2. GENEL BİLGİLER
2.3. Germe
2.3.2. Germenin Fizyolojisi
2.3.2.4. Kas Kasılma Çeşitleri
Sobre a atuação das mulheres na filantropia e atividades caritativas, comecemos com esta notícia :
Uma grandiosa kermesse – No dia primeiro do próximo mez de Setembro, realisar-se há no Mercado publico, importante Kermesse, em beneficio d‟uma obra (?). (...) A 1 hora da tarde será inaugurada a kermesse aos sons maviosos da philarmonica “Lyra caetiteense” que sob a batuta do intelligente maestro Guilhermino Dantas, executará bellissimos dobrados, marchas e ouvertunes [sic] do seu inexgotavel repertorio. Fazem parte da commissão as Exmas. Senhoras: D. Amália Moreira Cunha, Jovina Trindade Novaes, Maria Clementina Moreira Silveira, Sonida Ledo e gentis senhoritas: Alice Rodrigues Lima, Algezira turisco, Beatriz Rodigues Lima, Evangelina Teixeira, Elisa Castro, Guiomar Silva, Hercília Teixeira, Isolina Silveira, Jacynta Borba Silva, Julieta Cardoso, Nicodema Souza, Ianule (?) Silveira. Todas essas Exmas. Senhoras e Senhoritas pedem ainda uma vez, o comparecimento generoso e fidalgo do povo caetiteense para o bom êxito da kermesse de 1º de Setembro que, estamos certos, há de constituir um facto notabillissimo no nosso meio social140.
Uma quermesse para angariar recursos para uma obra beneficente, com uma comissão organizadora formada por quatro senhoras e doze moças, é um dado significativo da presença das mulheres na vida social de Caetité. Outras notícias semelhantes informam a freqüente ocorrência de ações beneficentes, sendo a culminância de tanto empenho, a fundação da Associação das Senhoras de Caridade de Caetité, em 1919. O estudo de Marcos Profeta Mulheres e Poder no Alto Sertão Baiano, aponta a participação de Celsina Teixeira141, uma mulher de elite à frente do empreendimento, além de outras mulheres da mesma família e suas articulações políticas, porém, nota-se que houve uma adesão de mulheres de outros estratos sociais; professoras e pessoas da comunidade que, mesmo não possuindo grandes posses, fizeram-se presentes com os seus trabalhos voluntários. Numa reunião só de mulheres, deu-se a fundação, da qual consta uma ata com dezessete assinaturas; o estatuto bem escrito e bem organizado, incluía entre seus objetivos: visitar doentes pobres em seus domicílios, manter assistência aos órfãos, desvalidos e inutilizados. As atividades iam se ampliando conforme as necessidades fossem surgindo e assim, é possível encontrar uma pluralidade de ações e decisões tomadas em suas regulares reuniões mensais, tais como: promoção de trabalho
140Jornal A Penna, 15/08/1918.
141Entre 1919 e 1976 quando faleceu, esteve quase a todo o tempo na diretoria da associação,
para moças pobres, buscar descontos em farmácias para facilitar a aquisição de remédios para os doentes, buscar serviço voluntário de médicos, deixar cofres nas lojas para angariar fundos, montar uma dispensa para distribuir alimentos para pobres pedintes, além das campanhas feitas em quermesses, jogos, apresentações teatrais, rifas, etc142.
Enumerar tantas atividades realizadas, mostra o intenso trabalho da associação, a disponibilidade, criatividade e capacidade de luta das mulheres que compunham os seus quadros. Pode-se ver na Tabela 3, o número de associados por ano de entrada.
Tabela 3 - Número de Associados da ASCC no período de 1919 a 1930143
Ano Nº de Associadas 1919 45 1920 04 1921 01 1922 11 1923 - 1924 24 1925 08 1926 02 1927 03 1928 06 1929 14 1930 12
Fonte: Livro de Registro de Associados – Secretaria da ASCC
A partir de 1924, aparece o primeiro associado homem, um padre de uma cidade da região e daí em diante aparecem muitos homens inscritos. Constam sete
142 Dados obtidos na Secretaria da ASCC: no Livro de Atas, Livro de registro das associadas e no
Estatuto. Este foi sofrendo modificações no sentido de trazer melhores condições de atendimento; na ata de 03/04/1921, foram criadas duas novas categorias de sócios: os que pagavam uma quantia mensal de 500 réis e outra de sócias e sócios honorários para pessoas de fora que só pagariam 24$000 só na entrada.
143Fonte
: Livro de registro de associados, Secretaria da ASCC. Período: 1919 a 1959. Os registros são minuciosos, incluindo nome, residência, data de admissão e data de saída; (neste caso, indica o motivo).
associadas sem data de entrada. Conforme aparece no relatório publicado em 2010, por ser a associação conduzida só por mulheres, significava à época da sua criação, uma incursão feminina no mundo público, onde desempenhavam muitas funções, tinham contatos com comerciantes, recolhiam pessoas das ruas, “denunciavam o pouco auxílio dos poderes públicos”, cobravam direitos junto às autoridades e inventavam saídas para os problemas concretos. Eram relações de integração, buscando incluir os homens como sócios benfeitores.
Estudos atuais vêm trazer novas luzes sobre o sentido da participação feminina em atividades filantrópicas como uma área nova que as mulheres abriam para participar da vida publica, enquanto a política lhes era interditada. Maria Lúcia Mott, estudando as participações femininas na Cruzada Pro Infância em São Paulo, chegou a conclusões que apontam para novos desdobramentos dessas atividades; as envolvidas tinham projetos maiores como por exemplo, o combate à mortalidade infantil, entendido como um dever patriótico; muitas assumiam a luta quando ainda solteiras e já com profissões estabelecidas. O estudo de entidades benemerentes do início do século XX pode trazer novos significados para a participação das mulheres educadas das camadas médias e das elites. Outro ganho foi com relação à maternidade que no pensamento dos mais ilustrados dentre as elites republicanas, deixava de ser vista como uma “função individual, restrita à família, para ser uma função social”144, de esteio da nação.
Observando o caso da Associação das Senhoras de Caridade de Caetité em comparação com as afirmações citadas, verifica-se segundo a notícia colocada no início deste item, que a maioria das envolvidas na quermesse eram solteiras; já nos quadros definitivos da associação, havia solteira e viúvas atuando com grande desempenho. Nesse sentido, Santos (1995:203), conta-nos da participação de Celsídia, a qual, solteira, trabalhou na associação por quarenta anos, foi a 1ª diretora do asilo dos velhos, num trabalho de assistência social sem remuneração, ao lado de Celsina Teixeira e ai terminou os seus dias tratada com carinhoso reconhecimento. Doou parte da sua herança à associação.
É certo que as mais influentes faziam suas articulações políticas, mas todas se empenhavam igualmente em cooptar a participação dos homens como
144 MOTT, Maria Lúcia. Maternalismo, políticas públicas e benemerência no Brasil (1930-1945). Cad. Pagu [online]. 2001 n.16 [citado 2010-10-09], pp.199-234 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
coadjuvantes, mas mantendo visível autonomia. Outra diferença que se impõe, é que as associações beneméritas do início do século XX não estavam mais presas às lideranças religiosas, principalmente padres e isso foi relevante para deixar as mulheres mais livres em suas ações.
Havia outras formas de assistência além da ASCC entre as quais devemos assinalar o exemplo de uma mulher professora, Beatriz Rodrigues Lima Hofmam, pela postura adotada em relação aos seus alunos, relata Santos (op. cit.:66); como professora primária aceitava com o mesmo interesse o filho do pobre e do rico, aboliu castigos físicos da sua classe; 5 anos antes de se aposentar, criou uma escola só para crianças pobres, recusando as crianças de posses. Nesta atendia em dois turnos; tinha muitos alunos e chegava a pagar por sua conta auxiliares normalistas ou mesmo professores, para ajudar-lhe a atender os mais pobres e desprotegidos.
Na coluna “Sociais” do Jornal A Penna, a matéria com o título: “Dependendo da caridade” assinada por uma mulher de nome Gabi, enfatiza a necessidade de se organizar mais campanhas beneficentes e termina assim: “Façamos alguma coisa pelo nosso hospital, pela „Caixa Escolar‟, pela educação dos nossos filhos nas fileiras do escoteirismo, a nós mulheres, deve caber essa tarefa do coração”. Esta colaboradora do jornal em 1928 estava sempre atenta às questões do mundo feminino, a exemplo das severas críticas feitas à medicina da época por deixar morrer uma mulher: “A sciencia humana capitulou diante da modalidade do caso. A vida de u‟a mulher esvaiu-se, quando ainda podia alentar muitas vidas. A humanidade inteira fica a depender da mulher e Ella é a heroína da geração, dando- se as suas forças, aniquilando-se em holocausto pela perennis humanitate”. Mesmo expressando-se com esta visão idealizada de feminino, era uma voz reclamando mais responsabilidade com a saúde.