4. SONUÇLAR VE TARTIŞMA
4.2 Karbon Köpük Üretiminde Demineralizasyon İşlemlerinin Etkis
“onde está o Deus da Justiça?”
O advérbio
hYea,
“onde?”, “qual?” em textos poéticos, pode ser utilizado sem se esperar nenhuma resposta. Funcionando como uma pergunta retórica. Também é comum a utilização deste advérbio quando pessoas questionam a existência, o poder, a palavra e a justiça de Javé139, o que nesta oração parece ser o uso indicado.Este advérbio conota uma falta de visibilidade, uma pergunta por algo ou alguém desconhecido ou não identificado, como também pergunta por um lugar procurado. Quando devotos perguntam: onde está o Deus da
fP;v]Mi
“direito”, “justiça”? Isso pode indicar uma ausência sentida. Pode indicar uma atitude de desespero, ou ainda, uma ironia por não crer mais na presença, nos valores e, tão pouco, na ação desse Deus.É interessante notar como Malaquias utilizou o substantivo construto do nome divino
yheloa>
. Com esta forma, o profeta aplicou a idéia de um Deus universal e criador do mundo (Ml 2,10,15; 3,8) e que também possui uma
137 Idem, p.24.
138 HILL, Andrew E., Malachi: A New Translation, p.264.
aliança com os hebreus140. Assim, coloca nas palavras do povo um conceito teológico mais amplo. Esta concepção amplia a majestade de Javé sobre todas as nações e o entende de forma menos exclusivista. No entanto, não parece indicar o que reivindicavam, pois sua pergunta aponta para o julgamento através dos valores da aliança.
A utilização de um termo mais universal para designar Javé serve também como aporte teológico para a expressão nominal:
fP;v]Mi yheloa>
“Deus da justiça”. A relação entre os dois substantivos provoca uma relação causal onde um substantivo qualifica ou designa o outro. Desta forma, a expressão parece identificar a divindade. Sua qualidade ou característica é a justiça, direito, julgamento.A cobrança por justiça ou julgamento se devia à compreensão da teologia da retribuição, e por esta ótica, Deus deveria cumprir sua função de juiz (com atributo de justiça) outorgando bênçãos e maldições sobre todos os que cumpriam ou não suas leis.
A constatação que Deus não estava cumprindo com sua palavra fez com que o povo questionasse a convicção religiosa mais cara e que era a base para as suas vidas.
O termo
fP;v]Mi
representa a idéia de um governo correto (civil ou religioso). O executarfP;v]Mi
“o direito”, “a justiça” era a tarefa de um juiz diante da apresentação de um processo litigioso. O termo também pode referir-se à legitimidade dada às instâncias governamentais para suas ações e ainda pode representar os direitos que alguém possui por lei.141Uma outra implicação importante para o termo
fP;v]Mi
, nesta perícope, refere-se à função do sacerdócio mediante à vida em justiça. Aarão foi responsabilizado para levarfP;v]Mi
“o direito” a Israel (Ex. 28,15,29-30). A preocupação do sacerdócio diante de Javé era a justificação de Israel, ou seja, a sentença judicial sobre a culpabilidade das pessoas.142 Quando os ouvintes manifestavam sua140 HILL, Andrew E, Malachi: A New Translation, p. 265.
141 HARRIS, R. Laird e outros, Dicionário de Teologia do AT, p.1604-1606. 142 Idem, p.1606.
inconformidade com a vida (que julgavam injusta) e com a ação de Javé (ou a falta dela) apontam diretamente para o outro foco da mensagem de Malaquias: as faltas do ministério sacerdotal (1,6-2,9), apresentadas com uma certa coerência na elaboração posterior do oráculo (3,1-5).
O sentido desta pergunta é questionar as ações de justiça de Deus. É criticar seu atraso no julgamento sobre as outras nações que oprimiam Jerusalém e o território de Judá (a Pérsia). Os interlocutores do profeta manifestam o descontentamento com Javé.
Com esta questão
fP;v]Mih' yheloa> hYea'
“onde está o Deus do direito, da justiça?”, o povo pode indicar: primeiro, que estava à espera do julgamento divino e que este poria em ordem suas vidas alcançando as suas expectativas143 ou então indicava que estavam tão frustrados e cansados com sua crença, com sua religião que não conseguiam mais crer em um Deus que é e faz justiça sobre a terra144.
Os dois dizeres
rm'a;
do povo apresenta uma franca crítica às preferências de Javé que parece ter invertido todos os seus valores e também uma séria queixa da ausência do Deus da Justiça que, sem considerar sua aliança, não julga os povos em suas ações. Portanto, o foco do estudo desta perícope deve descortinar (nos versos seguintes) como Javé agiria diante de um quadro tão angustiante e desafiador.O oráculo em 3,1 apresenta uma forma de intervenção divina para transformar esse quadro e estes conceitos difundidos. Cabe neste momento do estudo discutir (no aprofundamento da mensagem profética) qual ou quais seriam os/as agentes de Javé para promover a transformação dessa realidade? Neste verso são apresentados três títulos que precisam ser discernidos, para que se mensure qual ou quais são os/as agentes transformadores da realidade teológica e vivencial e qual ou
143 Esta posição é defendida por Andrew E. Hill que entende que a expectativa dos ouvintes de
Malaquias correspondia a uma espera genuína do julgamento divino que traria a transformação das realidades vivenciais e sociais no território de Judá. Confira HILL, Andrew E., Malachi: A New Translation, p.264-265.
144 Esta posição é defendida Beth McDonald Glazier que entende as frases da demanda como uma
construção irônica que apresenta uma tendência de indiferença geral a Deus ao ponto de conduzir o povo a uma negação da própria existência divina. Confira em GLAZIER, Beth McDonald, Malachi: The Divine Messenger, p.124-127.
quais seriam suas ações. Os três títulos apresentam missões ou tarefas que devem servir como resposta às perguntas descrentes (2,17).
Na continuação da demanda (3,1), há quatro frases relacionadas às ações de Javé. A primeira e última frases estão identificadas pela interjeição
hnehi
“eis que” sendo que a primeira foi construída como um pronunciamento direto de Javé na primeira pessoa e a última como uma promessa de cunho escatológico assinada por Javé dos exércitos na terceira pessoa.As outras duas frases possuem conexões íntimas com o conteúdo da primeira e da última frase desenvolvendo um esquema relacional:
yn;p;l] &r,d,-hN;piW y
kia;l]m' j'levo ynin]hi
Eis que enviarei meu mensageiro que aplaina o caminho para mim; A
!yvipq]b'm] !T,a'-rv
,a} @/da;h; /lk;yhe-l
a, a/by; !aot]piW
repentinamente virá a seu templo o Senhor o qual vós buscais; B
!yxipej} !T,a'-rv,a}
tyriB]h' &a'l]m'W
e o mensageiro da aliança o qual vos é desejável; B
Wt/ab;x] hw;hy] rm'a; ab;-hNehi
Eis que virá, disse Javé dos exércitos! A
As repetições dessas frases se relacionam: para as ações de Javé que enfatiza
a sua
a/by; !aot]pi
repentina vindalk;yhe
“ao templo” e a reafirma, como certa e próxima, na última frase como uma autenticação da verdade profética:ab;-hNehi
“eis que virá”. As outras duas frases se relacionam com ojJ'lev-yniN]hi
“envio próximo” doykia;l]m'
“meu mensageiro”, também chamado detyriB]h' &a'l]m'
“mensageiro da aliança”.Com esta forma, o verso parece descrever dois momentos significativos de ação divina: uma fase precedente que descreve o trabalho de um mensageiro autorizado e enviado por Javé para endireitar o caminho do povo
(
&r,d,-hN;piW
'
, “aplaina o caminho”), até mesmo podendo referir-se à renovação/restauração da aliança e a outra fase descreve a vinda do próprio JavéWt/ab;x] hw;hy
]
rm'a; ab;
-hNehi
“Eis que virá, disse Javé dos Exércitos” e@/da;h
''
/lk;yhe-la, a
/by
“virá a seu templo o Senhor” para realizar o julgamento, purificação e restabelecimento da vida dos habitantes de Jerusalém pelos padrões de sua aliança.Existe uma ampla discussão sobre a relação entre os títulos mencionados no texto. Pesquisadores e pesquisadoras divergem quanto a compreensão das pessoas (sua natureza: angélica ou humana) e suas respectivas funções. Seguem algumas opiniões que pretendem mencionar algumas interpretações para a relação entre essas personagens e funções.
Beth McDonald Glazier afirma que este verso está intimamente ligado ao Livro da Aliança quando este menciona o “mensageiro de Javé” em Ex 23,20-22. Neste texto, o mensageiro do êxodo levaria Israel para o lugar que Javé preparou para eles e o povo deveria estar atento para atender sua voz e não se rebelar contra ele porque o nome de Javé estaria nele.145
Glazier ainda entende que em Malaquias 3,1 os epítetos
tyriB]h' &a'l]m'
“mensageiro da aliança” e@/da;
“Senhor” se correspondem pelo fato que, no êxodo, os papéis de Javé e do seu mensageiro parecem se fundir (Ex. 22,21).146 A única justificativa para esta hipótese no texto de Malaquias é a ocorrência do advérbio!aot]p
“repentinamente”. Ela afirma que este advérbio promove uma transição para a comparação entre o “Senhor” e o “mensageiro da aliança”147. Entretanto, ela própria afirma que o advérbio funciona como um dispositivo transitivo que separa a ação do&a'l]m'
“mensageiro” no início do verso do “dia de Javé”, e, ainda não
145 GLAZIER, Beth McDonald, Malachi: The Divine Messenger, p.130. 146 Idem, p.130-131
faz menção do vav conjuntivo prefixado ao advérbio com a função de unir à frase anterior. Embora a comentarista trabalhe com a compreensão que os oráculos de Malaquias foram construídos na forma poética, não faz menção às correspondências fraseológicas no oráculo (paralelismo).
Andrew E. Hill menciona três categorias possíveis para a interpretação desses três títulos148. Em sua opinião, não se deve relacionar o
ykia;l]m'
, “meu mensageiro” com otyriB]h' &a'l]m'
, “mensageiro da aliança”, pois para ele, isso levaria à idéia que Javé estava forçando a aliança, fazendo-a cumprida à força. Também afirma que otyriB]h' &a'l]m'
, “Anjo da Aliança” e o@/da
, “Senhor” não são para ser identificados com oykia;l]m'
“mensageiro precursor”. Assim faz relacionar o “mensageiro da aliança” com o “Senhor”.149Joyce G. Baldwin parece entender três personagens distintas com funções distintas. Afirma que
ykia;l]m'
, “meu mensageiro” possuía o papel de levar as pessoas ao arrependimento e deve ser distinguido dotyriB]h' &a'l]m'
“anjo da aliança”. Para ela@/da
“Senhor” é o próprio Javé e otyriB]h' &a'l]m'
“o anjo da aliança” viria no mesmo tempo que o “Senhor” e este iria instituir uma nova aliança.150Bruce V. Malchow, em um de seus artigos, afirma que
ykia;l]m
“meu mensageiro” é uma figura não especificada
148 A primeira possibilidade interpretativa identifica três pessoas distintas para os três títulos: o
mensageiro é considerado uma personagem humana, o Senhor como o próprio Javé e o Anjo da Aliança como um antepassado angélico que sustentava o nome de Javé (Ex.23,20-22) e ainda existem aqueles que interpretam-no como Esdras; A segunda possibilidade faz referência a duas personagens distintas: uma humana e a outra divina. Entretanto, alguns podem identificar o Senhor e o Mensageiro da Aliança como Javé ou o Meu Mensageiro com o Mensageiro da Aliança como alguém que compeliu o povo à aliança; A terceira possibilidade interpreta os três títulos para uma única personagem; para estes intérpretes o termo ´adon (@/da;) é visto como um título honorífico concedido a uma pessoa nobre.
149 HILL, Andrew E, Malachi: A New Translation, p.265. 150 BALDWIN, Joyce G., Ageu, Zacarias, Malaquias, p.203-204.
podendo ser um anjo ou um profeta. O
@/da
“Senhor” refere-se a Javée o autor quando escreveu
tyriB]h' &a'l]m'
,“mensageiro da aliança” parece que não teve a intenção de identificar “o mensageiro da aliança” com o “Senhor” e ainda afirma que Javé não é chamado em nenhum outro lugar do Antigo Testamento de mensageiro.151
As discussões evidenciam o apego às imagens da tradição do Êxodo, às várias frases que constam nos escritos deuteronômicos e a uma tendência escatológica. O profeta menciona o dia da vinda de Javé como um encontro com lugar marcado (“seu templo”) e ações de purificação (3,2-4) e de julgamento para os que estavam vivendo fora dos limites da aliança (3,5).
O v. 3,1 indica que seria enviado proximamente aquele que recebe no texto o título
ykia;l]m
“meu mensageiro”. Este viria para promover um acerto entre o povo e Deus (yn;p;l] &r,d,-hN;piW
“aplaina o caminho para mim”). Que acerto seria esse? Em uma frase posterior, reaparece umtyriB]h' &a'l]m'
“mensageiro da aliança” que parece possuir a missão, pela tradição do êxodo, de conduzir o povo para o projeto de Javé. Ao que parece, tanto o Mal‘aki (ykia;l]m'
) quanto oMal‘ak haberith (
tyriB]h' &a'l]m'
), possuíamtarefas similares. Sua missão era a de fazer o povo trilhar os caminhos de Javé, os caminhos da aliança. Isto é, promover o retorno do povo à adoração através da obediência às leis deuteronômicas.
Há, porém, que se considerar que o
tyriB]h' &a'l]m
“mensageiro da aliança” possui um aspecto transcendente como o de um ser espiritual que continuaria à frente do povo como um condutor. Desta forma, pode ter um vínculo com a teologia individual152 que se arvorava em Jerusalém, mais fortemente, neste período.
151 MALCHOW, Bruce V., The Messenger of the Covenant in Mal. 3:1, em Journal of Biblical
Literature, vol.103,nº 2, Junho, 1984, p.252-253.
É interessante que em 3,1 há dupla menção de expressões de anseio: uma para a vinda de
@/da;
“o Senhor” onde foi usado o particípio hif’il!yviq]b'm
]
que indica “uma busca intensa”, talvez manifestando o interesse de encontrar a razão última de suas vidas, ligando essa busca à aliança e a outra quando se refere aotyriB]h' &a'l]m
“mensageiro da aliança” onde a frase foi complementada por um adjetivo plural!yxipej}
que indica um desejo com alto grau de satisfação ou designa um grande interesse por algo.O primeiro termo ligado ao título
@/da;
“Senhor” advém da raizvq;b'
“buscar”, “perseguir”, “procurar”. Este termo descreve a intenção que o objeto seja encontrado. Este termo está ligado à aliança e pode descrever Deus buscando alguém que violou a aliança, embora no texto quem busca e quem procura é o povo que está “descrente”. Por isso, parece indicar que o profeta falava de um grupo de pessoas que buscavam alguém desaparecido, escondido que não se fazia presente.O segundo termo que complementa o título
tyriB]h' &a'l]m'
“mensageiro da aliança” advém da raiz$pej;
“alguém que deseja”, “se deleita”. Este termo pode descrever a grande satisfação que Deus tem em certas pessoas, podendo liga-lo à satisfação por ver alguém vivendo correta e justamente. Embora no texto, essa ansiedade também foi colocada como expectativa do povo para as ações do mensageiro de Javé, também foi usado em 2,17 para descrever a preferência de Javé pelos maus.As expressões de desejo provavelmente estabelecem no texto o duplo foco entre as duas fases anunciadas no verso: a primeira, a fase do
ykia;l]m
“meu mensageiro” que converteria o caminho do povo (aliança) preparando-o para a vinda do próprio Senhoryn;p;l] &r,d,-hN;piW y
kia;l]m' j'levo ynin]hi
Eis que enviarei meu mensageiro que aplaina o caminho para mim;
!yxipej} !T,a'-rv,a} ty
riB]h' &a'l]m'W
e o mensageiro da aliança o qual vos é desejável;
e a segunda, que aponta para a vinda de Javé que teofânica e poderosamente restauraria a vida do povo
!yvipq]b'm] !T,a'-rv,a}
@/da;h; /lk;yhe-la,
a/by; !aot]piW
repentinamente virá a seu templo o Senhor o qual vós buscais;
Wt/ab;x] hw;hy] rm'a;
ab;-hNehi
Eis que virá, disse Javé dos exércitos!
Portanto, o texto fala das ações que o povo ansiava da parte de Javé. O que 3,1 anuncia são as respostas de Javé às perguntas de seu povo. Assim, a missão do
ykia;l]m
“meu mensageiro” deve ser compreendida como um desafio conversivo que visava a restauração da confiança em Javé, restabelecendo para o povo a ordem e as preferências do Senhor que permaneciam como antes. Todos deveriam se preparar para reencontra-lo em toda a sua glória no seu templo e na vida cotidiana.As ações de Javé descritas em 3,1 dimensionam um tempo próximo153 tanto para a vinda do
ykia;l]m
“meu mensageiro” quanto para a vinda do próprio Javé. Entretanto, a vinda do Senhor é descrita como abrupta e repentina indicando uma pronta e surpreendente resposta aos que questionavam e não mais confiavam nele.A vinda de Javé e de seu enviado soam como resposta às perguntas em 2,17, mas faz-se necessário distinguir quem era
ykia;l]m
“meu mensageiro” e otyriB]h' &a'l]m
“mensageiro da aliança”? Em que consistia sua missão e obra? E de que natureza era o enviado de Javé?
153 Este tempo próximo pode ser apreendido pelo uso da interjeição seguida de particípios:
j'levo ynin]hi
(Eis que meu enviado) eab;-hNeh
O termo
&a'l]m
“mensageiro”, “representante”, “anjo “ foi utilizado no Antigo Testamento para designar mensageiros humanos e sobrenaturais. Estes possuíam as seguintes tarefas: levar uma mensagem, desincumbir-se de alguma outra atividade específica e representar aquele que o enviara.154Os mensageiros humanos são bem representados pelos profetas. Outros tipos de mensageiros humanos no Antigo Testamento são caracterizados pelo cumprimento de determinadas missões, como por exemplo: espias (Js. 6,25), guardiões (2Sm. 11,4), diplomatas (Jz. 11,12-14; 2Sm.5,11; 1Rs.20,2).
Os mensageiros sobrenaturais ou anjos manifestavam, além da mensagem, aspectos da glória de Deus como articuladores entre as dimensões celeste e terrestre, e ainda, podiam realizar algumas tarefas, tais como: proteger o esforço humano (Gn. 24,40), guardar os hebreus no deserto (Ex. 23,20), executar juízo (2Sm. 24,17), livramento (Gn. 19,12-17), proteção (Sl. 91,11) e intercessão junto a Deus (Zc. 1,12; 3,1-5).
O
ykia;l]m
“meu mensageiro” parece receber uma missão específica. E este seria capaz de conduzir o povo a um profundo conserto com Javéyn;p;l] &r,d,-hN;piW
“aplaina o caminho para mim”. A sua ação transformaria aquela realidade de crise em dias de encontro e de confiança na presença poderosa e justiceira de Javé entre o povo. Assim sendo, o mensageiro parece ser um profeta ou uma liderança capaz de devolver ao povo a esperança no poder de Javé.Há quem afirme ser o próprio profeta esse agente. E também há quem chegue a afirmar que tais palavras referem-se a Esdras, um líder que futuramente seria enviado por ordem do imperador persa para restaurar o culto a Javé e para restabelecer a justiça pelas leis do seu povo (Ed. 7,11-28).
Ainda se deve mencionar que tal
&a'l]m
“mensageiro” é nomeado nos apêndices de Malaquias como sendo Elias (3,23) tendo como missão primordial promover um processo de conversão utilizando o hif’il da raizbWv
“fazer”, “voltar”, “retornar”, “converter” (3,24).
Quando se refere a Elias, o livro traz à memória o ideal profético. Assim, o livro parece indicar o “meu mensageiro” como um profeta que, de forma idealizada, promoveria o retorno da fé a Javé. Assim como no passado Elias fizera voltar a fidelidade do povo a Javé (1Rs 17-19), naqueles dias esperava-se alguém que pudesse, como Elias, enfrentar as adversidades, crises e até mesmo poderes políticos para novamente levar o povo a confiar na aliança com seus Deus.
O outro momento da ação transformadora de Javé é descrito como a sua própria vinda. Esta foi descrita como repentina (tanto em 3,1 como em 3,5). Em 3,1b, o texto apresenta o templo como o lugar de sua vinda. O Dia de Javé se apresenta como único, quando Deus se mostra como é, no seu templo. Assim, sua origem pode ser vinculada à esfera do culto155.
O dia de Javé é o ‘dia de sua entronização como rei’ (...) é o dia quando vem (...) e se faz conhecido, isto é, se revela aos seus (...) é o dia quando ele repete a teofania do Monte Sinai (...). Especificamente, é o dia que ele renova a eleição de Israel (...) e a aliança com seu povo (...)156
Hill concorda acrescentando que o oráculo apresenta uma fórmula também comum aos salmos de entrada que enfatiza a responsabilidade sobre a fé do crente na preparação para o culto atendendo às exigências do caráter de Javé.157
Baldwin complementa que o anúncio do mensageiro e a vinda do Senhor estão vinculados a uma “procissão real”158 podendo remeter ao imaginário das cerimônias de coroação que estavam estritamente ligadas como ato cúltico de exaltar o Deus coroado e todo-poderoso.
Glazier também aduz à idéia de um “processional do caminho” que fazia parte das celebrações nos grandes templos do oriente. Este dia era festivo em Jerusalém. Era o dia da entronização de Javé onde era reconhecido como rei e estabelecia seu reino, sua justiça e a esperança de um futuro para seu povo.159
Com esse imaginário, Malaquias enfatiza a realeza de Javé e a segurança em seu triunfo. Desta forma, o povo que estava duvidando dele precisava rever seus conceitos e palavras, pois ele estava próximo e exigiria de seu povo o cumprimento de sua aliança.
155 GLAZIER, Beth McDonald, Malachi: The Divine Messenger, p.131. 156 GLAZIER, Beth McDonald, Malachi: The Divine Messenger, p.131-132. 157 HILL, Andrew E., Malachi: The New Translation, p.290.
158 BALDWIN, Joyce G., Ageu, Zacarias, Malaquias, p.204.
A vinda de Javé garante que ele não havia se esquecido de seu povo e nem de sua aliança. Embora pareça incongruente (porque há muito tinham perdido a autonomia política), a figura monárquica neste contexto estabelecia um novo paradigma teológico para aquele momento. O povo deveria compreender que, mesmo não tendo um rei (que seria um ungido, um representante da divindade), o próprio Javé se mantinha como o soberano sobre o seu povo e instituía, com isso, o