo de Ouro Preto. A principal característica da palavração, considerada um dos mais modernos e racionais métodos de ensino da leitura, era o fato de o trabalho começar pela palavra para depois enfocar a decomposição das partes dos vocábulos. Esse princípio invertia a lógica dos métodos baseados na soletração, que previam o início do ensino pelas partes das palavras (SOUZA, 1998; RESENDE, 2002; KLINKE, 2003).316

Em relação à escrita, o programa de 1906 determinava o ensino do estilo vertical, considerado mais fácil, econômico, higiênico e rápido. Uma das principais preocupações expressas no programa dizia respeito à postura das crianças ao escrever. Conforme as prescrições, os(as) alunos(as) tinham que “[...] ter a mão educada no modo de pegar a Penna e manejal-a de

315 APM – SI – 3386. Relatório enviado à Secretaria do Interior pelo inspetor técnico da 9ª circunscrição, Arthur

Napoleão Alves Pereira. 1º de setembro de 1912.

316

Em 1912, um novo programa de ensino foi promulgado, por meio do Decreto n. 3.405, e ficou determinado que o ensino da leitura deveria ser trabalhado através do método analítico da sentença. Primeiramente, os(as) alunos(as) começariam lendo pequenas sentenças, compostas por palavras conhecidas. Depois, novas sentenças, um pouco mais longas, deveriam ser trabalhadas. Elas seriam decompostas em palavras e essas em sílabas. Por meio desse processo, as crianças poderiam compor novos vocábulos e novas sentenças. Karina Klinke (2003) estudou de que modo o método analítico da sentença foi adotado nas escolas primárias mineiras.

accordo com o typo de letra adoptado” (MINAS GERAIS, 1906, p. 107).317

A questão da postura estava ligada aos preceitos higienistas. Faria Filho (1996) comenta que, segundo tais ditames, as crianças tendiam a escrever para a direita, portanto, obrigá-las a escrever para a esquerda seria um contra-senso, uma violência ao corpo delas. O estilo vertical criava as condições necessárias para que os(as) alunos(as) escrevessem de maneira saudável e higiênica, com uma postura correta. Luciano Faria Filho (1996) ainda esclarece que, no ponto de vista dos reformadores da educação, as características do estilo vertical, ao contrário daquelas da escrita inclinada, além de estarem em consonância com os fundamentos da nova ordem social e econômica do sistema capitalista, ainda permitiam a construção de textos mais uniformes, regulares.

As recomendações para o ensino da leitura e da escrita, como explicado acima, a princípio, pareciam ser observadas no Grupo Escolar D. Pedro II. No entanto, foram encontradas considerações feitas pela inspeção educacional apontando as dificuldades das professoras do 1º ano para trabalhar simultaneamente a leitura com todas as crianças. Pelo fato de as classes serem heterogêneas quanto ao nível de adiantamento dos(as) alunos(as), as docentes acabavam por ministrar os conteúdos simultaneamente para uma parte da classe e individualmente para outra. O princípio da uniformidade dos livros também não era respeitado, bem como o método indicado para o ensino da leitura. O inspetor registrou a situação do seguinte modo: “[...] O ensino de leitura para a turma adiantada é simultaneo, ao passo que para as outras turmas é individual e por compendios differentes, praticando a professora o methodo de syllabação.”318

O primeiro ano era uma das fases mais importantes do curso primário, pois era o momento em que as noções iniciais de leitura e escrita seriam ministradas para as crianças. Algumas delas não chegavam a concluir o curso elementar. Por razões de sobrevivência, precisavam se inserir no mercado de trabalho e abandonavam a escola logo que aprendiam a ler, escrever e contar. Portanto, a fase inicial do primário precisava ser bem organizada e apresentar resultados satisfatórios. As autoridades educacionais talvez esperassem um empenho ainda

317

A postura que os(as) alunos(as) deveriam ter ao escrever é também descrita no Decreto n. 1.947, de 1907, da forma a seguir: “Tronco erecto com o peito de frente para a carteira, sem tocal-a, e os pés bem assentados no soalho. O assento deve ter altura de modo que ambos os antebraços fiquem em nível, descançando metade do comprimento delles sobre a carteira. O papel será collocado em posição vertical, formando ângulo recto com a borda da carteira” (MINAS GERAIS, 1907, p. 13).

318 APM – SI – 3593. Relatório do inspetor regional da 9ª circunscrição, Antonio Raymundo da Paixão, para a

maior dos(as) professores(as) naquele momento da instrução, com a finalidade de despertar, logo nos primeiros tempos de escola, o gosto pela leitura.319 Além disso, o trabalho relativo a outras matérias, como língua pátria e instrução moral e cívica, dependiam da leitura. Por conseguinte, as professoras do 1º ano do Grupo Escolar D. Pedro II, na concepção dos legisladores e fiscais de ensino, poderiam não estar estimulando em seus(uas) alunos(as) o hábito de ler e comprometendo o ensino de outros conteúdos.

Entre as escolas isoladas havia aquelas em que as prescrições quanto ao ensino da leitura e da escrita eram seguidas. Esse era o caso das cadeiras primárias da professora Seraphina Felicissimo320 e da Penitenciária, embora no tocante a essa última a inspeção técnica tenha considerado que o professor se preocupava com algumas minúcias gramaticais que, por vezes, tornavam o ensino mais abstrato.321 Havia também as que recebiam críticas por não respeitarem as orientações quanto a prática da caligrafia vertical e da abordagem analítica para o ensino da leitura. Essa era a situação das cadeiras primárias do Lyceu de Artes e Officios322 e da professora Raymunda Nonato Franco.323

A adequada aplicação das orientações para o desenvolvimento da leitura e da escrita parecia ser importante não apenas pelo fato de estarem previstas em lei, mas também porque poderia significar que os responsáveis pelas escolas primárias, diretores(as) e professores(as), comungavam dos mesmos princípios de modernidade daqueles que formularam os métodos que deveriam ser adotados e das autoridades educacionais. Poderia indicar ainda que diretores(as) e docentes estariam empenhados(as) em reformar o ensino tanto quanto o governo mineiro. No que diz respeito ao ensino da leitura e da escrita, o Grupo D. Pedro II apresentava oscilações, recebendo, por vezes, mais críticas do que as escolas isoladas. Mas, e as outras matérias? Por meio de que modos eram desenvolvidas? Como o Grupo Escolar de Ouro Preto era avaliado pela inspeção técnica?

319 Um dos objetivos dos reformadores do ensino era educar os sujeitos para o desenvolvimento do gosto e do

hábito de ler. Ou seja, criar leitores para a vida e não apenas para situações do contexto educacional. Para isso, a elaboração e determinação de maneiras de ler e do que deveria ser lido se tornaram necessidades básicas (KLINKE, 2003).

320 APM – SI – 3386. Relatório do inspetor regional da 9ª circunscrição, Arthur Napoleão Alves Pereira, enviado

à Secretaria do Interior. 30 de junho de 1912.

321

APM – SI – 3342. Relatório do inspetor técnico da 13ª circunscrição, Arthur Napoleão Alves Pereira, para a Secretaria do Interior. 1 de junho de 1910.

322 APM – SI – 3342. Relatório do inspetor técnico da 13ª circunscrição, Arthur Napoleão Alves Pereira, para a

Secretaria do Interior. 1 de junho de 1910.

323 APM – SI – 3296. Relatório elaborado pelo inspetor técnico da 13ª circunscrição, Bento Ernesto Junior, para

Não foram encontrados elementos suficientes que contribuíssem para a construção de análises sobre o trabalho realizado pelas professoras da referida escola e também pelos(as) docentes das cadeiras isoladas em relação a todos os conteúdos do programa. Entretanto, a