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GEREÇ VE YÖNTEM

4.5. Karaciğer Prostaglandin E2 Düzeyler

A estratégia do GDPF extrapolou as expectativas. Dos debates e diálogos do grupo surgiu uma riqueza de informações que vão muito além das inovações que pretendia estudar. Agora, entendo o significado do conselho do professor de metodologia: "recorte o seu objeto, defina seu foco!". Chegara a hora de retomar o objetivo da pesquisa, de analisar aquilo que me propus estudar. Era a hora de separar o professor do pesquisador. E fui tomado novamente por uma enorme sensação de angústia...

É difícil resumir toda a riqueza de uma experiência vivida num relato de pesquisa. Mas, enfim, é preciso encerrar um ciclo do trabalho. A pesquisa social permite uma ampla gama de processos de análise e interpretações, contudo, trata-se de uma produção científica e não deve admitir "práticas pouco consistentes" e "metodologias sem qualquer rigor" (NÓVOA, 2000, p.7).

Ao optar por investigar as inovações que os professores introduzem na sua prática diária, sem invadir o seu espaço da sala de aula, sabia que iria precisar de um instrumento que possibilitasse entender suas ações a partir da análise das experiências narradas. Na busca desse instrumento, encontrei apoio nas "narrativas" que foram objetos de estudo de outros colegas pesquisadores (BOLZAN, 2002; LIMA, 2003; MAUÉS, 2003; MENDES, R., 2002; VAZ; MENDES, R.; MAUÉS, 2001).

A leitura desses trabalhos revelou-me outras vozes que, como eu, se preocupam com a questão ética que envolve a análise dos dados colhidos num processo de pesquisa. Citá-los aqui significa não só reconhecer a autoria de suas idéias, mas reconhecer a mim mesmo como pesquisador que faz parte de uma comunidade que compartilha conhecimentos.

Nesses trabalhos, o estudo das narrativas aparece respaldado por autores de renome como Mikhail Bakhtin, Walter Benjamin, Jerome Bruner, dentre outros. Não recorri aos textos desses autores em

função da pouca disponibilidade de tempo e da escolha de priorizar a análise do meu material de campo. Confiei nas interpretações e leituras feitas pelos colegas.

Segundo Lima (2003), ainda é controvertido o lugar e o papel da narrativa na construção do conhecimento e, mais especificamente, nas produções acadêmicas. Apesar disso, esse costuma ser o modo como as pesquisas acadêmicas são relatadas. O homem estrutura o mundo através das narrativas, são elas que fundamentam nossas idéias, crenças e saberes. "Quando se narra, não se narra o que aconteceu, mas aquilo que me aconteceu, que aconteceu para mim. A experiência da narrativa faz parte, portanto, da constituição do sujeito." (LIMA, 2003, p.44, grifo da autora).

O saber manifestado através da narrativa é um saber eminentemente prático:

Embora esse saber esteja fortemente ancorado no contexto, por ser de fácil articulação com a linguagem ele tem elementos que permitem ao pesquisador elevar a prática individual dos professores com quem tem contato à condição de manifestação particular de um saber potencialmente universal. (VAZ; MENDES, R.; MAUÉS; 2001, p.5)

Além disso, os sentidos da narrativa não residem nas palavras que foram ditas. Eles "são construídos na interação, produzidos na confluência das histórias de quem narra e de quem escuta." (LIMA, 2003, p.45). O que emerge dessa relação colaborativa são novas histórias daqueles que aprendem e ensinam através de suas próprias histórias (BOLZAN, 2002).

Através das narrativas, o professor consegue descrever sua prática, na qual freqüentemente utiliza-se também de narrativas. Portanto, as narrativas funcionam não apenas como uma forma de comunicação entre professor e pesquisador, mas como principal forma de comunicação e geração de significado entre os próprios professores. (MENDES, R., 2002, p.47-48).

Os vínculos que são estabelecidos num trabalho colaborativo favorecem o aparecimento de narrativas, pelo relato de casos e histórias que revelam saberes próprios da realidade e do cotidiano do professor. Nesse processo, a relação entre os pesquisadores e os participantes desempenha um papel fundamental.

A investigação narrativa transcorre dentro de uma relação entre os investigadores e os participantes, constituindo-se em uma comunidade de atenção mútua. Quando ambos contam histórias sobre sua relação na investigação, é muito possível que sejam histórias que se refiram à melhoria de suas próprias disposições e capacidades. (CONNELLY & CLADIMIN, 1995, p. 19 apud BOLZAN, 2002, P.74, tradução da autora).

Para Bolzan (2002), a narrativa é, por si só, um processo de colaboração que favorece a explicação e a re-explicação das histórias, à medida que a investigação avança. Ao explicitar suas ações por meio

de narrativas, o professor reflete sobre sua prática e essa reflexão pode ajudar a promover o seu desenvolvimento profissional.

O aspecto principal da abordagem sociocultural através da narrativa está na compreensão de que se está vivendo em um contínuo contexto experencial, social e cultural, ao mesmo tempo que contamos nossas histórias, refletimos sobre nossas vivências, explicitando todos os nossos pensamentos, através de nossas vozes. (BOLZAN, 2002, p.75).

Quando me deparei com o enorme volume de dados gerados pelas transcrições das gravações dos encontros do GDPF, fiquei sem saber ao certo o significado de todas aquelas histórias, casos e exemplos nas falas dos professores. Após me aprofundar nos estudos citados nesta seção, descobri que a narrativa é uma das formas do professor descrever suas ações.

Além disso, a narrativa representa uma forma não violenta de entender o universo do professor. Mesmo com as controvérsias que ainda existem quanto ao uso das narrativas nas pesquisas qualitativas, os estudos concluídos por Bolzan (2002), Lima (2003), Maués (2003) e Mendes, R. (2002), corroborados por vários outros autores, reforçam o seu potencial como um poderoso instrumento de investigação.

Ricoueur (1980 apud MISHLER, 2002) defende que as narrativas representam uma técnica verbal capaz de recapitular uma experiência já vivida. Dessa forma, acredito ser possível estudar a prática dos professores através de relatos, casos e histórias que eles narram para descrever suas ações.

Benzer Belgeler