2.1 Silindirik Yapılar Etrafında Akım Alanı
2.1.2 Kararsız Akım Durumu
Não encontrei um conjunto de características aceitas consensualmente como adequadas para classificar uma espécie como homem moderno, em oposição a homem arcaico. Mas, pelos textos que revisamos até aqui, podemos considerar como moderna a espécie com andar ereto, dentes essencialmente humanos, cérebro grande e domínio da linguagem como a praticamos hoje. Os dois primeiros critérios encontram-se nos registros fósseis, mas não o terceiro.
Ao contrário das incertezas que cercam a origem do Homo erectus, não havendo consenso sobre quem foram seus ancestrais, há poucas dúvidas de que o homem moderno evoluiu a partir do H. erectus:
The transition from later Homo erectus to early Homo sapiens was a gradual one. Several ‘transitional’ fossils, sharing characteristics of both, are known from Europe and Africa and date to about 300 000 years ago (Jelinek 1980). Most of the evolutionary changes occurred in facial and cranial anatomy. There was no great jump in brain size. Indeed, the EQ of Homo sapiens is little greater than that of late Homo erectus, many of which fall within the range of modern humans.. (WYNN, 1988, p. 282)
Há duas hipóteses para a origem do homem. A primeira, hipótese multiregional, cada vez menos defendida, diz que a espécie humana moderna não se originou em lugar específico. Pelo contrário, as melhorias genéticas ocorridas entre as diferentes populações de H. erectus teriam constantemente irradiado por toda a população. Nesse modelo, não teria havido extinção de espécies humanas nas últimas centenas de milhares de anos ou as extinções teriam se dado apenas com as populações mais isoladas. Defensores desse modelo argumentam que qualquer mutação genética que traga alguma vantagem, mesmo pequena, para seus portadores tenderia a se espalhar rapidamente por toda a população, e que as diferentes populações de H. erectus estavam minimamente interconectadas para que a maioria fosse atingida pelas melhorias. Neste modelo, os neandertalenses estariam entre nossos ancestrais. Entretanto, muitos acreditam que no período em que surgia a espécie humana moderna não havia fluxo genético suficiente para evitar a especiação do H. erectus:
Most population geneticists [. . . ] are skeptical of the feasibility of the multi- regional-evolution model. They note that the multiregional model requires extensive gene flow across large populations, linking them genetically while allowing evolutionary change to turn them into modern humans. (LEAKEY, 1994, p. 91).
A segunda hipótese seria de que a espécie humana teve origem numa ou poucas populações africanas e substituiu todas as outras espécies de hominídeos existentes na Terra. Já vimos
que, provavelmente, não houve miscigenação entre os neandertalenses e os hominídeos e outras evidências têm se acumulado em favor da hipótese de uma origem africana. A heterogeneidade genética entre as diferentes populações humanas modernas é muito pequena para que a hipótese multiregional seja verdadeira. Além disso, o modo como essa heterogeneidade genética se dá é incompatível com o modelo multiregional. A heterogeneidade genética entre duas populações é diretamente proporcional ao tempo de isolamento entre elas. Assim, pelo modelo multiregional, seria de se esperar que os diferentes continentes apresentassem uma variação genética semelhante entre suas populações; não seria de se esperar, por exemplo, que as diferentes populações da África fossem significativamente mais heterogêneas entre si do que as populações européias ou asiáticas. Entretanto, ocorre justamente isso. O continente africano apresenta as populações que se encontram geneticamente isoladas há maior tempo desde o surgimento da espécie humana. Na África, pode-se dizer que os povos que ainda vivem ou viviam até recentemente da caça e da coleta somente tinham este meio de vida devido ao seu alto grau de isolamento das demais populações africanas, e são justamente eles os que apresentam maior heterogeneidade genética:
The most ancient branch suggested by the TDanalysis represents African hunter-
gatherer populations, from which the branch leading to contemporary African farming populations and non-African populations separates. After the separa- tion of African farmers from non-Africans, the non-African branch divides into Eurasia, Oceania, East Asia, and America, in that order. (ZHIVOTOVSKY; ROSENBERG; FELDMAN, 2003, p. 1178).
Segundo Zhivotovsky, Rosenberg e Feldman, o padrão de variação genética entre as diversas populações é compatível com um modelo em que os humanos hoje existentes seriam todos descendentes de uma pequena população existente na África há cerca de 71–142 mil anos atrás:
How small was the ancestral African population? [. . . ] the effective size of the ancestor population might have been as low as 700. [. . . ] The estimate does not preclude the presence of other populations of Homo sapiens sapiens in Africa, although it suggests that they were probably isolated from one another genetically and that contemporary worldwide populations descend from one or very few of those populations. (ZHIVOTOVSKY; ROSENBERG; FELDMAN, 2003, p. 1180).
White et al. (2003) descrevem espécimes humanos datados de 154.000 a 160.000 anos atrás e encontrados na Etiópia (Herto, Awash do Meio), nomeados Homo sapiens idaltu. Um indivíduo de sexo masculino tinha uma capacidade craniana de 1.450 cm3, superior à média dos humanos modernos e igual à média dos neandertalenses. Mas, morfologicamente, é possível afirmar que certamente não se tratava de um neandertalense. Os espécimes encontrados possuíam uma morfologia basicamente moderna, mas com alguns traços típicos do H. erectus (WHITE et al., 2003, p. 742–3).
Os autores dizem que os espécimes de H. sapiens idaltu encontrados estavam morfologica- mente eqüidistantes da maioria dos humanos modernos, o que é equivalente a argumentar ter o crânio provavelmente pertencido a um indivíduo muito próximo da postulada pequena população que deu origem a todos os humanos modernos:
Among the global sample of modern humans, the Herto crania, both metrically and non-metrically, lack any derived affinity with modern African crania or with any other modern group, confirming earlier suggestions. Instead, the closest approximations among modern individuals to the overall morphology, size and facial robusticity are found in some Australian and Oceanic individuals, although these are also clearly distinct from the Herto hominids. (WHITE et al., 2003, p. 744).