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2.2. Beta Laktam Antibiyotikleri

2.2.1. Karbapenemler

Nos estudos linguísticos, mais particularmente nas ciências humanas e sociais, o corpus é compreendido como o conjunto de dados que servem de base para a descrição e análise de um fenômeno. Esses dados podem ser: orais, escritos e/ou audiovisuais, que, por sua vez, ―são extraídos de discursos efetivamente produzidos pelos locutores em suas trocas sociais ou que são obtidos por elicitação.‖ (CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2008, p. 138).

Segundo Fairclough (2001, p. 273), o corpus ―reflete adequadamente a diversidade da prática e as mudanças na prática mediante diferentes tipos de situação, ambas consideradas de maneira normativa e inovadora‖.

O corpus da pesquisa compreende o corpo discursivo, que para análise do discurso é imprescindível. Pêcheux, um dos grandes iniciadores da análise do discurso diz sobre o corpo discursivo que este é:

um conjunto de sequências discursivas estruturadas segundo um plano definido em referência a um certo estado de condições de produção do discurso. A constituição de um corpo discursivo é um efeito, uma operação que consiste em realizar por um dispositivo as hipóteses dentro da definição dos objetivos de uma pesquisa. (PÊCHEUX, 1990, p. 163).

O corpo discursivo é basicamente o material de análise que deve ser definido pelo pesquisador, de acordo com as suas hipóteses. Segundo Jardim Pinto (2006, p 95) ―há duas condições importantes para essa definição: o corpo discursivo deve ter uma unidade que possibilite estudá-lo como um fenômeno específico e conter nessa unidade a pluralidade de discursos que possibilite dar conta de hipótese de trabalho‖.

No que concerne aos dados, de acordo com Bogdan e Biklen (1994), podem ser de diferentes naturezas, e os autores dividem em dois grandes grupos: o primeiro, compreende os materiais registrados pelo próprio investigador; e o segundo, seriam os materiais criados por outros sujeitos. Dessa forma, percebe-se que há uma variedade de dados, e o pesquisador deve olhar o seu objeto de estudo a partir da análise de mais de um dado, entendendo o termo dados, como materiais em bruto que os investigadores recolhem do mundo que se encontram a estudar.

Por outro lado, os autores citados chamam a atenção para uma reflexão importante, quando dizem que os dados são recolhidos, o que leva a crer, portanto, que seriam algo pronto. Nesse sentido, é preciso o pesquisador estar atento e buscar desnaturalizar, problematizar as questões que estão postas nesses dados, não podendo ser pragmático com questões subjetivas. O dado não está lá pronto, alguns dados até estão, como os dados documentais, a transcrição das entrevistas, e estes também podem sofrer interferências de quem os elaborou e, até mesmo, do pesquisador. No momento em que está fazendo seus registros, este pode interferir no dado e, ao interferir no dado, o pesquisador precisa deixar clara essa interferência.

Por fim, é importante a contextualização dos dados, sem despi-los do momento atual, pois o dado não faz parte de um momento estanque. Muitas vezes, é necessário outro dado para complementar a informação de que necessita o pesquisador, a exemplo da fotografia.

Para a Linguística de Corpus, a seleção de material para a pesquisa precisa atender a algumas características que podem variar, entretanto, de autor para autor. Algumas delas, no entanto, são comuns: (a) ser representativo da totalidade do uso linguístico ou de algum de seus âmbitos (BERBER SARDINHA, 2004); (b) ser extenso para dar conta da perspectiva probabilística de análise da linguagem; (c) ser formatado digitalmente; e (d) possibilitar a constituição de se tornar referência padrão em outras análises.

Para construirmos o corpus de análise desta pesquisa, fomos cautelosos em realizar um procedimento para coleta e tratamento dos dados, e, com o intuito de contribuir para a compreensão da metodologia utilizada no trabalho, fez-se necessária uma descrição detalhada dos procedimentos adotados.

A abordagem da metodologia que decidimos utilizar - a Linguística de Corpus – se constitui de um método de análise de corpora, tem como pré-requisito a existência de dois corpora, um de estudo e outro de referência. Como já apontamos em nossa metodologia existe a classificação para o tamanho dos corpora, assim apresentamos o quadro abaixo organizado por Beber Sardinha.

Tabela 01 - Classificação relativa ao tamanho dos Corpora

Tamanho em palavras Classificação Menos de 80 mil Pequeno

80 e 250 mil Pequeno-Médio 250 mil e 1 milhão Médio

1 milhão e 10 milhões Médio- Grande 10 milhões ou mais Grande

Fonte: BEBER SARDINHA, 2004.

Nos nossos estudos, vimos que a representatividade de um corpus está ligada ao seu tamanho, assim quanto maior a extensão do corpus maior sua representatividade. A partir da classificação de Sardinha (2004), classificamos o corpus dessa pesquisa como de Pequeno-

Médio, por ter 94.023 palavras, tendo 37.756 ocorrências de palavras nos nove arquivos dos Projetos Políticos Pedagógicos e 56.267 ocorrências de palavras nos arquivos de documentos do MEC. Através destes números concluímos que o material empírico selecionado para esta investigação atende ao critério de ser representativo de uma totalidade.

Com referência ao segundo pré-requisito do corpus de análise para a Linguística de Corpus – ser extenso o suficiente para que nele possam ser aplicadas análises probabilísticas – esse também não se constitui em exigência para a Teoria do Discurso. No caso desta pesquisa, a extensão do material empírico deve-se ao caráter diacrônico nela assumido, que consiste em considerar os discursos englobando as mudanças ocorridas através do tempo. Foi a dimensão da pesquisa que definiu a extensão do corpus de análise e não o atendimento à exigência de tratamento probabilístico da linguagem presente na Linguística de Corpus ou a exigência de se alcançar uma totalidade, horizonte questionado na perspectiva da Teoria do Discurso. Com relação às duas últimas exigências (c e d), todo o corpus de análise foi tratado digitalmente e transformado em arquivos de extensão txt, disponibilizando-se para novas investigações.

Neste estudo, a interpretação e a análise dos dados partiram de um corpus composto pelos textos dos PPP das escolas delimitadas como locus da pesquisa, desse modo o corpus desta pesquisa é composto de amostras representativas da prática social concernente aos PPP das nove escolas selecionadas como representação dos nove polos educacionais da Rede Municipal de Ensino de João Pessoa, como já foi dito no início deste capítulo. Esta pesquisa será composta ainda do corpus de documentos curriculares do MEC: LDB 9394/96; Parâmetros Curriculares Nacionais, documento de introdução; Diretrizes Curriculares Gerais para Educação Básica e Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental de Nove Anos, dentre outros, como está apresentado a seguir.

Para a análise do material selecionado, separei o conjunto de textos em dois grupos que designei Subcorpora, classificação que atendeu ao critério da origem do texto. Assim, no primeiro, estão reunidos os nove Projetos Políticos-Pedagógicos das escolas selecionadas (Subcorpora 1), como descritos no quadro 01 abaixo. Esclareço que, em virtude de se utilizar cada uma das escolas como amostra representativa de cada um dos Polos Educacionais da rede Municipal de João Pessoa, e para manter o sigilo de cada uma das escolas, adotou-se identificar, sequencialmente, apenas de forma numérica a correspondência do estabelecimento escolar do Polo 1, como Projetos Político-pedagógico - Escola 1, estabelecimento escolar do Polo 2, como Projetos Político-pedagógico - Escola 2, e assim sucessivamente, para todas as nove escolas dos nove Polos.

Quadro 02 - Subcorpora 1 representado pelos nove Projetos Político-Pedagógicos das Escolas municipais da rede de ensino de João Pessoa/PB

TÍTULOS DOS TEXTOS REFERÊNCIA

Projeto Político-pedagógico - Escola 1 Polo 1

Projeto Político-pedagógico - Escola 2 Polo 2

Projeto Político-pedagógico - Escola 3 Polo 3

Projeto Político-pedagógico - Escola 4 Polo 4

Projeto Político-pedagógico - Escola 5 Polo 5

Projeto Político-pedagógico - Escola 6 Polo 6

Projeto Político-pedagógico - Escola 7 Polo 7

Projeto Político-pedagógico - Escola 8 Polo 8

Projeto Político-pedagógico - Escola 9 Polo 9

Fonte: Dados da pesquisa organizados pelo autor.

O Subcorpus 2 foi composto de doze documentos das políticas curriculares nacionais, tais como: Lei de Diretrizes e Bases nº 9394/96, Parâmetros Curriculares Nacionais 1ª a 4ª série, Diretrizes Curriculares Gerais para Educação Básica e Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental de Nove Anos, todos genericamente intitulados Textos Curriculares do MEC, como descrito no quadro 2 abaixo.

Quadro 03 - Subcorpora 2constituído por 12 textos curriculares do MEC

TÍTULOS DOS TEXTOS REFERÊNCIA

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental

(PARECER CNE/CP Nº 14/2012) (BRASIL, 2012a) MEC 01

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro- Brasileira e Africana (PARECER N.º CNE/CP 003/2004) (BRASIL, 2004b)

MEC 02

Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos

(PARECER CNE/CP Nº 8/2012) (BRASIL, 2012b) MEC 03

Diretrizes Operacionais para atendimento educacional especializado na educação básica, modalidade educação especial (PARECER CNE/CEB Nº 13/2009) (BRASIL, 2009)

MEC 04

Diretrizes para o atendimento de educação escolar de crianças, adolescentes e jovens em situação de intinerância (PARECER

CNE/CEB Nº 14/2011) (BRASIL, 2011) MEC 05

Elementos conceituais e metodológicos para definição dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento do Ciclo de alfabetização (1º, 2º e 3º anos) do ensino fundamental (BRASIL, 2012c)

MEC 06

Ensino Fundamental de nove anos: Orientações Gerais

(BRASIL, 2004a) MEC 07

Secretaria de Educação Básica. Ensino Fundamental de nove anos: passo a passo do processo de implantação (BRASIL, 2009b).

MEC 08

Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros

curriculares nacionais (BRASIL, 1998) MEC 09

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- LDB 9394/96

(BRASIL, 1996). MEC 10

RESOLUÇÃO Nº 4, DE 13 DE JULHO DE 2010 (Parecer CNE/CEB Nº 7/2010) Define as Diretrizes Curriculares

Nacionais Gerais para a Educação Básica (BRASIL, 2010a). MEC 11 Resolução 7 de 14 de dezembro de 2010 (Parecer CNE/CEB Nº

11/2010. Fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos (BRASIL, 2010b).

MEC 12

A submissão desses Corpora à análise pelo programa WordSmith Tools, que será descrito no ponto seguinte, percorreu uma trajetória de pré-testes e pré-análises que teve como auxílio fundamental, o trabalho inicialmente desenvolvido a partir do projeto de iniciação científica PIBIC 2013/2014 da Universidade Federal da Paraíba, intitulado ―OS SENTIDOS DO CURRÍCULO NAS ESCOLAS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE JOÃO PESSOA/PB‖, que foi constituído por dois planos. O primeiro, intitulado WORDSMITH, como ferramenta de exploração de corpora e o segundo, Análises Discursivas dos sentidos e significados de currículo.

O primeiro Plano teve como objetivo de trabalho destacar o papel do software Worsmith Tools 6, como ferramenta de análise de corpora, na exploração dos sentidos de educação, currículo e ensino nos documentos curriculares analisados, que se constituíram dos documentos das políticas curriculares nacionais (Lei de Diretrizes e Bases de nº 9394/96, Parâmetros Curriculares Nacionais de 1ª a 4ª série, Diretrizes Curriculares Gerais para Educação Básica e Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental de Nove Anos) e os locais que compreenderam os Projetos Político-Pedagógicos de nove escolas da Rede Municipal de Ensino.

O segundo Plano teve como objetivo desenvolver, a partir do referencial teórico pautado em Laclau e Mouffe, Pereira, Lopes, Macedo e Silva, uma análise interpretativa dos sentidos de currículo nos textos dos Projetos Político-Pedagógicos das Escolas do Município de João Pessoa, os quais seriam aprofundados posteriormente nesta pesquisa aqui apresentada. Essas interpretações metodológicas pautaram-se na Teoria do discurso, de Laclau e Mouffe (2004), a que dá relevância às análises discursivas.

Os dois planos do projeto PIBIC 2013/2014, do qual participei como pesquisadora colaboradora, constituiu parte do processo desta pesquisa. As excelentes atividades de ambos os alunos de Iniciação Científica, a priori, tiveram como função uma espécie de testagem do programa, isto é, um objetivo de natureza predominantemente operacional, embora interconectada à argumentação teórica advinda da Teoria do Discurso.

Essa testagem serviu de definição do percurso metodológico no qual algumas escolhas foram abandonadas por exigirem uma amplitude de análise não suportada no espaço de uma pesquisa de iniciação científica, ou por fugirem aos recortes estabelecidos para o processo de investigação. É essa testagem que apresento a seguir.