Nosso escopo nesta investigação, ao analisarmos o desempenho escolar em função da influência exercida pelas variáveis intra e extraescolares, adere-se ao campo de estudos relativos aos fatores associados ao desempenho escolar que têm se cristalizado na América Ibérica.
Nessa direção, com vistas a contribuir com o conhecimento sobre os fatores que relacionam significativamente com o desempenho escolar, aplicamos um modelo de regressão linear múltipla, com base nos microdados da quarta edição da Prova Brasil/2011, incorporando as variáveis do aluno, do professor, do diretor e da escola para investigar o efeito dessas variáveis na Proficiência em Língua Portuguesa obtida pelos discentes do 5º ano do Ensino Fundamental da rede pública municipal cearense.
A primeira conclusão que extraímos dos resultados é o fato de a reprovação, adicionada ao abandono escolar, ser a variável independente com maior impacto sobre o desempenho escolar em Língua Portuguesa. Os resultados refletem a realidade do contexto social cearense, em que não raro se prioriza o trabalho em detrimento da educação, culminando na reprovação ou, até mesmo, no abandono escolar. Somam-se a isso os ambientes que o aluno costuma frequentar e a quantidade de pessoas que moram com ele, fato que nos fez constatar que tais aspectos prejudicam o bom desempenho cognitivo.
Em oposição a essa situação, verificamos que a participação dos pais nas reuniões escolares, combinada ao incentivo fornecido aos filhos, atua na promoção de um rendimento estudantil mais satisfatório.
As conclusões a que chegamos expressam, ainda, a realidade do contexto educacional do estado do Ceará, no qual, por exemplo, ainda persiste a tradição do clientelismo político, mantida por meio da indicação política do dirigente escolar, o que transmite uma má influência sobre o desempenho cognitivo do seu alunado. Na verdade, dever-se-ia adotar como critério a qualificação do profissional para assumir essa função, já que, como foi aqui constatado, a qualificação do diretor em nível de pós-graduação na área pedagógica produz efeitos benéficos sobre o rendimento escolar.
No mesmo contexto, averiguamos a contribuição negativa que a falta de um critério preestabelecido para a atribuição das turmas de 1ª a 4ª séries agrega ao desempenho acadêmico. Em contrapartida, significativas e positivas contribuições estão relacionadas à quantidade dos conteúdos previstos desenvolvidos com os alunos, ao tempo do gestor no
exercício do cargo de diretor, ao tempo que o professor ministra aulas na instituição e às condições de acessibilidade às imediações externas da escola.
Entre os resultados obtidos, é visível que as variáveis extraescolares interferem no rendimento estudantil de uma forma mais negativa do que as variáveis intraescolares. Na mesma proporção, as variáveis intraescolares influenciam o rendimento escolar de uma forma mais positiva do que as variáveis extraescolares.
Em função disso, levando em conta a proposta deste estudo, podemos afirmar que o desempenho cognitivo do aluno em Língua Portuguesa é produto de variáveis de múltiplas ordens que atuam com um efeito combinado sobre o discente. Nessa perspectiva, a culpa do baixo rendimento presente em boa parte das escolas públicas brasileiras, constatado pelas avaliações e exames nacionais e internacionais, não pode ser atribuída a um só agente ou a um só aspecto.
Analisar resultados escolares, dessa forma, conduz a uma visão que não se limita a um viés determinista, que, por enfatizar apenas as características socioeconômicas dos educandos, invalida qualquer esforço desencadeado pela escola no sentido de promover a aprendizagem de seu alunado. Pelo contrário, evidenciamos que o trabalho promovido pela escola concorre para a obtenção de melhores resultados educacionais.
Por fim, é válido sublinhar duas considerações em torno dos dados coletados pelo atual sistema nacional de avaliação da Educação Básica: 1) quanto às variáveis dos questionários contextuais, verificamos que muitas das variáveis contidas nesses instrumentos são medidas por meio de escalas ordinais, o que dificulta a análise estatística. Nesse caso, seria mais adequado mensurá-las mediante escala intervalar ou de razão. Além da forma como são medidas, é preciso estudar melhor quais variáveis devem ser incluíd as no corpo desses instrumentos; 2) quanto à completude dos dados, vale ressaltar que os questionários referentes ao diretor e ao professor foram os que apresentaram maior quantidade de dados não fornecidos.
Assim, destacamos a necessidade imperiosa de conduzir o processo de coleta de dados de uma forma mais eficaz, garantindo que as informações solicitadas nos questionários contextuais sejam devidamente fornecidas, de modo a servirem como matéria - -prima para o desenvolvimento de estudos de outras magnitudes, afinal, os dados levantados não podem ser, conforme Vianna (2003c, p. 31), “condenados ao silêncio de um arquivo morto”.
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ANEXO A – DECLARAÇÕES EXPEDIDAS PELO REVISOR DECLARAÇÃO DE CORREÇÃO DE PORTUGUÊS
Declara-se, para constituir prova junto aos órgãos interessados, que, por intermédio do profissional infra-assinado, foi procedida a correção gramatical e estilística da dissertação intitulada Variáveis significativamente relacionadas com o desempenho dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental público do estado do Ceará no teste de Língua Portuguesa da Prova Brasil/2011, razão por que se firma a presente declaração, a fim de que surta os efeitos legais, nos termos do novo Acordo Ortográfico Lusófono, vigente desde 1º de janeiro de 2009.
Fortaleza-CE, 22 de abril de 2015.
_______________________________ Felipe Aragão de Freitas Carneiro
DECLARAÇÃO DE NORMALIZAÇÃO
Declara-se, para constituir prova junto aos órgãos interessados, que, por intermédio do profissional infra-assinado, foi procedida a normalização da dissertação intitulada Variáveis significativamente relacionadas com o desempenho dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental público do estado do Ceará no teste de Língua Portuguesa da Prova Brasil/2011, razão por que se firma a presente declaração, a fim de que surta os efeitos legais, nos termos das normas vigentes decretadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Fortaleza-CE, 22 de abril de 2015.
_________________________________ Felipe Aragão de Freitas Carneiro